sábado, 7 de janeiro de 2017

Passageiros; Minha mãe é uma peça

Passageiros (direção Morten Tyldum, com Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen e uma participação luxuosa de Laurence Fishburne) é um blefe, um filme absolutamente dispensável no panteão dos filmes intergaláticos. Precisava dele, realmente? 

Sim, para ganhar dinheiro, claro. E muito - são dois atores carismáticos que seguram o filme todo, e ganham uma fortuna considerável, mais o Fishburne, que entra só pra morrer, e por isso deve (e merecia) ter levado uma pequena, ou grande, fortuna, mais o robozinho feito por Sheen. E o que acontece no filme? Nada, rigorosamente nada. O plot é uma bobagem: acontece uma pane numa nave espacial e um passageiro (o belo Chris) acorda 90 anos antes do previsto. Ele não aguenta ficar sozinho e decide acordar uma passageira bem legal (adivinha quem?) pra dividir o perrengue que é viver ali nos ares conversando apenas com um barman robô. E toma de romance misturado com consertos de peças da nave e plantio de árvores e blá blá blá. 

Quase bocejei, mas fiquei olhando os belos passeando e nadando naquela tela, com o universo bonito ao redor, foi só pra isso que o filme se fez. Fim. 

Minha mãe é uma peça 2 (direção César Rodrigues, com Paulo Gustavo, Mariana Xavier, Rodrigo Pandolfo, Herson Capri, Alexandre Richter, Samantha schmutz, Suely Franco, Patrícia Travassos) diverte menos do que o primeiro, achei, talvez porque para mim as piadas se mostraram meio repetitivas, e os acontecimentos são frágeis. Tentando lembrar do que acontece: os filhos crescem, saem do ninho da mãe e ela aceita mais ou menos a nova realidade, vai atrás deles, claro, e a filha acaba se revelando uma boa atriz, mesmo sendo bombardeada pela mãe à exaustão por estar fora do peso. Esse é o momento mais interessante da história, mesmo sendo politicamente corretíssimo, porque se conseguiu achar um personagem ótimo para a atriz na peça inventada para ela brilhar. Foi um dos bons momentos do filme. 

Há outros pequenos achados, como a conversa com Thales no avião, muito boa sacada, embora eu pense que a voz dele poderia ser trabalhada para ficar bacana (sim, eu acho voz importante em qualquer pessoa, gosto de ouvir uma voz convincente). Ator ele ainda não é, mas nem precisa para fazer ponta, e depois ele já está casado com uma força viva da natureza: Paulo Gustavo é realmente um espanto em termos de vitalidade, energia e talento, claro. E por ele, por essa energia incansável e aparentemente inesgotável, o filme já está com mais de 4 milhões de espectadores - acho bacana isso, um filme brasileiro batendo na marra alguns blockbusters estrangeiros. Torço pra que ele supere o filme comentado acima, se ainda não o fez.

Mas o que importa nesse filme é esse adendo, que faço hoje, 10/01, porque sigo o insta do Paulo Gustavo (e o do marido, Thales Bretas) e as mensagens que ele tem recebido dos fãs é de uma importância colossal, sobretudo num momento de retrocesso social e de intervenção política realizada através de um golpe civil que tirou uma dirigente legitimamente eleita da presidência da República, golpe esse que colocou no poder um grupo de homens brancos, ricos, misóginos, autoritários e homofóbicos. 

O filme foi visto até agora por mais de CINCO MILHÕES de espectadores, e eles e elas estão levando a família toda ao cinema, como forma de se assumir, orgulhar-se do que são, e se sentem encorajados em assumir a homoafetividade por conta da força que Paulo inspira. Isso é muito, muito além de um simples filme, e claro que muitíssimo mais importante do que meu gosto pessoal, cuja importância, nesse contexto, é zero. Fico imensamente feliz pelo êxito do filme, do Paulo e dos resultados para as vidas reais das pessoas que ele toca, e que vem tocando com seu trabalho (e vida) assumidamente gay. 


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