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quarta-feira, 16 de julho de 2008
Tabasco
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Sou de origem pobre, migrante nordestina que veio para o Rio com sete anos, pai operário e mãe faz-tudo-que-pode-para-criar-os-filhos. Essa é uma herança que me deu mais coisas boas do que ruins - me deu uma força absurda para "vencer na vida" (uso a expressão entre aspas porque hoje não me diz muito, mas toda a minha vida ela fez muito sentido, assim mesmo).
Não tendo livros em minha casa, cedo entendi que sem "estudo" eu não iria para lugar algum, além de que meu pai sorria quando eu mostrava meus (bons) feitos na escola. Por aquele sorriso, tenho certeza de que cheguei até onde alguém pode chegar em sua formação. Ele morreu quando eu tinha 15 anos, sua falta criou um buraco sem fundo em mim, e creio que estudei tanto sempre para preenchê-lo, para (re)colocar esse pai lá onde ele inexistia.
Isso tudo para dizer que hoje ouvi uma palavra - "tabasco" - que me lembrou de novo de onde eu venho. Eu não conhecia a palavra, e ao longo da minha vida eu ouvi muitas palavras cujos sentidos desconhecia, ouvi falar de lugares onde jamais fora, muitas vezes em minha cabeça eu fazia "aahh..." e imaginava o que seria aquilo, onde seria aquele possível éden.
Muitas vezes fingi conhecer algo para não dar bandeira de que eu não tinha "cultura de berço", minha estante não tivera livros, sobretudo com o "povo da Puc", nos tempos do Mestrado e Doutorado.
Vi ontem (15/08/10) a entrevista que a Marilia Gabriela (um pouco menos histriônica) fez com o Sérgio Besserman e a gente percebe quando a cultura é de berço. A dele é. Então, não sabendo o que era 'tabasco', mas sabendo que tinha no supermercado, fui lá e comprei. É apenas um molho de pimenta. Só. Mas é bom, sim.
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