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sábado, 3 de setembro de 2011

João Pessoa

Em face da catastrófica perda de sono hoje, vamos a algumas fotos de João Pessoa, que acabei de conhecer e achei muito fofa, com gente acolhedora, praias bonitas - acho que para quem mora no Rio as praias do Nordeste são quase sempre 'reconhecidas, ou seja, nós em algum lugar por aqui já vimos algo semelhante, salvo quanto ao morninho, talvez. De todo modo, fiquei pouco, só o suficiente para gostar, querer voltar, e ter conhecido uma igreja de São Francisco que me emocionou deveras - é pequena, mal conservada, mas tem um trabalho tão forte de barroco, embora as fotos não façam jus, porque não havia luz suficiente e eles pedem que não usemos flash. Todo o tempo em que mirava aquelas maravilhas, Mario de Andrade me acompanhava, e seu Padre Jesuíno do Monte Carmelo, um dos livros-mantra de Mario para mim, em que ele analisa a obsessão do traço barroco nas igrejas brasileiras e percorre o caminho desse pintor e escultor desconhecido até então, Padre Jesuíno - e uma das imagens que perduram em minha lembrança de leitura é Mario atônito diante de pedaços de dedos, unhas, nervuras, coisas mínimas em que ele via a presença da arte do autor. É muito belo esse amor à pesquisa em Mario, essa paixão obsessiva pela descoberta de algo.

Enfim, eu e Mario percorremos aquela igreja emocionados, e em sintonia profunda.

Outro momento alto foi um passeio de barco que fiz, com pouca gente e pouca música sertaneja, em que acabaram me achando muito divertida, vejam só - pra eu ser divertida era porque estava muito bem. E a cena do senhor lá tocando o bolero de Ravel é de uma breguice tão maravilhosa, amei aquilo tudo - mas tenho de confessar que essa situação só foi possível porque o pessoal do meu barco era super gente fina e a música que eles tocavam era decente (eu sempre levo protetor de ouvidos para esse tipo de passeio porque a música alta e sertaneja me dá dor de cabeça na hora, mas nem precisei usar).

De todo modo, again, o grande personagem dessa coisa toda do bolero, para mim, é o remador do barco. Que coisa, o homem fica lá remando, chegou a tirar água do barco com uma lata - nós vimos lá de longe, dá um duro danado e o outro ganha todos os louros, tão injusto isso :)). No fim, tive a honra de tirar uma foto com ele, conversei um pouco e inflamei seu orgulho, incitando-o a pedir um aumento de salário (ganha um salário mínimo para carregar aquele homem por meia hora no barco, enquanto o homem que toca ganha uns 10 mil dos quatro restaurantes que bancam o show. Achei injusta a medida, mas deve ser vantagem ainda para o remador).

Ah, e JP foi a única cidade brasileira em que meus pés pisaram que tem um traço de civilidade ímpar: quando o transeunte chega à calçada para atravessar a rua, o carro - qualquer carro - para para ele. Que tal? Mais primeiro mundo, impossível. E as ruas são limpíssimas, como em Aracaju. Isso é muito reconfortante.

Detalhes da Igreja


















O tocador do bolero e seu ajudante
Casa dos franceses, onde tudo começou, abandonada mas linda no por do sol
Feirinha no Jacaré, onde ficam os grandes restaurantes e de onde sai o barco para ver o bolero














Um homem limpando seu barco


Obra de artista local no Museu do Artista Popular

































Almoço no badalado Mangai, muito sem graça, aliás














Vista do hotel














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