Enfim, eu e Mario percorremos aquela igreja emocionados, e em sintonia profunda.
Outro momento alto foi um passeio de barco que fiz, com pouca gente e pouca música sertaneja, em que acabaram me achando muito divertida, vejam só - pra eu ser divertida era porque estava muito bem. E a cena do senhor lá tocando o bolero de Ravel é de uma breguice tão maravilhosa, amei aquilo tudo - mas tenho de confessar que essa situação só foi possível porque o pessoal do meu barco era super gente fina e a música que eles tocavam era decente (eu sempre levo protetor de ouvidos para esse tipo de passeio porque a música alta e sertaneja me dá dor de cabeça na hora, mas nem precisei usar).
De todo modo, again, o grande personagem dessa coisa toda do bolero, para mim, é o remador do barco. Que coisa, o homem fica lá remando, chegou a tirar água do barco com uma lata - nós vimos lá de longe, dá um duro danado e o outro ganha todos os louros, tão injusto isso :)). No fim, tive a honra de tirar uma foto com ele, conversei um pouco e inflamei seu orgulho, incitando-o a pedir um aumento de salário (ganha um salário mínimo para carregar aquele homem por meia hora no barco, enquanto o homem que toca ganha uns 10 mil dos quatro restaurantes que bancam o show. Achei injusta a medida, mas deve ser vantagem ainda para o remador).
Ah, e JP foi a única cidade brasileira em que meus pés pisaram que tem um traço de civilidade ímpar: quando o transeunte chega à calçada para atravessar a rua, o carro - qualquer carro - para para ele. Que tal? Mais primeiro mundo, impossível. E as ruas são limpíssimas, como em Aracaju. Isso é muito reconfortante.
Detalhes da Igreja
O tocador do bolero e seu ajudante
Casa dos franceses, onde tudo começou, abandonada mas linda no por do sol
Feirinha no Jacaré, onde ficam os grandes restaurantes e de onde sai o barco para ver o bolero
Um homem limpando seu barco
Obra de artista local no Museu do Artista Popular