Trechos da entrevista da Cássia Kiss à Isto É desta semana que achei interessantes:
ISTOÉ - A sra. brigou muito com a psiquiatria?
Cássia - Não, mas demorei para achar um profissional do qual eu gostasse. Eu me lembro de ter ido a uma consulta com um psicanalista e de ter ficado ali na frente dele por uns 15 minutos. Ele não falou nada. Daí eu me levantei e fui embora irritada. Que diabo de psicanalista é esse que não fala coisa nenhuma? Mas hoje tenho um psiquiatra e um psicanalista. Eu preciso muito deles.
ISTOÉ - E o tratamento?
Cássia - A vida se descortinou. É como se pegassem uma brocha de tinta e dessem uma pincelada no mundo, e então ficasse tudo colorido. É exatamente isso o que aconteceu. O medicamento me trouxe equilíbrio.
ISTOÉ - Que tipo de problemas esse transtorno causou para a sra.?
Cássia - Eu sempre gostei da verdade, mas eu não tinha muito critério. Dizia verdades agressivas às pessoas. Machuquei muita gente. O meu desequilíbrio era exatamente a bipolaridade - uma hora está-se eufórica, outra hora está-se na depressão total. Na euforia eu saía pedindo desculpas para todo mundo, mandando flores. Era uma mão-de-obra do cão. Eu tinha de encontrar caminhos para poder me desculpar com as pessoas e nem sempre elas me desculpavam. Quando estava bem, não construía nada, só tentava consertar o que tinha destruído no período anterior, em que estava mal. Fui muito impulsiva e saía comprando um monte de coisas e depois via que não queria nem precisava de nada daquilo. A bipolaridade provoca isso, e esses dois extremos são destruidores.
ISTOÉ - Fale de suas personagens.
Cássia - Os personagens só somaram para mim. Nenhum deles me subtraiu ou me destruiu. Pelo contrário, sempre me fortaleceram. E me agrada a mulher que eu sou hoje e eu devo isso a todas as personagens que interpretei. Surfei em universos muito distintos. Eu matei sete personagens numa novela (como Adma, em Porto dos milagres, da Rede Globo). E eu adorava. A maldade não tem compromisso, não tem ética. É uma delícia não ter compromisso com nada. Compromisso dá trabalho. Eu tenho compromisso com meus filhos. E, nesse sentido, ser mãe é uma grande meleca.
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domingo, 8 de março de 2009
sábado, 8 de março de 2008
eu, não
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Se a gente ainda tem de ser cumprimentada no dia 8 de março é porque falta muita coisa para nossa metade da humanidade. Menos congratulações e hipocrisia, e mais trabalho e salário decentes para todas e todos.
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