Cada vez mais ando querendo viajar, ir a outras plagas, outros mundos - teria sido mais justo para todos nós que a cada human being fosse dado o direito de ir e vir sem ônus algum de passagens, estadias, tipo assim, quatros viagens por ano pra onde quisesse por, digamos, dez dias, podendo escolher uma casa, uma família com quem trocar hospedagem.Sim, isso já existe hoje, mas quem pode pagar tudo que tal aventura comporta? Trata-se aqui de utopia, ou de um sonho realizável por quem tem: coragem, energia, disponibilidade, espírito de aventura e entrega incondicional ao desconhecido.
Par contre, todo mês agora bato ponto no Rio (por enquanto, pelo menos), um pouco por dever filial, outro tanto porque não preciso pagar estadia, fico no meu apartamento, hoje ocupado pela mãe e suas cuidadoras. Isso é bom, claro - o Rio não é uma cidadezinha sem importância, é uma cidade lindíssima, um grande centro cultural, dinâmico, heterogêneo, bagunçado etc, etc - e põe etecétera nisso -, e ter onde pousar na cidade é um privilégio, claro.
Mas também tornou-se uma espécie de obrigação - como minha vida financeira ficou muito restrita, em razão exatamente da exorbitância que viver (ou manter a vida de uma pessoa idosa) naquela cidade passou a custar, fico sem asas para voar, tenho que ir onde é possível - e, nesse caso, o Rio não apenas se tornou possível, mas obrigatório. Aí fica chato, não é mais turismo, não é mais liberdade, nem aquilo que chamo viagem.
Tá certo, vou ficar de castigo por reclamar injustamente. Mas sem insatisfação, como caminhar em direção aos sonhos?


