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sexta-feira, 30 de março de 2012

Em Recoleta

Nunca tinha visitado o cemitério da Recoleta e hoje o fiz, guiada por uma simpática senhora, que não cobra nada pelo excelente trabalho e oferece ótimas informações durante uma hora de agradável passeio por esse museu a céu aberto, onde moram com capricho figuras ilustríssimas da história portenha, Evita também, claro.

Mas a história que mais me chamou a atenção foi a da moça que morreu numa viagem a Espanha, se não me engano. Estava dormindo e uma nevasca  arremessou sobre ela um bloco de neve tão poderoso que a moça morreu... sufocada. Não dá pra imaginar tal situação, mas fiquei viajando muito nessa coisa quase inacreditável: como, sufocada? Ela não sentiu o peso ou o frio da neve? Não acordou sobressaltada e pulou fora rapidamente? Como isso aconteceu? O pai escreveu um poema de dor, cujo sentido  ainda estou tentando compreender, pois de italiano entendo pouco.

De todo modo, é um lugar muito interessante, em que as moradias são patrimônios valiosos, e vendem-se no mercado imobiliário como qualquer outro imóvel. Para homenagear também nossos mortos ilustres, de que a cultura brasileira sentirá  falta: Millôr e Chico, descansem em paz.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Jardim Japonês

E no Jardim Japonês aconteceu uma cena pela qual eu não esperava. Estava sentada no banquinho, quieta, curtindo aquela paisagem bela e repousante, na sombra fresquinha, ouvindo a água escoar, que está por toda parte desse belo espaço, quando vejo um gatinho encolhido embaixo do banco em frente. Uma família com uma criança também o viu e o pai o mostrava pra criança, encantado com a soneca do bichano.

Fiquei mais algum tempo por ali e voltei a caminhar, olhando as flores, o verde, ouvindo o silêncio e vendo a beleza. Dei a volta e cheguei de novo perto da entrada, onde as pessoas colocam os bilhetinhos para ter sorte, sentei no banco próximo e me preparava para ir embora quando de repente ouço o grito de três moças próximas a mim e o flash de um gato correndo feito um bólide em direção a... um passarinho, que ele agarrou nos dentes, fugiu veloz e em alguns minutos só restavam as peninhas, várias, espalhadas pela relva. Fiquei, como as moças, em estado de espanto absoluto, nem sabia que gatos eram carnívoros, nem que corriam tanto e ainda lambiam os beiços... esse lambeu, eu vi...::). Não sei se o gatinho que flagrei é o mesmo birds' killer, não deu pra fotografar o evento em si, mas a raça dos felinos está meio comprometida para mim agora.



O jardim é japonês, logo...











Água escorrendo por toda parte, muito repousante













O arquiteto que fez essa ponte deve ser o mesmo que fez a outra quase igual que fica em nosso Jardim Botânico, tenho uma foto quase idêntica tirada aqui.











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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

... cuando yo te vuelva a ver...

Tendo voltado, achei bom ter ido, e do que mais gostei é do que gosto (quase) sempre: conversar com o/as desconhecido/as na rua, sobretudo com os motoristas de táxi de Buenos Aires. Desta vez encontrei uns dois com quem tive ótimas conversas, e nenhum me aplicou ou quis aplicar golpes, como da última vez, em que dancei com a história da nota de cem falsa.

Fiz uma viagem low cost, achei ótimo não precisar comprar quase nada, dá uma enorme liberdade. Fiquei numa gracinha de hotel, banheira com hidromassagem (que nem me lembrei de usar), passeei a pé pelo bairro, tomei sorvete Freddo de doce de leite com amêndoas (só bom demais, e claro que engorda muuuito) no shopping Recoleta, pra onde fui a pé, vi um show de tango no Piazzolla Tango, uma casa de espetáculo menor mas onde me senti mais exposta, e conversei com as pessoas na volta do show bem animada.

Uma cena engraçada aconteceu na saída desse show. Fiquei acomodada numa mesa próxima à porta de entrada (como essa da foto), de onde se podia ver todo o salão um pouco abaixo, com duas mesas imensas, em que pelo menos cem pessoas em cada, a maioria  brasileiros, jantavam e bebiam animadamente. Pode ser impressão, mas acho houve alguns olhares em minha direção, porque eu era realmente a única pessoa, e mulher, sozinha naquele salão. Enquanto o show não começava, pra não ficar só olhando o povo jantando, comecei a jogar os pássaros maledetos, como chamo o vício em Angry Birds, e foi o que deu pra fazer. Depois o show começou, as luzes se apagaram e relaxei.

No final, minha preocupação era encontrar o motorista da van, e subi as escadas em direção à saída. Anda-se um bom trecho dentro do shopping até encontrar os rapazes que carregam as fichas com os nomes dos passageiros. Fui a primeira a chegar, perguntei a um deles onde estava a van que me levaria e ele perguntou: eres fulana de tal? Eu disse sim, mas como sabes? Ele respondeu que eu era a única sem acompanhante. Eu achei o máximo, ri com vontade, tive vontade de levantar o braço e dizer: 'eu tenho a força!' ::)



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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Desde Buenos Aires

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Bom, desta vez minha estadia em Buenos Aires foi um pouco melhor, apesar dos reveses, que foram basicamente dois: os joelhos incharam por conta de dois lances de escadas no primeiro hotel, onde fiquei dois dias (já estou fazendo fisioterapia), na verdade um B&B com donos super gentis, mas que só é adequado para jovens ou senhores de ossos inteirinhos; e a preguiça que ainda me fez comer mal algumas (poucas) vezes.

O que foi ótimo: estar no Hotel Querido, de Mariana e Ali, ela baiana, ele inglês, ambos pessoas ótimas, que ajudam o quanto podem para tornar os dias de seus hóspedes mais felizes. O hotel é lindo, clean, adequado, quartos muito bons, ponto excelente. Ou melhor, o lugar é uma perdição, porque em torno dele há várias ruas só de outlets de marcas, com promoções que mesmo não sendo de preços baixíssimos, são tentadoras e não creio que haja cristão que consiga se eximir de deixar uns bons pesos por lá. Eu, pelo menos, não consegui, com toda dor nos joelhos, até porque a lembrança de Gabriel não me deixava, nem a dos outros sobrinhos, e tem uma marca chamada Grisino que tem coisas lindinhas para os babies; também a Cheeky, onde achei o mais macio macacão de bebê que já toquei, e em promoção de verdade. Enfim, lugar excelente para comprar.


Essa é apenas uma das ruas mortais, há várias outras por perto.
Dentre outras coisas boas, fui ver um show de tango chamado Senhor Tango e amei. Aproveitei a companhia de Vanessa e Artur, duas gracinhas de pessoas que estavam hospedadas no Querido, e lá fomos nós. O lugar é muito bonito, uma espécie de galpão enorme, cheio de coisas estranhas e interessantes, entre elas a estátua de Borges sentadinho olhando por nós.


O show abre de forma impactante, com dois cavalos brancos e lindos subindo ao palco duas vezes; os dançarinos dançam muito; o cantor canta bem demais e achei tudo ótimo, mas muito caro lá dentro - uma garrafa de água, que foi tudo que pedimos, custava 25 pesos, em torno de 13 reais, foi a água mais cara que já tomei, e ainda ficou meia garrafa.

Não se pode fotografar nada quando o show começa, mas já no final muita gente pega a máquina e fotografa o que dá, eu também, claro. Pena que não fotografei os cavalos, lindíssimos.

Das comilanças, a melhor de todas foi esse pollo que comi no Minga restaurante, junto com uma salada transcendental, que veio compensar um purê de batatas...doce. Pedi purê e veio aquela coisa doce, purê propriamente dito chamam de pasta, só aprendi depois que paguei pelo erro. Mas valeu pela salada, a melhor que já comi, ever.















Também andei no ônibus de turismo que faz o percurso pelos bairros mais conhecidos, gostei muito também.


Fui a Camiñito, que é mesmo bem simples, parecido com o Porto Seguro de décadas atrás, com aquela feirinha simples e restaurantes espalhados pela rua, cujos empregados ficam chamando as pessoas. 








Depois Puerto Madero, onde fiquei um pouco mais e fiz a escolha péssima de restaurante, melhor não comentar. Quando ia pegar o ônibus para continuar o passeio, começou a chover e resolvi voltar de táxi, foi só entrar nele e caiu um toró daqueles. Aliás, passei bastante frio por lá, mesmo tendo visto no Weather Channel que ia fazer sol todos os dias em que lá estaria, isso não ocorreu, ou melhor, havia sol mas também muito frio. Então, se for a Buenos Aires nessa época leve casaco, mesmo que o canal do tempo mostre um solzão.

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sábado, 29 de maio de 2010

desde buenos aires 2

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A questáo da comida foi falta de sorte, ou preguiça de procurar os lugares indicados em blogs, ou pela anna v. Cheguei na quarta já bem tarde e morta de fome porque, como sabemos, a Gol só oferece um mísero sanduichinho para almoço, entao comi no hotel mesmo. Pedi uma carne que veio com um molho meio rosé, absolutamente sem gosto, e um arroz sem qualquer dignidade de arroz. Fiquei chateada, e achei que já estava chegando mal, e confirmo agora, na saída - a comida do hotel Bel Air es mui mala, malíssima, inclusive uma torta de chocolate com frutas vermelhas totalmente sem graça que pedi ontem, e só comi quase as frutinhas.

No dia seguinte, já escaldada, pedi sugestão à concierge e ela indicou um restaurante perto daqui chamado Los immortales, com cara bem simpática e almocei o mais ridìculo frango com purê da minha vida. Na verdade, era para ser legumes com frango, mas veio errado. Outra bola fora. No terceiro dia peguei um táxi (o do motorista que sai quatro vezes ao mês com a mulher etc..) para tentar ver a Carmina Burana, um balé no teatro San Martin, mas o jornal noticiou a hora errada, já tinha passado, daí fui a um shopping enorme, o Galerìas Pacífico, porque nao seria possível nao encontrar um mísero lugar decente para comer num grande shopping.



(Achei muito bonita e desafiadora essa pintura, bem no arco grande do shopping. Não se vê com frequência esse tipo de trabalho nos templos de consumo daqui).







E, pues, na praça de alimentação com aquelas variadas opções que conhecemos, achei um lugar legal, que fazia os pratos na hora e se podia escolher os lindos legumes expostos. Escolhi alguns (estava seca para comer brócolis, vai entender), fiz uma mistureba saudàvel que tinha pollo tambèm, e estava bem bom. Mas - é claro que tem um mas - e vocês verao después quando eu postar a foto. (O outro 'mas'é óbvio: como alguém sai do Rio e vai comer com alguma decência em Buenos Aires num shopping? Pois é, cartas para a redaçao :).



(Pois é, pratinho de plástico e talheres de plástico - ninguém merece. Ainda perguntei se havia pratos e talheres para gente grande, mas não, tudo assim, uma tristeza).







Hoje, um pouco antes de fechar o quarto, fui rapidinho almoçar aqui perto, num lugar simpático onde havia tomado um sorvete ontem, por concessao do gatíssimo dono, porque ele me habia dito que ali era um restaurante, mas me serviu o gellado. Bom, fui a primeira a chegar, expliquei ao garçom que tinha apenas uma hora para almoçar e pedi um bife com macarrao, mais simples impossível. Deu certo - um bife decente e a massa idem. Nada demais, só decentes. E sem sal. Nadie Nada aqui vem com sal, o que pode até ser saudável para o coraçao, mas é péssimo para o (meu) paladar. 



(Pois então, foi o que achei de melhor por lá, bife com gosto de e macarrão idem, além do bom queijo).











(E havia no hotel esse chuveiro muito interessante, que levei algum tempo para decifrar, mas quando nos entendemos foi só alegria - água morna, ducha relaxante, muito bom).


No quesito alimentaçao, nota 2 para essa minha estadia em Recoleta. Mas isso náo quer dizer que nao tenha gostado daqui. Gostei muito, quero voltar, inclusive para este hotel - tirando o restaurante, ele é ótimo, sobretudo por conta do silêncio absoluto no meu quarto, um presente inimaginável - silêncio total e completo, nenhum zumbido, nenhuma voz, nenhum som - tudo de que carecia minha alma, e um presente dos deuses para meus ouvidos cansados de sons inúteis e desagradáveis.

Fiquei com vontade de conhecer melhor a terra, quem sabe passar uns meses morando aqui, se tudo correr bem.  Porque, convehamos, se nem comer direito eu consegui, na verdade só passei raspando por aca.
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

desde buenos aires

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Estou aqui em Buenos Aires desde quarta feira, volto amanha (nao achei o til nesse teclado), sábado, e acabei de falar agora com minha irma, minha mae esta internada para fazer exames mais detalhados, acho que ela precisava mesmo desses exames, sobretudo da parte neurológica. Torcer para que as coisas caminhem bem.

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Sobre Buenos Aires, tenho sentimentos difusos. De um lado, há uma certa euforia por termos uma moeda que vale duas vezes a moeda local, embora os precos aqui me pareçam inflados. Tudo é mais barato e ao mesmo tempo relativamente mais caro.

Por exemplo, uma caixinha com três sabonetes argentinos (amo sabonetes cheirosos) custou 24 pesos, o que dá em torno de 12 reais, ou 4 reais por sabonete - nao é exatamente baratinho, e o melhor deles custou 14 pesos apenas uma unidade, me pareceu o melhor, mas bem caro, acho.

Quanto aos casacos de couro, ficam em torno de 400 reais ou 800 pesos, acho relativamente baratos porque sao de ótima qualidade. Ah, estou na Recoleta, no hotel Bel Air, muito bom, indicaçao do viajenaviagem.  

De todo modo, percebo que há um sentimento de tristeza nos argentinos em geral. Conversei com motoristas de táxi, sempre ótimas caixas de ressonancia da saúde das sociedades. Um deles me disse que está difìcil viver porque o que se ganha, sendo já pouco, nao paga o básico da alimentaçao.

Outro me disse que sai com a mulher uma vez por semana, o que dá (ele mesmo observou) quatro vezes ao mês, e eles vao a um lugar ouvir música clássica (o rádio de seu táxi tocava esse tipo de música) e ler - um motorista de táxi sai numa sexta feira com a mulher para ler e ouvir música - só isso já mostra uma diferença grande entre nossas culturas.

Percebe-se que além de uma certa tristeza, há também orgulho um tanto ferido e uma grande confiança na cultura, no saber, mas também alguma coisa como uma histeria contida, longemente semelhante àquela que vi em Assunçao, mas presente.

Há um estado de premência, uma competiçao pelos turistas, sobretudo brasileiros; há também um sentimento difuso em relaçao a nós. Tive a impressao de que estamos meio que pilhando a terra, e eles se ressentem disso, porque sao cultos e sabem que somos um tanto invasores. Vi brasileiros que me envergonharam, vi outros agindo de modo educado, civilizado. No geral, essa coisa de compras, compras, em qualquer lugar é sempre um tanto depressiva, mas acaba-se comprando.

Sobre comidas, grande decepçao, depois conto.

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