segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sophie Calle - IV

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A suivre... é já um título sugestivo – seguir alguém e/ou ser seguida é basicamente o que se faz ao longo das 149 páginas desse volume. Aqui, o enfado parece ser o motor das ações da protagonista, que segue Maria, no Leviatã: “Os primeiros meses foram solitários e desnorteantes. Não tinha amigos, não tinha uma vida de que se pudesse falar, e a cidade parecia ameaçadora e estranha, como se nunca tivesse estado lá. Sem motivo consciente, passou a seguir estranhos pelas ruas, escolhendo alguém aleatoriamente, ao sair de casa de manhã, e permitindo que essa escolha decidisse seu rumo pelo resto do dia.” (Leviatã, p. 69).













Composto de três partes – ‘Préambule’, ‘Suite vénitienne’, ‘La filature’ -, a primeira constitui uma espécie de diário, escrito à mão e nem sempre legível, que dá algum trabalho de ler, razão por que passei meio batida por ela, mas para quem se interessar, uma mínima porção:













A ‘Suite vénetienne’ segue os passos de Maria, com a diferença de que a personagem de Calle segue o homem até Veneza: “Algum tempo depois, um homem tentou seduzi-la na rua. Achando-o por demais desinteressante, rejeitou-o. Na mesma noite, por pura coincidência, encontrou-o na inauguração de uma galeria no SoHo. Conversaram de novo e então descobriu que o homem partiria na manhã seguinte para Nova Orleans com a namorada. Maria decidiu ir também e segui-lo com a máquina fotográfica durante sua estada.” (Leviatã, p. 70).

Esse é um dos mais obsessivos percursos empreendidos pela personagem, que vasculha Veneza em busca de um desconhecido, já que não tem a menor idéia de onde ele vai hospedar-se. Uma das grandes utilidades dessa busca louca é que o livro acaba se tornando uma excelente fonte para a prática do idioma francês, já que tudo é minuciosamente descrito e mostrado em fotos, além de nos fazer conhecer inúmeros hotéis venezianos, já que ela enumera grande quantidade deles:














A história vira um pouco detetivesca, há um enredo nessa busca insensata e frenética, e o leitor segue não apenas curioso por seu desfecho, mas também para saber até onde vai a obsessão dessa moça: será que ela vai encontrar o homem que persegue por treze dias? E o que fará, quando (e se) o encontrar?

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Em ‘La filature’ (algo como ‘A vigilância’), ela cria o artifício de contratar um detetive particular para que a siga e fotografe cada um de seus (dela) passos, e o mais interessante da história é comparar a versão dela, a vigiada, com a dele, o detetive. Há visões diferentes para o mesmo fato, até mesmo horários distintos para a mesma cena, quando o cansaço do homem faz minguar seu tempo de campana em algumas horas. Ainda aqui, o interesse maior reside na curiosidade do leitor face ao vaivém da protagonista e, em certa medida, na cumplicidade voyeurística que se estabelece entre ele e as aventuras que ela se propõe, de modo sistematicamente aleatório.


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Sophie Calle. A suivre.... In Doubles-jeux. Paris: Actes Sud, 1ª ed., 1998.
Paul Auster. Leviatã (1992). Trad. Thelma Médice Nóbrega. São Paulo: Ed. Best Seller/Círculo do livro, s/d.
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sábado, 28 de maio de 2011

Sophie Calle - III

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O título do terceiro livro – Les panoplies (As panóplias) - faz referência aos possíveis troféus, à exposição de coisas e do corpo presente nos dois conjuntos de, faute de mieux, “objetos performáticos”.

Serão, talvez, objetos menos perfomáticos do que idiossincráticos a documentação em sequência das roupas que ela envia anonimamente a um desconhecido, fotografando as ocasiões em que ele as usa, e desejando que um dia ele venha a vestir-se totalmente com as indumentárias que lhes envia, bem como as roupas e adereços que utiliza numa sequência de striptease, objeto da segunda parte do pequeno volume.














Com relação ao striptease, ele aparece em outro livro da autora, pelo menos em mais um que não faz parte dessa coleção: trata-se de um conjunto de pequenas estórias, acompanhadas de fotos também, sob o título Histórias reais, publicado aqui pela Agir em 2009, no âmbito do Ano da França no Brasil, e originalmente publicado na França em 2002 pela Actes Sud.

O excerto em questão tem por título “O striptease” e nele Calle aparece em uma foto com os seios desnudos e o mesmo texto, agora traduzido, que antecede essa parte de Les panoplies. Também a capa daquele livro – Histórias reais -, apresenta uma foto dos seios da autora, que será republicada com um pequeno texto cujo título é “Os seios milagrosos”, em que ela diz que na adolescência era uma tábua, mas depois os seios cresceram inexplicavelmente etc, etc.































A outra parte do livro, então, são fotos de um minucioso e emblemático striptease, performance que ela toma emprestada a Maria, claro, do romance de Auster, só que nele Maria dança sensualmente numa boate, substituindo uma moça que havia faltado naquela noite, por acaso: “Usando uma tanga de pedrarias e saltos altos de cinco centímetros, sacudia o corpo ao som do rock and roll em último volume e correspondia ao olhar dos homens. Balançava a bunda para eles, passava a língua pelos lábios e piscava sedutoramente quando lhes davam notas de um dólar para incentivá-la.” (Leviatã, p. 71).

Aqui, a personagem radicaliza seu projeto ao expor-se até as últimas consequências, muito além do "peito aberto" com que já havia oferecido o corpo em outros momentos e textos. Agora ela vai até a nudez completa e frontal, por 19 fotogramas, retirando peça por peça, sem resquício de pundonor, o que fez essa leitora aqui, ainda sem entender direito, abrir e fechar a boca, em total estranhamento. Eu confesso que não sei ainda o que dizer da obra, seu estado de arte, mas em consonância com esse gesto extremo da autora, nada me impediria de ir até o fim dessa saga. Alguma coisa teria de ficar mais clara, fechar num sentido ou em outro - artes plásticas? literatura? crônica de costumes? pornografia? maluquice? Tudo isso talvez se possa dizer do projeto de Sophie Calle, além de instigante e desafiador, certamente. 







 
 
 
 

  
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Sophie Calle. Les panoplies. In Doubles-jeux. Paris: Actes Sud, 1ª ed., 1998.
____. Histórias reais (2002). Trad. Hortencia Santos Lancastre. Rio de Janeiro:Agir, 2009. Ano da França no Brasil.
Paul Auster. Leviatã (1992). Trad. Thelma Médice Nóbrega. São Paulo: Ed. Best Seller/Círculo do livro, s/d
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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Piratas

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De Piratas do Caribe 4, pode-se dizer: o contrário de 'frescor'- repetitivo, sem graça, nada de novo, monótono, erro de mão, chatinho.

Enfim, preste atenção, queridíssimo Depp, não se trata apenas de fazer rios de dinheiro, é preciso ter um filme ótimo também.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Vergonhoso retrocesso para preservar corrupto

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Arrego vergonhoso de Dilma quanto aos vídeos contra homofobia, e tudo para salvar um corrupto contumaz! Esse país vai demorar séculos para tomar vergonha na cara com atitudes como essa.

Enquanto isso, num inglês escandido, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos põe os pingos nos iis.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sophie Calle - II

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No livro I, sob o título De l’obéissance (Da obediência), são reproduzidas as passagens do Leviatã que apresentam as idiossincrasias da personagem Maria, conforme se lê nesses trechos, espero, inteligíveis.




























Há também um agradecimento da autora a Paul Auster, e o mesmo agradecimento dele a Sophie Calle encima a folha de rosto do Leviatã, que ela copia aqui:
L’auteur remercie tout spécialement Paul Auster de l’avoir autorisée à mêler la fiction à la réalité
(A autora agradece muito especialmente a Paul Auster por tê-la autorizado a misturar a ficção à realidade)

No Leviatã:
O autor agradece especialmente a Sophie Calle por permitir a fusão de fatos reais com a ficção






























Estamos então no terreno das trocas de gentilezas entre os autores que, nesse gesto, reafirmam publicamente os laços entre ambos e subscrevem uma das facetas documentais do trabalho. Outra forte entrada no real onde firmemente ancora-se o trabalho de Calle serão os registros fotográficos, indispensáveis tanto à compreensão quanto à fruição do conjunto dos livros. Sem esse registro não há Doubles-jeux, razão por que o ex namorado, cujo email enviado a Calle terminando a relação, com sua frase final – “cuide de você” –, ensejou a monumental exposição do MAM, tem certa autoridade para afirmar em entrevista concedida à Folha durante sua passagem pela Flip 2009 (junto com a ex-namorada):

Folha Online - O senhor acredita que Calle e o senhor exponham suas vidas privadas de maneiras distintas?
Bouillier - Acredito que a diferença essencial seja que Sophie Calle é uma artista plástica e eu sou um escritor. Isso quer dizer que nosso olhar sobre o mundo não é o mesmo, não buscamos os mesmos efeitos e não dispomos dos mesmos meios. Não manipulamos o íntimo da mesma maneira. Por exemplo, para mim é inconcebível pedir aos outros que exprimam em meu lugar aquilo que eu sinto, como vejo as coisas etc. Isso é algo que vai totalmente de encontro aos objetivos da literatura, da verdade da escrita. Mas é que a verdade de Sophie está no exterior. Tudo o que eu digo é que a verdade dela não é aquela de um "homem de letras"...

( http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u585012.shtml )

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De todo modo, o livro I é uma espécie de Prólogo ao conjunto todo, e também uma prévia dos jogos que virão. Primeiro, por expor claramente as regras do sistema de apropriação que se fará do romance de Auster; segundo, pela foto ambígua na capa e no miolo do livro, em que a narradora-personagem-autora aparece numa fotografia cheia de sugestões emblemáticas: espécie de Alice num mundo encantado de cores, animais, borboletas e inocência, a jovem loura sorri marotamente para a câmera, meio piscando para o leitor em cumplicidade, e já na página seguinte muda de jogo e aparece acompanhada do pai no meio de um cemitério, cuidando da catacumba dela e dele.































Acompanhamos a personagem vivendo sob os regimes das cores, num momento, e das letras do alfabeto em outros. Impressão dessa leitora ao cabo do primeiro volume: mas que coisa será que essa senhora nos propõe, afinal?
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Sophie Calle. De l'obéissance. In Doubles-jeux. Paris: Actes Sud, 1ª ed., 1998.
Paul Auster. Leviatã (1992). Trad. Thelma Médice Nóbrega. São Paulo: Ed. Best Seller/Círculo do livro, s/d.
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domingo, 22 de maio de 2011

Sophie Calle aos pedaços - I

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Conheci Sophie Calle na grande exposição feita no MAM no ano passado, a respeito da carta escrita pelo amante que a abandonou, e que comento aqui.

Na mesma época, encontrei alguns livrinhos dela na livraria do CCBB, em francês e a preços quase exorbitantes. Quando enfim fui a Paris, em novembro do ano passado, encontrei essa pequena caixa com uma bela coleção de sete de seus livrinhos, sob o título geral de Doubles-jeux, coloridíssimos, com projeto gráfico elaborado, de modo a seduzir qualquer um que goste não apenas de ler, mas de livros. Comprei, claro. Mas, como se sabe, voltei de lá também com uma forte tendinite que me dificulta escrever até hoje, vários meses depois. De todo modo, a coleção está lida, e o livro com a qual todos os sete dialogam – Leviatã, de Paul Auster – também foi lido, dever de casa cumprido, vamos ver se consigo dizer minimamente de que se compõe esse projeto.


Será necessário observar, primeiro, que não ter lido Leviatã antes de me aproximar desses textos de Calle tem importância para a compreensão do projeto, porque em todos os livros a primeira página abre-se com uma pequena observação, sob o título ‘La règle du jeu’ ('A regra do jogo'), em que se diz basicamente o seguinte:

No livro Leviatã, publicado pelas edições Actes Sud, o autor, Paul Auster, me agradece por tê-lo autorizado a misturar a realidade à ficção. Ele, de fato, utilizou certos episódios de minha vida para criar, entre as páginas 84 e 93 de sua narrativa, um personagem de ficção cujo primeiro nome é Maria, que em seguida me deixa para viver sua própria história.

No primeiro livro ela copia – literalmente, copia – as páginas do livro de Auster que apresentam sua (dele) personagem Maria, sublinhando aqui e acolá onde houve modificações, e quais foram elas, mas seguindo, no geral, a pauta que ele sugere no romance. E a pauta indica que as idiossincrasias dos projetos de Maria, no romance de Auster, serão quase todas seguidas (na verdade, perseguidas) pela personagem-narradora de Calle ao longo de toda a obra (já aqui considero os sete livrinhos partes-em-processo do mesmo livro: Doubles-jeux). Essa a primeira isca que se lança sobre o leitor: será verdadeiro ou não esse jogo? Teria Auster permitido essa clonagem, ou estaria ela se apropriando de obra alheia, plagiando-a, interferindo no conteúdo de um romance para produzir sua própria história? Só no final esses mistérios seriam desvendados, depois de ler todos os livros e, afinal, conhecer o mundo ficcional de Leviatã.
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Sophie Calle. Doubles-jeux (De l'obéissance - I; Le rituel d'anniversaire - II; Les panoplies - III; A suivre... IV; L'hôtel - V; Le carnet d'adresses - VI; Gotham Handbook - New York, mode d'emploi - VII). Paris: Actes Sud, 1ª ed., 1998.

Paul Auster. Leviatã (1992). Trad. Thelma Médice Nóbrega. São Paulo: Ed. Best Seller/Círculo do livro, s/d.
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Amanda diz e prova

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Dá-lhe Amanda! Muito boas falas, e com um sotaque tudo de bom! 
E a prolação das palavras, a enunciação de cada som, por menor que seja, é quase música, como é bom ouvir nossa Língua falada com essa majestade! Vi aqui

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terça-feira, 17 de maio de 2011

conversa d'além túmulo

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Por primeira vez, desde há muito tempo, apareceu vontade de revisar o último ensaio escrito sobre a obra de Hilda, com vistas a publicação, talvez, de cujo título gosto: No silêncio de Deus: a poesia de Hilda Hilst. Eis senão quando paro tudo porque um pensamento novo me assaltou, e foi:  gente, o que será de mim quando eu morrer?


Fiquei tão abismada de repente, porque não tenho a mais mínima idéia do que isso - o pensamento - significa. Sei (desejo) que meu corpo será cremado, o pozinho não tenho idéia de onde será jogado, nem quem jogará - talvez fosse boa idéia jogar no Aterro do Flamengo, quase não vou mais lá mas é um lugar sempre tão bonito, e já gostei muito de caminhar por ali. Sorry, fantasminhas, não sou macabra de jeito nenhum, estou achando uma coisa até engraçada pensar em mim como pozinho mas, enfim, não sei mesmo o que fazer de mim quando eu morrer. Alguém sabe?


Será que isso tudo se chama fuga ao trabalho? Mesmo gostando de quase tudo que está escrito, dá um certo enjôo reler texto já feito e, principalmente, corrigi-lo. Voltemos, então, porque ainda estou viva, e o mundo dos vivos requer o trabalho, afe.
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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Belo encontro

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Conheci aqui, gostei demais e sem paciência para escrever sobre Sophie (mas o farei), aí vai: Adele


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ainda as redes

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Ainda as redes sociais, sobre as quais converso nos comentários aí embaixo com osvjor, outro dia estava pensando em suas possíveis vantagens, e me dei conta de que elas podem ser úteis, dentre outras funções, para acalmar quem vive uma experiência de exílio. Lembro de que quando vivi sozinha sete longos meses em Providence, fazendo pós doutorado, usava o MSN sofregamente. Era ali que estabelecia contatos (será que fulano está aqui? Será que quer falar comigo?) que me tiravam daquela solidão absurda, daquela terra estranha que não me acolhia de jeito nenhum e com cujas pessoas eu tinha enorme dificuldade em interagir. O MSN era o lugar onde ‘meus pares’ estavam, onde eu reclamava de tudo, conversava, fazia amigos que, enfim, falavam a minha língua.

Então, quando vejo hoje essa miscelânea de gente desconhecida de quem não tenho muita vontade de me aproximar e que, em tese, seriam ‘meus amigos’, com aquele dedo polegar para o alto indicando que alguém curtiu qualquer coisa dita ou mostrada, acho engraçado e nesse momento me dou conta de que não tenho muito a ver com aquele universo, pelo menos nesse momento. Não quero o salão grande, quero o petit comitê do blog, quero falar com os poucos que me escolhem, conversar se possível, mesmo que passem por aqui de raspão.

De todo modo, é bom que existam essas possibilidades de contatos variados, ágeis e em larga escala para cada momento de nossas vidas. Se eu estivesse sob qualquer forma de exílio voluntário hoje, estaria muito à vontade no grande salão do facebook, ou nas ruas multitudinárias do twitter, interagindo e buscando seduzir com minha melhor frase para encantar – e para espantar solidão.

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terça-feira, 10 de maio de 2011

domingo, 1 de maio de 2011

Me rendo

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Na verdade, o tempo correto da forma verbal do título é "Me rendi" ao formato de exposição dos blogs que eu sigo através dos links de suas atualizações. Eu fazia esse circuito olhando o blogroll da anna v, achava mais prático e me sentia meio impedida de fazer o mesmo aqui, porque me via meio exposta e cobrada quando entrava em algum blog e o linha estava lá, sem atualização há tempos. Enfim, percebi que há uma crise na sistemática de atualizações de vários blogs, mas quem gosta de escrever nesse tipo de espaço acaba voltando, mesmo sem frequência regular, e está tudo bem assim. Então, meu povo, vamos trabalhar porque agora o linha exporá nossa laziness ::))

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Fui ver O sonho bollywoodiano e achei, na ordem: chato, mal feito, bobo, ruim como documentário e como ficção. Se for visto pelo viés documentário, que ele tem, não quero ir à India de jeito nenhum - nada daquele universo me pegou: não creio mais em saídas "espontâneas" ou escapadelas para longe a fim de resolver problemas de grana, emprego ou para encontrar um sentido para a vida olhando a miséria dos outros - e as meninas não convencem nem Madre Teresa de Calcutá de que precisam ir tão longe para ganhar algum (não sei por que a pobre madre apareceu aqui, aliás, sei, é por conta da enorme miséria da India que é presença  preponderante no filme, e que é vista pelo olhar das três protagonistas como se fosse uma "paisagem" - explicar isso requereria mais teclados e palavras do que estou podendo agora). De todo modo, nada me interessou ali, algumas falas chegam a ser patéticas, tipo "a dor é o elemento comum a todas as culturas" e blá, blá, blá. A única coisa interessante - ia dizer o garotinho que ensina as meninas a dançar, mas acho tão pouco para o enorme tempo que fiquei ali vendo nada, mas enfim, vá lá: o menino que ensina as moças a dançar foi a única coisa que me fez sorrir um pouco, ele é uma gracinha.
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