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domingo, 30 de agosto de 2009

Indignação - Roth

Indignação - Philip Roth

Primeiro, as coisas de que não tenho gostado na literatura de Roth: uma certa exacerbação das pesquisas, sejam elas de natureza histórica, como se dá aqui, sejam as de caráter científico, porque acho que a ficção perde sempre, mesmo quando o texto ganha numa certa acurácia. 

No caso desse romance, o autor chega mesmo a colocar no final uma "Nota histórica", em que ele situa e explica as transformações sociais que, na década de 60, chegaram à "preconceituosa e apolítica Winesburg", bem como faz várias observações, logo depois dessa Nota (no que ele chama de "Créditos") sobre a tradução do hino nacional da China utilizada no corpo do texto; sobre o fato de que "a maior parte do diálogo atribuído a Marcus Messner nas páginas 79-81 é reproduzida praticamente ipsis litteris da palestra de Bertrand Russel" e ainda sobre a literalidade das citações de um tal livro The growth of the American Republic.

Nada disso tem muita importância para a ficção ela mesma, e esse tipo de comentário não acrescenta absolutamente nenhuma qualidade extra que o romance já não tenha, com o agravante de que fragiliza o pacto de não-verdade com o leitor que uma boa obra precisa estabelecer em bases bem sólidas (só como exemplo, para estar no espírito do pacto investigativo que tais pesquisas propõem, fui ao google para ver se realmente existia a tal Winesburg University e encontrei uma outra de nome bem semelhante, cuja frase de apresentação em sua homepage diz o seguinte: As a Christian institution, Waynesburg University believes that faith, learning and serving are interconnected parts of a greater whole. Our students lay foundations for lives of purpose and impact. Welcome to a dynamic community that proudly states, "I am Waynesburg University!").

Esse é o mesmo espírito que preside as falas do diretor da instituição ficcional, e que de algum modo provocam as reações mais exaltadas e as falas mais apaixonadas do protagonista na defesa intransigente de sua própria liberdade de pensar, de agir, agnosticismo incluído, mas existir ou não o modelo deixa de ser relevante face às cenas inventadas a respeito das querelas morais e religiosas do personagem.

Outro dado que, a meu ver, fragiliza o romance de Roth é a presença excessiva da cultura americana do Norte, suas traços estão profundamente arraigados em sua prosa, diria que o autor fincou os dois pés nessa tradição e é de lá que arma suas tramas, muito boas, é verdade, mas ainda assim com um certo ar local.

Mais um senão, esse ligado ao problema da 'pesquisa, é que para tratar da família de um açougueiro (pai, mãe, filho) - e um açougueiro kosher - Roth dá um banho de sangue na narrativa, e os cortes, as matanças de animais, o torcer de pescoço das aves, tudo remete a um excesso de sangue que não (me) interessa muito, e a impressão que dá é que ele estudou direitinho a lição, compreendeu por dentro a mecânica dos cortes para poder escrever sobre o assunto - só que deixou a marca desse domínio na narrativa, como um molde um tanto vazado.

Então, o que me fez ler Indignação até o final, e ler com vontade (mas nem tanto prazer), foi o que sempre me parece ser o melhor dele: a linguagem, a capacidade de contar histórias com domínio técnico da escrita, de modo que a gente segue os fios narrativos, engrena todas as tramas, mesmo quando o romance termina por um resumão, numa espécie de último lance - sob o título "Saindo de baixo" -, em que o autor explica em quatro páginas o fim trágico do protagonista, em sua inapelável opção pela guerra.

Trecho:

"Cresci cercado de sangue - sangue e sebo, afiadores de faca, máquinas de fatiar e dedos amputados em parte ou por inteiro nas mãos de meus três tios, assim como na de meu pai -- e jamais me acostumei com isso, jamais gostei disso. O pai de meu pai, morto antes de eu nascer, foi um açougueiro kosher (era o Marcus cujo nome herdei e que, devido a sua perigosa ocupação, não tinha metade de um polegar), como o eram os três irmãos de meu, pai, tio Muzzy, tio Shecky e tio Artie, cada qual dono de uma loja semelhante à nossa em locais diferentes de Newark. Sangue nos estrados de madeira que ficavam atrás dos mostruários refrigerados de porcelana e vidro, sangue nas balanças, nos afiadores, margeando o rolo de papel encerado, no bocal da mangueira que usávamos para lavar o chão da geladeira - o cheiro de sangue era a primeira coisa que eu sentia quando ia visitar meus tios e tias em suas lojas." (p. 35).

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Philip Roth. Indignação. Trad. Jairo Dauster. São Paulo: Cia das Letras, 2009.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fantasma sai de cena

Fantasma sai de cena. Philip Roth.

Muita gente já escreveu sobre o livro de Roth, que saiu aqui em meados de 2008, por isso vou apenas pontuar algumas questões que me tocaram em especial.


Primeiro, o fato de ele tratar, entre outras coisas, da velhice, da decadência física, da doença e da morte sem qualquer vestígio de complacência ou pieguice. O narrador-protagonista, um homem de 71 anos que tem incontinência urinária, fruto de um câncer de próstata, volta a Nova Iorque depois de um retiro de 10 anos vivendo e escrevendo num vilarejo, para tentar um tratamento que o libere das fraldas. Mas a vida lhe reserva surpresas inesperadas: ele se apaixona por uma jovem mulher casada e se abisma face ao desejo inesperado, que não supunha ainda possível.


Há vários aspectos interessantes no livro, e um dos traços de sua literatura - a metaficção - aqui aparece não apenas como técnica utilizada em determinados momentos, mas como tema, pois uma das tramas do romance diz respeito à feitura da biografia de um escritor amigo do protagonista, e este se opõe ferozmente ao projeto do jovem carreirista, batendo de frente com ele ao longo de todo o romance, até porque esse rapaz seria, em princípio, amante da mulher por quem ele se apaixonara.


De todo modo, será uma longa carta de protesto escrita então pela ex-amante (Amy Bellette) do escritor morto, para uma revista, que trará para o leitor uma posição muito clara e argumentos convincentes a respeito dos malefícios que os estudos culturais e, por extensão, a prevalência da biografia, de episódios da vida do escritor sobre o escrito, trouxeram para os estudos literários. Um trecho dela:


Antigamente as pessoas inteligentes usavam a literatura para pensar. Esse tempo passou. Durante o período da guerra fria, na União Soviética e nos seus satélites na Europa Oriental, eram os escritores sérios que eram expulsos da literatura; agora, nos Estados Unidos, é a literatura que foi expulsa como influência séria sobre a percepção da vida. Hoje em dia, a maneira mais comum de utilizar a literatura, tal como se vê nas páginas de cultura dos jornais mais esclarecidos e nos departamentos de letras das universidades, é tão avessa aos objetivos da literatura criativa e às compensações que ela proporciona ao leitor de mente aberta, que seria melhor se a literatura não tivesse mais nenhuma utilidade pública.

O jornalismo cultural do seu jornal - quanto mais abundante ele se torna, pior fica. Assim que assumimos as simplificações ideológicas e o reducionismo biográfico do jornalismo cultural, a essência do artefato se perde. O seu jornalismo cultural não passa de fofocas de tablóides disfarçadas de interesse pelas 'artes', e tudo aquilo que ele toca se reduz ao que não é. Quem é a celebridade, qual é o preço, qual é o escândalo? Quais as transgressões que foram cometidas pelo escritor, e não contra as exigências da estética literária, mas contra a filha, o filho, a mãe, o pai, o cônjuge, a amante, o amigo, o editor ou o animal de estimação? (p.177).



Vejo aqui muito das diatribes vociferadas por Harold Bloom contra os estudos culturais e a crítica feminista nos departamentos universitários norte-americanos, há alguns anos atrás. Acredito que Roth inspirou-se nas idéias dele para escrever essa carta por sua personagem, e ela só não se transforma em libelo, ou prejudica o romance por seu caráter excessivamente "de tese" porque está dentro do contexto temático do romance, não se trata de cena meramente periférica.


A crença nos malefícios da 'pesquisa biográfica' em detrimento do valor literário da obra é um dos pilares da estrutura do romance, e ela se amalgama naturalmente ao projeto do protagonista, que se propõe metas bastante difíceis em sua volta à cidade grande: ele busca a cura para sua doença, mesmo conhecendo sua intangibilidade; ele se apaixona perdidamente por uma jovem (casada), mesmo sabendo da impossibilidade de um desfecho satisfatório para sua paixão; ele luta contra os modos e as modas (culturais) do tempo, sabendo de antemão ser uma briga inútil.


E porque há esse caráter quase épico em sua jornada,queremos acreditar também em suas causas, torcemos para que nem tudo desmorone a sua volta, embora saibamos que dificilmente isso deixará de ocorrer.


Quando nada mais dá certo para ele, saímos também da leitura com o mesmo sentimento melancólico que nos domina à leitura de "A máquina do mundo", de Drummond:


"E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco


se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e as aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas


lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e meu próprio ser desenganado,


[...]


A treva mais estrita já pousara,
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,


se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas".


[CDA. A máquina do mundo. In: Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1973, p. 271].



Philip Roth. Fantasma sai de cena. Trad. Paulo Henriques Britto. São Paulo: Cia das Letras, 2008.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Seize the day



Quando eu era menina, por volta dos 15 anos, estudava inglês no IBEU (do Méier) com bolsa, portanto tinha de tirar sempre notas acima de 70 para não perdê-la e estudava muito (aliás, sempre gostei de estudar, sempre senti que minha alforria estaria nos estudos e assim foi).
Um dia, procurava na biblioteca do curso algo para praticar o idioma e dei de cara com um livro chamado Seize the day, do Saul Bellow. Não lembro nada da estória, nem do estilo, nem sabia nada do autor, mas tenho até hoje a sensação de haver lido um grande romance, e o nome do Bellow sempre me remete a um sentimento de compartilhamento de algo muito precioso, muito forte.

Isso vem a propósito de que Philip Roth, no livro Entre nós ("Relendo Saul Bellow", p. 150-172), comenta os romances (acho que todos) do autor de modo bem pessoal e afetivo, e sobre esse em questão observa:


"Agarre a vida (1956)

Três anos após The adventures of Augie March, Bellow publica Agarre a vida, uma novela que é a melhor antítese ficcional de Augie March. Trata-se de um livro enxuto, compacto, densamente organizado e doloroso; a história se passa num hotel para idosos no Upper West Side de Manhattan, e os personagens são em sua maioria velhos, doentes e moribundos, enquanto Augie March é uma obra vasta, esparramada, loquaz, transbordando de tudo, inclusive entusiasmo autoral, tendo como cenário todos os lugares em que é possível captar em êxtase a plenitude da vida. Agarre a vida conta a história do momento culminante, ocorrido num único dia, da desestruturação de um homem que é o oposto de Augie March sob todos os aspectos relevantes". (p. 155).

Como se vê, minhas escolhas e empatias literárias sempre pontuaram um certo sentido do trágico, que me habita. Claro que vou ler Seize the day (desta vez em tradução) para atualizar minha impressão de outrora e (re)conhecer, afinal, o que tanto me marcou então.


segunda-feira, 3 de novembro de 2008

sobre Roth, Auster e literatura


Li uma ótima resenha do livro Indignação, do Philip Roth, feita por David Gates, do N.Y. Times, e publicada no Idéias JB do último sábado, 01/11/08, em que ele elogia muito o livro, a obra do autor, e observa coisas como

Em geral, prefiro os romances curtos e devastadores sobre sexo e mortalidade - Homem comum, Fantasma [sai de cena], O animal agonizante (2001) - em vez de suas incursões históricas, políticas ou sociais maiores - Pastoral [americana], A marca humana (2000), Complô contra a América (2004) - apesar de admitir que os livros grandes são mais gostosos de ler, uma vez que oferecem um cardápio mais rico de passatempos do que aqueles que cada um de nós tem disponíveis no mercado. Indignation, que se passa durante a Guerra da Coréia em uma pequena e conservadora faculdade de Ohio - chamada Winesburg - tem algo em comum com os dois estilos rothianos. Evoca um período terrível da história dos Estados Unidos (em oposição a todos aqueles períodos idílicos), mas, como nos dois romances anteriores de Roth, também é econômico e cruel.

A nota mais interessante, no entanto, está logo à frente, quando Gates observa que

O segredo de Roth, creio, é sua extrema segurança como contador de histórias - e paradoxalmente, uma humildade suprema. Sua escrita está a serviço da história e de seus personagens; ele é pragmático, não beletrista. Se certas convenções de enredo e linguagem fazem o trabalho, por que sofisticar?

Creio que essa é uma das minhas dificuldades com Roth. O que eu gosto em literatura é o trabalho com linguagem, é uma sofisticação mesmo no campo das formas, do estilo. Uma simples história bem contada, para mim, não faz a literatura que me aprisiona, embora eu leia com prazer os romances de detetive e/ou science fiction (li sem parar O senhor dos anéis e queria mais), ou mesmo best sellers como Quando Nietzsche chorou, mas entro nessas obras sabendo qual é o pacto, esperando apenas o que elas têm a oferecer.
Já a alta literatura me chama por outras razões, gosto exatamente dos não-pragmáticos em linguagem e por isso amo o jogo ficcional que o Auster propõe, e desse articular genialmente, para mim, uma tênue linha entre o real e o ficcional. É como equilibrar-se em cima de um fio resistente sobre o abismo, e convidar-nos a brincar também com o perigo.


domingo, 7 de setembro de 2008

Homem comum



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Depois de quase nove meses, consegui enfim terminar Homem comum, do Philip Roth. Não vou resenhar o livro, só alguns comentários breves:

- não me parece que o texto do Roth tenha a mesma força que o do Auster (a comparação vem a propósito de que fiquei todo esse tempo largando um autor e pegando livros do outro);
- gosto infinitamente mais do jogo ficcional do Auster;
- o livro em questão conta um historinha de um homem cheio de mazelas, sem jamais chegar a um momento realmente dramático; tudo nele é morno;
- as frases são quase tolinhas. Por exemplo: "O pior de ser insuportavelmente sozinho era ter de suportar a situação - senão ele afundaria."; "Mas, tendo pintado quase todos os dias desde que se mudara para a praia, havia perdido o interesse. A necessidade premente de pintar havia passado; a empolgação pela atividade com que pretendia preencher o resto de seus dias se dissipara. Ele não tinha mais idéias." [p. 77.]

- o homem pode ser comum, o personagem também, mas o escritor não pode, nem sua linguagem literária.


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Philip Roth. Homem comum. Tradução Paulo Henriques Britto. São Paulo, Cia das Letras, 2007.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Homem no escuro


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Estou tentando ler, desde janeiro, Homem comum, do Philip Roth, mas não sei o que há com o livro que não engrena de jeito nenhum. Não é o caso de desistir, acho que deve ser um ótimo livro, mas enquanto ele não acontece na minha vida, li Homem no escuro, do Paul Auster, quase de uma assentada só. Essa é a quarta obra dele que leio, mas não cheguei ainda ao Leviatã (devo admitir que esse fascínio pelo autor estende-se também às capas e ao trabalho gráfico da Companhia das Letras, amo o colorido das capas de cada um dos livros, e essa preta está igualmente linda).

Bom, o Auster sabe escrever, sabe seduzir o leitor, isso é inegável. Mesmo quando o livro é menos que ótimo, caso de Desvarios no Brooklyn, ele sempre sabe o que está fazendo.

No caso de Homem no escuro, há também o recurso a várias estórias sendo contadas ao mesmo tempo, técnica que ele domina com maestria e que me parece ser uma das forças de sua literatura. Aqui, correm juntas a estória propriamente dita sobre um homem (o narrador) que separou-se da mulher, sofreu um grave acidente e volta a morar com a filha Miriam, que escreve a biografia de Rose Hawthorne, a filha do escritor estadunidense, a que vem juntar-se alguns meses depois sua neta, Katya, estudante de cinema, quando perde o namorado num ato terrorista iraquiano, filmado e veiculado na internet ad infinitum, com requintes de sadismo e crueldade. A moça dedica-se, no momento, a ver filmes e anestesiar-se da realidade intolerável. Em função disso, há percepções interessantíssimas sobre filmes e cinema em geral, como em:

Fugir para dentro de um filme não é como fugir para dentro de um livro. Os livros nos obrigam a lhes dar algo em troca, a exercitar a inteligência e a imaginação, ao passo que podemos ver um filme - e até gostar dele - num estado de passividade mecânica. (p. 19).


O modo como o narrador apresenta suas 'micro-ficções dentro da ficção' é sempre perturbador, porque a coisa acontece meio abruptamente, e em pelo menos mais um romance ele abandona um desses personagens a sua própria sorte (em Noite do oráculo, Bowen acaba trancado num quarto e o narrador joga a chave fora. Fiquei dias aflita com aquele homem trancado para sempre entre quatro paredes...). Aqui, ele simplesmente tem uma insônia e começa a criar o personagem cuja função será, ao longo da narrativa, matar seu criador, esse mesmo narrador:

Eu o coloco num buraco. Parece ser um bom início, um jeito promissor de tocar a história. Colocar um homem adormecido num buraco e depois ver o que acontece quando ele acorda e tenta rastejar dali. Estou falando de um buraco fundo, na terra, uns três metros de profundidade, escavado de modo a formar um círculo perfeito, com paredes internas escarpadas, de terra grossa e bem compacta, tão dura que a superfície tem uma textura de cerâmica, talvez até de vidro. (p.9).

Pois então, esse homem aparentemente sem saída será resgatado por uma organização que ... O que importa dizer aqui é que a ficçao de Auster é sempre uma aposta ganha. Ele já está na minha lista de autores de quem posso comprar qualquer livro, e não há erro. O próximo será Leviatã, mas antes tentarei pela enésima vez engrenar o Homem comum. Última tentativa.
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Homem no escuro. Paul Auster. Tradução Rubens Figueiredo. São Paulo: Cia das Letras, 2008.