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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

BOAS ENERGIAS




Peguei essa imagem linda do Wilben Bohac para desejar um Feliz Natal para todos e um 2009 com saúde, alegria, prosperidade e mais todas as coisas boas que merecemos!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

que ano novo que nada

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Até que enfim passou o ano, passaram as festas e toda a chatice que envolve o final do ano. Dormi solenemente, fechei todas as janelas, tapei os ouvidos e apaguei, maravilha. Acho que está na hora de um ano acabar no dia 30 e o outro começar em 2, vamos pular esse circo todo que enche o saco de qualquer cristão sem paciência, como eu. O que mais abomino: minha rua é tomada pela galera de dois botequins que ficam um bem na esquina e outro logo depois, e que faz um escarcéu sem tamanho com música nefanda, num alto-falante gigante que fica dentro do porta-malas dos carros. Não satisfeitos em tomar um lado inteiro do começo da rua, agora eles também tomaram o outro lado, onde fazem churrasco, dançam, bebem e fazem outras coisas, enfim, o inferno total. E essa rua era bucólica, acreditam? Quando vim morar aqui, escolhi primeiro a rua, depois o apartamento, agora quero sair não só da rua, como do prédio, do Rio e quiçá do mundo. Oh, chatice.

Então não tem balanço nenhum de nada, só que estou viva, coisa à beça, embora ouvindo o som altíssimo de uma música chatíssima de um vizinho aqui perto. Não dá pra fechar tudo de novo, porque acho que o ar não aguenta virar dia e noite. Meu deus, tudo está muito, muito decadente ou eu estou me tornando um ser impossível.

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sábado, 22 de dezembro de 2007

de natal e expectativas

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Eu não gosto mesmo dessa época de Natal, nem de Ano Novo, sou daquelas que se angustiam com o entorno dessas festas: gente pra todo lado, confusão, compras em excesso, todo mundo querendo achar o tal espírito natalino nos lugares mais improváveis de encontrar, nadando de braçada para não se encontrar sozinho consigo mesmo, enfim, essa é uma época muito triste para minhas antenas sensíveis. Mas, como é Natal, pequenos milagres acontecem, como eu encontrar um amigo querido que não vejo há séculos, num lugar aprazível (que palavra! :), com quem é bom conversar até o fim dos tempos. Também receber telefonema de amiga que ao longo do ano submerge nas milhares de tarefas impostas pela labuta (que outra palavra! :) acadêmica e retomar a conversa como se tivéssemos interrompido ontem, lembrando as viagens que fizemos juntas, os congressos a que fomos, new orleans antes da queda, os malucos do radissom hotel, enfim, em meio aos cacos dos finais de ano, pequenos espaços de fraternidade e afeto, que bom.

Para ficar no espírito, um poema muito antigo do Drummond, que faz parte de um pedacinho de minha história:


Resíduo


De tudo ficou um pouco.
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponto bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.

De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil.
De tudo fica um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas,
e sob as nuvens e os ventos,
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte de escarlate
e sob as bibliotecas, asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

(CDA, Poesia completa e prosa, Aguilar, 1973, p. 162-5).