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Por primeira vez, desde há muito tempo, apareceu vontade de revisar o último ensaio escrito sobre a obra de Hilda, com vistas a publicação, talvez, de cujo título gosto: No silêncio de Deus: a poesia de Hilda Hilst. Eis senão quando paro tudo porque um pensamento novo me assaltou, e foi: gente, o que será de mim quando eu morrer?
Fiquei tão abismada de repente, porque não tenho a mais mínima idéia do que isso - o pensamento - significa. Sei (desejo) que meu corpo será cremado, o pozinho não tenho idéia de onde será jogado, nem quem jogará - talvez fosse boa idéia jogar no Aterro do Flamengo, quase não vou mais lá mas é um lugar sempre tão bonito, e já gostei muito de caminhar por ali. Sorry, fantasminhas, não sou macabra de jeito nenhum, estou achando uma coisa até engraçada pensar em mim como pozinho mas, enfim, não sei mesmo o que fazer de mim quando eu morrer. Alguém sabe?
Será que isso tudo se chama fuga ao trabalho? Mesmo gostando de quase tudo que está escrito, dá um certo enjôo reler texto já feito e, principalmente, corrigi-lo. Voltemos, então, porque ainda estou viva, e o mundo dos vivos requer o trabalho, afe.
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terça-feira, 17 de maio de 2011
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Todos se le van
Alguém escreveu este verso: Si le vent avait sufflé du Nord, mes pins de Basilac étaient perdus e esse alguém vai morrer também. CDA morreu. JCMN também. Eu vou morrer. Todos os meus amigos, amigas, os ricos (os pobres já morrem demais), os mal vestidos, os bem, os gordos -- os magros também, mas menos. Estar aqui, lá, nos chateaux franceses, nos palácios dos irmãos jaloux americanos, no daquele magnata do cinema idem -- tinha um rio a correr dentro do palácio – qual o nome dele? -- em qualquer lugar de ontem, de hoje ou de amanhã -- todos vamos morrer. Eu também vou morrer. HH morreu há pouco, ela quis morrer -- a graça da vida era ela descer líquida, mas na velhice tudo desanda, fígado, rins, ossos, e a vontade de escrever não sustenta o futuro -- que futuro quando os anos depois dos (90? 70? 80?) já afunilam a chegada final do lance final do currículo-labirinto. Todos MORREREMOS. Fim. Ana CC não quis esperar, deu aflição no pensamento e ela preferiu voar pela janela afora, libertas quae sera tamen. Drummond nunca mais vai passear na orla de Copa ou sentar no banco da praça, tomando ar fresco e olhando as meninas que passam em doce balanço, nem Vinicius, nem Jobim. Chico também vai morrer, eu vou morrer, L vai morrer, my mother vai morrer, my sister idem, R também vai, e M e T e F todo o alfabeto vai morrer.
Que nome pôr no lugar de todo mundo? Ah, Borges também morreu, embora tenha vivido mais intensamente do que qualquer de nós.
Que nome pôr no lugar de todo mundo? Ah, Borges também morreu, embora tenha vivido mais intensamente do que qualquer de nós.
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