L'avenir, de Mia Hansen-Love, com Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka, Edith Scob.
Os franceses gostam de fazer filmes sobre temas tabu, e não temem falar sem compostura e/ou enfeites sobre a morte, o fim, a decadência, a velhice sem glamour, a vida como ela aparece para o comum dos mortais, e L'Avenir trabalha nessa clave de modo eficiente, ao retratar a vida de uma mulher, professora de filosofia, interpretada com empenho e força por Isabelle Huppert.
Os franceses gostam de fazer filmes sobre temas tabu, e não temem falar sem compostura e/ou enfeites sobre a morte, o fim, a decadência, a velhice sem glamour, a vida como ela aparece para o comum dos mortais, e L'Avenir trabalha nessa clave de modo eficiente, ao retratar a vida de uma mulher, professora de filosofia, interpretada com empenho e força por Isabelle Huppert.
Acho que o filme move-se muito bem em torno dessa força da cultura francesa, ou seja, um certo modo blasé de lidar com traições amorosas, relações afetivas, família e suas interdependências etc. São culturas bem diferentes, as nossas, destituídas aquela das paixões e excessos sentimentais com que estamos acostumados a lidar no campo afetivo.
Também achei bom ver não apenas a Huppert, que vem fazendo trabalhos muito bons com fortes personagens femininos, mas o protagonismo da mulher não apenas nas tarefas que lhe são imputadas culturalmente, mas no campo profissional também, onde ela está muito bem posicionada, e no modo como não se transforma em refém ou coitadinha pela traição do marido.
Também achei bom ver não apenas a Huppert, que vem fazendo trabalhos muito bons com fortes personagens femininos, mas o protagonismo da mulher não apenas nas tarefas que lhe são imputadas culturalmente, mas no campo profissional também, onde ela está muito bem posicionada, e no modo como não se transforma em refém ou coitadinha pela traição do marido.
A última lição, de Pascale Pouzadoux, com Sandrine Bonnaire, Marthe Villalonga, Antoine Duléry, Gilles Cohen, Emmanuelle Galabru.
Esse filme deveria ser um drama sobre o fim da vida de uma mulher idosa que resolve morrer quando decide que é hora de morrer - aliás, en passant, esse também é meu projeto, se eu puder realizá-lo, ou seja, se estiver com as mínimas habilidades disponíveis para tal por volta dos 90 - e se chegar até lá, bien sûr. Acho, como a personagem Madeleine, que não se precisa viver até o fim dos fins, há um momento em que a vida dói, e ela precisa terminar.
De todo modo, o filme cumpre alguns de seus requisitos, tais como não ser um melodrama excessivo sobre o fim, ou sobre a decisão da senhora em ir-se quando ainda pode decidir sobre si - não há moralismos indevidos, apenas o drama dos filhos que não conseguem aceitar a decisão dela - o que parece lógico, porque acredito também que o sofrimento maior é perder algo, ou alguém.
Mas também não me convenci muito, nem vi verdade real nem no excesso de sentimentos do filho, nem no excesso de cumplicidade da filha. Ambos me pareceram um tanto além da conta. Talvez eu seja suspeita para comentar, sob qualquer ângulo, tal relação - sou hoje a filha responsável pelos cuidados e administração da vida de minha mãe, que tem 91 anos e um certo nível de demência, talvez entrando em Alzheimer, mas com certeza bastante instável quanto à sanidade. Não, ela não está no mesmo nível de lucidez da protagonista, aliás um ótimo trabalho de Marthe Villalonga, mas mesmo assim achei aqueles arroubos entre mãe e filha um pouco além da realidade - Sandrine Bonnaire, a filha Diana, sorri demais, a coisa toda é tudo menos pra rir. Ou não tenho mesmo como olhar pra essa tela com olhos objetivos.
Mas Amor (Michael Haneke, 2012) me veio à mente - Amor e sua tragicidade inamovível, a real história da velhice e da morte, vivida pela magnífica Riva e pelo ótimo Trintignant - esse é o chão da coisa, para mim. A coisa mesma.
De todo modo, o filme cumpre alguns de seus requisitos, tais como não ser um melodrama excessivo sobre o fim, ou sobre a decisão da senhora em ir-se quando ainda pode decidir sobre si - não há moralismos indevidos, apenas o drama dos filhos que não conseguem aceitar a decisão dela - o que parece lógico, porque acredito também que o sofrimento maior é perder algo, ou alguém.
Mas também não me convenci muito, nem vi verdade real nem no excesso de sentimentos do filho, nem no excesso de cumplicidade da filha. Ambos me pareceram um tanto além da conta. Talvez eu seja suspeita para comentar, sob qualquer ângulo, tal relação - sou hoje a filha responsável pelos cuidados e administração da vida de minha mãe, que tem 91 anos e um certo nível de demência, talvez entrando em Alzheimer, mas com certeza bastante instável quanto à sanidade. Não, ela não está no mesmo nível de lucidez da protagonista, aliás um ótimo trabalho de Marthe Villalonga, mas mesmo assim achei aqueles arroubos entre mãe e filha um pouco além da realidade - Sandrine Bonnaire, a filha Diana, sorri demais, a coisa toda é tudo menos pra rir. Ou não tenho mesmo como olhar pra essa tela com olhos objetivos.
Mas Amor (Michael Haneke, 2012) me veio à mente - Amor e sua tragicidade inamovível, a real história da velhice e da morte, vivida pela magnífica Riva e pelo ótimo Trintignant - esse é o chão da coisa, para mim. A coisa mesma.


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