Já em O amor é estranho temos uma comédia sobre as relações contemporâneas, nesse caso entre um casal homossexual de meia idade que se vê repentinamente sem um lugar para morar,e o modo como eles enfrentam essas adversidades, dividindo-se em casas de parentes, até que as coisas começam a desandar, como esperado, claro. Nunca morar em casa de alguém por necessidade será fácil ou agradável, para quem recebe aquele "intruso", ou para o que não tem outro lugar pra ficar. De todo modo, o filme enternece, faz rir, e faz pensar nas dificuldades atuais para achar um canto pra morar (por coincidência, estou no meio de um processo parecido, embora não tenha tido necessidade de pedir asilo a ninguém - eu mesma me exilei de minha casa e cidade por mais de um ano). Lá e cá também, a situação de moradia parece difícil - e ser um casal gay apenas nos faz ficar mais cúmplices de suas desventuras.
domingo, 22 de março de 2015
Dois filmes
Duas irmãs, uma paixão explora o triângulo amoroso entre duas irmãs e o poeta alemão Friedrich Schiller. O interesse fica em torno da ambiguidade sobre o que move as duas moças em direção a um pacto que claramente envolve fortes sentimentos entre elas - seriam apenas sentimentos fraternos, ou também amorosos?. Essa ambiguidade, e a entrega total ao amor de Schiller, bem como a paixão do poeta por temas profundos, ligados não apenas à poesia, mas à História do pensamento, ou um nascente pensamento histórico sistemático, tornam o filme necessário. Um pouco menos longo, talvez, em pelo menos um momento: o longo discurso da mãe pela reaproximação das filhas me pareceu uma das cenas dispensáveis. As duas atrizes são ótimas, mas o ator que faz Schiller cumpre o esperado, não mais que isso, me pareceu.
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