segunda-feira, 29 de março de 2010

Um sonho possível

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Achei o filme com a Bullock apenas entretenimento, não há muito a dizer - uma senhora rica se enternece com um rapaz negro, pobre e meio limitado. Esse interesse muda a vida do rapaz e ele se torna um jogador de sucesso. Ponto. Agora, por que ela ganhou o Oscar por essa interpretação, não tenho a menor idéia. Acho que o altruísmo que ela interpreta foi agraciado.

PS. O documentário com o Macalé, comentado aí embaixo, passou domingo no Canal Brasil. Vi de novo e gostei de novo.

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quinta-feira, 25 de março de 2010

Jards Macalé, um morcego na porta principal


O de que eu mais gostei no documentário Jards Macalé, um morcego na porta principal foi tentar me ver em vários momentos históricos que aparecem, sobretudo aquele show no MAM, fiquei me procurando no meio daquele povo todo, tenho certeza de que estava ali :)


Outra coisa boa é reviver emocionalmente algumas canções que foram importantes na história de minha geração, sobretudo Vapor baratoMovimento dos barcosLuz negra (acho que só a primeira é cantada no filme) -- quem dentre nós não gritou "oh, minha honey, baaaby, honey baby!", era como um hino de tresloucada liberdade, como cantar aos berros Janis Joplin, enfim.


Gostei também do aspecto meio anárquico do documentário, porque é um pouco a identidade musical do Macalé, que se inscreve em vários lugares da história musical brasileira, e transgride em vários momentos políticos. Uma cena engraçadíssima é ele contando sobre sua prisão quando fazia um show com Moreira da Silva, ambos são levados à delegacia e tudo é humor desbragado, rimos muito.


E pra ficar no clima, Vapor barato -- oh céus, oh dias, oh tempos! :)


PS. Perguntei a L se ela queria ouvir uma música legal, essa, ela disse: Não!
Aí ouviu a interpretação do Rappa e começou a dançar na cadeira, dizendo amar essa música! Entendo.

Mas a minha interpretação favorita é mesmo a da Gal berrando todos os berros. Vão os dois modos de cantá-la.
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Vapor Barato



Composição: Jards Macalé e Waly Salomão; Interpretação: Gal Costa


Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas, não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio
Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
E não me importa, honey


Oh, minha honey baby
Honey baby, baby
Oh, minha honey baby
Honey baby, baby
Baby, baby, baby
Honey baby


Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas, não pra dizer
Que eu estou indo embora
Talvez, eu volte
Um dia eu volto, quem sabe
Mas, eu quero esquecê-la
Eu preciso
Oh, minha grande
Oh, minha pequena
Oh, minha grande
Obsessão


Oh, minha honey baby
Honey baby, baby
Oh, minha honey baby
Honey baby, baby
Baby, baby, baby
Honey baby


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segunda-feira, 22 de março de 2010

Tempo

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sábado, 20 de março de 2010

Melodia sentimental

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Outro dia estava dando zaps na TV, esperando o sono, quando dei com o Canal Brasil e um filme passando, Deus é brasileiro, do Cacá Diegues. Fui ficando e vendo, menos pelas imagens do que pelo som, pela trilha sonora. Havia coisas estranhas ali, diferentes, interessantes e bonitas. No final, uma música deslumbrante (e uma cena idem), que eu conhecia, mas, com o alemão à espreita, demorou para cair a ficha: era 'Melodia sentimental', do Villa Lobos, simplesmentes uma das coisas sonoras mais belas que eu conheço.

Aí, xeretando no google e no youtube, dei com essa interpretação de Bethania, do filme Música é perfume, outra coisa lindíssima, que eu já havia visto também nesse mesmo canal, há algum tempo.

A interpretação de Bethania é emocionante, e a performance dela ao cantar essa canção  é de corar de tanta breguice - por isso mesmo eu amo, acho deslumbrantemente cafona - e perfeita! Na verdade, ela ouve sua própria voz e vai interpretando com mãos, braços e movimentos de cabeça e olhos e bocas tudo aquilo que ouve, e que a emociona. É muito interessante, demais, não me canso de ver, de ouvir - e de sorrir.

Essa é a letra, consegui trazer também o vídeo do You tube:

Melodia Sentimental
Composição: Heitor Vila-lobos / Dora Vasconcelos

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar

As asas da noite que surge
E corre no espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar

Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor

Acorda, vem olhar a lua
Que dorme no espaço profundo
Querida, és linda e meiga
Sentir teu calor e sonhar

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E aqui uma versão só instrumental, tocada por "troubleclef" (não sei quem é, mas gostei de sua interpretação):



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sexta-feira, 19 de março de 2010

canções, lutos, perdas

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São quatro da manhã, perdi o sono, e como estava falando na casa dele sobre a Amy, aí vai a letra e uma tradução que não sei se é a melhor (no site de onde tirei tem o nome da autora, Fefa Guimarães).
De todo modo, eu tenho a impressão de que já ouvi essa canção, mas cantada por outra voz negra similar à de Amy, mas talvez seja alguma outra clássica parecida com essa, não sei.


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Ah, e a canção me lembrou que gosto muito da Sandra Bullock e ninguém queria estar na pele dela, com certeza. Força aí, Sandra, levante seu Oscar bem alto e diga: eu sou mais eu!


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Volta ao luto


He left no time to regret                                        Ele não deixou tempo pra se arrepender
Kept his dick wet with his same old safe bet         Ficou na "meia bomba" com a mesma velha e segura aposta
Me and my head high                                          Eu e minha cabeça embriagada
nd my tears dry, get on without my guy                E minhas lágrimas secas, continuo sem meu cara
You went back to what you knew                         Você voltou para o que você já conhecia
So far removed from all that we went through        Saindo totalmente de tudo pelo que nós passamos
And I tread a troubled track                                 E eu trilho um caminho tortuoso
My odds are stacked, I'll go back to black           Minhas chances estão empilhadas, eu vou voltar ao luto


We only said goodbye with words                        Nós apenas dissemos adeus com palavras
I died a hundred times                                         Eu morri uma centena de vezes
You go back to her                                             Você volta pra ela
And I go back to                                                 E Eu volto ao
I go back to us                                                   Eu volto pra nós


I love you much                                                 Eu te amo tanto
It's not enough, you love blow and I love puff Isso Não é suficiente, você ama cheirar e eu amo dar um trago
And life is like a pipe                                         E a vida é como um cano
And I'm a tiny penny rolling up the walls inside    E eu sou um minúsculo centavo rolando paredes adentro


We only said goodbye with words                     Nós apenas dissemos adeus com palavras
I died a hundred times                                      Eu morri uma centena de vezes
You go back to her                                         Você volta pra ela
And I go back to                                             E eu volto ao
We only said goodbye with words                    Nós apenas dissemos adeus com palavras
I died a hundred times                                     Eu morri uma centena de vezes
You go back to her                                         Você volta pra ela
And I go back to                                             E eu volto ao


Black, black, black, black                                  Luto, luto, luto, luto
Black, black, black...                                         Luto, luto, luto...
I go back to                                                       Eu volto ao
I go back to                                                       Eu volto ao


We only said goodbye with words                      Nós apenas dissemos adeus com palavras
I died a hundred times                                        Eu morri uma centena de vezes
You go back to her                                            Você volta pra ela
And I go back to                                                E eu volto ao
We only said goodbye with words                       Nós apenas dissemos adeus com palavras
I died a hundred times                                         Eu morri uma centena de vezes
You go back to her                                             Você volta pra ela
And I go back to black                                        E eu volto ao luto




Copiado de http://letras.terra.com.br/amy-winehouse/932418/traducao.html
 
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quinta-feira, 18 de março de 2010

The cove

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A leitora Janaína, do blog caquis caídos , deu a url para ver o documentário The Cove, sobre a matança de golfinhos no Japão. Imperdível, até onde vi - depois de 72 minutos, do total de 90, houve uma interrupção no vídeo, eu teria de comprar o direito de ver o resto. Vou aguardar o DVD ou chegar ao cinema, mas até onde vi é muito bom, forte, revoltante, e indispensável.

http://documentaryheaven.com/the-cove/

Camila também já havia falado sobre o filme, aqui 

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sábado, 13 de março de 2010

The hurt locker


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No dia internacional da mulher, minha mãe ensaiou um cumprimento a mim e eu respondi, em tom de pilhéria, que não havia dia do homem, e o motivo talvez fosse que todos os dias eram dias do homem, por isso eu não queria ser cumprimentada, queria tudo por que um homem não tem um dia dedicado a ele.

Vendo esse filme dirigido pela Kathryn Bigelow entendi que ela havia chegado nesse lugar, com toda a certeza, e se sente absolutamente confortável no universo masculino, pelo menos no que diz respeito à expressão disso na arte fílmica.

Porque o filme que vi é um filme de, para e feito por um homem, sob o estatuto do mundo masculino por excelência, e é um espanto (para mim) que uma mulher o tenha realizado de modo tão contundente. Tudo nele respira a cultura masculina, não porque trata da guerra - o filme se passa na guerra do Iraque, mas não é sobre ela; é sobre um homem e sua paixão inarredável pelo perigo - o desmontador de bombas (o tal hurt locker, expressão que diz tudo sobre o filme), vivido com força e talento por Jeremy Renner.

Não há mulheres ali, só homens e seu universo - a Evangeline Lilly, que vive, numa cena rápida, a mulher do hurt locker, só está ali para que o protagonista possa afirmar sua paixão pelas bombas, em detrimento até mesmo do filho, e ele diz isso numa conversa que tem brincando com o bebê. É também sobre o modo bruto como alguns homens - esses que vivem no limite - dizem que gostam uns dos outros - aos socos, se batendo, se agarrando, rolando no chão, e rindo de prazer com isso.

A história em si é um bocado longa, muito tempo da mesma coisa, e dá para cansar, sim - eu cansei, mas é inegável que há alguém com muito talento por trás daquela câmara, alguém que conhece de forma magistral o trabalho com cinema. Há vários momentos "estéticos" - significando aqui umas cores vermelhas contrastando com a sombra dos galhos sem folhas de uma árvore; ou o leve remoinho, formando um minúsculo tornado no meio do deserto e da areia; ou o contínuo recobrimento com areia na pele dos dois amigos, nesse mesmo deserto. Há, enfim, uns enquadramentos pensados, perfeitos, bonitos. E essa vontade, inapelável, desse homem de ir sempre mais além para desarmar suas bombas.

Então, nesse caso, não dá para dizer apenas que gostei ou não gostei do filme, porque quando uma mulher faz um trabalho desse nível e desse tipo, com requintes e talento inquestionáveis, estamos perto do dia internacional de todos nós, homens e mulheres.

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sexta-feira, 12 de março de 2010

Teologia natural - HH

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Teologia Natural

A cara do futuro ele não via. A vida, arrremedo de nada. Então ficou pensando em ocos de cara, cegueira, mão corroída e pés, tudo seria comido pelo sal, brancura esticada da maldita, salgadura danada, infernosa salina, pensou óculos luvas galochas, ficou pensando vender o que, Tiô inteiro afundando numa cintilância, carne-de-sol era ele, seco salgado espichado, e a cara-carne do futuro onde é que estava? Sonhava-se adoçado, corpo de melaço, melhorança se conseguisse comprar os apetrechos, vende uma coisa, Tiô. Que coisa? Na cidade tem gente que compra até bosta embrulhada, se levasse concha, ostra, ah mas o pé não aguentava o dia inteiro na salina e ainda de noite à beira d'água salgada, no crespo da pedra, nas facas onde moravam as ostras. Entrou em casa. Secura, vaziez, num canto ela espiava e roía uns duros nos molhados da boca, não era uma rata não, era tudo o que Tiô possuía, espiando agora os singulares atos do filho, Tiô encharcando uns trapos, enchendo as mãos de cinza, se eu te esfrego direito tu branqueia um pouco e fica linda, te vendo lá, e um dia te compro de novo, macieza na língua foi falando espaçado, sem ganchos, te vendo, agora as costas, vira, agora limpa tu mesma a barriga, eu me viro e tu esfrega os teus meios; enquanto limpas teu fundo pego um punhado de amoras, agora chega, espalhamos com cuidado essa massa vermelha na tua cara, na bochecha, no beiço, te estica mais pra esconder a corcova, óculos luvas galochas é tudo o que eu preciso, se compram tudo devem comprar a ti lá na cidade, depois te busco, e espanadas, cuidados, sopros no franzido da cara, nos cabelos, volteando a velha, examinando-a como faria exímio conhecedor de mães, sonhado comprador, Tiô amarrou às costas numas cordas velhas, tudo o que possuía, muda, pequena, delicada, um tico de mãe, e sorria muito enquanto caminhava.
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Hilda Hilst. Teologia natural. In: Rútilos. São Paulo:Globo, 2003, p. 29-30.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Crazy heart

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Merecidíssimo o Oscar para Jeff Bridges que, pela primeira vez, em minha humilde opinião, faz não apenas um trabalho brilhante, como consegue driblar o tique labial insuportável que ele tem e utiliza para todo e qualquer personagem, e que consiste em fazer uma espécie de bico com os lábios ao proferir toda e qualquer sentença.

(Eu confesso que sou meio obsessiva com esse tipo de cacoete, e vários atores perdem demais por não conseguir se livrar dos seus. Quem conseguiu, que me lembre agora: Denzel Washington; Morgan Freeman. Um que não conseguiu e acho que não vai mais: Albert Finney - que fez um filme maravilhoso, Big fish. Enfim, sorry pelo parêntese longo).

Além de fazer um cantor de música country alcoólatra e acabado, mas que ainda seduz as platéias das cidadezinhas por onde passa, ele aparece cantando muito, e jamais vou saber até onde a linda voz é dele ou resultado de truques posteriores de edição. Enfim, não importa muito, ele não ganha a vida como cantor, mas como ator, e no filme ele explora muitíssimo bem ambas as funções. E as músicas são lindas - gosto desse tipo de música, e até hoje lembro com prazer de Nashville.

Achei a Maggie Gyllenhaal muito bem, faz uma moça bem normalzinha, de que o Bad Blake necessita muito, e tinha de ser assim, para tirar o pé daquele buraco sem fundo onde ele estava, e o Robert Duvall, um ator de quem gosto e que acho muito bom, faz quase uma ponta, o que só o qualifica mais para mim.

O final é bem interessante, foge ao padrão piegas das histórias edificantes de Hollywood.  

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segunda-feira, 8 de março de 2010

O segredo de seus olhos

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Vi ontem o premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro - O segredo de seus olhos, mas esqueci de ver a cerimônia de premiação, pena.

De todo modo, gostei do filme, mas ele tem claramente uns brancos no fluir da história, e não apenas porque há dois grandes núcleos narrativos - a história policial, envolvendo o assassinato e estupro de uma jovem e, paralelamente, a história de amor de um casal que trabalha na investigação do crime. 

Meio de viés, mas importante para a trama, os acontecimentos durante a ditadura argentina encaminham o modo como tudo termina.

Algumas coisas que me impressionaram: por que um homem leva vinte e cinco anos para conseguir dizer a uma mulher que a ama? A gente vê a chance passar nos olhos do protagonista vivido por Ricardo Darin e não acredita, tem vontade de dizer: fala, homem, diz agora! Mas ele não tem coragem, e o espectador percebe nos olhos dele, na expressão, enfim, a falta de coragem - um trabalho de mestre o dele. E o dela também - a atriz Soledad Villamil faz muito bem aquela que espera e também fala com os olhos, se engana sobre os momentos, se decepciona. Ama, enfim, e espera.


Pelo menos um momento é engraçadíssimo, e ocorre em torno de uma invasão mal feita na casa de um suspeito - todos rimos muito ali, mas depois as coisas ficam meio soltas, alongam-se, para se resolver no final, um final realmente surpreendente, sobre o qual valeria a pena uma discussão em torno da frase: "você disse prisão perpétua". Há um imenso território de valores éticos, morais, judiciais (não sei se a palavra seria essa) envolvido nela.
Eu não sei o que teria feito, nem tampouco avaliar o que foi feito. Poderia alguém? O filme não responde, e também ganha muito com deixar em suspenso o que não pode ser de outro modo.

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vídeo bom

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Pedi licença a anna v, espero que ela tenha concedido, para copiar do seu blog esse vídeo ótimo: 


http://www.youtube.com/watch?v=Z17C5VZt158


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quinta-feira, 4 de março de 2010

a grande dama - Hilda, claro



Nesse momento, estou às voltas com esse poema - alguém já disse como é difícil escrever?

I

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois, nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés da ganir diante do Nada.

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Hilda Hilst. Do desejo. São Paulo: Globo, 2004, p. 17.

terça-feira, 2 de março de 2010

vídeo imperdível

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A Adriana Lisboa postou por agora esse vídeo que deve muito 
ser visto por todos que gostam de pensar. Imperdível.


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segunda-feira, 1 de março de 2010

Meryl Streep, digo, Simplesmente complicado

Então lá vai, já que fui ligeiramente desacreditada de meu sumiço :)

Eu acho que a Meryl Streep devia pedir uma licença sabática dos sets, ou então simplesmente recolher-se por uns anos até conseguir interiorizar uma identidade diferente dessas que ela vem sistematicamente apresentando nos - pelo menos - três últimos filmes que vi com ela, a saber: Mama mia!; Julie e Julia e, agora, Simplesmente complicado.

Porque, para mim, essa personagem que ela vive nesse último filme é a reencarnação da Júlia, várias décadas depois e um pouquinho menos chata, mas com as mesmas performances na cozinha, os mesmos trejeitos e caras, absolutamente inconvincentes, e essa "inconvincência" está presente na relação com a culinária francesa, na menção a um estágio em Paris, pois me parece que esse país serve para dar uma espécie de upgrade de classe e bom tom àquela vidinha papai, mamãe, filhos e complicações tão previsíveis daquele mundinho tão burguesinho.

Aliás, não sei como se consegue rir ainda de alguns momentos no filme (eu ri), porque não há rigorosamente nada de novo no front: a upper class fuma seu baseado for fun. Aliás (de novo), nunca vi um povo buscar tanto a fun quanto os estadunidenses, parece que a vida deles é um eterno martírio, porque todo mundo só quer saber de fun, fun, fun...

(Então fica assim: eles cobram do mundo todo maior controle no combate ao tráfico de drogas, se dizem preocupadíssimos com a escalada do uso dessas substâncias, mas no quintal deles há sempre alguém fumando um baseado,  seja porque voltou da guerra e trouxe de lá o vício atroz; seja porque é jovem, e os jovens, bem, todos sabemos como são os jovens; seja porque são de uma classe social a que tudo é permitido. Enfim, como o cinema é uma caixinha de valores, e esse cinema é um poço deles, fica meio contraditória a coisa toda. Mas talvez não devamos pensar tanto, não é mesmo? Afinal, trata-se apenas de um filme bem mediano, e just for fun).


E aí entra o imbroglio com o ex-marido, vivido pelo Alec Baldwin, que também precisa fazer esse retiro para encontrar outros personagens além de si mesmo, ou do Jack Donaghy de 30 Rock. Desse encontro surgem alguns dos bons momentos do filme, tipo comédia meio pastelão, embora as reações dos filhos, já adultos, à possível reaproximação do casal, tenham me parecido totalmente estranhas, já que depois de 10 anos divorciados, ao ver os pais tendo um caso, as "crianças" ficam quase em estado de choque, sem entender bem o que está acontecendo, e a mãe precisa ir lá onde eles se esconderam para dar a clássica explicação e o também clássico abraço do clã - ou seja, tudo termina com todos emocionados se abraçando, chorando, oh, céus, é muita emoção.

Por fim, e ao fim, salvam-se não apenas o projeto do palacete onde viverá no futuro a Sra. Jane, em que se empenha o personagem arquiteto de Steve Martin (contido e adequado), mas também o movimento de compreensão e maturidade que ele demonstra com relação aos imbroglios dela e de seu ex.

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