terça-feira, 20 de julho de 2010

ainda o dicionário analógico

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Pois foi só Anna comentar aqui sobre o Dicionário analógico da língua portuguesa para eu perceber que também sentia a mesma falta desse livro, que sempre pareceu um ente encantado a que só Chico Buarque tivera acesso ao longo de sua vida (e vasta obra), por uma menção feita numa entrevista, em priscas eras, onde dizia que usava muito esse dicionário para compor.  Fiquei sempre de orelhas antenadas para ele, e quando o vi ali, mesmo com essa capa tão feinha, o apelo foi irresistível, porque é como se o conhecimento das palavras e seus correlatos nos levasse a um mundo onde só elas habitam (as palavras), com seu poder de sedução e sortilégio, como já nos disse o definitivo poema de Drummond.

Pois vejam se não é uma viagem para a terra do nunca (e da poesia) um amarelo como esse:

amarelo, lourejo, amarelidão, amarelidez, cor baça, cor de mel, açafroamento, almécega, goma, guta, creme, açafrão, açaflor = croco, limão, cádmio, enxofre, topázio, âmbar, cidra, alambre, carabé, jenolim, jalde, macicote, gema, ouro, plaquê, laranja, ocra, ocre, icterícia, hepatite, xantopsia, ocrósia, xantocromia, xanteloma, xantelasma, xantoma, xanto, xantose, xanteína, cor de doninha.

Além de tantas palavras de sonoridade estranha e sentidos desconhecidos, a meus ouvidos e olhos, o encadeamento é mesmo quase um poema, e "cor de doninha" como fecho me parece supimpa!

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sábado, 17 de julho de 2010

ainda por aqui

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Continuo por aqui, não dá ainda para escrever post cultural porque estou enroladíssima tentando resolver questões postas por algumas pessoas in the family, que embolaram o meio de campo de suas existências, todas ao mesmo tempo agora, e vou tentando ajudar como posso. Já estou até achando engraçado, porque todo mundo que importa resolveu ter uma confusão menor ou maior em torno de si, de seus projetos, de suas realizações. 

Não tenho vocação alguma para Polyana, mas estou precisando muito ver o lado bom possível nessa mess, e tenho encontrado, vários. Só para o que não tem remédio mesmo é que a gente se desespera, e são poucas coisas. Vamos costurando e serzindo onde se pode, e acaba ficando uma colcha até legal, porque mesmo o gosto a gente vai aprendendo a mudar conforme o padrão possível do momento.


E continuo querendo ir a Buenos Aires de novo, irei assim que der para respirar com mais calma, em breve, espero.
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sexta-feira, 9 de julho de 2010

homenagem aos três anos e Macau - PHB

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Eu deveria fazer isso no dia 16 de julho, aniversário de 3 anos desse linha, mas canto parabéns hoje, agora mesmo, publicando o primeiro post que achei aqui e, por acaso, uma homenagem muito merecida ao Paulo Henriques Britto e seu belíssimo Macau. Como não tenho podido ler quase nada, nem tenho ido ao cinema (minto, fui ver O profeta, mas como não comento mais filme chatíssimo, nada a declarar), vai aqui uma reciclagem básica de alguma coisa boa.

Ah, a data entre parênteses depois do "leio hoje" explica-se porque esse post já é uma retomada do primeiro blog que eu tive, de ótima memória, chamado Vagamentes, que dorme o sono dos justos forever.
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segunda-feira, 16 de julho de 2007

Macau
Leio hoje (16/11/2004) no Informe da Veja que Macau, de Paulo Henriques Britto, ganhou o prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira (100 mil reais) e fiquei feliz. Tanto o poeta, quanto o livro são magníficos e merecem esse reconhecimento. Paulo é um dos maiores poetas da minha geração, e para mim o que melhor trabalha e recicla o material do alto modernismo, em voz particular e lírica pessoalíssima. Um poema da série "Fisiologia da composição" para meu raro leitor se animar e ler todo Macau:


III
Também os anjos mudam de poleiro
de vez em quando, se rareia o alpiste
indeglutível que é seu alimento.

Porém você não se conforma, e insiste,
procura em vão possíveis substitutos
que tenham o efeito de atrair de volta

esses seres ariscos, esses putos
que se recusam a ouvir os teus apelos,
como se fossem mesmo coisas outras

que não tua própria vontade de tê-los
sempre a postos, em eterna prontidão,
a salpicar na tua boca ávida

o alpiste acre-doce da (com perdão
da péssima palavra) inspiração.

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Outro poema, do mesmo Macau (leiam o livro, vale a doçura, o prazer, a alegria), da série 'Dez sonetóides mancos':


VIII

Eu não disse? Não tinha ninguém
batendo à tua porta a essa hora
da noite, como era de esperar.

ninguém impaciente do lado de fora
com uma pasta cheia de papéis
importantíssimos aguardando apenas

a tua assinatura pra virar lei
em vez de letra morta - e, arrastando os pés,

condescendente, você vem e abre a porta
pra noite escura: ninguém. Bem que eu falei
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terça-feira, 6 de julho de 2010

duas pontas da vida

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E como a vida é mesmo sturm and drung - me sinto em meio a um barco bêbado, então as referências ao povo romântico será inevitável -, temos no momento a experiência de vivenciar as duas pontas da vida: de um lado, uma senhorinha de oitenta e quatro que oscila entre várias idades num só dia, mas a maior parte do tempo está no controle total da situação, da vida, da memória - só reclama que lhe falta 'imaginação', a cabeça não sonha, não tem desejos consistentes.

De outro lado, um bebê-bebê surgiu no pedaço, gerado em silêncio pelos nove meses de praxe, e se apresentou em todo seu esplendor de vida e força para todos nós, estupefatos e desajeitados tios, primos, avós, tios-avós, tetravós (sim, minha mãe agora é tetravó, e contando...:).

E aqui está a dinastia que rege nosso tempo de agora:





Ela passeando e tomando o 'sol que cura'












Ele em seu momento 'cheguei-chegando no pedaço'







É isso. Bênção para todos nós, que precisamos.
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sexta-feira, 2 de julho de 2010

bola da vez - samba, cachaça e futebol


Enfim, a vida da cidade volta ao normal. Pena que daqui a quatro anos tudo recomeça, e parece que com mais estardalhaço ainda.


E para terminar o fuzuê desse carnaval com chave de ouro, estava eu terminando de arrumar o quarto do apartamento da senhora minha mãe (quem sabe ela volta pra lá um dia*), onde coloquei um guarda roupa novo porque o antigo estava cheio de mofo e joguei no lixo, quando ouço gritos e berros e xingamentos vindos de um bar que fica quase em frente à janela.

Era uma mulher muito bêbada e muito louca, desesperada mesmo, falando todos os palavrões que podia, e mais. Peguei a pequena câmera que sempre carrego e fiz esse tríptico, que amei**. Parabéns, seleção!
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* Ela não apenas voltou para sua casa, como está muito bem de saúde, coisa que não podia supor quando escrevi esse post. (essa nota escrevo hoje, dia 10/09/2012)

** Considero essa a minha melhor foto, de todas e até hoje, ever. (hoje ainda é 10/09/2012). 

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