A questáo da comida foi falta de sorte, ou preguiça de procurar os lugares indicados em blogs, ou pela anna v. Cheguei na quarta já bem tarde e morta de fome porque, como sabemos, a Gol só oferece um mísero sanduichinho para almoço, entao comi no hotel mesmo. Pedi uma carne que veio com um molho meio rosé, absolutamente sem gosto, e um arroz sem qualquer dignidade de arroz. Fiquei chateada, e achei que já estava chegando mal, e confirmo agora, na saída - a comida do hotel Bel Air es mui mala, malíssima, inclusive uma torta de chocolate com frutas vermelhas totalmente sem graça que pedi ontem, e só comi quase as frutinhas.
No dia seguinte, já escaldada, pedi sugestão à concierge e ela indicou um restaurante perto daqui chamado Los immortales, com cara bem simpática e almocei o mais ridìculo frango com purê da minha vida. Na verdade, era para ser legumes com frango, mas veio errado. Outra bola fora. No terceiro dia peguei um táxi (o do motorista que sai quatro vezes ao mês com a mulher etc..) para tentar ver a Carmina Burana, um balé no teatro San Martin, mas o jornal noticiou a hora errada, já tinha passado, daí fui a um shopping enorme, o Galerìas Pacífico, porque nao seria possível nao encontrar um mísero lugar decente para comer num grande shopping.
(Achei muito bonita e desafiadora essa pintura, bem no arco grande do shopping. Não se vê com frequência esse tipo de trabalho nos templos de consumo daqui).
E, pues, na praça de alimentação com aquelas variadas opções que conhecemos, achei um lugar legal, que fazia os pratos na hora e se podia escolher os lindos legumes expostos. Escolhi alguns (estava seca para comer brócolis, vai entender), fiz uma mistureba saudàvel que tinha pollo tambèm, e estava bem bom. Mas - é claro que tem um mas - e vocês verao después quando eu postar a foto. (O outro 'mas'é óbvio: como alguém sai do Rio e vai comer com alguma decência em Buenos Aires num shopping? Pois é, cartas para a redaçao :).
(Pois é, pratinho de plástico e talheres de plástico - ninguém merece. Ainda perguntei se havia pratos e talheres para gente grande, mas não, tudo assim, uma tristeza).
Hoje, um pouco antes de fechar o quarto, fui rapidinho almoçar aqui perto, num lugar simpático onde havia tomado um sorvete ontem, por concessao do gatíssimo dono, porque ele me habia dito que ali era um restaurante, mas me serviu o gellado. Bom, fui a primeira a chegar, expliquei ao garçom que tinha apenas uma hora para almoçar e pedi um bife com macarrao, mais simples impossível. Deu certo - um bife decente e a massa idem. Nada demais, só decentes. E sem sal. Nadie Nada aqui vem com sal, o que pode até ser saudável para o coraçao, mas é péssimo para o (meu) paladar.
(Pois então, foi o que achei de melhor por lá, bife com gosto de e macarrão idem, além do bom queijo).
(E havia no hotel esse chuveiro muito interessante, que levei algum tempo para decifrar, mas quando nos entendemos foi só alegria - água morna, ducha relaxante, muito bom).
No quesito alimentaçao, nota 2 para essa minha estadia em Recoleta. Mas isso náo quer dizer que nao tenha gostado daqui. Gostei muito, quero voltar, inclusive para este hotel - tirando o restaurante, ele é ótimo, sobretudo por conta do silêncio absoluto no meu quarto, um presente inimaginável - silêncio total e completo, nenhum zumbido, nenhuma voz, nenhum som - tudo de que carecia minha alma, e um presente dos deuses para meus ouvidos cansados de sons inúteis e desagradáveis.
Fiquei com vontade de conhecer melhor a terra, quem sabe passar uns meses morando aqui, se tudo correr bem. Porque, convehamos, se nem comer direito eu consegui, na verdade só passei raspando por aca.
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