sábado, 29 de maio de 2010

desde buenos aires 2

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A questáo da comida foi falta de sorte, ou preguiça de procurar os lugares indicados em blogs, ou pela anna v. Cheguei na quarta já bem tarde e morta de fome porque, como sabemos, a Gol só oferece um mísero sanduichinho para almoço, entao comi no hotel mesmo. Pedi uma carne que veio com um molho meio rosé, absolutamente sem gosto, e um arroz sem qualquer dignidade de arroz. Fiquei chateada, e achei que já estava chegando mal, e confirmo agora, na saída - a comida do hotel Bel Air es mui mala, malíssima, inclusive uma torta de chocolate com frutas vermelhas totalmente sem graça que pedi ontem, e só comi quase as frutinhas.

No dia seguinte, já escaldada, pedi sugestão à concierge e ela indicou um restaurante perto daqui chamado Los immortales, com cara bem simpática e almocei o mais ridìculo frango com purê da minha vida. Na verdade, era para ser legumes com frango, mas veio errado. Outra bola fora. No terceiro dia peguei um táxi (o do motorista que sai quatro vezes ao mês com a mulher etc..) para tentar ver a Carmina Burana, um balé no teatro San Martin, mas o jornal noticiou a hora errada, já tinha passado, daí fui a um shopping enorme, o Galerìas Pacífico, porque nao seria possível nao encontrar um mísero lugar decente para comer num grande shopping.



(Achei muito bonita e desafiadora essa pintura, bem no arco grande do shopping. Não se vê com frequência esse tipo de trabalho nos templos de consumo daqui).







E, pues, na praça de alimentação com aquelas variadas opções que conhecemos, achei um lugar legal, que fazia os pratos na hora e se podia escolher os lindos legumes expostos. Escolhi alguns (estava seca para comer brócolis, vai entender), fiz uma mistureba saudàvel que tinha pollo tambèm, e estava bem bom. Mas - é claro que tem um mas - e vocês verao después quando eu postar a foto. (O outro 'mas'é óbvio: como alguém sai do Rio e vai comer com alguma decência em Buenos Aires num shopping? Pois é, cartas para a redaçao :).



(Pois é, pratinho de plástico e talheres de plástico - ninguém merece. Ainda perguntei se havia pratos e talheres para gente grande, mas não, tudo assim, uma tristeza).







Hoje, um pouco antes de fechar o quarto, fui rapidinho almoçar aqui perto, num lugar simpático onde havia tomado um sorvete ontem, por concessao do gatíssimo dono, porque ele me habia dito que ali era um restaurante, mas me serviu o gellado. Bom, fui a primeira a chegar, expliquei ao garçom que tinha apenas uma hora para almoçar e pedi um bife com macarrao, mais simples impossível. Deu certo - um bife decente e a massa idem. Nada demais, só decentes. E sem sal. Nadie Nada aqui vem com sal, o que pode até ser saudável para o coraçao, mas é péssimo para o (meu) paladar. 



(Pois então, foi o que achei de melhor por lá, bife com gosto de e macarrão idem, além do bom queijo).











(E havia no hotel esse chuveiro muito interessante, que levei algum tempo para decifrar, mas quando nos entendemos foi só alegria - água morna, ducha relaxante, muito bom).


No quesito alimentaçao, nota 2 para essa minha estadia em Recoleta. Mas isso náo quer dizer que nao tenha gostado daqui. Gostei muito, quero voltar, inclusive para este hotel - tirando o restaurante, ele é ótimo, sobretudo por conta do silêncio absoluto no meu quarto, um presente inimaginável - silêncio total e completo, nenhum zumbido, nenhuma voz, nenhum som - tudo de que carecia minha alma, e um presente dos deuses para meus ouvidos cansados de sons inúteis e desagradáveis.

Fiquei com vontade de conhecer melhor a terra, quem sabe passar uns meses morando aqui, se tudo correr bem.  Porque, convehamos, se nem comer direito eu consegui, na verdade só passei raspando por aca.
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

desde buenos aires

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Estou aqui em Buenos Aires desde quarta feira, volto amanha (nao achei o til nesse teclado), sábado, e acabei de falar agora com minha irma, minha mae esta internada para fazer exames mais detalhados, acho que ela precisava mesmo desses exames, sobretudo da parte neurológica. Torcer para que as coisas caminhem bem.

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Sobre Buenos Aires, tenho sentimentos difusos. De um lado, há uma certa euforia por termos uma moeda que vale duas vezes a moeda local, embora os precos aqui me pareçam inflados. Tudo é mais barato e ao mesmo tempo relativamente mais caro.

Por exemplo, uma caixinha com três sabonetes argentinos (amo sabonetes cheirosos) custou 24 pesos, o que dá em torno de 12 reais, ou 4 reais por sabonete - nao é exatamente baratinho, e o melhor deles custou 14 pesos apenas uma unidade, me pareceu o melhor, mas bem caro, acho.

Quanto aos casacos de couro, ficam em torno de 400 reais ou 800 pesos, acho relativamente baratos porque sao de ótima qualidade. Ah, estou na Recoleta, no hotel Bel Air, muito bom, indicaçao do viajenaviagem.  

De todo modo, percebo que há um sentimento de tristeza nos argentinos em geral. Conversei com motoristas de táxi, sempre ótimas caixas de ressonancia da saúde das sociedades. Um deles me disse que está difìcil viver porque o que se ganha, sendo já pouco, nao paga o básico da alimentaçao.

Outro me disse que sai com a mulher uma vez por semana, o que dá (ele mesmo observou) quatro vezes ao mês, e eles vao a um lugar ouvir música clássica (o rádio de seu táxi tocava esse tipo de música) e ler - um motorista de táxi sai numa sexta feira com a mulher para ler e ouvir música - só isso já mostra uma diferença grande entre nossas culturas.

Percebe-se que além de uma certa tristeza, há também orgulho um tanto ferido e uma grande confiança na cultura, no saber, mas também alguma coisa como uma histeria contida, longemente semelhante àquela que vi em Assunçao, mas presente.

Há um estado de premência, uma competiçao pelos turistas, sobretudo brasileiros; há também um sentimento difuso em relaçao a nós. Tive a impressao de que estamos meio que pilhando a terra, e eles se ressentem disso, porque sao cultos e sabem que somos um tanto invasores. Vi brasileiros que me envergonharam, vi outros agindo de modo educado, civilizado. No geral, essa coisa de compras, compras, em qualquer lugar é sempre um tanto depressiva, mas acaba-se comprando.

Sobre comidas, grande decepçao, depois conto.

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domingo, 23 de maio de 2010

pulando as sete ondinhas, e a inquietação


Pois é, o sufoco maior já passou, mamãe está estável em sua instabilidade, mas com menos dores, a infecção parece que se foi e ela já está andando um pouco, querendo se movimentar - outro dia disse que já está cheia de ficar doente, frase maravilhosa de ouvir. Hoje fui à casa de minha irmã, para onde ela foi na semana passada de modo que eu pudesse descansar um pouco, já que eu estava ficando meio louca com tudo (mais do que já sou usualmente).

Sua inquietação é absurda, ela não pára um minuto quieta, me lembra alguém que não suporta ir ao cinema acompanhada porque também não consegue ficar quieta na cadeira, se mexe muito, dobra-se um pouco para a frente, se tiver alguém ao lado vai ficar incomodado, como eu fico olhando minha mãe assim.

Mas ainda não pude ir ao cinema, quis ver o filme do Woody Allen, mas ainda não deu. Ah, eu tinha passagem comprada para o dia 30 de maio, e meia estadia paga em Paris, ia ficar o mês de junho todo por lá, mas parece que era mesmo para eu não ir, porque a pessoa que ia me alugar o studio também teve problemas de saúde, tudo conspirando contra, então o jeito é a gente ficar fria, pular as sete ondinhas e esperar a maré se acalmar. É o que estou fazendo, mas acho que vou dar uma passadinha rápida em algum canto, só para descansar a cabeça. Se for, conto aqui.

Cinema ainda não deu, mas já tinha aqui há algum tempo o Diário de um ano ruim, do Coetzee, que comecei a ler (não antes de consultar os comentários do Kovacs sobre outro livro dele), e estou gostando demais, mas não tenho conseguido me concentrar muito. De todo modo, li uma resenha muito boa sobre Verão, seu mais recente livro, e ele já está bem aqui a meu lado, só não comecei ainda porque quero antes terminar o Diário. Também Indignação, do Roth, comprei e quero muito começar. Enfim, espero conseguir voltar às atividades de leitura, que são parte da minha vida, muito em breve.