terça-feira, 30 de novembro de 2010

o bom e o nem tanto

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Hoje fui ao mesmo lugar de ontem para almoçar, já se sabe que é por ser pertinho daqui, e porque me senti muito confortável lá, e onde fico à vontade eu volto. Não sei se interessam os estresses da viagem, mas só houve um até agora e foi num restaurante, tive um curto circuito e saí de lá sem comer, só pela sensação de aprisionamento que senti, de repente, num grande salão com duas enooormes mesas que precisavam ser afastadas para que os clientes 'entrassem' e sentassem no sofá, de modo que todos ficavam de frentre para todos, como numa enorme confraternização entre os que ali estavam.

Fui me sentindo meio sufocada, aprisionada naquele canto sem poder me mover, gente desconhecida por todo lado, sem qualquer privacidade. Tentei segurar a onda, pedi qualquer coisa tipo boeuf e sublinhei o bem passado.  Veio mal passado, pedi para passar mais, a atendente me olhou com cara de ET, eu fui ficando irritada, e quando veio o prato, com o boeuf igualzinho ao que estava antes eu simplesmente disse no francês possível no momento que eu não queria mais almoçar, que eu pagaria o prato e que por favor ela trouxesse imediatamente the bill (quando fico nervosa esqueço as palavras em francês e falo o que vem na cabeça, inglês geralmente). A garota me olhou assustada, entendeu que era para fazer exatamente o que eu estava mandando, trouxe a conta rapidinho e eu saí aliviada, não sem antes ter a ajuda de um casal simpático de idosos com quem havia trocado algumas palavras, e a quem pedi desculpas for the trouble, e ele gentilmente, entendendo o que estava acontecendo, chamou a garçonete para "abrir a porteira" e me deixar passar. Enfim, a liberdade nunca foi tão saudada. Mas foi só dessa vez, em todas as outras só entrei onde meu coração dizia sim.

Ah, aqui esqueci de fotografar o macarrão que fazia parte do prato, estava ótimo também.





















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Muito frio

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O frio excessivo é um negócio esquisito, ele vai aos poucos encolhendo a pessoa (a minha pessoa, pelo menos) e vai dando um cansaço grande, aí não sei se é porque a gente não para nessa cidade, se é porque todo dia se carrega um peso grande sobre o corpo, na forma de roupas primeiras, segundas, terceiras, casacões, luvas, chapéus, cachecóis, enfim, é uma parafernália para sair à rua que não é brincadeira, então eu vou ficando cansada mesmo, e hoje decidi que não quero mais sair.

Almocei uma pizza maravilhosa (talvez eu passe mais tarde nesse mesmo lugar para jantar outra massa, é aqui pertinho), fui ao supermercado e comprei coisas para ficar essa última semana, e também acetona e esmalte de unha, um bem pequenininho, uma fofura, mas caro demais, não entendo muito porque algumas coisas são tão caras, outras tão baratas.
Então, acho que vou ficar em casa hoje, vou fazer as unhas e ler metade das coisas que tenho para ler. E chega de frio.




A água está aqui porque, já que o momeno é de besteirol completo, devo dizer que essa água é tudo de bom, otimíssima, boa demais


E a pizzaria fica na 1 Rue Gozlin, 75006, ao lado da lavanderia, só entrei lá porque estava esperando abrir a lavanderia, e fiz muito bem

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

aqui e lá

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Uma ótima reflexão sobre os acontecimentos no Rio se pode ler aqui:

http://duasfridas.wordpress.com/2010/11/28/policia-para-quem-precisa/

Centro Pompidou

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É todo bonito, por fora e por dentro, há obras importantíssimas de pintura moderna, há um grande café, há uma lojinha com objetos lindos e diferentes, mas bem carinhos, há muito charme no Centro Pompidou e seus arredores, coisa de ficar por ali o dia inteiro e não ver tudo. Eu adoraria estar aqui com menos problemas de joelhos, ficar menos cansada e poder caminhar mais, mas as coisas são como são e fazemos o que é possível.

Na saída, cadê táxi? Não há táxi nas ruas, tive de andar, andar e por sorte um parou perto de mim quando eu já começava a panicar. Aliás, não sei se é caro ou barato, porque parei de fazer conversão, mas em princípio estou achando barato o táxi, talvez quando esteja de volta ao Rio perceba que minha razão fugiu completamente de mim aqui em Paris.


















Antes do Centre, almocei num lugar bem legal, aqui pertinho, o restaurante Petit Zinc. Aliás, eu posso ficar toda a minha estadia em Saint Germain e nunca vou descobrir tudo que há para ver.



















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sábado, 27 de novembro de 2010

Um parêntese

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Nesse momento em que as forças do mal, a violência desmedida e a barbárie tomam conta do Rio, me sinto como Alice no país das maravilhas, viajando aqui na ilha da fantasia enquanto o pau come na minha cidade.


E a coisa é tão ruim que chego a me sentir culpada por estar aqui, vejo que não é possível ser feliz quando os meus - próximos e distantes - estão sob coação e medo. Mas não vou voltar agora, não posso fazer absolutamente nada para mudar esse estado de coisas, e egoisticamente espero, ao voltar  passando pela linha vermelha, não ser atingida por uma bala perdida. A essas alturas, acho que também já é pedir demais.

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A catedral

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 A Catedral de Notre Dame é sempre impactante, belíssima e transmite um sentido de grandiosidade, e também de humildade diante do incognoscível. Nesse dia assisti parte da missa, o que não faço quase nunca, mas o espaço leva a uma certa contrição.





Seguindo a sugestão (pedida) da senhora que vende lembrancinhas dentro da igreja, fui dar no restaurante La fourmi ailée, muito simpático, onde almocei esse peixe pra lá de bom e comi struddel de sobremesa, também muito boa

Mas o melhor foi que ao voltar comecei a sentir uns pinguinhos vindos do alto e fui me afastando para a beira da calçada, pensando ser água de ar condicionado, daí lembrei de onde estava e os pinguinhos foram-se transformando em pequenos flocos brancos e leves, e me dei conta de que estava nevando! Era a primeira neve do inverno, suave, a princípio, depois mais intensa, quando resolvi entrar num café e o gerente, um estrangeiro também, pelo puxado dos olhos, vibrava feliz com o acontecimento, conversava com todo mundo e dizia que haveria mais neve, que era bonita e outras coisas que eu não entendia, mas como ele sorria sempre deduzo que estava feliz. Foi muito bonito, não durou muito mas tentei pegar nessas fotos o espírito dessa primeira neve em Paris, e também de uma neve que não me assustou. 














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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Versailles pop

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Pois então, o Palácio de Versailles é imponente por seu tamanho, não apenas quanto à extensão do palácio em si, mas pelo terreno, toda a área em que ele e várias outras residências (das amantes dos reis, da corte) se situam, tanto que parte dessas terras estão hoje arrendadas para criação de gado, cavalos e acho que vi alguns bodes também - muito contemporâneo.

Dentro do palácio já não achei assim as dimensões tão grandiosas, nem tanto requinte e luxo como minha fantasia supunha. Mesmo o grande salão espelhado me pareceu um grande salão cheio de espelhos, sem maiores êxtases estéticos.

Pois é, mas estava cheio de japoneses, assim como eram japoneses os toys gigantes que enfeitavam todas as grandes salas do palácio, numa intervenção (que vai até 12 de dezembro) bastante controversa para os franceses do artista Takashi Murakami. Eu gostei demais, não têm absolutamente a ver com nada ao redor deles, mas têm tudo a ver com nosso tempo, com os japoneses ávidos que, felizes, fotografavam tudo que era proibido fotografar. Foi vendo a naturalidade com que eles infringiam todas as regras que eu também comecei a fotografar e ninguém veio me admoestar, nem a ninguém.

Então, Versailles, bem como Murakami:




















A cama da rainha, cujo quarto achei pequeno para as dimensões majestáticas de sua ocupante 
A cama do rei, ocupando, segundo minha impressão, um espaço num quarto de dimensões modestas para sua - dele - majestade.

Por fim, o último manga ficava à beira do lago, num frio absurdo, e também lama ao redor

E agora sim, the last picture - o belo pato, patíssimo e lindinho, no mesmo lago, seu habitat natural, por isso não congelou - ainda

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Ainda as belas

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Caminhando pelas ruas, passei por essa mulher-estátua, tão poignante quanto a de Drummond, o rosto meio cabisbaixo, mas coloquei a câmera sob seu chapéu e achei seu rosto. Tudo em frente a uma espécie de casa da Hungria.















E diante da Igreja de Saint Sulpice, essa fonte muito linda















(Eu imagino que os "parisófilos", que me perdoem a palavra feia, devem ficar horrorizados com a minha falta de explicação para os monumentos que eles,  experts em Paris, conhecem todos, viram tudo, sabem todas as histórias. Confesso que não tenho a menor paciência, mas se eu quiser me informar sobre os objetos de arte por aqui, posso: encontrar um livro lindíssimo sobre; procurar na história da arte; e, last but not least, me informar na internet. Então ficamos combinados assim).
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Saint Sulpice

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A igreja de Saint Sulpice não tem o mesmo impacto que a Notre Dame, mas tenho tido momentos de descobertas por lá:


































































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