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sábado, 25 de agosto de 2007

Garcia-Roza e o Espinosa sem saída

Enquanto não decido o que fazer com O passado, vou pegando outras coisas pra ler, e acabei de acabar Espinosa sem saída, de Luiz Alfredo Garcia-Roza. Comecei a gostar de seus romances policiais com O silêncio da chuva, depois li Perseguido e Berenice procura. Acho interessante no Garcia-Rosa o fato dele ser um professor por tantos anos de teoria psicanalítica, um acadêmico com vários livros publicados nessa área, sem nunca ter atendido pacientes, isso é meio raro; depois, a audácia de escrever romance policial sem qualquer tradição brasileira mais forte do gênero - isso parece facilitar as coisas, mas acho que torna tudo mais difícil, porque o sujeito tem de caminhar sozinho, meio sem pai nem mãe. 

E não é a mesma coisa ter lido toda Highsmith, Chandler, Hammett e tutti quanti da tradição policial, porque um escritor brasileiro precisa também de referências na língua materna, uma tradição de escrita e pensamento ficcionais brasileiros. Aliás, ele começou tardíssimo, aos sessenta anos, e isso é bastante inspirador; terceiro, ele achou um caminho muito próprio, uma linguagem simples mas não simplória - tem senso de humor, seu Espinosa tem caráter, identidade própria, inteligência, ironia, esperteza no bom sentido, enfim, é um sujeito bem interessante. 

Além disso, os romances mapeiam regiões e bairros do Rio de Janeiro e acaba sendo um prazer extra caminhar com os personagens por ruas nossas conhecidas e por onde passamos com freqüência, como ocorre nesse com relação ao bairro de Copacabana. Foi difícil largar o livro antes de chegar ao final, só lamentei um pouco de frouxidão exatamente nessa parte final, como se o autor tivesse ficado cansado da estória e tivesse resolvido acabar de qualquer jeito. Mas vale o tempo e a leitura.

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Garcia-Roza. Espinosa sem saída. São Paulo: Cia das Letras, 2006.