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quinta-feira, 2 de junho de 2011

O celular ao lado

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A história desse celular aí ao lado é a seguinte: comprei quando estive em Paris, em novembro passado, com medo de ficar presa no micro elevador do prédio em que fiquei hospedada, como de fato ocorreu só que com minha amiga. O vendedor me disse que poderia ser usado no Brasil, mas tal não ocorreu.

Ele é muito bonitinho, da marca Alcatel, tipo pré pago e eu comprei por 49 euros numa agência de correios (tenho a nota fiscal). De modo que o aparelho está aqui à toa, sem uso, porque tão cedo não devo viajar a Paris só devo ir a Paris no ano que vem ::)). Não sei se ele funciona em outro país da Europa, mas em Paris com certeza. Eu vendo, alugo, empresto e até dou, dependendo de para quem ::)).

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Foi assim que aconteceu

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Em resumo, o que foi minha viagem, para ficar só com as coisas boas:

O restaurante de minha eleição foi o Le Petit Zinc, não apenas porque ficava quase ao lado de onde estava hospedada, mas porque me sentia bem lá, o ambiente era tranquilo, o atendimento bacana, os pratos sempre ótimos, e havia além de tudo um fundo musical que fazia bem à alma - jazz, blues, alguma bossa nova, como é bom ouvir música brasileira de qualidade fora do país, isso tudo baixinho, mas perfeitamente audível (lembrei de você, osvjor, você vai gostar desse lugar, com certeza, ao menos pela música).
Eu me sentia meio fora da realidade (e estava mesmo) quando lá entrava, por isso elegi o canto ideal do meu conto de fadas. 





























Passear a esmo, flanar, descobrir lojas, lugares, a simplicidade e a imponência da história, do passado, que está em todo canto, a cada esquina;

Uma loja só de bonecas russas impressionante, magníficas bonecas, uma série delas conta histórias de Pushkin, são lindíssimas;

















As lojas de chocolates, os chocolatiers; os queijos, de cuja variedade eu nem cheguei perto de conhecer um milionésimo;
















Os cafés, brasseries e restaurantes, uma quantidade incomensurável deles, lugares para se estar sempre aquecida e onde o prazer reside;

A proverbial elegância de todos que vão a Paris, não apenas dos parisienses. Não sei se porque fiquei no mesmo prédio do Cafe de Flore, reduto da vaidade desmedida, onde as pessoas sentam para ver e serem vistas; não sei se porque no inverno todos tendem naturalmente à elegância, mas como são bonitas as pessoas, como são interessantes. Nota: eu achava antes que ia ficar muito no de Flore, mas não aguentei aquele excesso de egos, aquelas pessoas que faziam questão de estar ali para se expor, pelo menos foi minha impressão, não me senti bem lá, fui apenas uma vez, até porque um chá custa em torno de 7 euros e minha tolerância para esse tipo de viagem egóica s'est finie;

Quanto aos museus, tentei subir as escadas do Eugène Delacroix, ao lado de onde eu estava, mas eram muitos degraus e nenhum elevador, não deu; tentei - de novo - ir ao Louvre, mas as filas e o frio não permitiram. Parece que há alguma coisa entre mim e o Louvre, pela segunda vez vou a Paris, chego até perto da pirâmide e não consigo entrar, porque não tenho paciência para multidões. Em breve irei a Paris de novo, claro (não no inverno) e vou comprar as entradas para o Louvre aqui no Brasil, assim não terei como não ir. Então, dentre outras magnificências, deixei de ver - ela:










Pude ir ao Centre Pompidou porque as imensas escadas rolantes são parte do cenário e de seu charme, mas também não vi tudo, deixei de ver muita coisa por cansaço, mas do que vi gostei muito da exposição de Nancy Spero, uma artista norte americana que morou e produziu em Paris, muito engajada, cujo vídeo sobre a vida e a obra (ela morreu em 2009) era visto com muita atenção por várias pessoas, eu inclusive, porque era uma figura interessantíssima, que acompanhou com sua arte um período conturbado da história dos Estados Unidos (guerra do Vietnã, sobretudo) e da histórica emancipação feminina - esses os temas mais candentes de seu trabalho e de sua energia criativa.














De todo modo, foi a viagem que quis fazer. Não me obriguei a nada, não tinha de cumprir nenhuma agenda de turista, apressado ou lento, até porque minhas condições físicas não permitiam. Andei o que pude pelos arredores de Saint Germain, o que já dá uma volta e tanto por Paris; fiz passeios de carro maravilhosos, quentinhos, fora do grande frio lá de fora (quando fui a Versailles agradeci muito estar de carro, não teria conseguido andar aquilo tudo em volta do castelo não fora assim), e a pessoa que me levou tinha ótimo senso de humor, ri muito e achei muito bom.

Também passeei à noite de carro por quase todos os bairros, andei de bateau mouche à noite também, tirei fotos dela - da torre Eiffel -, vi as luzes magníficas de Natal, com as quais eles não são absolutamente econômicos, e tudo isso foi e é uma aventura de beleza e encantamento.

Quando fui, fui querendo ter melhores lembranças na minha vida, que estava muito truncada por dissabores. Tenho-as agora para sempre, e agradeço sempre. Espero poder voltar, e estando viva há chances, pois não?

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Imprevistos sempre ocorrem

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Bom, eu já voltei de Paris há mais de uma semana, já fui ao cinema ver o último Woody Allen, de que gostei bastante, já reiniciei todas as terapias pro joelho e mais remédios, porque eu sou perseguida pelas escadas, e aconteceu que esse elevador do prédio onde eu estava hospedada, no prédio do Cafe de Flore, deu pane duas vezes, a primeira logo no domingo, e um dia depois da minha chegada já estava ligando para a administradora do condomínio, que me atendeu logo, mas conserto mesmo só na segunda feira, então subi e desci seis andares no domingo. 

No último fim de semana, nova pane, só que desta vez minha amiga Eliana,  que vinha me pegar para jantarmos juntas, em despedida, ficou presa no elevador por uns quarenta minutos, e eu só fui perceber depois de algum tempo, já que ela não chegava e eu ouvia uns barulhos estranhos e insistentes vindos lá de baixo.

A horas tantas gritei lá de cima - querida, é você aí embaixo? - Sim, estou presa dentro do elevador. Saí às pressas para ficar com ela, desci os seis lances o mais rápido que pude, e ainda voltei os seis andares para pegar a câmera fotográfica e clicar o acontecimento: a moça morena é a moradora do terceiro andar que primeiro ouviu Eliana; e o guapo rapaz é o técnico, que tirou minha amiga mas não consertou o elevador. Resultado: ficamos em casa comendo um sanduíche até razoável que eu preparei mas, como ela mesma observa, não era o jantar ótimo que estávamos planejando.

Para terminar com chave de ouro, houve um apagão na véspera de minha volta, toda a luz do apartamento acabou, o telefone emudeceu, a échauffage começou a definhar e eu comecei a entrar em pânico, porque o celular que havia comprado (com medo de ficar presa no elevador) estava com um risco apenas, sinal de que ia morrer também.

Liguei para o proprietário, que não atendeu, liguei para o sócio, que não atendeu, aí liguei para outra pessoa que me havia prestado serviços logo que eu cheguei, Adriana Meschede, que não só me acalmou, como se prontificou a ir até onde eu estava, mas antes ligou para o proprietário, ele me retornou a ligação e começou a explicar, muito rapidamente, porque a bateria já findava, onde ficava o disjuntor, eu não entendia nada, mesmo sendo em português, porque já estava estressadíssima e p da vida. Afinal quando achei, acionei e a luz voltou houve uma conversa mais que áspera entre nós dois e as coisas terminaram meio mal (porque depois de tudo aquilo me perguntar se estava tudo bem só podia ser piada da mau gosto). 

Então, minha observação quanto a ficar em hotel ou em apartamento, em Paris, sobretudo, onde os prédios são muito antigos, mas acho que em qualquer lugar, é a seguinte: certifique-se antes de que tudo funciona, sobretudo o elevador (sim, é meio irreal perguntar o óbvio, o sujeito vai dizer que está tudo ótimo, mas quando cheguei e vi aquele minúsculo espaço que eles chamam de elevador, não acreditei muito que não desse problemas, mas fazer o quê àquela altura?); pergunte se a luz cai caso vários equipamentos sejam ligados e, se cair, onde fica o disjuntor.

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Momento saudade

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Essa é uma das (menores) razões por que eles, os franceses, querem transformar o ritual gastronômico daqui em patrimônio imaterial da humanidade, e acho que entendo por quê.















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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

passeio noturno

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Ontem fiz um passeio noturno pela cidade, programa de turista (eu e mais um casal de espanhóis numa van), visitando os pontos mais conhecidos e andando de barco pelo Sena. Parece romântico, não é? E deve ser, se o frio, mesmo com o barco fechado por vidros, não estivesse ainda assim de rachar. Acho que estou ficando repetitiva quanto ao frio, mas que fazer, metade dos planos para a rua esmorecem face ao gelo térmico.

As fotos, claro, não fazem jus ao espetáculo de luzes que pelo menos três lugares oferecem aos olhos hiptonizados dos que lá vão: as galerias Lafayette, os Champs Elysées, a torre Eiffel e uma espécie de praça onde fica o hotel Ritz, o mesmo de onde Diana saiu pela última vez.

Levei a câmera portátil, menos poderosa para a noite, e todas as fotos foram tiradas de dentro de algum lugar - do carro ou do barco. De tudo que vi, o que mais impressionou pela beleza foram as galerias e a torre.

Eis o que é possível ver, mas saibam que é muito mais que isso. As luzes das galerias vão esmaecendo aos poucos, depois voltam com intensidade, é deslumbrante a visão. As luzes da torre também piscam aos poucos, vão acendendo e piscando, muito impressionante ver a bela assim tão de perto e tão cheia de vida. A foto dos Champs Elysées não diz quase nada do como essa avenida realmente está, aquele campo de luzes a perder de vista, e essas pequenas árvores da praça do hotel fazem parecer um bosque de luzes, num lugar que a gente percebe ser super requintado, não havia ninguém nas imediações, só o porteiro do hotel, a postos, claro.



Essa praça, onde fica o hotel, está muitíssimo melhor fotografada por aqui
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terça-feira, 30 de novembro de 2010

o bom e o nem tanto

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Hoje fui ao mesmo lugar de ontem para almoçar, já se sabe que é por ser pertinho daqui, e porque me senti muito confortável lá, e onde fico à vontade eu volto. Não sei se interessam os estresses da viagem, mas só houve um até agora e foi num restaurante, tive um curto circuito e saí de lá sem comer, só pela sensação de aprisionamento que senti, de repente, num grande salão com duas enooormes mesas que precisavam ser afastadas para que os clientes 'entrassem' e sentassem no sofá, de modo que todos ficavam de frentre para todos, como numa enorme confraternização entre os que ali estavam.

Fui me sentindo meio sufocada, aprisionada naquele canto sem poder me mover, gente desconhecida por todo lado, sem qualquer privacidade. Tentei segurar a onda, pedi qualquer coisa tipo boeuf e sublinhei o bem passado.  Veio mal passado, pedi para passar mais, a atendente me olhou com cara de ET, eu fui ficando irritada, e quando veio o prato, com o boeuf igualzinho ao que estava antes eu simplesmente disse no francês possível no momento que eu não queria mais almoçar, que eu pagaria o prato e que por favor ela trouxesse imediatamente the bill (quando fico nervosa esqueço as palavras em francês e falo o que vem na cabeça, inglês geralmente). A garota me olhou assustada, entendeu que era para fazer exatamente o que eu estava mandando, trouxe a conta rapidinho e eu saí aliviada, não sem antes ter a ajuda de um casal simpático de idosos com quem havia trocado algumas palavras, e a quem pedi desculpas for the trouble, e ele gentilmente, entendendo o que estava acontecendo, chamou a garçonete para "abrir a porteira" e me deixar passar. Enfim, a liberdade nunca foi tão saudada. Mas foi só dessa vez, em todas as outras só entrei onde meu coração dizia sim.

Ah, aqui esqueci de fotografar o macarrão que fazia parte do prato, estava ótimo também.





















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Muito frio

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O frio excessivo é um negócio esquisito, ele vai aos poucos encolhendo a pessoa (a minha pessoa, pelo menos) e vai dando um cansaço grande, aí não sei se é porque a gente não para nessa cidade, se é porque todo dia se carrega um peso grande sobre o corpo, na forma de roupas primeiras, segundas, terceiras, casacões, luvas, chapéus, cachecóis, enfim, é uma parafernália para sair à rua que não é brincadeira, então eu vou ficando cansada mesmo, e hoje decidi que não quero mais sair.

Almocei uma pizza maravilhosa (talvez eu passe mais tarde nesse mesmo lugar para jantar outra massa, é aqui pertinho), fui ao supermercado e comprei coisas para ficar essa última semana, e também acetona e esmalte de unha, um bem pequenininho, uma fofura, mas caro demais, não entendo muito porque algumas coisas são tão caras, outras tão baratas.
Então, acho que vou ficar em casa hoje, vou fazer as unhas e ler metade das coisas que tenho para ler. E chega de frio.




A água está aqui porque, já que o momeno é de besteirol completo, devo dizer que essa água é tudo de bom, otimíssima, boa demais


E a pizzaria fica na 1 Rue Gozlin, 75006, ao lado da lavanderia, só entrei lá porque estava esperando abrir a lavanderia, e fiz muito bem

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Centro Pompidou

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É todo bonito, por fora e por dentro, há obras importantíssimas de pintura moderna, há um grande café, há uma lojinha com objetos lindos e diferentes, mas bem carinhos, há muito charme no Centro Pompidou e seus arredores, coisa de ficar por ali o dia inteiro e não ver tudo. Eu adoraria estar aqui com menos problemas de joelhos, ficar menos cansada e poder caminhar mais, mas as coisas são como são e fazemos o que é possível.

Na saída, cadê táxi? Não há táxi nas ruas, tive de andar, andar e por sorte um parou perto de mim quando eu já começava a panicar. Aliás, não sei se é caro ou barato, porque parei de fazer conversão, mas em princípio estou achando barato o táxi, talvez quando esteja de volta ao Rio perceba que minha razão fugiu completamente de mim aqui em Paris.


















Antes do Centre, almocei num lugar bem legal, aqui pertinho, o restaurante Petit Zinc. Aliás, eu posso ficar toda a minha estadia em Saint Germain e nunca vou descobrir tudo que há para ver.



















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sábado, 27 de novembro de 2010

A catedral

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 A Catedral de Notre Dame é sempre impactante, belíssima e transmite um sentido de grandiosidade, e também de humildade diante do incognoscível. Nesse dia assisti parte da missa, o que não faço quase nunca, mas o espaço leva a uma certa contrição.





Seguindo a sugestão (pedida) da senhora que vende lembrancinhas dentro da igreja, fui dar no restaurante La fourmi ailée, muito simpático, onde almocei esse peixe pra lá de bom e comi struddel de sobremesa, também muito boa

Mas o melhor foi que ao voltar comecei a sentir uns pinguinhos vindos do alto e fui me afastando para a beira da calçada, pensando ser água de ar condicionado, daí lembrei de onde estava e os pinguinhos foram-se transformando em pequenos flocos brancos e leves, e me dei conta de que estava nevando! Era a primeira neve do inverno, suave, a princípio, depois mais intensa, quando resolvi entrar num café e o gerente, um estrangeiro também, pelo puxado dos olhos, vibrava feliz com o acontecimento, conversava com todo mundo e dizia que haveria mais neve, que era bonita e outras coisas que eu não entendia, mas como ele sorria sempre deduzo que estava feliz. Foi muito bonito, não durou muito mas tentei pegar nessas fotos o espírito dessa primeira neve em Paris, e também de uma neve que não me assustou. 














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