La La Land - Dir. Damien Chazelle, com Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend, Rosemarie DeWitt, Sonoya Mizuno, me pareceu over rated, com os 'milhares' de prêmios que vem acumulando. Vale (para mim) os prêmios de ator, trilha, apesar da canção principal ser um chiclete que só gruda ao longo do filme, as coreografias ensaiadíssimas, mas faltou a) empatia entre o casal; b) roteiro mais coeso, amarrado, mas talvez os gaps tenham sido necessários para dar um panorama do longo tempo em que as vidas e as carreiras dos protagonistas se gestam.
De qualquer modo, não vibrei em nenhum momento, bocejei algumas vezes, e mesmo a cena de abertura, que se quer impactante, herdeira de tantos outros filmes do gênero, mesmo essa cena bonita, ágil, jovem, de algum modo achei um tanto artificial, como todas as cenas de dança me pareceram excessivamente ensaiadas - o que se chama rigor, claro, mas eu vejo como um certo artificialismo. Como se o musical precisasse se reafirmar como tal a cada momento, talvez porque eu não curta muito o musical como gênero, acho que em sua estrutura ele é necessariamente artificial, em função dos passos, da coreografia, dos movimentos coordenados milimetricamente etc.
Esse filme também se mostra uma produção cuidadosíssima, em que os atores dançam bastante, embora cantem menos. E Gosling, que faz um pianista amante do jazz, parece que estudou o instrumento e, ele sim, emociona com a firmeza que imprime ao personagem Sebastian, e as canções que toca, canta, e dança. Mas nela, Emma Stone, já não vi essa força - ela canta quase nada, dança bem, mas achei tudo ali meio forçado, sobretudo a cena em que Mia, sua personagem, faz o último teste para o filme em Paris, e que vai deslanchar sua carreira - mesmo ali, onde ela se mostra mais à vontade para ser 'a story telling woman' que lhe dizem ser, quando ela começa a 'cantar' a história afetiva da tia, que mergulhou no Sena etc, fiz um muxoxo. Gostei mais da saída que se oferece para o final, um corte certeiro no ultra romantismo.
De todo modo, o filme vale ser visto, e os jovens, sobretudo, ou os velhinhos menos ranzinzas, vão encontrar muitas razões para amar.

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