terça-feira, 28 de abril de 2009

é muito quarto 2


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Considerando que:


1. Empaquei na leitura de A vida breve, do Onetti, que é sem dúvida um livro de difícil sequência, um livro duro de ler;


2. A possibilidade de uma pandemia de gripe suína no país é real, visto que os governantes e responsáveis pela saúde pública aqui são totalmente incompetentes e irresponsáveis;


3. O vosso presidente disse que "o problema de saúde de Dilma não é grave", embora os linfomas sejam sempre, no mínimo, para ser tratados sem leviandade.


Assim, face a esses impasses, volto a meu último tema, e trago mais um pouco de informação sobre o palpitante tema 'quarto da Xuxa'.


Descobri, em minhas pesquisas de campo, que o tamanho do quarto equivale ao tamanho da galeria do 228 da rua do catete. Quem toma o delicioso capuccino do primeiro quiosque conhece o espaço. Eu me dei ao trabalho de perguntar ao porteiro, que fica num cubículo à esquerda de quem entra, e ele confirmou que da entrada até a porta da Caixa tem-se uns 450m2.

Fiquei olhando bem aquilo e concluí: dá para dar um bailinho de ilhota fiscal.


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sábado, 25 de abril de 2009

é muito quarto


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O quarto da Xuxa na nova casa da Gávea tem 400m2. Suponho que ela ande nele de patins, ou de bicicleta, ou naqueles carrinhos de golfe ou... a pé já seria em si uma grande aeróbica.
Mas, enfim, não consigo imaginar muito o que sejam 400m2 apenas em um quarto, nem avaliar o que move a necessidade de alguém por tanto espaço - ou seria poder?


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quinta-feira, 23 de abril de 2009

ministro joaquim


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Para quem desejar solidarizar-se com o Ministro Joaquim Barbosa, que teve a audácia de enfrentar aquele senhor que preside o Supremo, aqui vai o email que peguei no site do idelbaravelar, onde, aliás, há ótimos comentários sobre o assunto:

gabminjoaquim@stf.gov.br


segunda-feira, 20 de abril de 2009

duas formas de ver a escola

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Sobre Entre os muros da escola, a primeira sensação que tive, ao fim do filme, foi de alívio porque não terei mais, jamais de la vie, de viver situações como aquela em sala de aula.
Quando trabalhei com aquele tipo de aluno (os chamados "baixa renda"), logo no início de minha carreira, eles sempre se mostraram super interessados, esforçados, queriam mesmo aprender porque naquele tempo se acreditava (eles e nós) que a educação mudaria suas vidas para melhor, que eles ascenderiam de classe social através do estudo, deixariam de ser porteiros, empregadas domésticas, babás, enfim, o que fosse, e melhorariam de emprego e de salário. Isso foi antes da desilusão e do cinismo tomarem conta da cena política e social por aqui. E isso também diz respeito a um país que quase não existe mais, em que valores fortes ainda podiam ser tomados como referência para uma 'ética do trabalho' (e da vida).
Achei o filme meio bobinho, não me senti próxima daquele professor em quase nenhum momento, só com muito dó dele estar enfrentando aquele caos com muito pouco domínio da turma. Parece que o sistema francês é mais caótico do que o nosso, mas não tenho mesmo a menor idéia do que esteja acontecendo nas salas de aula dessa faixa social por aqui, hoje. Sei que não é mamão com açúcar, mas não tenho dúvida de que se um professor vai dar aula na Rocinha tem de estar próximo daquele mundo de referências, tem de se adequar (se não for morto antes, claro) ou não fará absolutamente nada. E aquele homem está distante demais de seus alunos, dá a impressão de que ele não está ali verdadeiramente, ele é e parece ser 'o outro', e os alunos sabem disso. E não perdoam, claro, caem em cima dele com vontade.

De todo modo, talvez fosse interessante fazer um paralelo com o filme norte-americano Escritores da liberdade, com Hilary Swank, de forma a confrontar não apenas duas culturas e dois modos de 'encenar' problemas semelhantes, mas de explorar os 'tempos' fílmicos, as maneiras distintas de pensar e fazer cinema. Isso porque há muitas semelhanças (até a pobre Anne Frank e seu diário são objeto de leitura e aprendizagem de 'valores' com relação aos excluídos - o que também daria uma discussão muito útil sobre o uso 'didático' e 'moral' da literatura em sala de aula) entre os dois projetos, e enormes diferenças também. Enfim, fica a sugestão.

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Por amor

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Ashton Kutcher, o belo homem de um milhão de 'twitteros', até que se houve bem no papel mezzo dramático que faz, ao lado de Michelle Pfeiffer, no mediano Por amor. Não vi muitos filmes com ele, mas de vez quando zapeio por um programa de humor que ele protagoniza em um desses canais da net, e francamente, aquilo é uma idiotice só, bem nos padrões do humor e da cultura lá deles - ou seja, sacanear os outros eles acham muito engraçado...

De todo modo, gostei de ter visto o filme e até me surpreendi - vejam só - com a primeira e única vez em que vi num filmão americano um protagonista, e também galã, com aquela coisa nojenta nos olhos num close indisfarçável - e no filme isso significa que o rapaz é descuidado, meio fora do esquadro, um outsider - claro que nos padrões lá deles. É um recurso tão primário que acaba ficando um tanto engraçado (para ficar na praia do rapaz).

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Valsa com Bashir

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Valsa com Bashir passa na tela como uma estória que tivesse personagens reais, e não como o desenho animado que é, e emociona fortemente o espectador, sobretudo por causa dos diálogos inteligentes, densos, dolorosos, que coloca em cena questões de todos nós: a memória como construção seletiva de acontecimentos, em constante deslocamento e mutação; o esquecimento como terapêutica e propedêutica da dor, e ainda condição inelutável para a sanidade do protagonista, e de alguns de seus colegas, face aos acontecimentos devastadores de que fizeram parte.

A música parece ser vital para sublinhar os climas e os diversos momentos, muitas vezes pesados, da trama, e o final, com personagens (pessoas reais?) vivos, faz um "remate de males" tocante, diria mesmo chocante. Um dos mais fortes "documentários" sobre a barbárie da guerra que já vi.

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Correntes, elos, passagens

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Primeiro, eu vi no blog do kovacs o link para o do fabricioteixeira, passei lá e fiquei boba de ver como um garoto tão jovem faz e pensa coisas tão bacanas. Hoje conheci por lá uma cantora - Lhasa de Sela - e ouvi uma música cantada por ela absurdamente linda, que me levou ao site http://lhasadesela.com/ , ainda não inteiramente terminado, acredito, mas com uma canção linda também. Então é assim, a gente vai somando as coisas boas, e agradecendo.

domingo, 12 de abril de 2009

In on it


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Eu não vou ao teatro há uns dez anos talvez. Parei de ir porque era muito constrangedor estar tão perto de atores medíocres, falando frases medíocres - e eu acredito que o espaço da encenação teatral é muito forte, não se deve usá-lo tolamente, faz muito mal para quem assiste ver uma peça ruim, atores ruins.


Além disso, eu já havia visto aqueles acontecimentos teatrais viscerais na minha giuventú - O rei da vela (1971), Equus (1975), Trate-me leão (1977) e Aquela coisa toda (1980), com o Asdrúbal trouxe o trombone, O arquiteto e o imperador da Assíria (1970), Hoje é dia de rock (1971), A China é azul (1972), Macunaíma (1978), na genial direção de Antunes Filho. Também vi a magistral interpretação de Cacá Carvalho para Meu tio, o Iauaretê, em 1986. (Tá certo, faz muito tempo, mas e daí? Não tenho culpa se as coisas realmente boas aconteceram há tanto tempo).

Enfim, já tinha visto muita coisa ao longo da vida e não dava mais para assistir às mediocridades que pairavam sobre a cena teatral das últimas décadas.


Tudo isso para dizer que hoje retornei à sala mágica e vi um espetáculo deslumbrante, In on it, em que dois atores - Fernando Eiras e Emílio de Mello - recolocam para mim a grandeza e a magia do teatro, numa peça que emociona, faz rir e faz pensar, mas, sobretudo, que lida com a inteligência do espectador, que entra em sintonia não apenas com nossas emoções, mas joga com diversos níveis de encenação - tudo para falar de vida e morte, de perdas, rupturas, alegrias, enfim, das fragilidades e forças que nos constituem.

Ambos os atores dão um show de talento, entrega, emoção e sensibilidade, e o Fernando Eiras tem alguns momentos magistrais, em que a gente percebe o trabalho minimal de composição, perfeita.

Além disso tudo, o Oi Futuro é um teatro ótimo, dá para ir a pé e o horário não podia ser melhor, 19h30min. E vai até 28/06.

Também tem homepage interessante em http://inonit.wordpress.com/



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O visitante



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O que mais toca em O visitante (além do tambor, claro) é a pungente compreensão de que cada retalho de vida importa, de que meu amigo tem razão – todo movimento existe em direção à vida, à mais vida (sim, ele quer dizer que não há instinto de morte, só há instinto de vida).
O homem com sua vida besta, suas conferências chatas, suas aulas velhas, seu livro inescrito e suas mãos ineptas para o piano – esse homem cinza, só e triste dá de cara all of a sudden com o inesperado de duas vidas intensas, jovens, criativas, em tudo precárias e instáveis.


É bonito acompanhar esse percurso do sim em direção ao sim, o tateio desajeitado de alguém em direção a uma alegria que ele nem sabia mais que podia sentir – o ator Richard Jenkins, brilhante, compõe esse percurso com minúcias, um artesão delicado das nuanças, dos momentos, dos tempos – sim, esse é um filme de vários timings, uma sucessão de timings para que a vida aconteça com suas imposições, suas brutalidades e suas delicadezas.

Ela – a vida - se desenrola a nossa frente como num filme, mas é real e próxima e terna e triste e nossa. (Embora eu não possa aceitar (mas o compreenda) o último momento da cena final como o último, claro. Ele não poderá tocar tambor para sempre naquela estação de metrô porque algo precioso cruzou os ares em direção à Síria e será imperioso que ele vá até lá, não há como isso não acontecer, não há...

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terça-feira, 7 de abril de 2009

Campinas

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Do meu fim de semana em Campinas, ficou que ela é uma cidade simples e acolhedora, com alguns belos prédios; também pude contar com o suporte do amigo andre, que me empurrou para caminhar e conhecer os arredores.


Fui com ele e sua amiga cristiane passear num shopping lindíssimo, cheio de águas, plantas, carpas e verdes, um oásis.





















Água não falta por ali, além de ser muito bonito e repousante














Havia uma feirinha bem perto do hotel onde fiquei com coisas bem interessantes, não apenas de artesanato mas 'de um tudo'; o hotel era legal, e vários músicos se hospedaram por lá (aliás, eu quase sempre fico em hotéis que acolhem músicos, não sei bem por quê, eles são uma troupe assim tipo 'soltinhos', sem chegar a ser hippies...)

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Essa árvore é linda, fica na praça da feirinha, que está logo abaixo



















A entrada do simpático hotel Premium













Nem lembro onde tirei essa foto, mas gostei














E se fui para descansar, esse era o melhor lugar pra ficar....













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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Enfim

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Sobre Simplesmente feliz quero dizer que estou muito, muito velha: achei tudo absolutamente ridículo, na verdade, mais que isso, achei a protagonista completamente idiota, ela é praticamente retardada, segundo penso, nada no filme bate com nada e aquelas vidas estão longe de constituir qualquer inspiração para o que quer que se compreenda como 'felicidade', e só me dou ao trabalho de comentar porque é do Mike Leigh, e a crítica em geral vem elogiando.

Devo dizer que eu larguei um curso de fotografia por alguns motivos, um deles foi que havia uma exigência de se fotografar sobre o tema 'instantâneos de felicidade' e como eu acho muito difícil compreender isso, a essa altura do meu campeonato, e também acho que essa tal felicidade é um bichinho efêmero e volátil que mais perpassa muito sutilmente alguns momentos disso que também chamamos vida, eu não tenho condições psíquicas de 'clicar para sempre', transformar uma brecha da existência em 'punctum', em letra (ou pó de nitrato) existente e visível numa foto.

Então, como eu também não fico mais em situação alguma que me constranja, ou onde não esteja bem ou à vontade, saí da sala, fui tomar café, comer pão de queijo, falar ao celular e quando voltei a moça protagonista continuava fazendo caretas e caretas que me deixavam de queixo caído, boba de ver como o ridículo pode ser tomado por arte.


Em tempo: uma amiga, que tem uma compreensão muito polyana da vida, mas uma polyana inteligente e reflexiva, também achou o filme um mico total. Enfim.

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