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Parece que o Daniel Auteil está se especializando em filmes do tipo "o que se aprende quando nos abrimos para as pessoas simples", e isso não é uma ironia (pelo menos, não inteiramente). De forma semelhante ao que sucede em Meu melhor amigo, também aqui, em Conversas com meu jardineiro, há a aproximação de um homem relativamente só (já que incapaz de manter suas relações de afeto) com um antigo amigo de escola, cuja ocupação agora opõe culturalmente os dois mundos: um ferroviário aposentado que se dedica ao trabalho de que mais gosta - a jardinagem, e um pintor reconhecido, mas um tanto frustrado.
Esses dois homens retomam juntos o fio da vida a partir das lembranças de moleques e constituem uma parceria de afeto que vai render a ambos boas conversas, rememorações, solidariedade, compreensão, enfim o que faz valer a vida entre amigos.
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domingo, 30 de dezembro de 2007
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
site interessante
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Conheço esse site há alguns anos, e sempre que vou lá me surpreendo com a criatividade dessa pessoa, que eu não tenho a menor idéia de quem seja, mas acho que o projeto todo é subvencionado por alguma instituição da Holanda, e é muito, muito criativo e interessante. Encontrei lá esse poeminha que é a cara da bel seslaf e, eventualmente, da clara :).
Acho que o autor se chama assim: Jogchem Niemandsverdrie
My theory of relative happiness essentially
means that you don't feel good or bad. Just
better or worse than before. This insight
opens a new path to happiness: depress
yourself and in the relief following that
depression, you will experience an
overwhelming sense of bliss.I'm still working on the scientific evidence.
http://www.nobodyhere.com/justme/theory.here
Conheço esse site há alguns anos, e sempre que vou lá me surpreendo com a criatividade dessa pessoa, que eu não tenho a menor idéia de quem seja, mas acho que o projeto todo é subvencionado por alguma instituição da Holanda, e é muito, muito criativo e interessante. Encontrei lá esse poeminha que é a cara da bel seslaf e, eventualmente, da clara :).
Acho que o autor se chama assim: Jogchem Niemandsverdrie
My theory of relative happiness essentially
means that you don't feel good or bad. Just
better or worse than before. This insight
opens a new path to happiness: depress
yourself and in the relief following that
depression, you will experience an
overwhelming sense of bliss.I'm still working on the scientific evidence.
http://www.nobodyhere.com/justme/theory.here
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
blogues e teses
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Tenho conhecido alguns blogues bem interessantes, de pessoas na faixa entre os 30 e os 40 anos, fazendo coisas intensas, escrevendo trabalhos acadêmicos e vivendo momentos especiais da vida, no auge da idade adulta, das questões existenciais. Acho tudo isso estimulante, mas me sinto meio outsider de um monte de coisa, porque me vejo ali há muitos anos atrás. Às vezes tenho vontade de dizer a alguém que escrever uma tese é um momento magnífico da vida, aproveite, curta, goste do descomunal trabalho, porque é quando o universo todo vibra a sua volta, você produz endorfina como nunca, e o que se escreve naquele momento será seu patrimônio cultural para toda a vida e nunca mais você escreverá daquele jeito, porque aquele tipo de texto você só escreve ali, para aquilo.
Também acho engraçada essa coisa da academia vir parar, meio de viés, nos blogues, através dos comentários de orientandos sobre orientadores, sobre esse mundo de que eu fiz parte por décadas. Já li comentários de candidatos sobre determinadas bancas em que ele (o candidato) criticava impiedosamente um dos participantes mas, para alívio meu, resguardava outro, amigo meu, achei engraçadíssimo e jamais comentei nada disso com ele, que nem tempo para blogues. De todo modo, essa explicitação pública dos bastidores do trabalho acadêmico pode ser saudável e eu fico imaginando se os orientadores de hoje (porque no meu tempo não havia isso) lêem a produção bloguística de seus orientandos e o que pensam dela. Os meus amigos que estão na ativa eu sei que não têm muito tempo para dedicar a esse mundo, embora circulem pela rede.
É isso - rapazes e moças que escrevem teses, dissertações, ensaios ou o que for, sofram, chorem, amaldiçoem o dia em que escolheram esse caminho, mas saibam que vão sentir falta desses dias.
Tenho conhecido alguns blogues bem interessantes, de pessoas na faixa entre os 30 e os 40 anos, fazendo coisas intensas, escrevendo trabalhos acadêmicos e vivendo momentos especiais da vida, no auge da idade adulta, das questões existenciais. Acho tudo isso estimulante, mas me sinto meio outsider de um monte de coisa, porque me vejo ali há muitos anos atrás. Às vezes tenho vontade de dizer a alguém que escrever uma tese é um momento magnífico da vida, aproveite, curta, goste do descomunal trabalho, porque é quando o universo todo vibra a sua volta, você produz endorfina como nunca, e o que se escreve naquele momento será seu patrimônio cultural para toda a vida e nunca mais você escreverá daquele jeito, porque aquele tipo de texto você só escreve ali, para aquilo.
Também acho engraçada essa coisa da academia vir parar, meio de viés, nos blogues, através dos comentários de orientandos sobre orientadores, sobre esse mundo de que eu fiz parte por décadas. Já li comentários de candidatos sobre determinadas bancas em que ele (o candidato) criticava impiedosamente um dos participantes mas, para alívio meu, resguardava outro, amigo meu, achei engraçadíssimo e jamais comentei nada disso com ele, que nem tempo para blogues. De todo modo, essa explicitação pública dos bastidores do trabalho acadêmico pode ser saudável e eu fico imaginando se os orientadores de hoje (porque no meu tempo não havia isso) lêem a produção bloguística de seus orientandos e o que pensam dela. Os meus amigos que estão na ativa eu sei que não têm muito tempo para dedicar a esse mundo, embora circulem pela rede.
É isso - rapazes e moças que escrevem teses, dissertações, ensaios ou o que for, sofram, chorem, amaldiçoem o dia em que escolheram esse caminho, mas saibam que vão sentir falta desses dias.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
o Natal para Adélia
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De qualquer maneira, seria bonito sentir o que exprime esse texto de Adélia Prado sobre o Natal.
No Presépio - Adélia Prado
Minha alma debate-se, tentada à tristeza e seus requintes. Meu pai morto não vai repetir este ano: "Nada como um frango com arroz depois da missa". Minha irmã chora porque seu marido é amarradinho com dinheiro e ela queria muito comprar uns festões, uns presentinhos mais regalados, ô vida, e ele acha tudo bobagem e só quer saber de encher a geladeira com mortadela e cerveja. Talvez, por isto, ou porque me achei velha demais no espelho da loja, sinto dificuldades em ajudar Corália. Queria muito chorar, deveras estou chorando, às vésperas do nascimento do Senhor, eu que estremeço recém-nascidos. Estou achando o mundo triste, querendo pai e mãe, eu também. Corália disse: você é tão criativa! E sou mesmo, poderia inventar agora um sofrimento tão insuportável que murcharia tudo à minha volta. Mas não quero. E ainda que quisesse, por destino, não posso. Este musgo entre as pedras não consente, é muito verde. E esta areia. São bonitos demais! À meia-noite o Menino vem, à meia-noite em ponto. Forro o cocho de palha. Ele vem, as coisas sabem, pois estão pulsando, os carneiros de gesso, a estrela de purpurina, a lagoa feita de espelhos. Vou fazer as guirlandas para Corália enfeitar sua loja. A radiação da "luz que não fere os olhos" abre caminho entre escombros, avança imperceptível e os brutos, até os brutos, banhados. Desfoco um pouco o olhar e lá está o halo, a expectante claridade, em Corália, em Joana com seu marido e em mim, também em mim que escolho beber o vinho da alegria, porque deste lugar, onde "o leão come a palha com o boi", esta certeza me toma: "um menino pequeno nos conduzirá".____
Texto extraído do livro Filandras, Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, p 111 e disponibilizado no site http://www.releituras.com
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De qualquer maneira, seria bonito sentir o que exprime esse texto de Adélia Prado sobre o Natal.
No Presépio - Adélia Prado
Minha alma debate-se, tentada à tristeza e seus requintes. Meu pai morto não vai repetir este ano: "Nada como um frango com arroz depois da missa". Minha irmã chora porque seu marido é amarradinho com dinheiro e ela queria muito comprar uns festões, uns presentinhos mais regalados, ô vida, e ele acha tudo bobagem e só quer saber de encher a geladeira com mortadela e cerveja. Talvez, por isto, ou porque me achei velha demais no espelho da loja, sinto dificuldades em ajudar Corália. Queria muito chorar, deveras estou chorando, às vésperas do nascimento do Senhor, eu que estremeço recém-nascidos. Estou achando o mundo triste, querendo pai e mãe, eu também. Corália disse: você é tão criativa! E sou mesmo, poderia inventar agora um sofrimento tão insuportável que murcharia tudo à minha volta. Mas não quero. E ainda que quisesse, por destino, não posso. Este musgo entre as pedras não consente, é muito verde. E esta areia. São bonitos demais! À meia-noite o Menino vem, à meia-noite em ponto. Forro o cocho de palha. Ele vem, as coisas sabem, pois estão pulsando, os carneiros de gesso, a estrela de purpurina, a lagoa feita de espelhos. Vou fazer as guirlandas para Corália enfeitar sua loja. A radiação da "luz que não fere os olhos" abre caminho entre escombros, avança imperceptível e os brutos, até os brutos, banhados. Desfoco um pouco o olhar e lá está o halo, a expectante claridade, em Corália, em Joana com seu marido e em mim, também em mim que escolho beber o vinho da alegria, porque deste lugar, onde "o leão come a palha com o boi", esta certeza me toma: "um menino pequeno nos conduzirá".____
Texto extraído do livro Filandras, Editora Record - Rio de Janeiro, 2001, p 111 e disponibilizado no site http://www.releituras.com
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sábado, 22 de dezembro de 2007
de natal e expectativas
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Eu não gosto mesmo dessa época de Natal, nem de Ano Novo, sou daquelas que se angustiam com o entorno dessas festas: gente pra todo lado, confusão, compras em excesso, todo mundo querendo achar o tal espírito natalino nos lugares mais improváveis de encontrar, nadando de braçada para não se encontrar sozinho consigo mesmo, enfim, essa é uma época muito triste para minhas antenas sensíveis. Mas, como é Natal, pequenos milagres acontecem, como eu encontrar um amigo querido que não vejo há séculos, num lugar aprazível (que palavra! :), com quem é bom conversar até o fim dos tempos. Também receber telefonema de amiga que ao longo do ano submerge nas milhares de tarefas impostas pela labuta (que outra palavra! :) acadêmica e retomar a conversa como se tivéssemos interrompido ontem, lembrando as viagens que fizemos juntas, os congressos a que fomos, new orleans antes da queda, os malucos do radissom hotel, enfim, em meio aos cacos dos finais de ano, pequenos espaços de fraternidade e afeto, que bom.
Para ficar no espírito, um poema muito antigo do Drummond, que faz parte de um pedacinho de minha história:
Resíduo
De tudo ficou um pouco.
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponto bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil.
De tudo fica um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas,
e sob as nuvens e os ventos,
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte de escarlate
e sob as bibliotecas, asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
(CDA, Poesia completa e prosa, Aguilar, 1973, p. 162-5).
Eu não gosto mesmo dessa época de Natal, nem de Ano Novo, sou daquelas que se angustiam com o entorno dessas festas: gente pra todo lado, confusão, compras em excesso, todo mundo querendo achar o tal espírito natalino nos lugares mais improváveis de encontrar, nadando de braçada para não se encontrar sozinho consigo mesmo, enfim, essa é uma época muito triste para minhas antenas sensíveis. Mas, como é Natal, pequenos milagres acontecem, como eu encontrar um amigo querido que não vejo há séculos, num lugar aprazível (que palavra! :), com quem é bom conversar até o fim dos tempos. Também receber telefonema de amiga que ao longo do ano submerge nas milhares de tarefas impostas pela labuta (que outra palavra! :) acadêmica e retomar a conversa como se tivéssemos interrompido ontem, lembrando as viagens que fizemos juntas, os congressos a que fomos, new orleans antes da queda, os malucos do radissom hotel, enfim, em meio aos cacos dos finais de ano, pequenos espaços de fraternidade e afeto, que bom.
Para ficar no espírito, um poema muito antigo do Drummond, que faz parte de um pedacinho de minha história:
Resíduo
De tudo ficou um pouco.
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponto bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil.
De tudo fica um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas,
e sob as nuvens e os ventos,
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte de escarlate
e sob as bibliotecas, asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
(CDA, Poesia completa e prosa, Aguilar, 1973, p. 162-5).
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
saudades de Barthes
Porque me deu saudades da beleza do texto de Barthes, aí vai um excerto de um momento glorioso de sua frase, saber e sabor.
*****
"Michelet toma a nossa História na instituição da servidão: é aqui que se forma a idéia da Feiticeira; isolada em seu casebre, a jovem mulher do servo dá ouvidos a esses vagos demônios do lar, restos dos antigos deuses pagãos que a Igreja expulsou: ela torna-os seus confidentes, enquanto o marido trabalha fora. Na esposa do servo, a Feiticeira ainda é apenas virtual, trata-se apenas de uma comunicação sonhada entre a Mulher e a Sobrenatureza: Satanás ainda não foi concebido. Depois, os tempos endurecem, a miséria, a humilhação aumentam; surge algo na História que muda as relações dos homens, que transforma a propriedade em exploração, que esvazia de toda a humanidade o elo entre o servo e o senhor: é o ouro. Ele próprio abstração dos bens materiais, o ouro abstrai a relação humana; o senhor já não conhece seus camponeses, mas apenas o ouro impessoal com que eles devem pagar-lhe a contribuição. É aqui que muito justamente, por uma espécie de presciência de tudo o que mais tarde se dirá da alienação, Michelet coloca o nascimento da Feiticeira: é no momento em que a relação fundamental é destruída, que a mulher do servo se exclui do lar, ganha a charneca, faz um pacto com Satanás, e recolhe no seu deserto, como um depósito precioso, a Natureza expulsa do mundo; estando a Igreja enfraquecida, alienada aos grandes, separada do povo, é a Feiticeira que exerce, então, as magistraturas de consolação, a comunicação com os mortos, a fraternidade dos grandes sabbats coletivos, a cura dos males físicos, durante os três séculos em que triunfa: o século leproso (XIV), o século epiléptico (XV), o século sifilítico (XVI). Por outras palavras, estando o mundo votado à desumanidade pela colusão terrível do ouro e da servidão, é a Feiticeira que, ao retirar-se do mundo, ao tornar-se a "excluída", recolhe e preserva a humanidade. Assim, ao longo dos finais da Idade Média, a Feiticeira é uma função: mais ou menos inútil quando as relações sociais comportam por si mesmas uma certa solidariedade, ela desenvolve-se na proporção em que essas relações empobrecem: anuladas essas relações, a Feiticeira triunfa."
*****
(BARTHES, Roland. "A feiticeira". In Ensaios críticos. Trad. Antonio Massano e Isabel Pascoal. Lisboa: Edições 70, 1977, p. 154-5).
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"Michelet toma a nossa História na instituição da servidão: é aqui que se forma a idéia da Feiticeira; isolada em seu casebre, a jovem mulher do servo dá ouvidos a esses vagos demônios do lar, restos dos antigos deuses pagãos que a Igreja expulsou: ela torna-os seus confidentes, enquanto o marido trabalha fora. Na esposa do servo, a Feiticeira ainda é apenas virtual, trata-se apenas de uma comunicação sonhada entre a Mulher e a Sobrenatureza: Satanás ainda não foi concebido. Depois, os tempos endurecem, a miséria, a humilhação aumentam; surge algo na História que muda as relações dos homens, que transforma a propriedade em exploração, que esvazia de toda a humanidade o elo entre o servo e o senhor: é o ouro. Ele próprio abstração dos bens materiais, o ouro abstrai a relação humana; o senhor já não conhece seus camponeses, mas apenas o ouro impessoal com que eles devem pagar-lhe a contribuição. É aqui que muito justamente, por uma espécie de presciência de tudo o que mais tarde se dirá da alienação, Michelet coloca o nascimento da Feiticeira: é no momento em que a relação fundamental é destruída, que a mulher do servo se exclui do lar, ganha a charneca, faz um pacto com Satanás, e recolhe no seu deserto, como um depósito precioso, a Natureza expulsa do mundo; estando a Igreja enfraquecida, alienada aos grandes, separada do povo, é a Feiticeira que exerce, então, as magistraturas de consolação, a comunicação com os mortos, a fraternidade dos grandes sabbats coletivos, a cura dos males físicos, durante os três séculos em que triunfa: o século leproso (XIV), o século epiléptico (XV), o século sifilítico (XVI). Por outras palavras, estando o mundo votado à desumanidade pela colusão terrível do ouro e da servidão, é a Feiticeira que, ao retirar-se do mundo, ao tornar-se a "excluída", recolhe e preserva a humanidade. Assim, ao longo dos finais da Idade Média, a Feiticeira é uma função: mais ou menos inútil quando as relações sociais comportam por si mesmas uma certa solidariedade, ela desenvolve-se na proporção em que essas relações empobrecem: anuladas essas relações, a Feiticeira triunfa."
*****
(BARTHES, Roland. "A feiticeira". In Ensaios críticos. Trad. Antonio Massano e Isabel Pascoal. Lisboa: Edições 70, 1977, p. 154-5).
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
um dia sem sol
Um dia no Rio sem o sol que torra o cérebro dos viventes, regozijemo-nos. Está bem, chuva em tempo integral também enche, nos dois sentidos, mas não se pode ter tudo.
o blog do Tolstoi
Pois é, eu acredito que tudo faz parte de um concerto de forças que une objetos e gente aqui e ali e que as coisas de que você precisa te procuram também, quando você as quer muito. Então deu-se que as energias da Carrie, do sublimesucubos, em torno do grupo de leituras para Ana Karenina, no sublimesconversacoes, me fizeram dar uma passada no Beta de Aquarius, sebo ótimo que fica na Buarque de Macedo, atrás do dito livro, que não tinha, mas tinha outro do Tolstoi que eu olhei assim pro título e pensei: ele também escreveu auto-ajuda! E comprei. Vejam vocês, eu já tive muitas vezes essa conversa com um amigo querido sobre escrever um best-seller para as massas, não precisava nem ser do tipo harry potter, mas algo convincente e conveniente para ambos - nós e o público pagante. Enfim, lendo o livro do Tolstoi descubro que:
1) ele também sonhou em atingir as grandes massas, levando para elas cultura e a sabedoria acumuladas pelos séculos;
2) o formato da obra, composto de pensamentos recolhidos das mais diferentes origens e autores, é semelhante tanto ao livro de auto-ajuda (de altíssima qualidade, bien sûr), quanto à dinâmica dos blogs, porque, primeiro, ele quer efetivamente auxiliar as pessoas para que elas sejam melhores, qualidade que o contato com os altos pensamentos das grandes obras pode gerar e, segundo, ele busca isso através dos parágrafos curtos, da frase parábola e do comentário síntese, escritos com o propósito de tornar simples e acessível ao maior número possível de leitores aquilo que os textos dizem;
3) ele era um cristão convicto, e o livro foi proibido durante o regime soviético em razão de suas inúmeras citações religiosas. Hoje, que não há mais regime soviético, ele pode igualmente ser menosprezado pelas mesmas razões;
4) eu gostei demais de encontrar esse livro, é o tipo de obra que você acha quando precisa e que não se lê de forma corrida, mas aos poucos, aqui e ali, refletindo, um pouco no espírito com que o autor o fez;
5) por fim, alguns trechos do Prefácio feito por Peter Sekirin, que dizem da obra:
A idéia original para a obra parece ter ocorrido a Tolstoi em meados da década de 1880. Sua primeira conceituação documentada de Calendário da Sabedoria - "Um pensamento sábio para cada dia do ano, dos maiores filósofos de todos os tempos e todos os povos" - aparece em 1884. Ele escreveu em seu diário a 15 de março daquele ano: "Tenho de criar um círculo de leituras para mim mesmo: Epicteto, Marco Aurélio, Lao-Tzu, Buda, Pascal, o Novo Testamento. Isso é necessário para todo mundo."
O processo de coleta desses pensamentos levou mais de 15 anos. Tolstoi começou a escrever entre dezembro de 1902 e janeiro de 1903. Com quase 80 anos, caiu gravemente doente; enquanto meditava acerca do significado da vida e da morte, foi inspirado a começar a reunir o que então chamou 'Um pensamento sábio para cada dia'. Quando, afinal, enviou o livro a seus editores, Tolstoi escreveu em seu diário:
"Senti que me elevara a grande altura espiritual e moral ao comunicar-me com os melhores e mais sábios indivíduos cujos livros eu lera e cujos pensamentos selecionara para o meu 'Círculo de Leituras."
Tolstoi preparou uma terceira edição revista, abreviada e simplificada que foi impressa com o novo título 'O caminho da vida', em 1910, seu último ano de vida. Desejava tornar o livro facilmente compreensível até mesmo para os mais simples e menos educados - os camponeses e as crianças. Muito provavelmente, Tolstoi comparava o 'Calendário da Sabedoria' com 'Guerra e Paz', quando escreveu que 'criar um livro para as massas, para milhões de pessoas... é incomparavelmente mais importante e frutífero do que compor um romance do tipo que diverte alguns membros das classes abastadas durante algum tempo e depois é esquecido. A região dessa arte dos mais simples e acessíveis é enorme e está até aqui intocada."
____
Tolstoi, Pensamentos para uma vida feliz - Calendário da sabedoria. Tradução Bárbara Heliodora. São Paulo: Prestígio, 2005. Prefácio de Peter Sekirin.
1) ele também sonhou em atingir as grandes massas, levando para elas cultura e a sabedoria acumuladas pelos séculos;
2) o formato da obra, composto de pensamentos recolhidos das mais diferentes origens e autores, é semelhante tanto ao livro de auto-ajuda (de altíssima qualidade, bien sûr), quanto à dinâmica dos blogs, porque, primeiro, ele quer efetivamente auxiliar as pessoas para que elas sejam melhores, qualidade que o contato com os altos pensamentos das grandes obras pode gerar e, segundo, ele busca isso através dos parágrafos curtos, da frase parábola e do comentário síntese, escritos com o propósito de tornar simples e acessível ao maior número possível de leitores aquilo que os textos dizem;
3) ele era um cristão convicto, e o livro foi proibido durante o regime soviético em razão de suas inúmeras citações religiosas. Hoje, que não há mais regime soviético, ele pode igualmente ser menosprezado pelas mesmas razões;
4) eu gostei demais de encontrar esse livro, é o tipo de obra que você acha quando precisa e que não se lê de forma corrida, mas aos poucos, aqui e ali, refletindo, um pouco no espírito com que o autor o fez;
5) por fim, alguns trechos do Prefácio feito por Peter Sekirin, que dizem da obra:
A idéia original para a obra parece ter ocorrido a Tolstoi em meados da década de 1880. Sua primeira conceituação documentada de Calendário da Sabedoria - "Um pensamento sábio para cada dia do ano, dos maiores filósofos de todos os tempos e todos os povos" - aparece em 1884. Ele escreveu em seu diário a 15 de março daquele ano: "Tenho de criar um círculo de leituras para mim mesmo: Epicteto, Marco Aurélio, Lao-Tzu, Buda, Pascal, o Novo Testamento. Isso é necessário para todo mundo."
O processo de coleta desses pensamentos levou mais de 15 anos. Tolstoi começou a escrever entre dezembro de 1902 e janeiro de 1903. Com quase 80 anos, caiu gravemente doente; enquanto meditava acerca do significado da vida e da morte, foi inspirado a começar a reunir o que então chamou 'Um pensamento sábio para cada dia'. Quando, afinal, enviou o livro a seus editores, Tolstoi escreveu em seu diário:
"Senti que me elevara a grande altura espiritual e moral ao comunicar-me com os melhores e mais sábios indivíduos cujos livros eu lera e cujos pensamentos selecionara para o meu 'Círculo de Leituras."
Tolstoi preparou uma terceira edição revista, abreviada e simplificada que foi impressa com o novo título 'O caminho da vida', em 1910, seu último ano de vida. Desejava tornar o livro facilmente compreensível até mesmo para os mais simples e menos educados - os camponeses e as crianças. Muito provavelmente, Tolstoi comparava o 'Calendário da Sabedoria' com 'Guerra e Paz', quando escreveu que 'criar um livro para as massas, para milhões de pessoas... é incomparavelmente mais importante e frutífero do que compor um romance do tipo que diverte alguns membros das classes abastadas durante algum tempo e depois é esquecido. A região dessa arte dos mais simples e acessíveis é enorme e está até aqui intocada."
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Tolstoi, Pensamentos para uma vida feliz - Calendário da sabedoria. Tradução Bárbara Heliodora. São Paulo: Prestígio, 2005. Prefácio de Peter Sekirin.
caiu
Pois é, não há mal que dure para sempre, nem bem etc, etc. Caiu a CPMF, o imposto que servia para tudo, menos para o que se propunha inicialmente. Já caiu tarde, vamos esperar o que eles vão aprontar para compensar. De todo modo, uma boa notícia.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
conduta de risco
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Eu ando sem vontade de postar, o calor é tão absurdo que só tenho vontade de ficar quieta no quarto, ar ligado e sem fazer muito movimento para não esquentar. Mas vi Conduta de risco, que a Isabela Boscov elogiou muito e eu respeito a opinião dela. Em síntese, vale mais pelo belo Clooney, que está muito bem, e um certo dinamismo na montagem do filme, não que eu entenda muito disso, mas saí do cinema pensando: montagem é tudo. De todo modo, filmão americano sobre os bad e os good boys de sempre.
Eu ando sem vontade de postar, o calor é tão absurdo que só tenho vontade de ficar quieta no quarto, ar ligado e sem fazer muito movimento para não esquentar. Mas vi Conduta de risco, que a Isabela Boscov elogiou muito e eu respeito a opinião dela. Em síntese, vale mais pelo belo Clooney, que está muito bem, e um certo dinamismo na montagem do filme, não que eu entenda muito disso, mas saí do cinema pensando: montagem é tudo. De todo modo, filmão americano sobre os bad e os good boys de sempre.
sábado, 8 de dezembro de 2007
de contos e contas
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Fim de ano é época também de juntar papéis, documentos, coisas acumuladas ao longo do ano, arrumar, jogar fora. Não sei por que, mas esse ano estou me sentindo um tanto sufocada por tantas coisas a exigirem definição: joga fora, guarda, rasga, faz o quê? Enfim, está tudo muito over por aqui, talvez por eu ter começado pelas fotos, duas caixas de sapato abarrotadas com fotos misturadas de todas as épocas da minha vida, olhar tudo isso vai dando uma aflição...
No meio das arrumações, consegui ler A festa de Babette, conto do Anedotas do destino, da Karen Blixen, e acho o filme muito melhor. Em geral, não costumo gostar mais de filmes, mesmo quando muito bem feitos, do que dos livros que os originaram, especialmente e sobretudo quando se trata de livro/filme brasileiro, mas nesse caso o filme é mesmo muito além do conto.
Do filme eu posso dizer "deslumbrante", do conto eu diria "muito bom", e não vou me estender na impressão de que a escrita de Karen não me parece no mesmo patamar de excelência das mulheres da minha vida (Woolf, Duras, Lispector) porque seria precipado, assim que tiver terminado de ler pelo menos todos os contos desse livro talvez possa dizer alguma coisa mais.
Também já li quase quase todo o Fica comigo esta noite, livro de contos da Inês Pedrosa, mas dizem que Fazes-me falta é a obra dela mais importante, resolvi começar a lê-la pelos contos e, como acontece sempre, alguns são excelentes, outros medianos, outros fracos. Acho que "Só sexo", o primeiro conto, diz muito do estilo e da temática dela: frase curta, direta, assuntos contemporâneos, amor, amor e suas interseções nas vidas modernas.
Uma boa frase:
Enquanto os nossos camaradas celebravam nas ruas, nós fabricávamos o amor a partir do zero, no deslumbramento silencioso de um deus que subitamente descobrisse as coisas de que era capaz. Amávamo-nos como se o amor fosse apenas um suplente íntimo dessa revolução que nunca mais chegava.
(Fica comigo esta noite, Planeta, 2007, p. 9)
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Fim de ano é época também de juntar papéis, documentos, coisas acumuladas ao longo do ano, arrumar, jogar fora. Não sei por que, mas esse ano estou me sentindo um tanto sufocada por tantas coisas a exigirem definição: joga fora, guarda, rasga, faz o quê? Enfim, está tudo muito over por aqui, talvez por eu ter começado pelas fotos, duas caixas de sapato abarrotadas com fotos misturadas de todas as épocas da minha vida, olhar tudo isso vai dando uma aflição...
No meio das arrumações, consegui ler A festa de Babette, conto do Anedotas do destino, da Karen Blixen, e acho o filme muito melhor. Em geral, não costumo gostar mais de filmes, mesmo quando muito bem feitos, do que dos livros que os originaram, especialmente e sobretudo quando se trata de livro/filme brasileiro, mas nesse caso o filme é mesmo muito além do conto.
Do filme eu posso dizer "deslumbrante", do conto eu diria "muito bom", e não vou me estender na impressão de que a escrita de Karen não me parece no mesmo patamar de excelência das mulheres da minha vida (Woolf, Duras, Lispector) porque seria precipado, assim que tiver terminado de ler pelo menos todos os contos desse livro talvez possa dizer alguma coisa mais.
Também já li quase quase todo o Fica comigo esta noite, livro de contos da Inês Pedrosa, mas dizem que Fazes-me falta é a obra dela mais importante, resolvi começar a lê-la pelos contos e, como acontece sempre, alguns são excelentes, outros medianos, outros fracos. Acho que "Só sexo", o primeiro conto, diz muito do estilo e da temática dela: frase curta, direta, assuntos contemporâneos, amor, amor e suas interseções nas vidas modernas.
Uma boa frase:
Enquanto os nossos camaradas celebravam nas ruas, nós fabricávamos o amor a partir do zero, no deslumbramento silencioso de um deus que subitamente descobrisse as coisas de que era capaz. Amávamo-nos como se o amor fosse apenas um suplente íntimo dessa revolução que nunca mais chegava.
(Fica comigo esta noite, Planeta, 2007, p. 9)
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
à procura de um blog
Se alguma alma que passa por aqui souber do que falo, me dê o endereço do blog ou site em que só aparecem casas e objetos de decoração, é um espaço muito bonito, eu dei para um amigo que o perdeu e me pediu de novo, mas eu não consigo achar o maledeto. Thanks.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
um filme delicado
A vida dos outros é um filme delicado, embora tendo como pano de fundo a dura época do totalitarismo russo, e como tema a relação entre arte e essa mesma violência, de que Mephisto seria ainda o filme emblemático. Aqui, os três principais personagens movem-se de forma a encontrar, cada um deles, uma possível redenção sob a égide da arte como encontro entre sensibilidades e lugar onde a dignidade habita, mesmo que sob as vestes de um nazista. Uma certa humanização do carrasco constitui, então, o viés original do filme, misturada aos elementos de culpa, traição e abnegação próprias a tal enredo. Detalhe: pelo menos seis anos, no mínimo, se passam no decorrer da história, mas o personagem do escritor - belíssimo - não muda um milímetro, suponho que para não atrapalhar tanto charme.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Enfim, alguma boa notícia
Pelo menos por enquanto, o bruto está sob controle!
Venezuela diz não à reforma constitucional de Chavez
Venezuela diz não à reforma constitucional de Chavez
O presidente venezuelano Hugo Chavez foi derrotado (d.e.r.r.o.t.a.d.o!) no plebiscito em que propôs várias mudanças na Constituição que lhe atribuiriam mais poderes e permitiriam que ele concorresse à reeleição indefinidamente, informou a Reuters: "A Justiça Eleitoral da Venezuela anunciou a vitória apertada do Não, com cerca de 51% dos eleitores. Cerca de 49% apoiaram as propostas de Chavez. Opositores do presidente afirmam que as propostas tinham por objetivo transformar a Venezuela numa didadura. Hugo Chavez havia dito que pretendia governar a Venezuela até sua morte. Contudo, com o resultado do plebiscito, ele terá que deixar o governo em 2013".
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