quinta-feira, 29 de maio de 2008
Net é um lixo
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Se alguém porventura receber uma oferta da Net para fazer um upgrade de seu pacote de TV por assinatura, com a sugestão de que se não quiser continuar com ele pode cancelar depois, conselho de amiga: NÃO ACEITE! Não vou narrar o meu périplo há três meses para tentar cancelar esse presente de grego, mas perdi uns 10 anos da minha paz com isso. Hoje me livrei do estorvo, mas a que preço!
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
Luiza Neto Jorge
Não, nunca havia lido nada da Luiza Neto Jorge, aí um conjunto de circunstâncias afetivas me fez querer ler o 19 recantos e outros poemas. Não entendi tudo (ela é uma poeta difícil), não gostei de tudo, mas sinto que é uma grande artista. De alguns poemas gostei, claro, como desse aqui:
A magnólia
A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.
Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária, e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.
A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,
um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim. [p. 62]
Ou deste:
Minibiografia
Não me quero com o tempo nem com a moda
Olho como um deus para tudo de alto
Mas zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.
Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda.
E se a nave vier do fundo do espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.
Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor. [p. 83]
___
Do poema O ciclópico ato, posso dizer que é escrito para épater a ordem das coisas, da tradição e da moral burguesa, talvez, ao explorar imagens fortes e inusitadas que buscam configurar experiências muito inovadoras, tanto linguísticas, quanto existenciais e temáticas. Sim, o ciclópico ato refere-se ao que sempre foi tabu em nossa cultura, o coito anal, e o faz de modo a desconstruir toda noção 'fácil' do ato - a língua de Camões e a forma poética são reviradas pelo avesso para dizer desse fato desconcertante e virulento.
Mas não é fácil, nunca, acompanhar os vôos dessa poética sem pouso e sem lei.
____
19 recantos e outros poemas. Organização de Jorge Fernandes da Silveira e Mauricio Matos. Rio de Janeiro: 7letras, 2008.
Mais poemas dela em http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/luiza_neto_jorge/poetas_luizanetojorge01.htm
A magnólia
A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.
Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária, e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.
A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,
um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim. [p. 62]
Ou deste:
Minibiografia
Não me quero com o tempo nem com a moda
Olho como um deus para tudo de alto
Mas zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.
Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda.
E se a nave vier do fundo do espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.
Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor. [p. 83]
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Do poema O ciclópico ato, posso dizer que é escrito para épater a ordem das coisas, da tradição e da moral burguesa, talvez, ao explorar imagens fortes e inusitadas que buscam configurar experiências muito inovadoras, tanto linguísticas, quanto existenciais e temáticas. Sim, o ciclópico ato refere-se ao que sempre foi tabu em nossa cultura, o coito anal, e o faz de modo a desconstruir toda noção 'fácil' do ato - a língua de Camões e a forma poética são reviradas pelo avesso para dizer desse fato desconcertante e virulento.
Mas não é fácil, nunca, acompanhar os vôos dessa poética sem pouso e sem lei.
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19 recantos e outros poemas. Organização de Jorge Fernandes da Silveira e Mauricio Matos. Rio de Janeiro: 7letras, 2008.
Mais poemas dela em http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/luiza_neto_jorge/poetas_luizanetojorge01.htm
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Dicas de Paris
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Quem está planejando ir a Paris em algum momento já pode acessar o http://cadernodeparis.blogspot.com/ para encontrar ótimas dicas de onde ir, o que conhecer, feitas por uma amiga que mora lá há vários anos. Só de ler dá saudades do que conheço e do que não conheço...
Quem está planejando ir a Paris em algum momento já pode acessar o http://cadernodeparis.blogspot.com/ para encontrar ótimas dicas de onde ir, o que conhecer, feitas por uma amiga que mora lá há vários anos. Só de ler dá saudades do que conheço e do que não conheço...
sábado, 24 de maio de 2008
Away from her
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Longe dela é um filme triste, belo e esperançoso, com interpretação soberba de Julie Christie como Fiona, a mulher doce e suave que vai aos poucos perdendo a memória e o contato com o mundo em que vivera até então, onde se inclui o marido, sua história com ele, os lugares, as datas, os nomes das coisas. Interna-se por sua vontade numa clínica de tratamento para doentes de Alzheimer e lá acaba se envolvendo afetivamente com outro paciente.
O filme é surpreendente, porque não tem resquício de pieguice, tudo é muito sutil e ao mesmo tempo muito intenso, porque a vida urge, mesmo em seus momentos difíceis ou finais.
Uma frase da mulher de Aubrey (o amado de Fiona na clínica) será emblemática do espírito do filme: "é preciso tentar aprender a ser feliz". É o que eles fazem, na verdade, é o que todos fazem naquele universo. Por isso, em meio à desolação, à percepção de ruína que cerca os personagens, há como que uma força de vida que pulsa e empurra todos em direção ao milagre que é estar vivo.
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E por falar em estar vivo, antes do filme passou um trailer de Entardecer, próximo lançamento do diretor de As horas, em que aparece a Vanessa Redgrave, muito velhinha, linda, com aquele sorriso deslumbrante que só ela tem, e senti uma enorme saudade dela. Pensei que o mundo será infinitamente menos interessante quando essa mulher for embora. Sinto já que ela está perto de se ir, embora eu deseje que ela viva ainda muito e bem. Na verdade, queria que ela vivesse para sempre.
Senti o mesmo pelo Drummond, há vários anos, e ainda hoje acho uma lástima que algumas pessoas tenham de morrer. Fernando Pessoa, por exemplo, ou Mario de Andrade, não deveriam nunca ter morrido. Meus irmãos, minha irmã.
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Longe dela é um filme triste, belo e esperançoso, com interpretação soberba de Julie Christie como Fiona, a mulher doce e suave que vai aos poucos perdendo a memória e o contato com o mundo em que vivera até então, onde se inclui o marido, sua história com ele, os lugares, as datas, os nomes das coisas. Interna-se por sua vontade numa clínica de tratamento para doentes de Alzheimer e lá acaba se envolvendo afetivamente com outro paciente.
O filme é surpreendente, porque não tem resquício de pieguice, tudo é muito sutil e ao mesmo tempo muito intenso, porque a vida urge, mesmo em seus momentos difíceis ou finais.
Uma frase da mulher de Aubrey (o amado de Fiona na clínica) será emblemática do espírito do filme: "é preciso tentar aprender a ser feliz". É o que eles fazem, na verdade, é o que todos fazem naquele universo. Por isso, em meio à desolação, à percepção de ruína que cerca os personagens, há como que uma força de vida que pulsa e empurra todos em direção ao milagre que é estar vivo.
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E por falar em estar vivo, antes do filme passou um trailer de Entardecer, próximo lançamento do diretor de As horas, em que aparece a Vanessa Redgrave, muito velhinha, linda, com aquele sorriso deslumbrante que só ela tem, e senti uma enorme saudade dela. Pensei que o mundo será infinitamente menos interessante quando essa mulher for embora. Sinto já que ela está perto de se ir, embora eu deseje que ela viva ainda muito e bem. Na verdade, queria que ela vivesse para sempre.
Senti o mesmo pelo Drummond, há vários anos, e ainda hoje acho uma lástima que algumas pessoas tenham de morrer. Fernando Pessoa, por exemplo, ou Mario de Andrade, não deveriam nunca ter morrido. Meus irmãos, minha irmã.
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quinta-feira, 22 de maio de 2008
CPMF NÃO!
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Se alguém encontrar em algum blogue ou site uma espécie de adesivo com a expressão CPMF DE NOVO NÃO!, eu gostaria muito de colocar aqui. Não faço um porque não sei fazer, mas acho que todo mundo devia se manifestar mais intensamente, uma manifestação maciça na rede contra essa imoralidade. A gente não pode impedir os corruptos de se elegerem de novo (o povo manda, o povo quer...), mas podemos nos manifestar de um modo mais amplo e organizado. Eu realmente fico muito pau da vida com esse imposto, especificamente este eu acho de uma violência absurda.
Se alguém encontrar em algum blogue ou site uma espécie de adesivo com a expressão CPMF DE NOVO NÃO!, eu gostaria muito de colocar aqui. Não faço um porque não sei fazer, mas acho que todo mundo devia se manifestar mais intensamente, uma manifestação maciça na rede contra essa imoralidade. A gente não pode impedir os corruptos de se elegerem de novo (o povo manda, o povo quer...), mas podemos nos manifestar de um modo mais amplo e organizado. Eu realmente fico muito pau da vida com esse imposto, especificamente este eu acho de uma violência absurda.
de novo não
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Essa história da nova CPMF é absolutamente ignóbil, vil, nojenta, repulsiva, abominável, insuportável, calhorda, safada, cretina, imoral, indecorosa, e, last but not least, mentirosa. Que as casas parlamentares deste país sejam dedetizadas com spray de adormecer nefandos, corruptos, ladrões e incompetentes. Amém.
Essa história da nova CPMF é absolutamente ignóbil, vil, nojenta, repulsiva, abominável, insuportável, calhorda, safada, cretina, imoral, indecorosa, e, last but not least, mentirosa. Que as casas parlamentares deste país sejam dedetizadas com spray de adormecer nefandos, corruptos, ladrões e incompetentes. Amém.
domingo, 18 de maio de 2008
domingo bom
Um domingo leve, com direito a rever a feira de Ipanema, que não visitava há uns bons muitos anos, e levei L para conhecer um dos lugares da minha juventude. Não notei muitas diferenças de décadas atrás, inclusive o 'conhecido hippie' daquela época, quando eu também era hippie, estava lá, vi de relance e está a mesmíssima coisa, impressionante. Almoçamos num restaurante simples e simpático, Aipo & Aipim, comida caseira e boa, depois fomos ver o mar, sentir brisa no rosto. Programão.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Um livro em fuga
Eu deveria ter conhecido a literatura do Edgar Telles Ribeiro quando saiu seu primeiro e muito elogiado romance O criado mudo (1991), com boa recepção, se não me engano um dos candidatos ao finado prêmio Nestlé de Literatura. Lembro que olhava sempre para o livro e me dizia - preciso ler esse livro, deve ser bom, todo mundo diz que é bom. Os anos foram passando, eu acabei dando o livro em uma das minhas mudanças (a cada mudança de estado, uma parte da minha biblioteca foi ficando com meus ex-alunos. Desta última vez, dei umas oito caixas grandes de livros para um grupo de ótimos alunos, fizemos uma despedida no play do prédio onde eu morava, eles ficaram felicíssimos com os livros, e eu também, por dá-los. Acho o fim da picada professor que não empresta livro a aluno, ou não facilita o acesso ao conhecimento).
De todo modo, quando vi o autor numa entrevista bem simpática com o Edney Silvestre, no Espaço Aberto, pensei que estava na hora de conhecê-lo e fui ler Um livro em fuga, que parece emblemático do tipo de literatura que faz, pelos comentários que li de outras obras suas.
Sem dúvida, ele tem um estilo, ou seja, tem uma identidade literária, escreve com a independência dos que buscam forjar seu próprio caminho, e esse caminho literário tem a ver com seu percurso existencial e profissional. Deste escritor se pode dizer, então, que ele escreve sobre o que conhece, na medida em que fala de um personagem diplomata, como ele, que ora está no Brasil, cuidando da mãe doente e tentando rever a ex-mulher, ora está em cidades asiáticas de nomes exóticos - Kublai, Samarkan, Sumai, exercendo o que parece ser o leve ofício da diplomacia, de onde ele retira tudo de que necessita para escrever: tempo disponível, situações diferentes e pessoas interessantes, de culturas diversas, sobre quem se pode sempre formular hipóteses de vidas, construir histórias, inventar destinos. E é isso que ele faz, numa prosa elegante, leve e irônica, em que nomes e acontecimentos reais (a menção a uma palestra do diplomata Guimarães Rosa; uma forte e breve narração sobre o tsunami que varreu a praia onde ele se encontra no momento) se misturam ao que supostamente seria invenção, incorporados ao romance e 'naturalizados' ao longo da narrativa.
Uma qualidade da obra diz respeito às intervenções desse narrador, sua postura face ao que conta e a seus (possíveis) leitores: há quase sempre um viés fortemente irônico, que solapa qualquer pretensão a 'grande obra'; ele não se poupa e chega mesmo a fazer uma personagem zombar de vários títulos de seus romances, bem como da pífia vendagem, deixando entrever, com freqüência, um fino e atento leitor de Machado.
Pensei em meus livros. Encontravam-se, eles próprios, povoados por esses momentos, fato que certa vez levara um poeta amigo meu a invadir minha sala de trabalho aos gritos: "Meu querido, eu estava no almoço do capítulo 27, eu estava lá..." E não é outro meu desejo secreto, o de que meus leitores se comportem como penetras em minhas festas. E que brindem comigo, sempre que possível. Jamais faltará vinho para um leitor atento. Desde que seja ágil o suficiente para viajar comigo, pois o meu é um livro em fuga. (p. 127).
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Edgar Telles Ribeiro. Um livro em fuga. Rio de Janeiro: Record, 2008.
De todo modo, quando vi o autor numa entrevista bem simpática com o Edney Silvestre, no Espaço Aberto, pensei que estava na hora de conhecê-lo e fui ler Um livro em fuga, que parece emblemático do tipo de literatura que faz, pelos comentários que li de outras obras suas.
Sem dúvida, ele tem um estilo, ou seja, tem uma identidade literária, escreve com a independência dos que buscam forjar seu próprio caminho, e esse caminho literário tem a ver com seu percurso existencial e profissional. Deste escritor se pode dizer, então, que ele escreve sobre o que conhece, na medida em que fala de um personagem diplomata, como ele, que ora está no Brasil, cuidando da mãe doente e tentando rever a ex-mulher, ora está em cidades asiáticas de nomes exóticos - Kublai, Samarkan, Sumai, exercendo o que parece ser o leve ofício da diplomacia, de onde ele retira tudo de que necessita para escrever: tempo disponível, situações diferentes e pessoas interessantes, de culturas diversas, sobre quem se pode sempre formular hipóteses de vidas, construir histórias, inventar destinos. E é isso que ele faz, numa prosa elegante, leve e irônica, em que nomes e acontecimentos reais (a menção a uma palestra do diplomata Guimarães Rosa; uma forte e breve narração sobre o tsunami que varreu a praia onde ele se encontra no momento) se misturam ao que supostamente seria invenção, incorporados ao romance e 'naturalizados' ao longo da narrativa.
Uma qualidade da obra diz respeito às intervenções desse narrador, sua postura face ao que conta e a seus (possíveis) leitores: há quase sempre um viés fortemente irônico, que solapa qualquer pretensão a 'grande obra'; ele não se poupa e chega mesmo a fazer uma personagem zombar de vários títulos de seus romances, bem como da pífia vendagem, deixando entrever, com freqüência, um fino e atento leitor de Machado.
Pensei em meus livros. Encontravam-se, eles próprios, povoados por esses momentos, fato que certa vez levara um poeta amigo meu a invadir minha sala de trabalho aos gritos: "Meu querido, eu estava no almoço do capítulo 27, eu estava lá..." E não é outro meu desejo secreto, o de que meus leitores se comportem como penetras em minhas festas. E que brindem comigo, sempre que possível. Jamais faltará vinho para um leitor atento. Desde que seja ágil o suficiente para viajar comigo, pois o meu é um livro em fuga. (p. 127).
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Edgar Telles Ribeiro. Um livro em fuga. Rio de Janeiro: Record, 2008.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
blindness II
E esse é um comentário que li hoje com observações bem duras sobre o filme. Que ele venha, afinal, e eu possa dicidir por mim mesma se gosto ou não.
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'Ensaio Sobre a Cegueira' é deprimente, diz jornal Da BBC Brasil
O filme de Fernando Meirelles Ensaio Sobre a Cegueira, baseado na obra homônima do escritor português José Saramago e que abriu o Festival de Cinema de Cannes na quarta-feira, foi descrito por um crítico britânico como "deprimente".
Foi "a abertura mais deprimente para um festival internacional que eu já vi" , escreveu James Christopher, do jornal britânico The Times.
"Depois da glamurosa esteira rolante de estrelas no ano passado, para comemorar os 60 anos sensacionais de estréias de filmes artísticos, o festival apagou as luzes de Natal, apertou o cinto e voltou ao austero negócio de mostrar os auto flagelados diretores-autores do futuro", escreve o crítico, para quem a noite de abertura foi "um choque azedo e inesperado".
"Ensaio Sobre a Cegueira não vai obter fãs. Mas muitos admiradores entrincheirados", afirma o crítico, para quem o filme deve agradar ao presidente do júri, Sean Penn, por que seria o tipo de filme "de apelo a um ator idealista".
Para o crítico, o filme é ambicioso e algumas cenas de ruas são tão bem feitas que chegam a ser "itens de colecionador", mas ele critica a atuação dos atores.
O jornal argentino La Nación disse que o filme foi recebido com "muita frieza", mas se trata de um exemplo da crescente globalização cinematográfica, destacando que muitas análises em Cannes compararam a produção - que fala da degradação da sociedade durante uma epidemia de cegueira que assola uma cidade - a desastres naturais como o causado pelo "furacão Katrina, a fome da Somália e os excessos na Guerra do Iraque".Mas o jornal afirma que, apesar do profissionalismo e dos desafios assumidos por Meirelles, "o filme é bastante óbvio em sua apresentação de um universo sórdido e em sua denúncia da manipulação, da miséria e da precariedade da sociedade contemporânea. Além disso, não consegue transmitir os climas e a emoção que levaram o romance original publicado em 1995 pelo ganhador do Prêmio Nobel à consideração mundial".O La Nación ressalta que Meirelles tentou filmar o romance vários anos antes, mas Saramago se recusou a vender os direitos do livro durante anos porque, segundo o escritor, "o cinema destrói a imaginação". "Em vista do medíocre resultado final do filme, o notável autor de O Evangelho Segundo Jesus Cristo tinha razão", afirma a reportagem.Já o crítico do jornal britânico The Guardian deu ao filme quatro estrelas, descrevendo Ensaio sobre a cegueira como "um pesadelo apocalíptico adaptado de um romance de 1995 do vencedor do Nobel José Saramago e dirigido por Fernando Meirelles, que nele encontrou a exposição brutal da lei da selva das favelas que vimos em seu filme de 2002, Cidade de Deus".
"Ensaio Sobre a Cegueira é um drama com imagens soberbas e alucinatórias de colapso urbano. Tem uma linha de horror em seu centro, mas se torna mais leve pelo humor e gentileza", afirma o crítico Peter Bradshaw.
http://cinema.terra.com.br/cannes/2008/interna/0,,OI2888462-EI11459,00-Ensaio+Sobre+a+Cegueira+e+deprimente+diz+jornal.html
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'Ensaio Sobre a Cegueira' é deprimente, diz jornal Da BBC Brasil
O filme de Fernando Meirelles Ensaio Sobre a Cegueira, baseado na obra homônima do escritor português José Saramago e que abriu o Festival de Cinema de Cannes na quarta-feira, foi descrito por um crítico britânico como "deprimente".
Foi "a abertura mais deprimente para um festival internacional que eu já vi" , escreveu James Christopher, do jornal britânico The Times.
"Depois da glamurosa esteira rolante de estrelas no ano passado, para comemorar os 60 anos sensacionais de estréias de filmes artísticos, o festival apagou as luzes de Natal, apertou o cinto e voltou ao austero negócio de mostrar os auto flagelados diretores-autores do futuro", escreve o crítico, para quem a noite de abertura foi "um choque azedo e inesperado".
"Ensaio Sobre a Cegueira não vai obter fãs. Mas muitos admiradores entrincheirados", afirma o crítico, para quem o filme deve agradar ao presidente do júri, Sean Penn, por que seria o tipo de filme "de apelo a um ator idealista".
Para o crítico, o filme é ambicioso e algumas cenas de ruas são tão bem feitas que chegam a ser "itens de colecionador", mas ele critica a atuação dos atores.
O jornal argentino La Nación disse que o filme foi recebido com "muita frieza", mas se trata de um exemplo da crescente globalização cinematográfica, destacando que muitas análises em Cannes compararam a produção - que fala da degradação da sociedade durante uma epidemia de cegueira que assola uma cidade - a desastres naturais como o causado pelo "furacão Katrina, a fome da Somália e os excessos na Guerra do Iraque".Mas o jornal afirma que, apesar do profissionalismo e dos desafios assumidos por Meirelles, "o filme é bastante óbvio em sua apresentação de um universo sórdido e em sua denúncia da manipulação, da miséria e da precariedade da sociedade contemporânea. Além disso, não consegue transmitir os climas e a emoção que levaram o romance original publicado em 1995 pelo ganhador do Prêmio Nobel à consideração mundial".O La Nación ressalta que Meirelles tentou filmar o romance vários anos antes, mas Saramago se recusou a vender os direitos do livro durante anos porque, segundo o escritor, "o cinema destrói a imaginação". "Em vista do medíocre resultado final do filme, o notável autor de O Evangelho Segundo Jesus Cristo tinha razão", afirma a reportagem.Já o crítico do jornal britânico The Guardian deu ao filme quatro estrelas, descrevendo Ensaio sobre a cegueira como "um pesadelo apocalíptico adaptado de um romance de 1995 do vencedor do Nobel José Saramago e dirigido por Fernando Meirelles, que nele encontrou a exposição brutal da lei da selva das favelas que vimos em seu filme de 2002, Cidade de Deus".
"Ensaio Sobre a Cegueira é um drama com imagens soberbas e alucinatórias de colapso urbano. Tem uma linha de horror em seu centro, mas se torna mais leve pelo humor e gentileza", afirma o crítico Peter Bradshaw.
http://cinema.terra.com.br/cannes/2008/interna/0,,OI2888462-EI11459,00-Ensaio+Sobre+a+Cegueira+e+deprimente+diz+jornal.html
quarta-feira, 14 de maio de 2008
blindness
Esse é o primeiro comentário sobre o filme Blindness que eu leio, fico feliz com a boa notícia e aguardo com ansiedade o filme.
Enviado por Rodrigo Fonseca, de Cannes - 14/5/2008 -13:12
http://oglobo.globo.com/blogs/cinema/
Ensaio sobre a cegueira' é assombroso
Gélida à primeira vista, a recepção da imprensa a “Ensaio sobre a cegueira” começa a esquentar pouco a pouco na Croisette. O filme, exibido na manhã, como atração de abertura para o 61º Festival de Cannes, e, de longe, o trabalho mais lúcido e coeso esteticamente da carreira do diretor de “Cidade de Deus”. A partir do romance homônimo de José Saramago, centrado em uma misteriosa epidemia que cega suas vítimas, Meirelles construiu uma especie de thriller moral sobre a falência dos valores éticos no processo civilizatorio.“Eletrizante” seria um adjetivo equivocado para qualificar as sequências em que um grupo de pessoas sem visão tenta agarrar Julianne Moore para tirar dela sacolas de comida. “Assombroso” seria um termo mais adequado a um filme que foge do sensacionalismo. No papel de Homem da Venda Preta, incumbido de narrar o longa, Danny Glover, que é um entusiasta de causas humanistas, aproveitou sua passagem pela Croisette para discutir questões sociais. Como a produção retrata com crueza as mazelas enfrentadas pelos cegos durante uma quarentena vigiada por militares, Glover fez uma refexão sobre recentes tragédias, como o terremoto que ja provocou a morte de milhares de chineses.- O grande problema em relação a qualquer grande catástrofe e que suas vítimas sempre ficam invisíveis. Vemos as tragédias, mas ficamos cegos diantes daqueles que sofrem suas consequências. Falamos em fome em “Ensaio sobre a cegueira”. Pois bem, há anos eu ouço as pessoas falarem as mesmas coisas sobre a fome e a miséria. Mas essas reflexões costumam ignorar que mais da metade da população total do planeta vive com menos de US$ 1 por dia – diz o ator, que tem uma atuação impecável sob a direção de Meirelles.
Enviado por Rodrigo Fonseca, de Cannes - 14/5/2008 -13:12
http://oglobo.globo.com/blogs/cinema/
Ensaio sobre a cegueira' é assombroso
Gélida à primeira vista, a recepção da imprensa a “Ensaio sobre a cegueira” começa a esquentar pouco a pouco na Croisette. O filme, exibido na manhã, como atração de abertura para o 61º Festival de Cannes, e, de longe, o trabalho mais lúcido e coeso esteticamente da carreira do diretor de “Cidade de Deus”. A partir do romance homônimo de José Saramago, centrado em uma misteriosa epidemia que cega suas vítimas, Meirelles construiu uma especie de thriller moral sobre a falência dos valores éticos no processo civilizatorio.“Eletrizante” seria um adjetivo equivocado para qualificar as sequências em que um grupo de pessoas sem visão tenta agarrar Julianne Moore para tirar dela sacolas de comida. “Assombroso” seria um termo mais adequado a um filme que foge do sensacionalismo. No papel de Homem da Venda Preta, incumbido de narrar o longa, Danny Glover, que é um entusiasta de causas humanistas, aproveitou sua passagem pela Croisette para discutir questões sociais. Como a produção retrata com crueza as mazelas enfrentadas pelos cegos durante uma quarentena vigiada por militares, Glover fez uma refexão sobre recentes tragédias, como o terremoto que ja provocou a morte de milhares de chineses.- O grande problema em relação a qualquer grande catástrofe e que suas vítimas sempre ficam invisíveis. Vemos as tragédias, mas ficamos cegos diantes daqueles que sofrem suas consequências. Falamos em fome em “Ensaio sobre a cegueira”. Pois bem, há anos eu ouço as pessoas falarem as mesmas coisas sobre a fome e a miséria. Mas essas reflexões costumam ignorar que mais da metade da população total do planeta vive com menos de US$ 1 por dia – diz o ator, que tem uma atuação impecável sob a direção de Meirelles.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
um poema - ainda HH
Um poema 'levezinho' da Hilda Hilst:
XIX
Se eu soubesse
Teu nome verdadeiro
Te tomaria
Úmida, tênue
E então descansarias.
Se sussurrares
Teu nome secreto
Nos meus caminhos
Entre a vida e o sono
Te prometo, morte,
A vida de um poeta. A minha:
Palavras vivas, fogo, fonte.
Se me tocares,
Amantíssima, branda
Como fui tocada pelos homens
Ao invés de Morte
Te chamo Poesia
Fogo, Fonte, Palavra viva
Sorte.
Da morte. Odes mínimas. São Paulo: Ed Globo, 2003, p.47.
XIX
Se eu soubesse
Teu nome verdadeiro
Te tomaria
Úmida, tênue
E então descansarias.
Se sussurrares
Teu nome secreto
Nos meus caminhos
Entre a vida e o sono
Te prometo, morte,
A vida de um poeta. A minha:
Palavras vivas, fogo, fonte.
Se me tocares,
Amantíssima, branda
Como fui tocada pelos homens
Ao invés de Morte
Te chamo Poesia
Fogo, Fonte, Palavra viva
Sorte.
Da morte. Odes mínimas. São Paulo: Ed Globo, 2003, p.47.
Mordor
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Cada dia me convenço mais de que isso aqui não é o paraíso, eu digo, a vida. Pois estava me sentindo quase feliz porque tenho agora um prazo de mais seis meses para voltar a me preocupar com problemas de saúde, e pensava já em como usar esse tempo numa linha de positividade e busca das coisas que realmente importam, e de que preciso, a saber: alegria, simplicidade, desprendimento, generosidade, olhar e ver o que é realmente importante, recolhimento, meditação, aprender espanhol, passear e olhar para fora, vendo coisas boas e não somente os pobres e necessitados que me assombram diuturnamente, enfim, eram planos bons, mas eis que tudo trava de novo e me vejo procurando uma saída honrosa para o sem sentido. As sombras de Mordor já se avistam.
Cada dia me convenço mais de que isso aqui não é o paraíso, eu digo, a vida. Pois estava me sentindo quase feliz porque tenho agora um prazo de mais seis meses para voltar a me preocupar com problemas de saúde, e pensava já em como usar esse tempo numa linha de positividade e busca das coisas que realmente importam, e de que preciso, a saber: alegria, simplicidade, desprendimento, generosidade, olhar e ver o que é realmente importante, recolhimento, meditação, aprender espanhol, passear e olhar para fora, vendo coisas boas e não somente os pobres e necessitados que me assombram diuturnamente, enfim, eram planos bons, mas eis que tudo trava de novo e me vejo procurando uma saída honrosa para o sem sentido. As sombras de Mordor já se avistam.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Mais um?
Hoje aconteceu uma situação engraçada. Estava eu procurando um livro na Argumento da Barata Ribeiro (ao lado da Modern Sound) quando a sacola que eu carregava com mel e uns doces comprados na feirinha em frente caiu no chão fazendo um certo barulho. O homem que fica na porta veio rápido e solícito, pegou a sacola, me entregou e eu ia sair quando, à medida que caminhava, um rio de mel me seguia. A situação se complicou porque eu não podia fazer nada com a outra mão, que segurava duas sacolas, e as moças da loja só me olhavam, enquanto o mel jorrava de algum buraco feito no saco plástico quando o vidro se quebrou. Eu segurava o saco no alto com cara de aflição, as meninas se aproximavam mas não muito com medo de "pegar mel" e até uma freguesa (atriz famosa, mas não estrela) foi se afastando devagar, como se o mel fosse contagioso, até que eu disse a ela "é só mel", e ela respondeu "estou de roupa branca", andando pra longe. A essa altura, eu mesma já estava toda "melada" e alguém me trouxe um outro saco plástico. Quando pedi mais um para colocar as coisas que estavam junto com o mel a vendedora me perguntou: "mais um?". Acho que essa história toda é por causa dessa frase - a moça da livraria, onde eu havia comprado dois livros, que já me conhecia, porque vou lá com certa regularidade, diante da calamidade de ter um vidro de mel jorrando pelo chão do estabelecimento, só lhe passa pela cabeça perguntar se quero mais um saco de plástico, como se ele lhe custasse uma fortuna. É ou não é um mundo pelo avesso?
terça-feira, 6 de maio de 2008
domingo, 4 de maio de 2008
livros e leituras
Não é que eu não esteja lendo, levei no avião o livro de crônicas da Maitê Proença (pensando que era esse último, a biografia ficcionalizada) e li nas três horas de vôo até Fortaleza. Achei o que ele é mesmo - uma distração, sem densidade, nem mesmo quando ela fala das buscas por um contato mais íntimo com o sagrado.
Tudo o que eu disser relativo à beleza dela e sua escrita rala vai parecer preconceito. Então, para escolher entre os 'fáceis', fico com a Danuza Leão, que escreve bem à beça e ainda tem histórias emocionantes, bem como 'uma vida'.
E devo retomar em breve os vários livros cuja leitura já iniciei e fui abandonando, assim como preciso voltar a escrever 'seriamente', como diz minha amiga E., porque o tempo para entregar o trabalho urge.
Tudo o que eu disser relativo à beleza dela e sua escrita rala vai parecer preconceito. Então, para escolher entre os 'fáceis', fico com a Danuza Leão, que escreve bem à beça e ainda tem histórias emocionantes, bem como 'uma vida'.
E devo retomar em breve os vários livros cuja leitura já iniciei e fui abandonando, assim como preciso voltar a escrever 'seriamente', como diz minha amiga E., porque o tempo para entregar o trabalho urge.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
O sonho de Cassandra
Woody Allen fez uma tragédia grega com ares contemporâneos, ao colocar no personagem do Colin Farrell, que o vive brilhantemente, em dobradinha com Ewan McGregor, o dilema clássico da consciência moral face ao ato ignominioso, cujo resultado é uma espécie de trabalho quase 'camerístico', ao mesmo tempo cinema de ação policial e cinema introspectivo, de questionamentos sobre o certo e o errado, o pecado, a culpa, a responsabilidade moral sobre as próprias ações. Acho que poderia dar uma enxugada de uns dez minutos, às vezes me parece que o filme perde a força, escorrega um pouco a atenção naquele vai-não-vai do irmão culpado. Mas a música do Phillip Glass está boa demais, encanta durante todo o filme.
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