segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ainda os ecos

___
Então, para espantar a desesperança de Melancolia, fui ver A árvore da vida, e diante da confusa narrativa que o diretor nos apresenta, do filme-que-teima-em-não-acontecer-para-mim, vi ainda os ecos do outro na longa, longuíssima série de fotos de espaços, animais, rochas, mares, rios, gases, galáxias, nebulosas, dinossauros, maluquices, ou seja, na longuíssima viagem que o diretor faz a uma pre-história lá dele, numa meio lisérgica viagem em que objetos do espaço semelhantes a  - cometas?  pedaços de outros planetas? coisas? - chocam-se com a superfície do que suponho ser a Terra, e de novo o acúmulo deixado pelo 'outro' me vem, ecoa em mim.

Então, do filme mesmo do Malick pouco restou - um Brad Pitt que eu já respeitava de outros filmes, e que carrega nas costas o que resta de ação dessa árvore. Um filme com mais furos e buracos e ausências do que me será possível reportar. Parece que ele levou quase um ano editando a obra. Meu Deus, quanto trabalho para tão ... sei lá, que sei eu.

_____

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Melancolia - e um PS

____
Magnífico. Belíssimo. Magnificente. Esplendoroso. Contundente. Estranho. Duríssimo. Comovente. De uma beleza exacerbada. De uma dureza exacerbada. Com uma fotografia estranha, pura obra de arte. Com atrizes absurdamente convincentes, e entregues, e dolorasamente compartilhando aquele mundo em vias de extinção. De uma beleza atordoante - tudo é belo: a música, os cenários, os animais, os lugares, os planetas vistos do alto e através das lunetas, as roupas, ela nua no rio entregue ao que virá, que por ora está acima, e em cima. O tom do filme é dramático, e épico também, quando o fim do mundo se aproxima, mas um épico à capella, o que quer que isso signifique, mas minha percepção é de que tudo é intensamente vivido pela protagonista como 'a inevitabilidade do devir', algo vai corroendo-a enquanto o bólide avança. É Nitzsche puro, também. Não há perdão, não há salvação, não há 'bondade' - tudo doi e tudo é magnífico ao mesmo tempo. Filme imprescindível, obra prima, a rever a rever a rever. Quando a nostalgia da grandeza bater.

____
PS: Hoje é dia 15 de agosto, segunda feira, e volto para dizer o seguinte: por vários dias seguidos fiquei muito perturbada com os ecos dessa história em minha mente, ou talvez do filme todo. Uma capa leve de neblina encobria minha alegria e eu via distante, longe, com certa angústia, o encontro dele com a Terra, tudo se esfumaçando muito rapidamente, eu e todos virando ashes (tu és pó e ao pó retornarás...). Só posso inferir duas coisas (no momento): ou estou muito vulnerável, ou o filme é bom mesmo e por isso fica, permanece em nós naquilo que ele tem de intransigível: sua profunda desesperança. Não sei se seria uma boa idéia revê-lo.
____

sábado, 6 de agosto de 2011

Conversa fiada

____
Ia ver Melancolia hoje, mas acabei de babysitter de Gabriel, que ressona alto na cama ao lado. Muita expectativa em relação ao filme, gente odiando, outros amando, só vendo pra saber, mas acho que vou gostar muito.

****
Meu amigo Philip Seymour Hoffman fez um filme muito simpático - Vejo você no próximo verão -, que dirige, protagoniza e coproduz, e acho que fez tudo direitinho, sobretudo atuar. É bom vê-lo encenando um personagem gauche, mas que transpira sinceridade e bom caráter. Ele o faz parecer natural, embora cheio de dificuldades para se entender com a garota complicada com que ele topou e se dispôs a amar. Terno e difícil - dois adjetivos para ambos, filme e esses dois personagens. Na verdade, o outro casal também vive suas asperezas - comos quase todos nós, em suma.

**** 

Assalto ao Banco Central achei ótimo, com alguns momentos 'brancos', é verdade, mas na maior parte do tempo é cheio de ação, vibrante, os atores dão show, todos eles, e merece todo sucesso. 

**** 
Ri muito com Cilada.com, filme esperto, no melhor sentido, com boa história e bem feito, e não acho muita graça em comédia, em geral não rio de quase nada, mas a turma que acompanha o Bruno Mazzeo (que já foi meu aluno em menino, nossa) capricha e faz um ótimo trabalho. Gostei muito mais do que da patética segunda edição do Se beber não case, por exemplo, um horror absoluto. 

 
That's all, beloved ghosts.
 
____

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O filho eterno - teatro

____
Gostei muito de ver O filho eterno, no Oi futuro do Flamengo. O ator leva nas costas um monólogo extenso, com muita galhardia e competência. Acho que o livro me emocionou mais, mas literatura a gente lê acomodada do jeito que acha melhor; já o teatro a gente vê sentada um tanto espremida no meio de um monte de gente desconhecida  (o que era o caso), então tem de ser bom mesmo pra não ficar bored, e não fiquei, não ficamos, ao contrário, o ator, Charles Fricks, da Cia de Atores de Laura (embora sozinho no palco por 1h10min, ele faz questão de dizer ao final "nós somos a Cia de Atores de Laura", achei bonito) mantém a tensão necessária para prender o espectador durante todo o espetáculo. Um feito e tanto, aplaude-se com vontade.
____