Relatos Selvagens. Damián Szifron, 2014.
São quatro episódios, e mais dois curtinhos (me lembra Enic), cujo núcleo e motor é a violência, em variadas situações e intensidade relativamente alta (só um não olhei tudo, porque já sabia o que estava acontecendo e aqueles dois não tinham jeito mesmo), mas com humor, quase sempre, o que torna tudo interessante – as situações de violência brotam dos atos mais comuns do cotidiano, daí todos nos encontramos ali, em algum momento: dirigindo um carro, um sujeito num carreco atrapalha a vida do sujeito num carrão que vem atrás, quando dá pra ultrapassar o dono do carrão tripudia o outro, mas daí o pneu dele fura mais na frente - pois é, já viu – chega a ser histriônico, de tão imbecil o motivo de tudo - e tem de tudo, até o fim.
Noutro, um garoto rico atropela e mata uma mulher grávida - todos da família dele se acertam com um empregado antigo e com o detetive para livrá-lo da cadeia – mas acontecimentos inesperados embolam-se e... .
Em outro, ótimo, a festa de casamento vira um caos porque a recém casada descobre que o marido tem uma amante e ela está ali, na festa, daí o que parecia aquela coisa chatinha de festa de casamento vira um pandemônio, a recém casada se transforma numa maluca-beleza e a festa fica ótima – ah, e o final também é muito bom (esse é o segundo melhor, para mim).
Por fim, o episódio com meu rei Darín não é o último, mas ele é um engenheiro especialista em implosões, e é também um sujeito dado a explosões porque a vida é cheia de arestas e de situações injustas, além de que os caras do Detran de lá não dão trégua ao personagem e rebocam o carro dele toda hora, até que o homem não agüenta mais e...bom, já deu para imaginar, né. Achei o melhor episódio, o Darín está ótimo, podem falar o que quiserem, mas ele é minha Fernanda Montenegro da Argentina, difícil errar a mão, e tem também o final mais surpreendente (todos os episódios têm um final mais, ou menos, surpreendente).
