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Ele não era apenas meu sol, como no poema de Auden. Ele era o sol de todos nós, de quem ele cuidou com serenidade, leveza e generosidade. Ele era o sol de todos cujas vidas salvou, e foram muitas. E todos nós íamos a ele, nos momentos de pânico total, de medo absurdo, e só em vê-lo tudo ficava melhor, mais compreensível, mais tolerável.
Ele foi meu oncologista, e só tinha 34 anos, muita sabedoria, uma crença profunda nas pessoas, em sua profissão, uma gentileza intrínseca, um coração enorme. E serenidade.
Morreu numa cirurgia boba, desobstrução nasal, saiu do centro cirúrgico bem, com esse sorriso que era sua marca. De repente tudo mudou. Ele se foi em 21 de outubro, só soube ontem, e me sinto mais órfã hoje do que jamais.
