terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Nada


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Não há muito a dizer, e o que se lê também é desanimador ou assustador. Na última categoria está a notícia de que o crack está se tornando problema de saúde pública, sobretudo na população de rua do Rio de Janeiro, mas também entre os trabalhadores de cana de Pernambuco, e há mesmo patrões que nem pagam mais em dinheiro os cortadores, mas em droga. O que dizer diante de um fato desses? Como não deprimir face ao incomensurável descaso de todas as esferas de poder? Soma-se a isso ainda todo o resto - saúde pública no bagaço etc, etc... Fica um certo desânimo para escrever sobre o que quer seja. Estou numa fase de seca, nada me comove muito, e a indignação já está cansada de se indignar também. Eu estou cansada.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

ela é a força


O discurso de posse não emocionou, como era de se esperar. Acabou a literatura, as belas frases e o sonho ficaram um pouco na (bela) retórica, vamos encarar os fatos - e eles são duros.

Mas não precisava também falar uma frase tão banalzinha para a mulher: "Ela faz tudo que eu faço, só que em cima de saltos altos". A Michelle ficou meio que impassível diante de uma coisa tão antiguinha, tão anos setenta...

Mas o 'love of my life' continuará eterno, como Dior, talvez. É banal, mas o amor é banal, e todas as frases que giram em torno dele (Barthes já o disse melhor).

De todo modo, Michelle, que não é bonita, mas muito atraente, uma postura impressionante, uma fidalguia ímpar, um olhar direto, firme... acho que essa mulher fará diferença, talvez mais do que seu marido possa fazer no cargo que assume, nesse momento de terras devastadas.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A troca



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A troca é um filme bom e muito ruim ao mesmo tempo.

Bom porque tecnicamente convincente: a história captura a atenção e a sensibilidade; os atores nos convencem, mesmo a Angelina-só-boca, muito choro e pouca atuação, mas John Malkovich está excelente, assim como os dois atores que fazem os maus policiais da LAPD; o espectador fica preso não apenas à(s) história(s), mas ao modo de contá-la(s), aos closes hiper-realistas dos rostos, ao mistério desse desaparecimento, que só vai se esclarecer mais pro final (aliás, o final é meio sem fim, há um momento em que quase me levanto porque outro filme, tão longo quanto, iria começar de novo, mas, surpresa, novo desenlace...).

Há vários momentos em que todos nós choramos (ou quase todos). Aí começam os problemas. O filme é também um dramalhão sem fim, a coisa do sentimento materno aqui é levado aos limites da exaustão. Uma polícia corrupta, que será exemplarmente "corrigida" pelo amor e tenacidade dessa mãe, assim como pela ajuda do padre presbiteriano imbuído também da 'missão' de 'limpar' o Departamento de polícia de LA. Tem mais: quando a mãe é internada pelo delegado no manicômio (para se livrar daquele 'estorvo'), ela encontra outra mulher que está ali irregularmente, internada porque incomodou esses mesmos policiais, ajudam-se mutuamente e tudo é absolutamente cristão, todos querem ajudar 'a boa mãe' e o outro lado é quase todo mau, salvo um policial que afinal descobre - quem? O estereótipo maior da sociedade americana (além da bandeira, claro), o serial killer. Claro, tem um no filme, e dos bons, ops... dos malíssimos. O cara pega as criancinhas na rua, joga-as num celeiro e vai estraçalhando-as a machadadas, de que só vemos alguns flashes.

Depois ficamos conhecendo o sujeito, um absoluto zero beirando o retardo mental, como é quase sempre de praxe. E ficamos no final sem saber se afinal esse menino está morto ou não - nem nós, nem a mãe, nem o padre, nem o diretor, nem o roteirista, nem o iluminador, nem o contrarregra, nem o eletricista, nem... pô, cansei.

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sábado, 17 de janeiro de 2009

Benjamin Button



O curioso caso de Benjamin Button é um filme bonito, triste, melancólico, tocante, uma saga e também uma parábola a respeito da brevidade de tudo e do poder de corrosão do tempo: juventude, beleza, alegria, a pulsação da vida - tudo será varrido pelo tempo, e o furacão que se anuncia no final, ele mesmo, o Katrina, será paradigmático disso, mesmo que não o vejamos em ação inteiramente.
Aqui, a felicidade não dura muito, a vida já é encontrada quase em seu estágio final: o bebê nasce velho, é abandonado numa espécie de casa para idosos e grande parte do filme se passa entre esses seres. À medida que o personagem de Pitt vai crescendo e se transformando num jovem deslumbrante, a impressão que se tem é que ele vai indo ao encontro não de se tornar um bebê, mas de sua própria finitude.
Mas, sim, passamos por um Benjamin/Pitt num momento glorioso de sua trajetória e beleza - a cena em que ele, totalmente James Dean, sai de moto e a câmera segue-o numa panorâmica, é deslumbrante (aliás, há outros momentos de panorâmica lindíssimos, assim como a fotografia e, claro, a maquiagem são trabalho de mestre). Acho que se pode dizer que o tempo, igualmente, é vivido num largo e abrangente arco - Benjamin é deixado bebê na escada da casa no final da primeira guerra e o filme termina com o Katrina (são oitenta e cinco anos de histórias).
Blanchett e Pitt estão ótimos, ela mais que ele, mas pode ser que o excesso de maquiagem dificulte a expressão, não sei. De todo modo, ele está suave, terno, e tenho gostado muito do Pitt como ator, sobretudo depois de Babel, talvez sua melhor atuação.
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(Uma das cenas mais tocantes acontece quando o pai reencontra o filho, já adulto, e o leva para conhecer a casa onde nasceu. O rapaz olha as fotografias na parede de seus familiares brancos, se detém na foto dele com a mãe, são todas em preto e branco, lindas, mas ele não se reconhece ali... Até nisso é filme é melancólico: as fotos não falam com ele; sua história é lida no diário dele pela filha que não o conheceu; toda uma vida é relembrada no leito de morte da mulher que ele amou. E há o relógio ao contrário, como a vida dele, retirado da parede da estação, que bóia nas águas que chegam com o dilúvio).



sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

cada um com seu cada qual


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Vou separar esse blog em dois - um só para comentários de literatura e cinema, e um pouco de cotidiano, e outro só para fotografia (comentários ou mesmo fotos). Em breve darei o nome do outro, o de fotografias.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

conversa mole


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Depois de começar o segundo curso de fotografia, já na quarta aula, resolvi dar um tempo porque esse calor está de rachar. Não dá para sair todo santo dia e pegar essa soleira na cabeça, aguardarei dias mais amenos.
Bom poder dizer sim e não na hora que se quer (para algumas coisas, pelo menos).


E o silêncio por aqui continua de catedral...:) Deve ser o calor, ninguém tem paciência para quase nada com esse solão.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Doisneau: modos de ver


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Em homenagem a minha amiga, que lembra ser 'O beijo do hôtel de ville', do Robert Doisneau, uma foto "encenada", cito alguns trechos do artigo de apresentação escrito por Jean-Claude Gautrand, que organizou a edição e tirou uma das fotos do artista (p. 176).
Mas antes, quero observar o seguinte: desde que abri o livro e comecei a olhar as fotos de Doisneau, em nenhum momento me senti em presença de uma 'pose', mesmo quando o objeto olha decididamente para a câmera. É como se a 'pose' (quando e se há) ficasse em segundo plano, não invadisse o espaço todo da significação. E acho também que tudo isso pertence ao campo de uma certa percepção de cada um, do modo como a gente "sente" aquela atmosfera capturada pela foto. Tudo que eu vi dele me emocionou profundamente, e podem nem ser todas elas fotos de bamba, que sei eu...
De novo, é como gostar (muito) da poesia de Adélia Prado... há quem ache brega, há quem ache muito cristão, há quem ache kitsch... eu gosto, vejo tudo isso como traços que compõem a atmosfera da poesia dela, são o chão de uma beleza própria. Enfim:

Durante cerca de seis décadas, Robert Doisneau foi um pescador de águas tranquilas, a anos-luz dos predadores das notícias da actualidade, 'apalpando o seu caminho, levado por sentimentos de atração e repulsa, ao sabor dos acontecimentos e permitindo que sua intuição o conduzisse, mesmo quando esta se tornava indomável...'

Ao longo desses anos, Doisneau captou para nós, dia após dia, 'os gestos comuns das pessoas comuns em situações comuns, confiando-nos as alegrias e descobertas que recolheu nas ruas: 'Há dias em que se sente o simples acto de viver como a própria felicidade... Sentimo-nos tão ricos e o júbilo parece tão excessivo que temos vontade de partilhá-la com os outros.'

Representante desta fotografia humanista que [...] permanecerá como uma das mais belas páginas da história da fotografia, Robert Doisneau não cessou de nos contar histórias cheias de sentimento, poesia e humor, encantando-nos com a sua capacidade de transmitir esta doce cumplicidade, esta relação implícita e fugaz que o unia ao objeto que fotografava.

Nascido em Gentilly, [...] Doisneau permaneceu suburbano até a sua morte, uma vez que nunca deixou o seu apartamento de Montrouge para onde se mudou em 1937.

'No final das contas, o constrangimento tem algo de positivo. Esta censura imposta pela timidez, que me fazia fotografar as pessoas de longe, acabou por resultar neste espaço à volta das pessoas que eu procurei reencontrar mais tarde...'

...Doisneau continua a fotografar, a título pessoal, seu universo suburbano. A sua arma é a paciência, a 'espera pelo milagre'. 'Retirei um prazer malicioso em evidenciar os rejeitados da sociedade, tanto nas pessoas como na escolha dos cenários...', 'cenários que testemunham a dor dos homens e que me parecem carregados de nobreza, os gestos da vida são feitos com simplicidade e os rostos dos que se levantam cedo são muito comoventes.'

Esta conivência, esta cumplicidade que o ligava aos seus modelos, explica largamente algumas das suas composições cuidadosamente encenadas, sobretudo desde o famoso processo do Beijo do Hôtel de Ville, parecem hoje admirar-se. Uma querela inoportuna, uma vez que Doisneau nunca escondeu as suas intervenções em certas fotografia como, por exemplo, a do 'Café preto e branco'. Um artifício que não retira nada à sua autenticidade, escreveu Jean-François Chevrier, visto que os personagens estavam espontaneamente prontos para o jogo do fotógrafo, entrando deliberadamente no seu jogo, de tal forma sua abordagem é delicada, respeitosa e jovial.
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Robert Doisneau. 1912-1994. By Jean-Claude Gautrand. Taschen. Coleção Icons.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Cartier-Bresson



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Sinto-me intimidada para falar da arte de Bresson (1908-2004), pois há unanimidade quanto a ele ser o maior retratista de todos os tempos. Então deve ser mesmo, mas eu não escrevo aqui para concordar com os especialistas, mesmo os mestres em uma arte de que só agora tento me aproximar.

No entanto, prezo minha liberdade, exercito-a aqui com prazer, e não há constrangimento algum em dizer: Bresson não me emociona. É claro que eu percebo ali uma arte, alta arte, certamente, uma técnica que capta as expressões dos rostos, e também o que vai na alma do fotografado (os profissionais dizem 'do objeto'), mas ainda assim eu noto uma certa 'pose', os retratados 'sabem' que estão diante de Cartier-Bresson e isso tem consequências para a espontaneidade (ou não) do trabalho.

O que digo, no entanto, não é definitivo (nada é, claro) e não sei bem localizar onde minha sensibilidade não se encontra inteiramente com a de Bresson. Talvez eu precise conhecer mais esse trabalho, embora o Tête à tête ofereça um leque amplo de tipos e de lugares.

Sei que, como se dá com a ficção de Roth, preciso encontrar um lugar melhor por onde entrar na natureza dessa arte. Direi quando (e se) conseguir.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

céu do rio






O céu visto da janela.








 












 
 
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

grande fotógrafo


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O que eu vejo de excepcional no trabalho de Robert Doisneau (1912-1994) são momentos de intenso lirismo, de uma beleza comovente e uma cumplicidade extraordinária com a vida cotidiana e com as pessoas comuns. Seus temas são retirados do inesperado, a gente tem a impressão de que ele estava passando por ali, meio por acaso e de repente surgiu aquela cena imperdível, perfeita, que ele capturou para sempre e nos oferece generosamente. É isso, há generosidade no olhar de Doisneau, não sei como explicar isso, e há também doçura, um amor absurdo por seu objeto (foi o único artista que me fez chorar ao olhar algumas de suas fotos), e ternura.

E há o modo de olhar de seus personagens. Mesmo numa foto com várias pessoas (por exemplo, Bilhar 'La poule au gibier'), podem-se ver todas as expressões de cada um dos presentes, esteja ele de frente ou de lado, é como se eu soubesse o que aquele sujeito estava pensando, ou seja, há espaço para minha subjetividade e minha imaginação em seu trabalho.

Há também esses imensos espaços vazios (diz-se que ele era muito tímido, daí fotografava as pessoas de longe), uma imensidão rodeando às vezes uma criança (A descida para a fábrica), ou duas (A primeira mestra) ou muitas (As batas escolares da Rue de Rivoli), então a solidão está sempre em suas fotos (Três crianças de branco impressiona nesse sentido) e compõe também o sentido de quase todas elas.

Uma das que mais comovem é Crianças dirigindo-se à leitaria, por causa disso mesmo: dois mínimos seres praticamente sozinhos (há alguém mais atrás, quase imperceptível, mas não parece ser um conhecido), elas se movem na calçada, acabaram de atravessar a rua, dirigem-se à leiteria (conforme o cartaz imenso nos diz), está-se no pino do dia (a sombra o denuncia) e eu quero muito, mas muito mesmo proteger aquelas duas (seria um menino o pequeníssimo?), quero muito que elas/eles tenham crescido, estudado, tenham tido uma vida feliz... somos agora nós, eu e elas, ali naquele canto de rua, e torço para que tudo dê certo, tenha dado certo em seu futuro.

E há por fim as cores, as nuanças de preto e branco e cinza e brilhos e sombras absolutamente inacreditáveis. Não há possibilidade de uma foto colorida dizer mais do que essas fotos (me) dizem.

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(A vontade de permanecer em seu bairro, o apego à província e o modo como a experiencia faz da poesia que há na obra de Doisneau um irmão-em-arte de Adélia Prado, talvez).
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Mario Testino


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Os livros sobre fotografia não chegaram todos ainda. Faltam Cartier Bresson e Annie Leibovitz (A vida através das lentes, dvd), mas do que já veio e eu já li/vi, aqui vão as impressões de uma amadora:


1) Mario Testino (Let me in) : o mico dos micos, pois foi um dos livros mais caros, além de imenso, e na verdade não tenho nada a ver com esse tipo de fotografia. Não me interesso pelo mundo das celebridades a ponto de querer esse documentário glamouroso, em que elas são surpreendidas em vários momento de suas vidas "difíceis". Uma ou outra foto detém meu olhar (o casal Brad e Angelina e alguns de seus filhos; Gisele bem nova fazendo caras e bocas; em outra foto quase nua), mas pela maioria eu passo batida porque essa gente não me interessa.

Acho que fui fisgada pela capa do livro (não se pode abrir nenhuma dessas grandes obras de fotografia na livraria), que é realmente a melhor coisa de tudo, e o que tem dentro não corresponde ao que se anuncia aí - esse misto de intimidade, cumplicidade, gestos amorosos e ternos entre Demi Moore e Ashton Kutcher (ela passando baton delicadamente nos lábios dele), que só pertencem à vida privada de um casal e que ele flagra muito bem. Acho que sinto falta da alma desses personagens, alguns posam como se fossem palhaços, outros exibem apenas luxo, riqueza e mesmo um ar de desdém no contato com a câmera, mesmo a de Mario Testino. Arghh...


No próximo post, minha mais nova paixão: Robert Doisneau.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Café dos maestros


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Café dos maestros segue a linha de Buena Vista Social Club, uma emocionada homenagem aos grandes milongueiros do passado, que fizeram da expressão do tango (tocado e cantado) uma arte ao mesmo tempo extremamente sentimental, brega no limite, mas também emocionante para quem conviveu com suas canções dramáticas em alguma fase da vida. É o meu caso. Havia tango em minha casa quando eu era adolescente, e acabei incorporando esse ritmo a meu repertório de lembranças. Ainda hoje tenho uma certa nostalgia por nunca ter aprendido a dançar tango, e sou uma das milhares de pessoas que se prometem um dia aprendê-lo, como uma promessa repetida centenas de vezes que jamais será cumprida, acho, porque dançar esse ritmo requer um despojamento e uma entrega emocional cada vez mais difícil com o passar dos anos.

Enfim, para quem gosta muito de tango (e friso o muito), o filme passa com altos e baixos, e no geral emociona, além de que acho legal essas homenagens àqueles que hoje foram esquecidos pelas novas mídias, mas que constituem aindo o repositório de culturas que valem a pena ser preservadas, e conhecidas.



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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Leila Diniz


A gente percebe que Joaquim Ferreira dos Santos foi fã de carteirinha de Leila Diniz pela maneira afetuosa e altamente cúmplice com que retrata sua personagem, esmiuçando os detalhes da vida e da carreira dela com olhar de contemporâneo.

(Eu sempre quis saber o que faziam meus colegas de curso secundário - Joaquim foi meu colega de turma no antigo Clássico, embora não fôssemos da mesma tchurma -, e vejo agora que ele estava fazendo faculdade de Jornalismo e entrevistando meio gauchemente sua musa).

É interessante esse painel de uma época de que nós também fizemos parte. Leila foi importantíssima para minha geração de mulheres, sobretudo, e sua entrevista no Pasquim foi mesmo um acontecimento, não apenas jornalístico, mas libertário (no sentido sexual e político) para todos/as nós. Joaquim desenha não apenas os bastidores dessa entrevista, as consequências funestas para a carreira de Leila, como traz o que a censura não deixou sair na época, bem como todos os tititis amorosos, as festas, os filmes, os imbroglios (e foram muitos), as encrencas, as tiradas, os amores, os amigos, os acontecimentos políticos que cercaram a figura de Leila Diniz e deram-lhe a aura que até hoje se mantém em torno de seu nome, e de seu mito (morrer aos 27 anos, no auge de uma vida de entrega e desmesura, e ainda num voo que ela antecipou por saudades da filha, certamente ajudaram a manter essa vida em estado de mito).

Um livro que se lê de uma assentada e, para a minha geração, com certo espírito de pertencimento, como se ele estivesse falando de um passado em comum, uma conversa esclarecedora sobre aspectos que não abarcávamos na ocasião - pessoas, situações, acontecimentos. Joaquim esclarece os fatos (e os feitos) e repõe a figura de Leila em sua dimensão transgressora, alegre, verdadeira, corajosa e vital. Muito bom.

nova obsessão





Considerando que há muitos anos nenhum papai noel bate à minha porta, eu mesma me visto de noel para mim e deixei na meia esse ano:

















 
































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