terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dois filmes, ou melhor, um filme

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Dos últimos filmes vistos, gostei de Wall Street, que continua com aquela pegada dinâmica, rápida e meio corrosiva da primeira versão, com desempenhos ótimos de todos os atores, mas em especial daquele  Eli Wallach, que fez o papel de roteirista premiado com Oscar em O amor não tira férias, e que rouba as cenas em que aparece.

Sublinho sua atuação porque ele é quase um figurante, e eu continuo lembrando de sua cara e expressão, numa cena quase magistral, a primeira vez em que aparece, se não me engano, em que ele diz uma frase boba mas ela ganha vida, graça e intensidade vindas daquele ser tão já cheio de história. Além dele, também Michael Douglas está ótimo, sem histrionismos e numa intepretação madura (levaria um tempão para explicar o que acho que seja isso, creio até que consigo, mas convenhamos que ninguém precisa dela, né não? :). Os jovens são lindos e convincentes, o que também já está de bom tamanho.

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Do FestRio, o primeiro filme que vi foi um micaço - O que mais quero, uma bobagem infindável, do primeiro ao último take, e olha que não saí antes porque aquilo tinha de fazer sentido em algum momento, e aguardei pacientemente, até que no final - ele não fez mesmo sentido algum, ou o sentido era tão bobo, tão bobo, que quase desisti do festival todo. 

Mas aí entrei no São Luiz e vi Patagônia. Gente, o que é aquilo, que filmaço! Lindo, tocante, épico, ao mesmo tempo uma jornada de uma senhora idosa maravilhosa em busca de sua origem, de seus começos; de um rapaz que a acompanha em busca de si; de um casal em busca de entender como e de que instantes o amor se constitui - tudo isso numa paisagem deslumbrante do interior da Argentina, esse país do qual cada vez me sinto mais próxima, e do País de Gales, origem da Patagônia Galesa de Cerys, a velhinha adorável.

A Patagônia não é apenas um lugar geográfico, é também um lugar existencial para quase todos os personagens, em que o sentido das histórias que cada um carrega se desenrola, se esclarece, se ilumina, sob paisagens abertas, infinitas e magníficas, e também áridas, além do som de um às vezes tango que os acompanha, mesmo que nem sempre audível.

O filme todo o tempo me trouxe a memória de uma parte de minha vida que é inexplicável em palavras, mas que ele ressuma a todo momento, por tudo que representa de busca, de lirismo, de doçura, de bons desempenhos, de momentos inesquecíveis. Por alguma razão que está além de ser um excelente filme, Patagônia me comoveu, e quero ver de novo sempre que puder. Por ele, todo o FestRio já valeu para mim.

Se ainda não ficou claro por que Patagônia vale a pena, tem o Matthew Rhys no elenco, todo lindo e ótimo ator.


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domingo, 19 de setembro de 2010

chá e simpatia

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E já que estamos no terreno das comidinhas, fiz um chá para Suca, uma amiga de muitos anos, mas que eu vejo pouquíssimo. Gostamos muito de tudo, e mamãe, aquela que esteve malíssima, está assim, toda animadinha, razão a mais para comemorar. 



















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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Chez Roberta Sudbrack

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E como fui convidada, fui conhecer o restaurante da chef número dois da cidade, o Roberta Sudbrack. Nunca dantes in my life havia provado comida estrelada, e a.m.e.i., na verdade, nasci para comer aquela coisa toda.

Não fiquei deslumbrada, mas agradecida por alguém fazer coisas tão interessantes para alegria do paladar e da imaginação de estranhos completos que, ao final, querem muito dizer a ela como foi bom, como gostaram de tudo, como perceberam a delicadeza em cada sabor, em cada prato, quanto cuidado nos detalhes, dá vontade de beijar as mãos dela, enfim... mas ela não apareceu, e ficamos na companhia educada e silenciosa de Luis Fernando Veríssimo e amigos que, em mesa ao lado da nossa, bebia vinho e acho que igualmente se encantava.

Enfim, as fotos não dizem do sabor, nem dos cheiros, mas vos asseguro - tudo estava saborosíssimo e não, não deu fome depois, foi tudo na medida e na quantidade certa, por incrível que possa parecer.

Começamos com esses pãezinhos que de longe lembravam os de queijo que conhecemos, mas iam muito além deles, dissolviam na boca e deixavam saudade no mesmo momento em que encontravam o céu da boca, e aquele salame ali, gente, o que é aquilo, bom demais...



  













Essa é uma farofa de banana que alguém na mesa atrás de mim elogiava tanto, enquanto eu esperava meus amigos, que não hesitei em pedir. Foi o único prato que não achei extraordinário, e mesmo assim era ótima, por mais estranha que pareça.

 


 










Esse é um prato de camarão que deu vontade de comer em contrição. Eu sei, não parece, mas estava maravilhoso, e também foi suficiente, não tinha de menos, nem de mais. Há uma película de massa revestindo a coisa mesma, além de outros sabores a serem descobertos, delícia.

E com esse pato eu descobri que nunca antes havia comido pato, ou pelo menos esse me revelou o sabor de pato que quero guardar na memória gustativa e olfativa. Além de ter vindo acompanhado dessas batatinhas, que também eram não apenas lindas, mas tão boas, tão - sabe aquelas batatas que o Van Gogh pintou no Comedores de batata? Estavam ali traduzidas, em pura arte.












O ravioli aí embaixo, olha, dos deuses. Vêem essa coisinha no meio, que parece uma tira de legume - é uma tira de legume, mas tão saboroso, tão diferente, que parece coisa de bruxa, com o gosto apurado do amendoim crocante, perfeito.


E deu-se, por fim, a sobremesa. Parece pouca e simples - ledo engano, era bastante e se simples, tinha a qualidade do que o simples guarda de melhor - todo o sabor concentrado sob a crosta crocante da massa, que revelava um chocolate com um creme branco nunca dantes provado, ou conhecido. Só bom demais.




 

Roberta, você é uma artista que faz feliz quem de sua cozinha se aproxima. Merci, longa vida a seu engenho e arte! O único problema dessa experiência é que, definitivamente, não pode viciar :)

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sábado, 11 de setembro de 2010

O grande vidro II

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E como havia prometido a mim mesma, voltei lá para ver e ler a exposição de poesia Últmas notas sobre o grande vidro, de Roberto Corrêa, no Oi Futuro de Ipanema (o metrô deixa ao lado). Tirei fotos, claro, mas quando fui ver na tela eu estava em quase todas, porque o vidro refletiu a fotógrafa.

Enfim, achei bacana a proposta, e me emocionei com algumas frases, ou melhor, versos de poemas em pedaços, contidos na caixa mas que estilhaçam no espaço que os contém, e reverberam na cabeça do leitor, ao som áspero de vidros estilhaçados, que nos açoitam quase (vidros e versos), como falas de uma beleza que exacerba os sentidos, sugerem (os versos, ainda) a violência que nos habita e expoem os cacos que nos concernem a todos. 

Em alguns momentos me peguei emocionada com frases que ecoaram em mim algum texto lido, alguma conversa antiga, um pensamento próximo, como se o grito sussurrasse, ou gritasse com suavidade o que eu reconhecia meu.

Trata-se de um trabalho personalíssimo, cheio de força e contundência, uma exposição de palavras-motrizes, onde cada leitor/espectador construirá seu próprio poema com os versos, as imagens, os retratos de sua história que, não cabendo na caixa, espalham-se pelo chão e fazem-se tapete voador
para os pés e as mentes atentas - e ativas.


























Conforme se lê na apresentação feita pelo curador Alberto Saraiva, o trabalho dialoga com essa coisa inimaginável que constitui a obra de Marcel Duchamp, "A noiva despida pelos seus celibatários, mesmo ou O grande vidro", ela mesma sujeita a tantas e tão diversas leituras.

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