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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Luto

Estou um pouco de luto e chocada com o assassinato dos seis jovens em Mesquita. Escrevi e publiquei agora na minha página do facebook: 

Muito triste a violenta morte de seis jovens que não tinham nada a ver com crime e foram barbaramente assassinados. Adolescentes normais, que queriam tomar banho de cachoeira, usar o que a cidade disponibiliza de graça, o que a vida oferece de bom - foram mortos estupidamente apenas porque estavam em bairro tomado por criminosos, que não gostaram dos 'intrusos' de outro bairro por ali. 

Isso é uma barbaridade intolerável, na verdadeira acepção da palavra! Como ainda permitimos que isso aconteça? Como não morrer junto com eles, e não ter vergonha de estar sentados aqui, sem fazer nada? Eles se foram por n.a.d.a! Vidas cheias de beleza, de alegrias, destinos bonitos a se construir e cortados pela banalidade do mal. Minha ajudante aqui em casa mora nesse bairro Jacutinga, onde os corpos foram deixados, e já me havia dito que a violência tinha crescido muito e todos tinham medo de sair à rua, de deixar seus fihos ir a qualquer lugar, viviam meio prisioneiros do medo. Precisou haver tantas vidas perdidas para o poder público enviar policiamento ostensivo e proteção à população. Podia ter sido feito antes, podiam ter cuidado da segurança deles melhor. Não há remédio para a feroz destruição de tantas vidas, e de modo tão absurdamente banal.


Nós sempre morremos um pouco quando a barbárie se nos apresenta de modo tão vil e acintoso. Muito triste.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mundo português 2

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Parece que o 'mundo português', por algum acaso muito próprio à vida, anda me enviando mensagens. Essa aqui é extraordinariamente clara. Quiça tivéssemos um Marinho à altura desse aí:



PS. vi primeiro no blog da cora rónai 

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Vergonhoso retrocesso para preservar corrupto

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Arrego vergonhoso de Dilma quanto aos vídeos contra homofobia, e tudo para salvar um corrupto contumaz! Esse país vai demorar séculos para tomar vergonha na cara com atitudes como essa.

Enquanto isso, num inglês escandido, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos põe os pingos nos iis.


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Amanda diz e prova

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Dá-lhe Amanda! Muito boas falas, e com um sotaque tudo de bom! 
E a prolação das palavras, a enunciação de cada som, por menor que seja, é quase música, como é bom ouvir nossa Língua falada com essa majestade! Vi aqui

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domingo, 3 de abril de 2011

A quem serve o circo armado

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Muito boa matéria, e porque é uma entrevista muito interessante e esclarecedora sobre o último circo em voga na mídia.

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Casal de sargentos gays responde a Bolsonaro

Em entrevista ao Congresso em Foco, Fernando Alcântara e Laci Marinho, um casal de sargentos do Exército, dizem que as falas do deputado fluminense são uma reação de uma cúpula conservadora das Forças Armadas que a cada dia se torna mais minoria
Para Fernando e Laci, sargentos e gays, Bolsonaro é porta-voz de uma minoria da cúpula do Exército que tem uma visão autoritária e conservadora do mundo
Rudolfo Lago


Laci Marinho, nascido no Rio Grande do Norte há 39 anos, é um sargento do Exército. Fernando Alcântara, pernambucano de 37 anos, é também sargento do Exército. Eles são a prova viva de que o ódio do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) aos homossexuais não é, como ele esforça-se para expressar, um sentimento comum a todo e qualquer soldado das Forças Armadas. Porque Laci e Fernando são, eles próprios, homossexuais. Eles são um casal. “A verdade é que a visão ultrapassada de Bolsonaro reflete hoje o pensamento de uma minoria dentro das Forças Armadas. Mas, infelizmente, uma minoria que tem muita influência”, diz Fernando. Para ele, esse pensamento conservador, resquício da mentalidade de militares mais velhos, que fizeram sua carreira durante a ditadura militar, é muito forte na cúpula das Forças Armadas, entre os seus comandantes. Na tarde de sexta-feira (1), ele e Laci deram uma entrevista exclusiva ao Congresso em Foco.


Leia também:
Bolsonaro declara guerra aos homossexuais

Para Fernando e Laci, Bolsonaro tem sido uma espécie de porta-voz não formal do pensamento dessa elite militar. “Eles armam o circo, e Bolsonaro, o palhaço se apresenta”, ataca Laci.

Fernando e Laci tornaram-se famosos em agosto de 2008. Na capa da revista Época, eles viraram o primeiro casal de homossexuais a assumir claramente a sua opção. A entrevista que deram à revista foi a forma escolhida pelo casal para denunciar a situação que viviam. Por conta da sua opção sexual, os dois vinham sendo perseguidos. A homossexualidade foi a desculpa encontrada, contam eles, principalmente para calar Fernando. Considerado então um militar de reputação ilibada, com várias condecorações, Fernando tornou-se responsável por uma seção do Exército que autorizava, no plano de saúde, cirurgias de alto custo. Verificou a existência de um esquema de fraudes nessas autorizações. Ao denunciar o fato, ele conta que começou a ser perseguido. “Fizeram uma devassa na minha vida para encontrar fragilidades. E a fragilidade encontrada foi a minha homossexualidade”, diz ele.


Companheiro de Fernando, Laci era mais frágil. Tinha a saúde afetada por um problema neurológico. Iniciou-se um processo para minimizar os problemas de saúde de Laci, para obrigá-lo a trabalhar mesmo doente. Como Laci não conseguia comparecer ao serviço quando estava doente, foi considerado desertor, e chegou a passar 58 dias preso. Por conta da homossexualidade, foi Laci quem primeiro chamou a atenção. Nas suas horas de folga, ele tinha uma banda, onde fazia cover da cantora Cassia Eller. Hoje, ele tenta obter a reforma – aposentadoria – por conta da doença. Já Fernando preferiu desistir de enfrentar um processo disciplinar e deixou o Exército.

Para ambos, sua situação, por mais que os tenha feito sofrer, é o sinal de que as mudanças que acontecem na sociedade refletem-se também nas Forças Armadas. E a agressividade de Bolsonaro é uma reação a essas mudanças. Ou talvez, como sugere Laci, uma reação particular de cunho psicológico. “Tenho plena convicção de que ele é um gay internalizado. Que, sozinho, em frente ao espelho, ele diz: “Eu sou uma bichona!’”.


Na entrevista abaixo, percebe-se que Fernando é mais falante que Laci, mas também bem mais diplomático:

Congresso em Foco - Toda vez que surgem polêmicas como essas das declarações de Jair Bolsonaro, surge a ideia de que a carreira militar é incompatível com a homossexualidade. Como vocês respondem a essa ideia?
Fernando - O deputado Bolsonaro é uma voz remanescente de uma turma que está vinculada a um pensamento ultrpassado, arbitrário, antidemocrático. A questão da opção sexual jamais vai definir o caráter de qualquer profissional, independentemente do ramo de trabalho. O que existe nas Forças Armadas é um grande tabu, vinculado à ideia da necessidade de uma certa virilidade para o combate. Dissemina-se a ideia de que um homossexual não teria a autoridade necessária para o comando.

E isso é verdade?
Fernando - Existem líderes militares históricos, comandantes de grandes exércitos, que eram homossexuais. O caso, por exemplo, de Alexandre, o Grande. A tropa, de um modo geral, conhecia a sua orientação sexual, e isso jamais o impediu de ter grandes vitórias militares. É verdade, era um outro tempo, uma outra cultura. Essa perseguição à homossexualidade cresce com o cristianismo. Mas o fato é que a opção homossexual de Alexandre, o Grande, o não o impediu de ser um grande soldado. Além disso, é uma grande mentira achar que os únicos dois homossexuais no Exército éramos eu e o Laci.


Vocês não são um caso isolado, então?
Fernando - Estamos longe de sermos um caso isolado. O fato de nós dois termos saído do armário, como se diz, não significa que eu deva cobrar o mesmo de outros que não queiram fazê-lo. Mas a gente conhece ene casos de até generais que são homossexuais. Eu já vivi experiências muito desconfortáveis de ter sido assediado dentro da caserna. E nem por isso deixei de obedecer ao comando dessas pessoas. Claro, não se pode aceitar assédio, porque é um comportamento que não cabe em nenhuma profissão. Mas não é pelo fato de ser homossexual que essa pessoa não tenha capacidade de comando.


Há, então, um comportamento hipócrita?
Fernando - E que se torna extremamente autoritário para quem enfrentar a hipocrisia e assumir a verdade das suas opções. As Forças Armadas estão inseridas na nossa sociedade. Não pode prevalecer essa visão ultrapassada de Bolsonaro de uma instituição à parte do resto da sociedade, com regras e leis próprias.


Mas Bolsonaro certamente deve falar por uma parcela da sociedade e das Forças Armadas ...
Fernando - O que eu acredito é que o Bolsonaro queria ganhar exposição. Duvido que ele tivesse mesmo confundido a palavra negra dita por Preta Gil pela palavra gay. Isso é altamente improvável. Ele realmente buscou uma aparição pública. É típico de políticos inescrupulosos como ele. O Bolsonaro é que é o verdadeiro Tiririca. E aqui não quero de modo algum desmerecer o Tiririca. É que o palhaço, de fato, é ele. É claro que existem, sim, débeis mentais – não dá para usar outra palavra – que votam nele. Afinal, me parece que ele já tem sete mandatos. Mas isso precisa mudar. E está mudando.


Mas ainda seria muito forte o preconceito nas Forças Armadas?
Fernando - Quantos comandantes negros nós tivemos? Quantas mulheres em postos de comando? Ninguém. Mas eu acredito que a fala de Bolsonaro hoje é representativa de um pequeno grupo. Mas de um pequeno grupo que ainda tem muita capacidade de influência. Não é muito diferente de como pensam os principais comandantes e generais do Exército. O Bolsonaro funciona como um mal necessário. Ele não reflete o comportamento institucional do Exército que até,por força da disciplina, evita se manifestar em questões polêmicas. Como o Bolsonaro não tem esse compromisso, aciona-se ele. Curioso que o Bolsonaro se diga representante dos militares, enalteça tanto os militares, e já há muito tempo ele não seja um militar.


Ele não seria tanto assim representante dos militares?
Fernando - Não no sentido de realmente discutir e ser capaz de concretizar os anseios dos militares. Por que, por exemplo, ele não discute por que o soldado, na ativa, não possa votar e ser votado? O soldado é cidadão de segunda classe? Por que não discute o absurdo de um soldado ser preso disciplinarmente e não ter direito a habeas corpus? De não ser julgado pela mesma justiça dos demais cidadãos? Por que não discute os códigos militares obsoletos? A questão da remuneração dos militares, cada vez mais aviltada?


Laci – Eu penso que Bolsonaro, na verdade, é um malandro que finge ser representante dos militares para viver de dinheiro público. Como militar, que eu ainda sou, eu vejo que ele é totalmente desacreditado na instituição. Ele é usado pela cúpula para dar esses recadinhos, pra fazer esse auêzinho. Mas, no meio, ele é desacreditado. Acham que ele é um palhaço.
Fernando – A gente fica buscando algo de concreto que ele tenha feito pela família militar, e não acha.
Laci – Ele tem o circo montado. Ele é o palhaço para angariar os votinhos dele. Na verdade, eu tenho plena convicção de que, na verdade, o Bolsonaro é um gay internalizado, um homossexual dentro de uma concha.


Você tem convicção disso? Que o ódio dele aos homossexuais vem daí?
Laci – Ele vê no espelho um homossexual e quer matar, destruir ele mesmo. A voz dele tem que ecoar para os quatro cantos do mundo e dizer: “Eu não sou isso! Eu não sou isso!”. Mas quando ele olha no espelhinho dentro de cada, ele deve dizer: “Eu sou uma bichona!” Ele deve ficar com vontade de quebrar o espelho. Garanto que ele quebrou muitos espelhos na cada dele.
Fernando – Quando você é heterossexual convicto, porque a homossexualidade vai lhe incomodar tanto?


Em contrapartida, como, de fato, repercute no meio militar a situação de vocês? Há apoio a vocês no meio militar?
Fernando – Às vezes, é difícil para a sociedade civil entender o que acontece no meio militar. A obediência no meio militar se dá muitas vezes pelo medo. Um comandante pode mandar prender um soldado por até 30 dias sem dar satisfação a ninguém. Então, as pessoas se retraem. Elas dão apoio velado. Nós sentimos que tivermos um grande apoio, mesmo que velado. E houve gente que se expôs e deu apoio explícito. E pagaram um preço alto por isso. Por exemplo, um major médico que atendeu o Laci e viu que ele estava doente, e que não era verdade a história de deserção, que teve prejuízos sérios por essa posição.


O que pode acontecer com quem claramente se manifesta, por exemplo, a favor de vocês?
Fernando – Há diversas formas de punição, também veladas. Pode-se alegar um outro motivo para punir. Ou mesmo criar dificuldades para a vida do militar. Imagine o transtorno que é para um militar, por exemplo, que está com a sua vida estruturada, filhos na escola, ser de uma hora para outra transferido para outra cidade. Muitas vezes, alega-se a necessidade dessa transferência para punir alguém. E o soldado, para manter a sua vida estável, se cala. É mais fácil a pessoa se acovardar. No caso do Laci, 18 médicos se envolveram para criar a história de que ele era um desertor. Cumprimento do dever não tem outro nome, às vezes, que covardia, não ter coragem de reagir a isso. Por outro lado, se você reage, acontece como está acontecendo conosco. O que eu vou fazer da vida? Eu tenho 15 anos de vida no Exército, com uma ficha considerada irrepreensível, diversas condecorações. Nunca fiz outra coisa. Não sei fazer outra coisa. Então, a gente não pode ser tão taxativo ao condenar quem se cala. Mas não deixa de ser uma forma de covardia.


Quando vocês entraram no Exército, vocês já tinham assumido a orientação sexual de vocês? Como isso surgiu?
Fernando – No meu caso, foi muito difícil a descoberta da homossexualidade. Eu vim de uma família muito católica, muito conservadora. A Igreja é muito perversa nesse sentido, de que tudo é pecado, que se desvia da dita normalidade. Então, no meu caso, essa descoberta durou muito tempo. Quando eu entrei no Exército, eu ainda não tinha essa convicção do que de fato eu era como ser humano. Eu sentia necessidade de experimentar, mas não tinha coragem. O despertar aconteceu já nas Forças Armadas. E o que isso mudou na minha carreira militar? Nada. Isso me traz uma mágoa muito grande. Por que, de uma hora para outra, eu já não era mais o soldado de ficha ilibada, com medalhas por bons serviços prestados à Nação?


E no seu caso, Laci?
Laci – Para mim, foi uma coisa mais natural. Antes de entrar no Exército, já sentia atração por pessoas do mesmo sexo. Na minha juventude, meus relacionamentos eram com mulheres, mas eu tinha atração por homens. Eu não tive problema na cabeça com relação a isso. Se eu gostasse de uma mulher, ficaria com uma mulher. Se gostasse de um homem, ficaria com um homem. Na minha cabeça, era assim.


Na sua cabeça. E na prática?
Laci – Na prática, a gente começou o relacionamento em 1997. Foi o primeiro relacionamento assim.

E a perseguição, como começou?
Fernando – O ano que marcou tudo foi 2006. Desde 2001, o Laci tinha um problema neurológico que o afastava de algumas atividades. Ele tem umas síncopes, umas vertigens, que o atacam de vez em quando. E durante muito tempo, o Exército aceitou isso. Em 2006, ele ficou de cama um bom tempo. Mas, na verdade, a perseguição começou sobre mim.

Sobre você?

Fernando – Eu era gerente de um sistema de saúde que autorizava cirurgias de algo custo. E verifiquei que havia um esquema de fraudes. A coisa foi tomando uma proporção muito grande que saiu do controle. Como começou a crescer, atingir muita gente, começaram uma verdadeira devassa na minha para me atacar. Buscavam um ponto fraco. E o ponto fraco foi a questão da homoafetividade. Antes de nós começarmos a nos relacionar, nós morávamos juntos, numa república. E, embora depois a gente não confirmasse a nossa relação, começaram os comentários. A coisa foi ganhando uma proporção cada vez maior. Aí, para encobrir a corrupção que havia na questão da autorização para cirurgias de alto custo, começou a perseguição. “Tem que perseguir esses dois viados filhos da puta”, como disseram. A coisa começou com punições rotineiras. Chegou atrasado, não fez determinado exercício, etc. A maioria abaixa a cabeça. E isso é a razão dos diversos suicídios que acontecem no meio militar. A diferença é que não abaixamos a cabeça. Ao contrário, fomos cada vez reagindo mais. A gente resolveu enfrentar a situação. E a gente percebeu que a forma melhor de enfrentar era dizer a verdade. Porque a verdade incomoda muito. Então, procuramos a revista Época para explicitar a verdade. Nós já tínhamos procurado o Ministério Público. Mas a justiça é extremamente lenta. Então, nós fomos à imprensa para denunciar nossa situação como forma de nos defendermos.


E isso resolveu?
Fernando - Houve mais perseguição. Houve uma ordem para sermos transferidos, para nos separar. Eu iria para São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e ele para o estado de São Paulo. A Procuradoria dos Direitos do Cidadão barrou essa transferência. E, aí, diante da doença do Laci, foi mais fácil partir para cima dele. Dizer que não havia doença nenhuma, e caracterizar as ausências dele como deserção. Puniram ele para me calar. Quando a coisa se tornou insuportável, procuramos a revista Época. Nosso relacionamento e a denúncia do que estávamos passando virou capa da revista. Foi aí que eu creio que se armou uma armadilha para nós.


Que armadilha?
Fernando – Nós fomos convidados a ir a São Paulo para dar uma entrevista ao programa de Luciana Gimenez, na rede TV!, logo depois da publicação da revista. O Laci, para o Exército, era tido como foragido, porque ele era classificado como desertor. Para ir para São Paulo, providenciamos a saída por Goiânia, porque se saíssemos por Brasília, Laci seria preso no aeroporto. Nós combinamos rotas de fuga com a emissora para o caso de se tentar cumprir a ordem de prisão de Laci. Mas, ao contrário, enquanto o programa acontecia, a emissora foi sendo cercada. Um aparato extremamente desproporcional. Laci saiu da emissora preso. Ele foi primeiro para um hospitla militar em São Paulo. Mas, no dia seguinte, às 6h do hospital, um helicóptero pousou e nos levou para o aeroporto. De lá, fomos colocados num avião Bandeirantes, de lançamento de tropa de paraquedistas, e não sabíamos para onde nós iríamos. Passa tudo pela cabeça da gente nessa hora. Nos levaram para Belo Horizonte. Eu só fiquei mais tranquilo depois que o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) entrou e nos protegeu. Mas, quando chegou o fim de semana, estávamos já em Brasília, levaram Laci para o quartel. Deram uma surra nele. Tortura. Saco plástico na cabeça. Ficou lá preso 58 dias. Até que o Superior Tribunal Militar mandou que ele fosse solto. Foi uma grande vitória. Abre precedentes para outros casos de deserção, porque há um entendimento firmado de que o desertor tem que ficar 60 dias presos pelo menos esperando o processo. Essa decisão abre precedentes para outras. Enfim, nós tivemos situações constrangedoras, mas muita coisa foi conquistada. Nossa história vai ser levada até maio para a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Nossa proposta é condenar o país por esses abusos. Porque o Exército é uma instituição do governo brasileiro. A estrutura governamental foi extremamente condescendente com esse estado de coisas.


O desejo de vocês, ao final do processo, é a reincorporação às Forças Armadas?

Fernando – No caso do Laci, ele ainda é soldado.

Na ativa?
Laci – Estou na ativa. De licença médica, agora.


Fernando – Eu saí. Fui obrigado a sair. Eles começaram um processo de expulsão. Seria um processo demorado. Enfrentar esse processo iria me atrapalhar. Na defesa de Laci. Eu depois escrevi um livro. Eles me deram uma porta de saída. Eu saí.
Laci – No meu caso, há um processo de reforma, por meus problemas de saúde. Eu, normalmente, já deveria ter sido reformado – aposentado – pelos meus problemas de saúde. Mas isso não aconteceu por conta dessa perseguição.
Fernando – O que a gente sofreu, não há dinheiro que pague. Vai ficar marcado para o resto das nossas vidas. O reconhecimento da perseguição homofóbica ajudaria a diminuir esse sentimento de injúria que sofremos. E serviria como exemplo para outros casos não aconteçam. Porque, insisto, o nosso caso não é um caso isolado.

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Daqui: http://congressoemfoco.uol.com.br/casal-de-sargentos-gays-responde-a-bolsonaro.html
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

aqui e lá

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Uma ótima reflexão sobre os acontecimentos no Rio se pode ler aqui:

http://duasfridas.wordpress.com/2010/11/28/policia-para-quem-precisa/

sábado, 27 de novembro de 2010

Um parêntese

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Nesse momento em que as forças do mal, a violência desmedida e a barbárie tomam conta do Rio, me sinto como Alice no país das maravilhas, viajando aqui na ilha da fantasia enquanto o pau come na minha cidade.


E a coisa é tão ruim que chego a me sentir culpada por estar aqui, vejo que não é possível ser feliz quando os meus - próximos e distantes - estão sob coação e medo. Mas não vou voltar agora, não posso fazer absolutamente nada para mudar esse estado de coisas, e egoisticamente espero, ao voltar  passando pela linha vermelha, não ser atingida por uma bala perdida. A essas alturas, acho que também já é pedir demais.

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Chuva no Rio, calamidade e vergonha nacional

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Minha rua no Catete, hoje de manhã. Só para constar e testemunhar a falta de vergonha dos poderes públicos dessa urbe. Feriado para todos que trabalham, mas se alguém ficar doente e precisar de médico, adeus. 






































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Todas as fotos incríveis abaixo vieram do site online do jornal O Dia, e nessas horas admiro o espírito de aventura dos que trabalham com fotojornalismo:

http://odia.terra.com.br/portal/galerias/geradas/O_DIA_ONLINE_temporal_atinge_o_rio_1058.html

















































E isso apareceu hoje no meu quarto, em cima da minha cama:














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Claro que diante da tragédia que a continuidade do temporal ocasionou, nem que o teto do meu quarto desabasse seria comparável à dor por que tanta gente está passando. Uma calamidade, e um descaso descomunal das gestões públicas, de todas as esferas.

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terça-feira, 2 de março de 2010

vídeo imperdível

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A Adriana Lisboa postou por agora esse vídeo que deve muito 
ser visto por todos que gostam de pensar. Imperdível.


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domingo, 11 de outubro de 2009

augusto nunes e as olimpíadas

Faço minhas as palavras do Augusto Nunes, clonadas do blog de anna r, do  http://amdcr.blogspot.com/

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Os vampiros aliados festejam a ampliação do banco de sangue
por Augusto Nunes



Menos de um mês depois de promover o Brasil a potência petroleira, Lula promoveu-se a presidente de uma potência olímpica. Em 6 de setembro, Dia da Segunda Independência, não precisou de um só barril a mais para apresentar ao mundo o caçula da OPEP. O que resolveu que vai acontecer daqui a 10 ou 15 anos pareceu-lhe suficiente. Em 2 de outubro, depois de derrotar os ianques, os espanhóis e os japoneses na Batalha da Dinamarca, não precisou de uma única medalha de bronze para instalar o país no clube dos colossos esportivos. Bastou o que resolveu que vai acontecer no Rio em 2016.


O curto espaço entre os dois assombros avisa que a metamorfose ambulante sofreu mais uma mutação para pior. Lula sempre se apropriou do passado para fingir que fez o que outros fizeram. Quem ouve a discurseira imagina, por exemplo, que a inflação liquidada em 1994 pelo Plano Real foi banida em 2003. Pois o maior governante da história agora deu de também expropriar o futuro para moldá-lo às conveniências do presente ─ e fingir que já foi feito o que está por fazer. O craque que vive assumindo a paternidade de gols alheios passou a reivindicar a autoria dos que nem aconteceram.

A fantasia seria menos inverossímil se Lula não inaugurasse o futuro sempre em companhia de gente que eterniza o passado. No descobrimento do pré-sal, protagonizou uma superprodução futurista à frente de um elenco de cinema mudo liderado pelos canastrões José Sarney e Edison Lobão. No comício em Copenhague, anunciou a ascensão do Brasil à primeira divisão do planeta num palanque de segunda. O país não tem sequer arremedos de política esportiva. Investe apenas, e equivocadamente, no esporte de alto rendimento. O Brasil coleciona fiascos a cada Olimpíada por falta de direção e de verbas.

Dinheiro existe de sobra, esclareceu o presidente ao comunicar que serão investidos no Rio quase R$ 30 bilhões. A bolada vai ser muito maior, corrigiu o sorriso de empreiteiro malandro no rosto da cartolagem. E boa parte vai engordar o patrimônio dos campeões do salto sobre cofres públicos, modalidade não-olímpica praticada com muita competência por figurões federais e supercartolas.


Só os olhos gulosos dos bandidos e a miopia dos idiotas incuráveis enxergam um Brasil dividido entre nacionalistas grávidos de patriotismo com o triunfo incomparável e traidores da nação em aliança com os mortos de ciúme da Cidade Maravilhosa. O Brasil não precisa hospedar a Olimpíada para afirmar-se como nação em marcha acelerada para longe das cavernas. O Rio não precisaria virar sede dos Jogo de 2016 para merecer as atenções, o respeito, o carinho e os investimentos que a mais bela das cidades reclama há décadas. Consumada a escolha, ninguém minimamente sensato vai torcer pelo naufrágio. Mas o desastre só será evitado se a tripulação for trocada a tempo.


Em 2003, os cariocas souberam que o Pan-2007, orçado em R$ 400 milhões, traria como dote a linha de metrô da Barra, a despoluição da Baía de Guanabara, a ressurreição da Lagoa Rodrigo de Freitas e outros espantos. A conta ficou em R$ 4 bilhões e os milagreiros nada santos esqueceram o prometido. Tudo será feito agora, reincide Carlos Nuzman, que presidiu o comitê do Pan, preside o COB e presidirá o comitê dos Jogos de 2016. É errando que a gente aprende, recita Orlando Silva, ministro do Esporte desde 2006, que forma com Nuzman uma dupla que anda fazendo bonito nos torneios de gastança suspeita promovidos pelo Tribunal de Contas da União.


O cinismo dos vendedores de ilusões só não é mais espantoso que a euforia da multidão de iludidos. Com o mesmo entusiasmo dos vampiros encarregados da administração, os doadores festejam a ampliação do banco de sangue.

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sábado, 25 de julho de 2009

lama na casa

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Em momentos de crise, quase tudo mostra a cara que tem, sem maquiagem, e estamos em crise em vários setores.
Na saúde, a gripe pandêmica mostra aos cariocas como é que se constituem as diferenças de tratamento por classe, acintosamente assimétricas no país todo (cujo presidente, em tantas e recorrentes ocasiões, avaliza a diferença entre os que podem – infringir a lei, ser vis, apoderar-se do bem público – e os que não podem – os outros, nós, que pagamos a conta), mas agora de uma visibilidade espantosa no Rio.


Pois se a maioria da população está claramente impedida de ter acesso aos remédios, a não ser quase in extremis, vemos que uma simples dor de estômago leva a apresentadora ao hospital, onde é atendida, internada e tem seu exame realizado numa velocidade espantosa. Sim, eu sei que ela deve ter o melhor plano de saúde que lhe garante esses benefícios e, portanto, paga por eles, mas nós todos devíamos poder, pelo menos, ter acesso ao mínimo, ao básico – durante a pandemia, acesso a exames e ao medicamento, sem exigências, isso é básico.
Vemos atualmente também, em cores vivas, o pior e o melhor dos dois mundos de que somos feitos – o Brasil e os brasileiros.
A crise política que põe na lama instituições – Câmara, Senado, partidos políticos - que deveriam ser o norte das idéias produzidas e produtivas sobre e para o país, essa crise toma ares de carnavalização bakhtiniana, em que tudo vira de ponta cabeça, quando o namorado da neta do homem do senado diz que é muitíssimo competente para estar no lugar que está, portanto não deve seu emprego a nenhum favor. Ou seja, o sujeito pode até ser competente, ter pós-graduação, mas não fez concurso, entrou lá por indicação (como centenas de outros, aliás) e ainda se acha no direito de legitimar o compadrio usando o título acadêmico: estou aqui porque posso, e não porque sou amigo do rei.
O outro, filho do ministro dos transportes, ficou várias vezes milionário aos 25 anos sabe-se lá (ainda) como, e também diz que estudou muito, o suficiente para estar na situação financeira em que se encontra. Ou seja, por um lado o presidente do país enaltece a ignorância seja no uso da linguagem, seja quando expressa idéias que muitas vezes afrontam os direitos dos cidadãos e a Constituição; por outro lado, o conhecimento agora, em meio ao circo geral em que se transmudaram os valores, serve para justificar todo tipo de esperteza e de avanço na res publica.

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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Fora sarney


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Renato Pompeu de Toledo escreve um artigo excelente na última página da mais recente Veja - "Politicolíngua, série Sarney", e replico aqui alguns trechos:

[...]

Lixeiras e despensas – "Julguei que tivesse sido eleito para presidir politicamente a Casa, e não para cuidar de sua despensa ou para limpar suas lixeiras", disse Sarney. O titular do baronato do Maranhão e Amapá olha-se no espelho do salão e o que vê é o estadista. Que desagradável o barulho que vem da cozinha. Que insuportável o cheiro das estrebarias. O que lá se produz é não apenas necessário, como obedece aos propósitos do grão senhor. Mas por que fazê-lo deixando escapar o som e o cheiro? O Sarney que José Sarney imagina no espelho é o literato sensível, o detentor da sabedoria, o benfeitor das gentes e o salvador da pátria. Acreditaria José Sarney em José Sarney?

Mordomo – A denúncia de que outro frequentador da folha do Senado, Amaury de Jesus Machado, por alcunha o "Secreta", na verdade prestaria serviço de mordomo à governadora Roseana, filha de Sarney, provocou a indignação do patriarca. "O Senado nunca pagou nenhum mordomo", disse. "A senadora Roseana não tem mordomo em casa." A indignação, ainda uma vez, era contra a palavra. Mordomo não, mordomo nunca, mas, a começar da própria Roseana, ninguém da família negou que o "Secreta" (de "secretário", embora pudesse ser também de "secretamente lotado em lugar indevido") seria um faz-tudo a serviço da hoje governadora do Maranhão. "Ele é meu afilhado. E vai lá em casa quando preciso, umas duas ou três vezes por semana."


Pessoa incomum – A frase que vai ficar como emblema do rodamoinho que envolve o presidente do Senado foi produzida pelo presidente Lula: "Sarney não pode ser tratado como se fosse uma pessoa comum". Não é que ele tem razão? Não é em qualquer um que a fantasia do estadista convive com a resistente realidade do oligarca nordestino, cercado de parentes e agregados, quando não são afilhados, ou afilhados da filha, os limites entre os bens públicos e privados embaralhados e manipulados segundo os interesses do clã. Com força incomum, Sarney puxa o Brasil para trás.


[...]

http://veja.abril.com.br/010709/pompeu.shtml



Fora sarney

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Para quem se interessar, o blog FORA SARNEY está coletando assinaturas de todos que não aguentam mais tanta roubalheira e queiram expressar isso (acho que ficará mais na expressão, pois tirar mesmo o homem de lá vai ser difícil).
http://www.forasarney.com/


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quinta-feira, 23 de abril de 2009

ministro joaquim


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Para quem desejar solidarizar-se com o Ministro Joaquim Barbosa, que teve a audácia de enfrentar aquele senhor que preside o Supremo, aqui vai o email que peguei no site do idelbaravelar, onde, aliás, há ótimos comentários sobre o assunto:

gabminjoaquim@stf.gov.br


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Nada


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Não há muito a dizer, e o que se lê também é desanimador ou assustador. Na última categoria está a notícia de que o crack está se tornando problema de saúde pública, sobretudo na população de rua do Rio de Janeiro, mas também entre os trabalhadores de cana de Pernambuco, e há mesmo patrões que nem pagam mais em dinheiro os cortadores, mas em droga. O que dizer diante de um fato desses? Como não deprimir face ao incomensurável descaso de todas as esferas de poder? Soma-se a isso ainda todo o resto - saúde pública no bagaço etc, etc... Fica um certo desânimo para escrever sobre o que quer seja. Estou numa fase de seca, nada me comove muito, e a indignação já está cansada de se indignar também. Eu estou cansada.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

à mercê


Não é apenas a vergonhosa incompetência da polícia que permitiu o assassinato de uma menina tão jovem. É tudo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Cidadão de quinta


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Uma das expressões mais claras do que seja nossa cidadania de quinta.
Todo dia Lu fala de algum colega que foi assaltado saindo da escola. Os malandros perguntam se mora perto ou longe, mas assaltam de qualquer modo.

Outro dia vinha eu pela rua da Glória e tive de entrar numa loja por conta de um grupo de meninos, não muito amigável, que se aproximava. Eu, que já sou reclusa, vou acabar virando prisioneira de fato.


01/09/2008 - ODia

Túneis já não isolam mais a violência no Rio Antes menos expostos, bairros da Zona Sul viram áreas de risco - Vânia Cunha

Rio - Rotina de assaltos está transformando bairros da Zona Sul — principalmente, Laranjeiras, Botafogo, Catete, Largo do Machado e Flamengo — em locais de medo. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam que, de janeiro a maio deste ano, foram registrados 112 furtos de veículos e 23 roubos a pedestres a mais que no mesmo período de 2007 na área do 2º BPM (Botafogo). Sitiada, a população busca alternativas.
Presidente da Associação de Moradores e Amigos de Laranjeiras, Marcos Vinícius Seixas diz que há um ‘toque de recolher natural’, já que todos evitam sair às ruas depois das 20h. Ele criou uma rede de comunicação: “São 500 e-mails cadastrados. Passamos os telefones das polícias, para que qualquer um possa comunicar as emergências”, conta.

Marcos luta por policiamento comunitário. “Pedimos ao secretário de Segurança (José Mariano Beltrame) que a guarda do Palácio Guanabara estendesse o patrulhamento a outras ruas. Se tivesse pelo menos um policial em cada uma das nove áreas do bairro, isso inibiria a ação dos bandidos”, diz.
Quem vai a Botafogo sabe que deve ter cuidado, principalmente nas passagens subterrâneas junto à praia. “As pessoas se arriscam a atravessar as pistas, com medo de serem roubadas no túnel. Os ladrões usam até cacos de lâmpadas”, reclama a presidente da Associação dos Amigos da Praia de Botafogo, Maria Alice Costa.

Junto com ela, o coordenador de esportes do bairro, Gerson Guerreiro, recolhe assinaturas para enviar à Secretaria de Segurança. “Queremos cabine da PM e um quadriciclo para o patrulhamento. Perdemos 30% dos alunos dos projetos esportivos”, lembra Guerreiro.

População de rua é agravante
O secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, afirma que a população de rua cresceu 40% desde o ano passado, devido a fatores como a migração das favelas. “Para não morrer nas mãos de traficantes ou milicianos, muitos fogem de comunidades em Jacarepaguá e Zona Oeste, por exemplo. Mas há a falta de abrigos e as operações em Copacabana e Ipanema, que fazem com que migrem para bairros vizinhos ”, observa.
Em nota, a Secretaria Estadual de Governo informou que as operações CopaBacana e IpaBacana coibem irregularidades e acolhem moradores de rua. O delegado da 9ª DP (Catete), Fábio Costa, reconhece a onda de violência que atinge a Zona Sul. Tanto que mapeou as áreas com maior incidência de roubos: avenidas Augusto Severo e Beira-Mar, na Glória, e Infante Dom Henrique, no Flamengo; Caminho do Aterro; Praia do Flamengo; e ruas da Glória e das Laranjeiras.
“Esses endereços concentram 65% dos roubos. A maior parte dos crimes é cometida por homens entre 20 e 25 anos”, afirma. Segundo ele, não há como fazer patrulhamento ostensivo. “A PM tem conhecimento desse dado”, alerta Fábio. O delegado quer criar um banco de dados para cadastrar adolescentes recolhidos pela prefeitura. A idéia é pedir à Vara da Infância e ao Ministério Público que os coloque em abrigos por mais tempo.

MÃE CRIOU SITE PARA VÍTIMAS
A historiadora Carmem (nome fictício) criou comunidade no Orkut para conscientizar sobre a importância de mobilização. A atitude veio em reação ao assalto que a filha sofreu, há duas semanas, quando voltava da escola, no Catete. Além de roubarem o celular, três homens agrediram a jovem, de 15 anos.
“A intenção era desabafar, para não explodir de raiva. Minha filha ficou quatro dias trancada, com medo de sair de casa. O médico disse a ela que agora é realmente carioca, porque foi assaltada. Não nos resta escolha, a não ser nos mobilizarmos contra todo esse desrespeito que tomou conta da cidade”, diz Carmem, que registrou o assalto e comunicou ao Disque-Denúncia (2253-1177) roubos que colegas da menina sofreram. Procurado, o comandante do 2º BPM (Botafogo), coronel Gilleade Amaro, não retornou.

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sábado, 12 de julho de 2008

o caos nosso de cada dia



Nossa, o país assiste abestado a uma das maiores disputas de poder, dinheiro e espaço dos últimos tempos. Entraram no ringue agora as instâncias máximas da justiça brasileira, fazendo um papel triste e desprezível, quando menos porque nenhum pobre jamais foi solto por decisão do supremo em tempo recorde como esse sujeito tem sido pelo gilmar mendes, e as forças ocultas do mal, que vivem nas sombras do estado e a suas expensas há infinitas eras, chafurdando na lama da corrupção, das alianças espúrias, das licitações compradas, enfim, nesse caldo inesgotável de baixezas em que apraz deleitar-se nossa pior elite.
Junte-se a isso a diária marcação da bandidagem sobre a população carioca, que recebe tiros por todos os lados, e podemos dizer que a vida não tem sido exatamente um mar de doçura por essas plagas.
Em tempo: torço pelos mocinhos da PF, acho impressionante que ainda exista uma parcela da instituição policial imune à corrupção e torço, claro, pelo juiz Fausto De Sanctis que, além de paladino, tem esse nome incrível.

terça-feira, 8 de julho de 2008

A barbárie cotidiana

Eu comecei e ver na TV o pai falando mas não aguentei, chorei junto e mudei de canal. A vida de todos nós virou moeda de vintém por essas terras. O que nos fez chegar a isso? Como sair dessa? Para onde ir?

8/7/2008 03:04:00 - ODIA

Rio - Horas depois de a morte cerebral de João Roberto ser confirmada, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que o caso é uma tragédia sem desculpas, resultado de uma ação infeliz e desastrosa dos PMs envolvidos na perseguição, em razão da falta de preparo e treinamento.
Não há desculpas numa tragédia dessa. Foi uma ação infeliz. Eu, como pai e policial, me sinto constrangido com essa situação. Houve um total despreparo e falta de discernimento dos policiais”, criticou Beltrame. Os soldados William e Elias foram presos administrativamente por 72 horas, no próprio batalhão. As armas foram apreendidas e serão confrontadas com projéteis retirados do corpo de João.
[...] Moradora do prédio em frente, uma dona-de-casa disse que os bandidos ainda deram dois tiros com o carro em movimento. Eles bateram em dois carros parados no sinal, para abrir caminho. “Depois que fugiram, a PM chegou. Eles descarregaram as armas, foi quase um minuto de tiro. A mãe gritava: ‘Socorro, só tem criança aqui’. Mesmo assim, fizeram a mulher deitar no chão. Quando um deles viu o menino ferido, colocou as mãos na cabeça, desolado. Foi uma cena de filme de terror”, lembrou.
Nos prédios em volta, não havia marcas de disparos nas fachadas. [...]

quinta-feira, 22 de maio de 2008

CPMF NÃO!

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Se alguém encontrar em algum blogue ou site uma espécie de adesivo com a expressão CPMF DE NOVO NÃO!, eu gostaria muito de colocar aqui. Não faço um porque não sei fazer, mas acho que todo mundo devia se manifestar mais intensamente, uma manifestação maciça na rede contra essa imoralidade. A gente não pode impedir os corruptos de se elegerem de novo (o povo manda, o povo quer...), mas podemos nos manifestar de um modo mais amplo e organizado. Eu realmente fico muito pau da vida com esse imposto, especificamente este eu acho de uma violência absurda.