Mostrando postagens com marcador sobre fotografia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sobre fotografia. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de dezembro de 2008

o punctum



A câmara clara é um réquiem de Barthes para sua mãe, recém falecida então. O livro é escrito para falar da saudade, da dor, da perda, do luto da mãe, dessa ausência que a fotografia recupera por brevíssimos instantes, no relance de alguma foto perdida no passado. Numa foto em particular, a Foto do Jardim de Inverno, ele descobre uma criança (a criança que sua mãe fora).

A respeito dela, Barthes observa: “Nessa imagem de menina, eu via a bondade que de imediato e para sempre havia formado seu ser, sem que ela a recebesse de ninguém; como essa bondade pôde provir de pais imperfeitos, que a amaram mal, em suma: de uma família?”.

Essa foto será exemplar com relação ao conceito de punctum com que ele trabalha (“o punctum de uma foto é esse acaso que, nela, me punge (mas também me mortifica, me fere”).

Na verdade, será também para falar desse punctum que o livro se escreve – trata-se daquilo que atua subjetivamente na percepção do Spectator, um detalhe, alguma coisa parcial que diz a alguém algo não previsto.
Das várias fotos que Barthes traz para nos fazer ver com ele o que o punge lá, ou cá, surpreende o que ele vê e eu não; o detalhe que o fere nem sempre coincide com minha escolha, e por isso será sempre subjetivo, pessoal.

****

Acho que leio hoje esse livro de modo diferente do que o fiz há alguns anos. O interesse pela fotografia agora torna-o imprescindível. Gosto de tudo nele – das fotos, da maneira como compreende a fotografia, da forma como expõe absurdamente seus sentimentos, seu luto, sua dor.


****

Ao longo das 39 horas de meu curso, fiz mais de uma centena de fotos, algumas de que gosto, outras nem tanto, e muitos equívocos, com os quais também aprendi. No entanto, não há uma foto, sequer umazinha, para a qual eu possa olhar e dizer: isso me fere, há aqui um punctum a me mover de mim mesma. E penso: só é possível haver esse encontro com fotos muito antigas? Em preto e branco? (É preciso observar que fotos ‘jornalísticas’ e/ou socialmente comprometidas não respondem ao conceito expresso por Barthes, não é disso que se trata).

****

De todo modo, há uma foto minha antiga em que vejo profundamente o que o autor me diz. Trata-se de uma foto de infância, e o ponto-que-toca está nos sapatos que eu criança estou usando. A história, para mim, desse par de sapatos é impossível de ser comunicada a outrem, a não ser como isso mesmo que o nome diz: história. Mas posso ficar horas olhando para aquele branco, na esperança de ter de novo a magia do cheiro dos sapatos jamais vistos antes.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Outros olhos

____
Bom, estou meio que em outro mundo de frases e, por enquanto, o que estou podendo ler são coisas como:


"O conjunto de lentes que forma uma objetiva redireciona os raios que passam por ela, de modo que dois ou mais raios vindos de um mesmo ponto do objeto fotografado caiam no mesmo ponto dentro da câmera."


Como eu fico umas três horas para entender o que o sujeito está querendo dizer, e outras três tentando me concentrar nisso, os livros verdadeiros e amados continuarão um pouco na fila, mas acho que vou começar a levar algum para o curso, assim vou lendo pelo caminho.


****

Ontem vi que as barraquinhas da Primavera dos Livros no Museu da República, de que o Kovacs deu notícias em seu blog, já estão sendo armadas para a festa que começa na quinta, oba... mas não sei mais onde colocar novos livros nessa minha fila parada.


****

A aula de ontem foi como a frase lá de cima, tinha de fazer esforço pra entender e acordar, mas não vou desistir, de jeito nenhum.


****

E entre dois aventureiros, um jovem que está começando a viver uma aventura extraordinária pelo mundo, e outro mais velho, bonitão, que já conheceu o mundo todo, tem por hobby viajar e ama ser ouvido por todos sobre suas andanças, qual me chama mais a atenção, heim, heim? O jovem, claro, e fiquei pensando por quê. Porque nele eu colo minha fantasia, o roteiro está em aberto e eu posso viajar também na imaginação, e acho talvez mais fascinante do que a própria viagem.


****

É o que temos por hoje. E vamos às paralaxes.