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terça-feira, 20 de julho de 2010

ainda o dicionário analógico

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Pois foi só Anna comentar aqui sobre o Dicionário analógico da língua portuguesa para eu perceber que também sentia a mesma falta desse livro, que sempre pareceu um ente encantado a que só Chico Buarque tivera acesso ao longo de sua vida (e vasta obra), por uma menção feita numa entrevista, em priscas eras, onde dizia que usava muito esse dicionário para compor.  Fiquei sempre de orelhas antenadas para ele, e quando o vi ali, mesmo com essa capa tão feinha, o apelo foi irresistível, porque é como se o conhecimento das palavras e seus correlatos nos levasse a um mundo onde só elas habitam (as palavras), com seu poder de sedução e sortilégio, como já nos disse o definitivo poema de Drummond.

Pois vejam se não é uma viagem para a terra do nunca (e da poesia) um amarelo como esse:

amarelo, lourejo, amarelidão, amarelidez, cor baça, cor de mel, açafroamento, almécega, goma, guta, creme, açafrão, açaflor = croco, limão, cádmio, enxofre, topázio, âmbar, cidra, alambre, carabé, jenolim, jalde, macicote, gema, ouro, plaquê, laranja, ocra, ocre, icterícia, hepatite, xantopsia, ocrósia, xantocromia, xanteloma, xantelasma, xantoma, xanto, xantose, xanteína, cor de doninha.

Além de tantas palavras de sonoridade estranha e sentidos desconhecidos, a meus ouvidos e olhos, o encadeamento é mesmo quase um poema, e "cor de doninha" como fecho me parece supimpa!

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