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Convidada por uma grande amiga, fomos ver Por um fio, peça baseada em livro de Dráuzio Varela sobre alguns de seus pacientes com câncer terminal, e ao longo da peça me deu muita vontade de ler o livro, porque os esquetes parecem mais textos do que dramaturgia, embora alguns casos contados - como o do irmão do autor, sobretudo - emocionem e façam pensar sobre essa coisa louca que é estar vivo e poder morrer a qualquer instante, uma consciência que um paciente de câncer agudiza, por várias razões, entre elas o inesperado de tudo.
Acho que os melhores momentos da dupla de atores se dá quando entra em cena o ator - Rodolfo Vaz - porque ele encena mais suas falas, muda inclusive o tom da voz, imprime humor ao que diz, enquanto ela - Regina Braga - tem menos êxito em suas dramatizações, embora demonstre um notável domínio da voz e das nuanças de tom ao falar.
De todo modo, algumas histórias realmente tocam, outras passam como se alguém nos contasse sobre esses casos - cada de um de nós já ouviu (ou viveu) algo parecido e se identifica, claro.
Achei muito bom o cenário, mesmo que uma certa platitude se perceba ao sugerir o outono das vidas que se narram com as folhas secas e os bancos vazios da praça - mas é bonito, e serve com louvor aos fins de pontuar o que se desenrola no palco.
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domingo, 9 de agosto de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
In on it
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Eu não vou ao teatro há uns dez anos talvez. Parei de ir porque era muito constrangedor estar tão perto de atores medíocres, falando frases medíocres - e eu acredito que o espaço da encenação teatral é muito forte, não se deve usá-lo tolamente, faz muito mal para quem assiste ver uma peça ruim, atores ruins.
Além disso, eu já havia visto aqueles acontecimentos teatrais viscerais na minha giuventú - O rei da vela (1971), Equus (1975), Trate-me leão (1977) e Aquela coisa toda (1980), com o Asdrúbal trouxe o trombone, O arquiteto e o imperador da Assíria (1970), Hoje é dia de rock (1971), A China é azul (1972), Macunaíma (1978), na genial direção de Antunes Filho. Também vi a magistral interpretação de Cacá Carvalho para Meu tio, o Iauaretê, em 1986. (Tá certo, faz muito tempo, mas e daí? Não tenho culpa se as coisas realmente boas aconteceram há tanto tempo).
Enfim, já tinha visto muita coisa ao longo da vida e não dava mais para assistir às mediocridades que pairavam sobre a cena teatral das últimas décadas.
Tudo isso para dizer que hoje retornei à sala mágica e vi um espetáculo deslumbrante, In on it, em que dois atores - Fernando Eiras e Emílio de Mello - recolocam para mim a grandeza e a magia do teatro, numa peça que emociona, faz rir e faz pensar, mas, sobretudo, que lida com a inteligência do espectador, que entra em sintonia não apenas com nossas emoções, mas joga com diversos níveis de encenação - tudo para falar de vida e morte, de perdas, rupturas, alegrias, enfim, das fragilidades e forças que nos constituem.
Ambos os atores dão um show de talento, entrega, emoção e sensibilidade, e o Fernando Eiras tem alguns momentos magistrais, em que a gente percebe o trabalho minimal de composição, perfeita.
Além disso tudo, o Oi Futuro é um teatro ótimo, dá para ir a pé e o horário não podia ser melhor, 19h30min. E vai até 28/06.
Também tem homepage interessante em http://inonit.wordpress.com/
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sábado, 5 de julho de 2008
Hamlet

Pelo que vi no making off do Multishow sobre Hamlet, a peça deverá ser o acontecimento teatral do ano. O empenho da equipe, a entrega de todos ao projeto, a crença do Wagner Moura na força do palco e do teatro como catalisadora das grandes questões do homem e da sociedade em todos os tempos, remetem a sua época de ouro (para mim e para minha geração), quando ver grandes espetáculos era um acontecimento não apenas da cultura, mas um ato político de contestação e resistência. Ainda não li nenhuma crítica especializada sobre o trabalho, mas torço por e faço figa para dar certo. Achei bonito todo o empenho.
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