Amor pleno, de Terrence Malick, promete muito e oferece (para mim) pouca coisa.
Pra começar, a linguagem do filme, à la Árvore da vida - ou seja, cenas leentas, narrador falando e comentando as possíveis ações, quase ação nenhuma - não me parece adequado ao tema de que trata. Se no outro filme há uma interrogação mais metafísica, talvez, a respeito do amor em família e do sentido dos valores, aqui trata-se de um tema menos, diria, candente. Dois apaixonados que são flagrados no momento em que começam a se amar, e que desenvolvem relações que são intensas a um tempo, depois esfriam, escapam pelas mãos, são traídos e traem, brigam e fazem as pazes - tudo isso numa espécie de sonho, em que quase nada é dito de forma clara (sim, como os sentimentos, seria a ideia), mas me parece que é tempo demais diante de imagens quase iguais, tirando o décor de Paris (lindíssima) e o outro para onde se mudam, de um rancho no interior dos EUA (um nada no meio do nada - ver Paris Texas, sem o timing).
Já aí começam os problemas, para esta espectadora - não há hipótese daquilo dar certo por muito tempo, porque as diferenças de espaços geográficos vai configurando também a distância, vamos chamar de cultural, mas é mais do que isso, entre os universos dos dois amantes. E a menina, de 10 anos, filha dela, é a primeira a tomar consciência da situação, meio óbvia. O fato de Ben Affleck quase não falar, salvo raros momentos ("fulana, você quer ir morar nos Estados Unidos"?, ou seja, pouquíssima consistência) dá ao personagem uma aura de - nada. Não é enigmático, não é denso, não é profundo, não é nada. E a atriz que vive a amada Marina, Olga Kurylenko, expressa alegria e jouissance dançando pelo prado, levantando os braços para o alto, curtindo cavalos ao ar livre, e constroi seu personagem como pode, mas não vai muito longe, porque tudo é meio falso, vago, sem costura, embora esteja um pouco melhor do que o Affleck, por dar a impressão de que o filme se move em torno dela, de seus percursos e percalços. Entre uma saída dela de casa e sua volta, Neil (Affleck) tem tempo de re-encontrar uma antiga namorada, vivida por Rachel McAdams - e ela fala mais, portanto me parece melhor no papel do que os dois atores principais. E esta, no campo da simbologia dos animais, se relaciona melhor com búfalos, muitos deles, numa cena que se tiver sido real precisou de muita coragem de ambos.
E tem Javier Bardem, vivendo um padre em estado terminal de dúvidas e de desesperanças (li em algum lugar que a protagonista se envolve com o padre - isso só numa mente delirante, não há nada disso no filme que eu vi, até o fim estoicamente, e são quase duas horas de lentidões. Ela vai à igreja e se confessa para tentar entender o que está acontecendo com ela, com o fim do amor. Não há nem resquício de nada entre eles). Bardem fala em off, mas usa sua própria e linda voz, daí ter uma individualidade mais marcada, uma existência menos etérea. Ele explicita seu sofrimento, sua incapacidade de continuar naquele purgatório que se tornou sua função evangelizadora. É quando ele aparece, fazendo visitas aos habitantes do lugarejo, que o lado pobre e quase indigente do lugar se faz presente. Mas não é por isso que a presença de Bardem na tela adquire mais densidade. É porque ele é muito bom, ele é incrivelmente bom onde quer que esteja. Ele fez o melhor que pode com o que lhe pediram, e suas palavras tinham substância. Ele as dizia com convicção, sendo o imenso ator que é. A melhor e mais significativa parte do filme é quando ele está presente, pena que por menos tempo do que deveria.
E tem a edição, que me pareceu estranhíssima, mesmo sem entender de sua tecnicalidade, há uma sensação de que se quis fazer algo que não se realizou, não tem costura, fica solto demais, e não me convenceu, em quase nenhum momento (salvo Bardem, talvez).
Se ao menos eu soubesse pra onde a Marina vai no final - que lugar é aquele, por que ela grita para os cavalos (sim, óbvio que ela está... revoltada? livre? perdida? feliz? infeliz?). E, de novo: ela dança em direção ao nada, naquilo que parece ser outro fim de mundo? Se pelo menos eu soubesse onde é esse lugar (há pistas, monumentos, mas não os reconheci, hélas) saberia se tem alguma chance de haver outra expressão além daquela de total perdição, que fecha o filme.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
sábado, 27 de julho de 2013
a Jornada cansa
Tá certo, a cidade está cheia de jovens alegres, otimistas, simpáticos, em bandos de mãos dadas, falando muitas línguas, e mesmo no frio e com chuva eles não arredam pé de Francisco que, aliás, tem-se mostrado uma simpatia, uma pessoa muito positiva e bom astral.
Mas gostaria de ter a cidade de volta, me sinto meio acuada porque onde quer que pense em ir acho que a volta será um caos. Na quinta fui a Botafogo com intenção de ver um filme na Voluntários, mas a missa ou o encontro com o Papa seria às 19h, daí eu achei que não teria uma volta tranquila, era uma multidão caminhando pelas ruas, tanta, mas tanta gente que eu fiquei meio aflita, porque não quero participar de cortejos, ou de qualquer ajuntamento, seja pro que for. Além disso, esse helicóptero que sobrevoa minha cabeça por várias horas ao dia, muito perto, muito, faz um barulho infernal, daí estou mais estressada do que o costume. Parece que alforria só na segunda feira.
Mas se a cidade estiver ganhando mais do que gastando, então fico em casa sem reclamar, mas tenho cá minhas dúvidas - alguém acredita que os prejuízos no e com o Campus Fidei, em Guaratiba, vão passar ao largo do Estado e/ou do Município, ou seja, dos nossos bolsos? Nem a mais crédula das almas, acho.
Mas tenho que reconhecer que Francisco é uma simpatia, quase amor - se bobear, sai nesse bloco no carnaval, e gosta.
Mas gostaria de ter a cidade de volta, me sinto meio acuada porque onde quer que pense em ir acho que a volta será um caos. Na quinta fui a Botafogo com intenção de ver um filme na Voluntários, mas a missa ou o encontro com o Papa seria às 19h, daí eu achei que não teria uma volta tranquila, era uma multidão caminhando pelas ruas, tanta, mas tanta gente que eu fiquei meio aflita, porque não quero participar de cortejos, ou de qualquer ajuntamento, seja pro que for. Além disso, esse helicóptero que sobrevoa minha cabeça por várias horas ao dia, muito perto, muito, faz um barulho infernal, daí estou mais estressada do que o costume. Parece que alforria só na segunda feira.
Mas se a cidade estiver ganhando mais do que gastando, então fico em casa sem reclamar, mas tenho cá minhas dúvidas - alguém acredita que os prejuízos no e com o Campus Fidei, em Guaratiba, vão passar ao largo do Estado e/ou do Município, ou seja, dos nossos bolsos? Nem a mais crédula das almas, acho.
Mas tenho que reconhecer que Francisco é uma simpatia, quase amor - se bobear, sai nesse bloco no carnaval, e gosta.
terça-feira, 23 de julho de 2013
uma peça e dois filmes
Filmes vistos de que gostei: Augustine e Renoir.
No primeiro (direção de Alice Winocour), me marcou o fato de que aqueles médicos que tratavam doenças mentais no final do século XIX, Charcot incluído, foram os primeiros a usar a experiência médica como trampolim para a atualização de suas fantasias sexuais exacerbadas, privando de cenas de erotismo explícito sob o manto da neutralidade científica, quando mulheres jovens ou não expunham-se em público, como cobaias, tendo crises histéricas que mais valiam como uma catarse de masturbação explícita, e os olhinhos daqueles senhores quase senis na audiência da sala austera de Salpêtrière exsudavam lubricidade. Augustine (vivida com grande intensidade pela atriz Stéphanie Sokolinski), foi entendendo aos poucos o que estava acontecendo e dá uma volta de mestre naquele circo todo, e se acaba se safando. Mas o interessante é que sua alma nobre só pode fazer aquilo porque se envolveu afetivamente com Charcot, e guiada por esse afeto ela pode entender, resolver seu problema erótico com ele e sair fora com altivez. Filme ótimo, para as mulheres sobretudo, porque pode ser lido como uma forma de arte importante sobre a história de sua emancipação, bem como pela exposição clara do modo como a ciência atuou ao longo do tempo na domesticação e no uso do corpo da mulher. Participação da bela Chiara Mastroianni como a mulher de Charcot, e uma ótima atuação, embora um tanto rígida demais, de Vincent Lindon como o neurologista.
Renoir (Gilles Boudon) expõe um velhinho (vivido por um ótimo Michel Bouquet), já no final de sua vida produtiva (1915), com as mãos em estado miserável por causa da artrite, mas ainda pintando, e todo o tempo cercado por muitas mulheres que cuidam dele, de todas as maneiras: lavam, cozinham, carregam na cadeira pra cima e pra baixo, esfregam e fazem outras dádivas também. Até que aparece essa linda jovem modelo, a linda e boa atriz Christa Theret, que vai posar pra seus nudes. Eles acabam ficando muito próximos e o filme sutilmente sublinha o apego inelutável de Renoir ao corpo feminino, e aos apelos do corpo, mas será o filho, o futuro cineasta Jean Renoir, a casar com a moça ao final.É um filme que expõe não apenas as agruras de um grande artista já no fim da vida, sob as restrições de uma doença que atingia o cerne de sua arte, mas igualmente sua obsessão por fazê-la à altura de suas altas exigências. Quanto às luzes dos corpos que, mesmo no ocaso, brilham para ele, lembrei de um conto mínimo e feroz de Clarice, 'Ruído de passos', que compõe A via crucis do corpo. Está tudo lá, e cá.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
E-reader, livros e injustiças tantas
O primeiro e-reader a gente esquece? Acho que não, eu estou adorando esse minúsculo Kindle que me chegou hoje, e o primeiro livro a habitá-lo é uma homenagem a uma amiga que me falou dele com muita alegria: Vale tudo - Tim Maia, do Nelson Motta.
Estou achando muito prático, bom de manusear, de ler na cama, levíssimo, enfim, muito bom. Mas como estou numa fase de seca de livros, leio ao mesmo tempo A lua de verdade, do Isaias Pessotti, parte do enorme estoque dos 'a ler'. E contrariando minha regra de não comprar nada até baixar o estoque, acabei ficando animada com comentários aqui e ali a respeito desses 'de papel' e acabei adquirindo, ou estão a caminho: Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas; Copacabana dreams, de Natércia Pontes; O encantador: Nabokov e a felicidade, de Lila Azam Zanganeh, que achei uma pessoa de luz depois de ler uma entrevista dela por conta da Flip; Como aprendi o Português e outras aventuras, de Paulo Rónai, com uma certa vergonha por não ter nada dele até agora, embora o admire muito, cuja indicação li no blog do Sergio Rodrigues, o Todo prosa; Rua da padaria, de Bruna Beber, de quem não conheço nada, mas comprei por conta de um post do Marcelino Freire, a cujo blog cheguei por um comentário encantador (e encantado) do Luiz Eduardo Soares, postado em seu facebook.
E enquanto escrevo isso, o povo do NINJA acompanha e filma a enésima manifestação contra aquele-que-diz-que-governa-esse-Estado: então, a trilha sonora desta postagem ecoa, com justiça, irada, reivindicatória, em contradição com o mundo que aqui se descreve. Ou não, talvez.
Estou achando muito prático, bom de manusear, de ler na cama, levíssimo, enfim, muito bom. Mas como estou numa fase de seca de livros, leio ao mesmo tempo A lua de verdade, do Isaias Pessotti, parte do enorme estoque dos 'a ler'. E contrariando minha regra de não comprar nada até baixar o estoque, acabei ficando animada com comentários aqui e ali a respeito desses 'de papel' e acabei adquirindo, ou estão a caminho: Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas; Copacabana dreams, de Natércia Pontes; O encantador: Nabokov e a felicidade, de Lila Azam Zanganeh, que achei uma pessoa de luz depois de ler uma entrevista dela por conta da Flip; Como aprendi o Português e outras aventuras, de Paulo Rónai, com uma certa vergonha por não ter nada dele até agora, embora o admire muito, cuja indicação li no blog do Sergio Rodrigues, o Todo prosa; Rua da padaria, de Bruna Beber, de quem não conheço nada, mas comprei por conta de um post do Marcelino Freire, a cujo blog cheguei por um comentário encantador (e encantado) do Luiz Eduardo Soares, postado em seu facebook.
E enquanto escrevo isso, o povo do NINJA acompanha e filma a enésima manifestação contra aquele-que-diz-que-governa-esse-Estado: então, a trilha sonora desta postagem ecoa, com justiça, irada, reivindicatória, em contradição com o mundo que aqui se descreve. Ou não, talvez.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
NINJAs, jornalismos etc
Li esse texto do jornalista Vladimir Cunha no facebook e achei-o tão perfeito que trago sua referência aqui, porque tudo que merece ficar, a despeito do tempo, seja de que ordem for, merece mais do que o espaço efêmero do jornal diário nas masmorras do facebook.
Acho que esses jovens do grupo NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) se apresentam como uma coisa realmente nova em nossa forma de fazer jornalismo, uma atividade que se tornou tão careta e tão comprometida com todas as formas de poder, há tanto tempo, que nos faz aclamar o ar novo que eles trazem, mesmo (ou sobretudo) quando se percebe uma pegada meio amadora, com imagens muitas vezes borradas, sem foco, mas mergulhadas no acontecimento e na paixão por ele, tentando nos mostrar sem ambivalências ou censuras (ao menos explícitas) o que está acontecendo no instante-agora. Por causa deles e de seu jornalismo "na veia", os jornalões estão sendo obrigados e publicar fatos que não podem mais ser ignorados: o jornal O globo acaba de fazer uma enorme matéria sobre os tentáculos de poderes que sustentam os transportes no Rio, com a conivência promíscua dos poderes municipais e estaduais,aqui.
O jornal O Dia também publicou matéria sobre os repórteres, descrevendo suas úlitmas façanhas, o que já é alguma coisa, mas faltou caracterizá-los melhor, dizer de onde vêm, o que pretendem, o que fazem além de ser NINJAs - ou seja, faltou uma matéria um pouco mais comprometida com o objeto.
PS. A foto acima vem deste último jornal, sem crédito de autor na matéria citada.
Acho que esses jovens do grupo NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) se apresentam como uma coisa realmente nova em nossa forma de fazer jornalismo, uma atividade que se tornou tão careta e tão comprometida com todas as formas de poder, há tanto tempo, que nos faz aclamar o ar novo que eles trazem, mesmo (ou sobretudo) quando se percebe uma pegada meio amadora, com imagens muitas vezes borradas, sem foco, mas mergulhadas no acontecimento e na paixão por ele, tentando nos mostrar sem ambivalências ou censuras (ao menos explícitas) o que está acontecendo no instante-agora. Por causa deles e de seu jornalismo "na veia", os jornalões estão sendo obrigados e publicar fatos que não podem mais ser ignorados: o jornal O globo acaba de fazer uma enorme matéria sobre os tentáculos de poderes que sustentam os transportes no Rio, com a conivência promíscua dos poderes municipais e estaduais,aqui.
O jornal O Dia também publicou matéria sobre os repórteres, descrevendo suas úlitmas façanhas, o que já é alguma coisa, mas faltou caracterizá-los melhor, dizer de onde vêm, o que pretendem, o que fazem além de ser NINJAs - ou seja, faltou uma matéria um pouco mais comprometida com o objeto.
PS. A foto acima vem deste último jornal, sem crédito de autor na matéria citada.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Woody chez moi
Já o Broadway Danny Rose tem um personagem (o tal Danny) impagável, com um Woody igualmente impagável, vivendo um agente de artistas um tanto improváveis, com exceção de um cantor, a quem ele se dedica completamente e que talvez faça uma carreira de sucesso. A história é contada por um grupo de homens, acho que agentes de artistas também, que estão numa mesa relembrando as histórias do Danny sob perspectivas ora cômicas, ora dramáticas - e ambas as perspectivas delineiam, com acerto, a natureza de sua existência. Ele é atabalhoado, confuso, fiel a seu 'povo das artes', quer fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora, enfim, é um caos em direção a algum lugar, sempre. E continua assim quando encontra, acompanha e busca levar a amante de seu cantor a um show importante que ele fará em breve, vivido por uma belíssima (e acho que usando roupas que a deixam mais, digamos, 'robusta' em algumas áreas) Mia Farrow (belos tempos aqueles ainda para os dois). Ela é uma despachada mulher, muito atraente (na verdade, Mia está lindíssima) e as coisas não acontecem bem como previsto ao longo do caminho dos dois, até quase o final - o bom final.
O filme é narrado por um dos homens do grupo, um recurso muito bem utilizado, aliás. E tanto ele, quanto ela, estão excelentes. Gostei muito, acho que o preto e branco nos aproxima daquele universo de paixões excessivas dos filmes italianos, talvez haja alguma homenagem aos clássicos de Fellini, uma certa atmosfera dos grandes dramas de amor ali ressoam.
Ainda a ver ou rever:
Para Roma com amor
Você vai conhecer o homem dos seus sonhos
Manhattan
A última noite de Boris Grushenko
Bananas
A rosa púrpura do Cairo
Crimes e pecados
Dorminhoco
Nannah e suas irmãs
Simplesmente Alice
Neblina e sombras
Setembro
A era do rádio
Memórias
Zelig
Sonhos eróticos de uma noite de verão
Interiores
A outra
Noivo neurótico, noiva nervosa
Tudo que você queria saber sexo mas tinha vergonha de perguntar
segunda-feira, 8 de julho de 2013
cri cri
Tosse seca, quentura-quase febre, mal estar - oh, saco! E olha que tomei a vacina contra gripe, sempre tomo, mas isso deve ser outra coisa. Vou tentar ir ao médico amanhã. Por que fico tão irritada quando estou doente? Não basta estar doente, ainda tem de ficar de mau humor?
Mas usando casaco e cachecol, vi o filme dos mágicos (Truque de mestre, Louis Leterrier) e gostei muito - envolvente, truques bem feitos, mágicas ótimas e uma historinha final fraca mas ninguém liga, quer mais é acompanhar a busca detetivesca frenética e cheia de efeitos especiais. O final parece, mais do que imprevisível, uma ótima jogada. Atores ótimos, atriz ótima: Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Woody Harreston, Isla Fisher. E, de lambuja, Morgan Freeman e Michael Caine - timão.
Mas usando casaco e cachecol, vi o filme dos mágicos (Truque de mestre, Louis Leterrier) e gostei muito - envolvente, truques bem feitos, mágicas ótimas e uma historinha final fraca mas ninguém liga, quer mais é acompanhar a busca detetivesca frenética e cheia de efeitos especiais. O final parece, mais do que imprevisível, uma ótima jogada. Atores ótimos, atriz ótima: Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Woody Harreston, Isla Fisher. E, de lambuja, Morgan Freeman e Michael Caine - timão.
sábado, 6 de julho de 2013
Orquídeas, adubos e uma certa moça
Hoje fui ao Museu da República ver a exposição de orquídeas, tomar sol e caminhar um pouco. Não tenho plantas em casa, salvo essa senhorita aqui, totalmente inexpressiva (desculpe, querida, mas é um fato), de que cuido muito mal, e não entendo como ela teima em sobreviver. Acho que mais ela cuida de mim do que eu dela, embora sempre tente deixar bastante água quando viajo - até hoje ela tem sobrevivido a mim.
Mas acho que todo mundo que vê orquídeas, um monte delas, tendo ou não jeito com plantas, enlouquece um pouco e acha que pode ter uma, ou duas, ou várias. Eu também achei isso e acabei comprando duas: uma pequenina, pela delicadeza (e preço mais em conta. Seu nome: Phalaenopsis):
Outra pelo cheiro - eu nem sabia que orquídeas tinham perfume e o dessa, cujo nome é Zygopetallum Mackay, é maravilhoso - delicado, mas intenso:
O que eu não sabia, salvo quando coloquei a bela em cima de minha mesa e sentei-me para lanchar diante dela, é que o adubo usado em seu vaso tinha estrume. Então, aqui estou com uma lindinha e delicada flor, que tem um perfume encantador, e ao mesmo tempo um cheiro fétido vem do vaso, até dor de cabeça já me deu. Amanhã volto lá para perguntar ao expositor qual adubo posso usar pra trocar esse aqui. Se não puder trocar, adeus bela flor.
Aliás, Machado tem um trecho nas Memórias póstumas de Brás Cubas muito adequado para a situação, sobretudo por sua crueldade clássica, que dá bem uma ideia do impasse aqui. Por sorte, achei suas referências: está no capítulo XXXIII, com o seguinte título: "Bem-aventurados os que não descem":
O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a natureza é às vezes um imenso escárneo. Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita? Tal era a pergunta que eu vinha fazendo a mim mesmo ao voltar para casa, de noite, sem atinar com a solução do enigma. O melhor que há, quando se não resolve um enigma, é sacudi-lo pela janela fora; foi o que eu fiz.
_____
PS. Não se trata de estrume no vaso, mas da decomposição natural do adubo, preciso esperar a floração acabar e aí posso mudá-lo. É por isso que não tenho plantas, todas precisam de cuidados e essas então, são fresquíssimas, quero ver quanto tempo duram com essa senhora impaciente aqui.
Mas acho que todo mundo que vê orquídeas, um monte delas, tendo ou não jeito com plantas, enlouquece um pouco e acha que pode ter uma, ou duas, ou várias. Eu também achei isso e acabei comprando duas: uma pequenina, pela delicadeza (e preço mais em conta. Seu nome: Phalaenopsis):
Outra pelo cheiro - eu nem sabia que orquídeas tinham perfume e o dessa, cujo nome é Zygopetallum Mackay, é maravilhoso - delicado, mas intenso:
O que eu não sabia, salvo quando coloquei a bela em cima de minha mesa e sentei-me para lanchar diante dela, é que o adubo usado em seu vaso tinha estrume. Então, aqui estou com uma lindinha e delicada flor, que tem um perfume encantador, e ao mesmo tempo um cheiro fétido vem do vaso, até dor de cabeça já me deu. Amanhã volto lá para perguntar ao expositor qual adubo posso usar pra trocar esse aqui. Se não puder trocar, adeus bela flor.
Aliás, Machado tem um trecho nas Memórias póstumas de Brás Cubas muito adequado para a situação, sobretudo por sua crueldade clássica, que dá bem uma ideia do impasse aqui. Por sorte, achei suas referências: está no capítulo XXXIII, com o seguinte título: "Bem-aventurados os que não descem":
O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a natureza é às vezes um imenso escárneo. Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita? Tal era a pergunta que eu vinha fazendo a mim mesmo ao voltar para casa, de noite, sem atinar com a solução do enigma. O melhor que há, quando se não resolve um enigma, é sacudi-lo pela janela fora; foi o que eu fiz.
_____
PS. Não se trata de estrume no vaso, mas da decomposição natural do adubo, preciso esperar a floração acabar e aí posso mudá-lo. É por isso que não tenho plantas, todas precisam de cuidados e essas então, são fresquíssimas, quero ver quanto tempo duram com essa senhora impaciente aqui.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Modo frio
Um dos modos de enfrentar esse bem vindo friozinho, que não deve durar muito.
Hoje revi Meia noite em Paris e gostei demais - de novo. Há vários aqui que ainda não vi, que bom.
Hoje revi Meia noite em Paris e gostei demais - de novo. Há vários aqui que ainda não vi, que bom.
Assinar:
Postagens (Atom)







