sábado, 2 de fevereiro de 2008

Onde os fracos não têm vez

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Não sei bem se posso dizer que gostei de Onde os fracos não têm vez, porque é tanta violência, tanta morte, tanto buraco nos corpos, expostos de forma quase escatológica, que dá um pouco de aflição. O que se pode dizer com absoluta certeza é que Javier Barden está magistral, já que é o retrato magnífico da bestialidade, da maldade embrutecida, numa interpretação contida, sem grandes arroubos e por isso mesmo chocante. Não sei se se pode gostar do que se vê, ou apenas reconhecer um ótimo trabalho. Também o Tommy Lee Jones está ótimo, tem umas cenas em que ele personifica a própria desolação, o desalento, no que é ajudado por um rosto coberto de vincos e rugas profundas, muito bonito, acho bonito.

É preciso dizer que em vários momentos eu deixei de olhar, não gosto do excesso de buracos, de sangue, de pedaços de corpo, enfim. Não sei se gostei do filme ou se me deixei levar, como parecem se comportar seus personagens.

Ah, esqueci de falar que tive a impressão de que o filme tinha dois finais: um no momento em que ocorre a batida de carros, com os dois garotos ajudando etc, e o outro logo a seguir, com os devaneios de Tommy Lee sobre um sonho com o pai. Como eu já estava naquele momento quase congelando, não pude prestar toda minha atenção ao teor de suas confidências. Perdi algo?

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Um comentário:

Anônimo disse...

Fiquei ainda mais curiosa para ver o filme, Clara! Não pela violência explícita dos buracos nos corpos, que isso também me dá aflição, mas pela atuação do Barden, que recebeu a dura incumbência de personificar um monstro, um sujeito que é a maldade pura, desprovida de sentido ou de paixão. Pelo seu comentário, parece que ele conseguiu. Quanto ao Tommy Lee Jones, devo concordar que aquelas rugas fizeram um bem enorme a ele...
Um abraço,
Cláudia