quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

ainda sobre paranoid park

Ainda sobre Paranoid Park (e depois de observações muito bonitas que li de alguém que prezo), vejo que no meu comentário, muito pessoal, ignorei a forma do filme, sua narração, esquecendo o que há de arte na "armação" de qualquer obra (nesse caso, na montagem), mas acho que não comentar era já um comentário. De todo modo, sobre isso:

1. Não gosto da técnica de repetição como efeito estético, quase nunca ela chega onde quer e sempre quer muito. Voltar recorrentemente à mesma cena dos garotos brincando de skate, subindo e descendo as paredes sinuosas do parque, não me estimula, ao contrário, me cansa, e penso logo: "tá, já vi isso, passa pra outra...". Sei que é o espírito totalmente contrário ao que pede o filme, mas não consegui responder ao que ele me propunha;

2. A montagem em blocos que vão e vêm, sem uma ordem linear, quase sempre, também não me convenceu. Pode ser que tenha a mesma finalidade da repetição (caracterizar os conflitos internos do personagem), mas a mim não disse nada, ou seja, não fiquei mais intrigada e interessada no filme, ao contrário, fiquei esperando impaciente que aquilo se explicasse, como afinal acontece.

3. Acho que os filmes deveriam dizer antes de sua apresentação qual o espírito que eles requerem, assim como se faz com a faixa etária: "é recomendado ao espectador estar com o espírito leve, esse filme requer suavidade de sentimento... etc, etc...". Se assim fosse, por exemplo, eu jamais, jamais de la vie teria ido ver Dogville, do Lars Von Triers, uma das experiências estéticas cinematográficas mais insuportáveis que já tive.

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