domingo, 15 de outubro de 2017

Um filme e meio: Thelma; Zama

Thelma, de Joachim Trier, foi um dos filmes mais interessantes que vi nesse Festival, em razão da história mesma, e do trabalho da atriz, Eili Harboe, que vive uma jovem super reprimida pelos pais conservadores e cristãos, e começa a ter ataques estranhos, semelhantes à epilepsia, em contato com situações inusitadas, sentimentos fortes, tipo tesão por uma nova amiga que vem a conhecer, por exemplo. Daí vamos não só acompanhar o presente de Thelma em sua entrada na Universidade, mas também seu passado, a partir dos exames a que se submete para investigar as possíveis causas de suas crises. Tudo que sabemos dela, a partir de então, será uma sucessão de acontecimentos inusitados, estranhos, surreais, com uma pitada de terror, em razão de que a batalha que ela terá de enfrentar face aos pais, à tradição familiar e a seus próprios valores e crenças religiosas, tal batalha só poderá ser vencida com ajuda de elementos surreais, sobrenaturais e de uma certa violência, que ela internaliza por absoluta necessidade, e joga de volta - quando, finalmente, ganha o jogo, a batalha contra o que a sufocava, e uma vida. Bom demais - falando assim não parece, mas é muito muito interessante, e ótimo de ver.


Zama, dir. Lucrécia Martel, só fui assistir por causa do Matheus Nachtergaele, mas já sabia que o universo onde o filme transita não me interessava: homens vivendo numa região como funcionários de um rei espanhol onipresente, mas ausente, de que veem apenas os desequilíbrios e as relações de exploração dos negros e das negras escravas, o viés colonialista, a degradação, esse mundo sobretudo de poder masculino e uso do corpo da mulher escrava, nada disso me interessa ver hoje, sob qualquer viés, e como já estávamos no meio do filme e Matheus nada de aparecer (ele deve ser o bandido que caçam depois, não sei) resolvi que nada daquele mundo me pertencia e parti, sem me arrepender. Fim.

PS: Como se sabe, isso aqui não é, nem nunca se pretendeu ser crítica de cinema - na verdade, são anotações, pequenos comentários escritos para eu não esquecer que vi, nem do que vi, já que os alemães se avistam a caminho, e podem bater à porta, who knows. 

De todo modo, o Bernardo Carvalho escreveu hoje, 29/10, um texto bem interessante sobre esse filme na Folha, aqui

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu escrevia melhor quando usava mais esse blog. Devia tomar vergonha na cara e voltar a escrever.