Depois de ver O regresso, a gente sai do cinema pensando que o Iñárritu, ao imaginar o filme, pensou de imediato em Leonardo DiCaprio, e também lembrou de parodiar o verso célebre de Drummond: 'Vai, Leo, ter seu Oscar na vida'. Porque o filme é do Leo, para o Leo, com a alma do Leo, e suas vísceras, quase literalmente. Nem importa mais se ele ganha ou não a estatueta. Acho que o público já deu - eu dou.
O filme marca-se por cenas deslumbrantes, em meio a florestas, árvores esplendorosas, altas, belíssimas, por onde os homens se caçam, se perdem, se matam, se acham, se perseguem, se protegem. E por rios, descidas violentas de águas, descidas em remanso, carregando ou não cadáveres, ou feridos. Há também montanhas geladas, e nevascas, e um céu para onde o Hugh Glass, personagem de DiCaprio, olha com certa frequência, de onde sua amada morta lhe sussurra caminhos, modos de se achar naquelas vastidões, ou brenhas.
E se fundamenta no embate entre a força de um homem, vivido por Leo, claro, contra a traição dos pares, que se tornam inimigos; contra os elementos da natureza (nevasca, frio, chuva) e contra a fúria dos animais, aqui representada pela já notória cena de luta entre ele e um urso grande, muito grande, de onde o personagem sai em frangalhos, mas vivo (é ficção, aventura, e invenção, claro). E onde, basicamente, começa sua viagem épica. Pois trata-se de uma jornada épica, de um homem solitário, em busca de vingança contra a traição e em busca de redenção para o filho.
Por isso, é também um filme de cenas estonteantes, de uma violência bruta, bárbara, e duas sobretudo marcam o espectador: a já mencionada luta com o urso, e o agasalho cavalar que ele se oferece a horas tantas, sob forte nevasca. Queria eu poder explicar melhor do que se trata, porque é muito incrível, mas prometi ser menos 'spoilenta', e calo-me. Mas tudo é grandioso ali, e ele vale muito as duas horas e meia. De ação, heroísmo, e muito sangue.

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