O filho de Saul (László Nemes, Hungria, 2015). Com Géza Röhrig, Levente Molnár, Urs Rechn, Todd Charmont, Sándor Zsótér.
Um dos filmes mais difíceis que já vi não apenas nos últimos anos, mas em minha vida. Uma experiência estética angustiante, em razão da câmera histérica que não para um segundo de se movimentar em torno desse homem, desse rosto, desse desespero que constitui a insana tentativa para salvar o corpo de um garoto que ele acredita ser seu filho - esse é o traço estético-formal que mais tem chamado a atenção de todos, críticos e espectadores.
Mas é o que se ouve por trás, o que se vê de relance, o que se percebe como sombra, gritos, correrias, dores lancinantes - é do que está em segundo plano que o filme trata, e essa, para mim, foi a angústia cortante que me trespassou ao longo da projeção. A horas tantas, não via mais o homem, mas os cenários que ele percorreu, entrando e saindo dos fornos, pedaços de gente sendo puxadas, filas imensas de pessoas indo 'fazer a desinfecção', covas e tiros e mortos e vivos e pedaços e tudo num amontoado delirante, de que aquele homem me pareceu a metonímia: louco, olhando sem se deter, focado em outro ponto de fuga, em outro lugar dentro dele, irracionalmente duro para fazer cumprir o ritual de um enterro quando a seu lado, atrás, em frente, sob qualquer ângulo, só havia morte e pó.
Uma experiência única, duríssima e desesperante, de devastação.
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Uma crítica muito boa, aqui:
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/14/cultura/1452782405_801210.html

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