
Um dos mais belos e emocionantes filmes sobre arte e criação, especificamente sobre a invenção da arte cinematográfica, estreitamente vinculada à capacidade de sonhar, de fazer um sonho se materializar no quadrado mágico da tela de cinema.
Terno, original, criativo, trágico, histórias que se interligam, mistérios que se imbricam em enredos às vezes singelos, às vezes intrigantes, sentimentais, tudo leva o espectador a não desgrudar sua atenção do menino que busca resolver o problema da máquina-robô, para conseguir entender o enigma do vazio afetivo, após a morte do pai.
Todo o tempo trata-se de afeto, ou sua ausência, ou como sobreviver a sua perda, como adquirir novas referências, ou seja, como continuar vivendo sem o amor real e verdadeiro, o apoio, o suporte. Encontrar saídas através das pegadas do pai, continuar escavando o mesmo objeto do desejo paterno, e também criar outros vínculos através dessa herança criativa, fazer dos sonhos a matéria de um lugar especial, de um tempo outro, e melhor - por e no cinema.
Scorcese (que faz uma pequeníssima ponta) consegue nos convencer, inteiramente, de que o cinema é uma saída feliz para o que na vida não cabe, o que nela é chato, pouco, insatisfatório, precário. E com essa magnífica invenção - seu filme, esse filme - ele faz uma das odes mais perfeitas à arte que ajudou a se tornar, sempre mais, uma prodigiosa máquina contra as limitações da realidade, um artifício capaz de superar a morte, fazendo ressurgir das cinzas o que aparentemente findara - calor, vivacidade, eloquência, beleza, vida, enfim. Há muito não via uma realização tão completa, e tão tocante.
2 comentários:
Eu também adorei o filme, me emocionei pacas! bj
Que bom, acho que merece todos os prêmios do Oscar!
beijo, clara
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