Vi pouca coisa do Oscar e ouvi menos ainda porque a TV do hotel estava com problemas no som. De todo modo, vi a Meryl Streep subir ao palco, mover a boca e não sei o que disse, mas vi claramenete a cara das pessoas, meio incrédulas talvez, e a da Rooney Mara estava impagável em sua gélida esfinge - nem um músculo se movia, o olhar me pareceu de pedra.
Acho que a Mara transmitiu no olhar, na reação, um pensamento que me passa sempre que a Meryl concorre ao Oscar: fica difícil competir com essa massa de entrega ao minucioso exercício da condição de atriz. Ela é um fenômeno semelhante ao de nossa Fernandona, uma pessoa que já extrapolou a simples condição de intérprete para tornar-se uma espécie de metonímia de sua profissão, a encarnação da entrega à arte em si, com sede de superar-se a cada novo desafio, a gente percebe - e nem sempre consegue, acho, mas estão lá a paixão, a seriedade, o trabalho feito com método e pertinácia. Agora vem pela frente uma outra modesta tarefa - representar Clarice Lispector, senhor desafio. Eh, Mara, ainda vai demorar pra você tirar essa sombra do seu rosto.
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