segunda-feira, 18 de julho de 2011

O homem ao lado, com spoilers

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De tudo que vi em O homem ao lado, parece que o importante ocorre mesmo no final. Toda a conversa que permeia o filme inteiro, os vaivéns dos personagens em torno daquela janela, tudo parece querer chegar a esse final imprevisível, como a vida é imprevisível. Indecidível: ele  deixa o homem morrer e resolve seu problema? Vai subindo a escada para abandoná-lo ou para pedir ajuda? O telefone ocupado da ambulância ajudou a consciência culpada do homem, deu-lhe a justificativa de que ele precisava para deixá-lo morrer? Ele morreria de qualquer modo, antes mesmo de a ajuda chegar? Por quanto tempo suportará aquele homem a culpa por ter deixado o outro morrer, sem muito esforço para impedir e/ou ajudar alguém que tomou um tiro porque foi proteger a filha do vizinho contra três assaltantes armados?

Ficamos no final pensando que aquele desfecho foi uma armação para atingir nossos corações de morte. E nos lembrar que a vida é frágil e breve e num átimo tudo se evola.
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Quanto a Blue Valentine (horrivelmente traduzido para Namorados para sempre, argh), muito emocionante aquela luta insana contra o fim de uma relação de dois jovens que se casaram basicamente porque ela ficou grávida, e nem era dele, talvez, e as vicissitudes da vida, os sonhos irrealizados, a frustração, o perrengue das coisas que não avançam, o cotidiano que vai comendo pelas bordas todo  encanto, todo o frescor que fecundara antes a vida de ambos. Como é triste e melancólico esse filme, como trabalham bem tanto a Michelle Williams, quanto o Ryan Gosling, ela dá um show de interpretação e tem um dos narizes mais lindos do cinema - acho que natural, quase certa disso.

De todo modo, falo do nariz dela para disfarçar a tristeza enorme que esse filme carrega. É muito bom, mas muito triste. E também porque vejo muito perto de mim uma paisagem semelhante a essa via sem saída.  

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