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Meu amigo Roberto enviou-me uma carta que leu no blog de outro amigo dele, e fiquei pensando se eu deveria imprimir a um blog de literatura uma postura mais ativa quanto à situação de desconcerto e de caos nos céus brasileiros, que redundou no desastre do avião da TAM, com tantas mortes e tanto descaso, tanta falta de vergonha das autoridades, e decidi que blog de literatura não tem de ser alienado, não, tem de estar situado no seu tempo, no seu país e tem de refletir sobre os acontecimentos fortes que nos atingem a todos. Portanto, republico aqui a carta indignada do Paulinho Assunção e faço minhas suas palavras, com as devidas indicações de origem:
CARTA ABERTA AO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Senhor Presidente,
deixo à margem o labor diário de um modesto escritor e jornalista brasileiro para um protesto (é pouco), uma indignação (menor ainda), uma raiva (melhor seria), diante dos atos (eu os chamaria de trogloditas) dos seus assessores Marco Aurélio e Bruno (não lhes concedo sobrenomes) no espaço público do Palácio do Planalto, os quais, tomados por um inconcebível e perverso êxtase frente à dor das vítimas do desgovernado espaço aéreo do país, decidem fazer do desrespeito uma arma de Estado.
digo-lhe, senhor Presidente, que os senhores Marco Aurélio e Bruno (moleques talvez fosse o termo para eles mais adequado), ao empunharem a obscenidade como carabina de governo, a obscenidade como ferramenta de governar, põem abaixo tudo o que milhões de brasileiros depositaram nas urnas em favor de sua eleição.
seu governo, senhor Presidente, é um governo que, ao manter em suas fileiras esses empunhadores de tamanha perversidade, torna-se igualmente cúmplice de um crime, o crime que leva alguém à tentativa de salvar a própria pele diante da dor alheia.
eles não salvarão a própria pele, senhor Presidente.
por quê? porque, de agora em diante, onde quer que os senhores Marco Aurélio e Bruno caminhem pelo brasil, os olhos dos brasileiros lá estarão para lhes lembrar que os gestos e as atitudes flagradas no Palácio do Planalto sempre os tornarão criminosos.
criminosos de um outro e hediondo feitio: criminosos do desrespeito, criminosos da dor humana, criminosos sobre cadáveres.
o país que amanheceu hoje depois dos atos acima mencionados, senhor Presidente, é um despaís, um arremedo de país, um engodo de país.
e o seu governo começa a ficar igual, senhor Presidente, se é que já não ficou.
Paulinho Assunção, Belo Horizonte, 20 de julho de 2007 (http://paulinhoassuncao.blogspot.com/)
NOTA: De tudo que se escreveu sobre essa enorme tragédia, acho que a matéria da Veja dessa semana (20 a 27 /07/07) faz as análises mais consistentes e verossímeis a respeito dos prováveis acontecimentos com o vôo e aponta as diversas causas da vasta crise aérea, a partir da incúria, incompetência e ganância dos gestores públicos e privados desse país.
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