quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A família Bélier

A família Bélier. Eric Lartigau, 2014. Nota 8,8

Impliquei um pouco com o filme por causa do ator, que tenho visto em quase todos os filmes franceses recentes. Mas fui capturada pela força de suas interpretações - Karin Viard, a mãe; François Damiens, o pai; e Louane Emera, a filha. Numa família em que todos são mudos, só a jovem filha fala, daí porque assumirá o papel de intérprete para os outros membros – filho menor, pai, mãe. Não apenas nas transações comerciais oriundas das vendas da fazenda, onde moram e trabalham, mas nas mais inusitadas situações – a da consulta ao ginecologista será apenas a mais engraçada.

Os atores fazem um trabalho extraordinário, expressando muitas e intensas emoções sem falar, utilizando o corpo (ela, um belo corpo, que aparece sublinhado), as mãos, os olhos, gestos, e a língua dos sinais. Acredito que não tenha sido fácil para eles aprender a se expressar, nesse nível, usando tal linguagem. Por outro lado, tal desafio para um ator pode ser muito enriquecedor, ou um fiasco completo. Aqui, todo o elenco saiu-se muitíssimo bem, e não sentimos falta de linguagem, até porque a certa altura a história da jovem assume a primazia, e passamos todos a torcer para que consiga fazer seu teste de canto em Paris.

E sua voz belíssima, a canção meio sentimental que interpreta, incorporando os pais em sua performance, deixam no espectador uma sensação boa, de que tudo pode, afinal, dar certo.

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