quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O mistério do samba: um dia bom


Ontem, terça-feira, foi um dia atípico em minha vida, bem movimentado. Começou com um email de um grande amigo, falando do jeito mais belo sobre um filme que havia visto, de como ele havia sido tocado pela força de nossa história - nós, que viemos do subúrbio carioca -, pela beleza das raízes tão fortes de nossa cultura sendo mostradas de um modo intenso, verdadeiro, alegre e tocante. Ele dizia que precisamos de filmes como esse, e o sentido geral do comentário era: que dão uma forma mais consistente a nós mesmos, que nos provêem com uma história em que nos reconhecemos, com formas que de algum modo nos pertencem. O filme é Mistério do samba, e acho obrigatório para todas as gerações.

No meu caso, muito do que vivi está ali, tanto do que sou também.
(Sem querer achar que sou entendida no assunto (não sou), mas qualquer leigo percebe que a fotografia do filme é um escândalo de bonita, só por essa foto de divulgação que eu coloquei já se percebe. Mas há muito mais, quase metade do filme é feito com fotogramas (será esse o nome?) absurdamente bonitos. Demais).

Ainda ao final do email esse amigo dizia, entre parênteses, quase en passant, que na saída havia comprado o livrinho do David Lynch e sentara no café a ler. Entendi, porque mesmo quando quase não diz, ele sempre fala comigo. Comprei o Lynch, claro, e aproveitando que o Minúsculos assassinatos, da Fal Azevedo, estava tão disponível com aquelas duas partes de romãs absurdamente belas, levei também.

No comecinho da noite, outra cena rara: o marido de uma prima de minha mãe, Alexandre Plosk, estava lançando O homem invisível, seu segundo livro, lá no outro estado brasileiro chamado Leblon. Fomos então cumprimentá-lo, naquela hora em que todos os carros são lentos, mas tivemos sorte, rezamos as rezas e tudo deu certo.

Conclusão: já li o livro do Lynch, Em águas profundas - é rápido, bom, leve, instrutivo, no melhor sentido, porque o cara não é nenhum tolo, ao contrário. Eu quero aprender e fazer essa meditação transcendental de que ele fala. Muito.

O livro do Alexandre folheado já me diz que vou lê-lo. O da Fal, começado, me diz que é imperdível. E o Homem comum, oba, já estou no fim.
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Em águas profundas. Criatividade e meditação. David Lynch. Tradução Márcia Frazão. Rio de Janeiro: Gryphus, 2008.


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