quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A pele que habito (com spoilers)


Marisa Paredes resume com perfeição o filme do amigo:

"A pele que habito" descreve a terrível vingança de Robert (Antonio Banderas), renomado e recluso cirurgião plástico espanhol, contra o suposto jovem que estuprou sua filha. Ele vive isolado em sua sofisticada mansão/laboratório nos arredores de Madri, onde mantém prisioneira uma cobaia de suas experiências com uma pele artificial, útil na recuperação de vítimas com queimaduras, como as que vitimou sua
mulher no passado. Neste cenário frio e desolador, Marilia (Marisa), sua mãe, funciona como administradora e defensora dos interesses do filho. "Desde o início, Pedro me avisou que ela não é uma governanta, como aquelas dos filmes de terror e suspense, como a de 'Rebecca, A Mulher Inesquecível' (1940), de Hitchcock. Ela não se veste como uma empregada, ele me avisou. As camisas de Marilia são desenhadas por (Jean Paul) Gaultier!. No final das contas, Marilia é a consciência da história que ele conta".
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Com essa sinopse, fica mais fácil compreender o filme que se vai ver, porque ele vai se fazendo compreender aos poucos, e não estou segura de tê-lo amado, acho que gostei, sim, gostei, mas é estranho, e fiquei pensando alguns dias sobre o porquê da estranheza, já que falar no autor é falar sempre em estranheza, em arte fora do comum, arte pessoalíssima, apoiada em algumas obsessões também presentes nesse A pele que habito. E chego à conclusão de que me incomodou um pouco a abordagem da transmutação do sexo masculino numa vagina que serve basicamente, ou ao longo de grande parte do filme, para a violação.

A filha, no início do filme, e a "mulher" aprisionada, são violadas, embora em intensidades diferentes. Na verdade, a filha não se sabe direito se era filha mesmo ou outra cobaia nas experiências com troca de sexo feitas pelo médico, já que não tendo havido penetração na cena do bosque, ela sangrou do mesmo jeito, e sentiu dores horrendas como a outra sentiu, a cobaia, no momento em que é violada pelo suposto irmão de Robert, vestido numa fantasia ridícula de tigre, em momento kitsch dispensável, acho.

De todo modo, custei a entender do que tratava, afinal, a história, por causa dos flashbacks e também porque há pelo menos três vertentes que desembocam no singular aprisionamento daquela personagem: há um desastre de carro onde morre a mulher de Robert, o que impulsiona suas pesquisas com peles humanas, necessárias para cicatrizar queimaduras; há essa estranha filha, que aparece rapidamente no início e funciona como motor da vertente mais importante no roteiro, ou seja, a vingança desse pai contra o rapaz que supostamente violou a moça. De todo modo, não importa muito ter havido ou não a violação, porque ela morre e o cientista vai então iniciar um processo muito louco de vingança, que consiste em aprisionar o rapaz, levá-lo à mesa de cirurgia, mudar seu pênis em vagina e aos poucos transformar todo seu corpo - toda sua pele - até o estágio final do "ser fêmea". É essa vingança o cerne da trama, me parece, e ela nos surge em sua plenitude na mulher encarcerada no quarto, observada através de uma parede de vidro pelo homem no outro quarto. Só que acontece o que já se anuncia aos olhos do espectador: ele se apaixona pela belíssima mulher que criou e tudo desanda, claro.

A cena final também me pareceu meio sem sentido, e a volta da "moça" para sua mãe, a frase que ela pronuncia é absolutamente inverossímel, é como se Almodóvar não soubesse bem como terminar aquela loucura e resumiu o drama numa frase que, face aos acontecimentos, soa como clichê: "soi Vicente". A platéia ri, aliás ri em vários momentos. Meu riso foi parco, e apesar de todos os senões e aberrações, acho que gostei do filme, continua sendo um Almodóvar. Mas é estranho.
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sábado, 8 de outubro de 2011

Retalhos do FestRio

Comprei alguns ingressos para o FestRio, dentre os quais já vi Gatos velhos, um filme triste e duro, mas ótimo. A velhinha é a minha cara quando eu for assim velhinha, é de uma crueza face ao campo dos afetos maternais que eu compreendo profundamente. Também o modo como o marido a protege, uma forma de amar absolutamente radical, sem quase nada receber: amor real, de longo tempo, talvez quase memória do que já terá sido uma paixão arrebatadora, hoje ecos nos gestos contidos mas protetores, mesmo quando ela tira de seu ombro o braço que tenta protegê-la. Velhinha dura. Sorte que ela o tem, ou seu fim seria tristíssimo.

Tentei ver Gatos de Paris, que comprei sem saber que era desenho animado, mas o que me fez desistir dele é que havia umas 300 criancinhas tentando entrar na sala, daí dei meia volta e entreguei o bilhete à bilheteira, que não pode devolver o dinheiro porque blá blá blá.  Hoje vi  Não me esqueça, Istambul, longo demais e de que gostei de uma ou duas histórias, a da velhinha apressada que se perde, sobretudo, e a dos amantes separados por séculos de brigas religiosas e políticas. Depois entrei em outra sala e vi grande parte de Todas as canções falam de mim, até um certo momento em que eu já sabia mais ou menos onde aquilo ia dar, ou seja, me falta hoje paciência para os imbroglios do amor na geração dos trinta, esse aprendizado que, embora comovente em alguns momentos, não me diz muita coisa. Me toca mais a velhinha crudela do que a mocinha que vai e vem nas ondas de seu coração instável.

Amanhã verei Sete atos de misericórdia, nada sei about, e na segunda vou ver o filme do Almodóvar, só espero que não esteja lotado, desejo meio vão, creio. Nos poucos dias a que fui já reconheci duas pessoas assíduas. Um deles, no primeiro dia, na primeira sessão, gritava saudando cada espectador que entrava, como se estivessem se reencontrando na colônia de férias. Ele literalmente gritava do meio da sala de exibição: E AÍ, FULANO, TUDO BEEEM? COMO VAI, PRAZER EM REVÊ-LO, assim mesmo em maiúscula, ou seja, aos berros, enquanto o fulano procurava, meio envergonhado, um lugar para sentar. Estranho isso, e me incomoda muito, tanto que já estou levando protetor de ouvidos para as sessões, sei lá quantos outros malucos não vão se cumprimentar ainda.

Ainda tenho ingresso para Inquietos e De mãos livres, não sei se li sinopse, e se li não lembro, falo depois sobre.
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Em tempo: hoje é sexta, dia 14/10, não vi Sete atos de misericórdia porque era domingo e me deu uma preguiça louca de sair, então perdi o ingresso por laziness, fazer o quê. Mas vi ontem um filme português difícil de gostar, porque mal costurado, mas gostei afinal - Quinze pontos na alma. Parece coisa esotérica, e é mesmo, no sentido de hermético, pouco compreensível em vários momentos, e falho em outros, mas não saí da sala e vi o desenrolar das ações daquela mulher com atenção. Seria pura maldade dizer que o filme se salva pelas roupas impecáveis que ela usa, deslumbrantes de chiques (os personagens são ricos e entediados portugueses), mas não é verdade,  há interesse na história do homem que beija e se joga invisivelmente da ponte, e do périplo dessa desconhecida em busca de entender - numa viagem que será muito mais longa do que ela supunha. Enfim, o filme é difícil, tem buracos  no roteiro, mas se vê com interesse.
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sábado, 1 de outubro de 2011

Elvis & Madona

 
Elvis & Madona tem tudo pra virar um filme cult: é engraçado, tem ótimas atuações dos dois protagonistas, sobretudo, mas o elenco inteiro está ótimo, é super bem feito, com timing na medida, apresentando um casal pra lá de sui generis - aliás, touché para o diretor e para os atores, nenhum deles erra a mão, nada desanda: a Spoladore está perfeita, com aquela pele escandalosamente linda, sem um isso de excesso na composição de sua "moçoila"; o ator Igor Cotrim eu não conhecia, mas dá show de travestismo competente e sem caricaturar. Na verdade, o filme todo é cheio de competentes atores, de Maitê ao bandidão com jeito e cara de bandidão, um achado, Clint Eastwood não encontraria ator melhor para o papel.

Excelente filme, comédia pra rir com vontade, para se emocionar e para desmantelar preconceitos. Só achei um tiquinho politicamente correto e um tiquinho poliana: dá tudo tão certo que não tem como não ser comédia, até o vestidinho-boa-moça que a Spoladore usa no almoço de família, por tão completmente fora de (seu) esquadro, fica cômico.

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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ainda a luz

Ainda a luz maravilhosa desses dias. Lindos.













































































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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

na falta de

Na falta da vontade de escrever o que quer que seja, flores, de várias cores e odores, e luzes da primavera em forma de casinhas.


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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

a morte dos sapatos

Plagiando anna v, e considerando que blog também é informação, sugiro que não usem essa coisa aí embaixo contra mofo próximo a sapatos porque o desastre é certo. O pior é que está em letras bem pequenas que pode causar ressecamento no couro - a palavra exata, no entanto, é outra: ele destroi o couro, encolhe e enverga o sapato. Perdi dois que eu amava demais, por isso o aviso. Vejam a tristeza: a botinha binne já comprei outra, porque não viajo sem. O sapatinho preto morreu mesmo.





















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domingo, 11 de setembro de 2011

Três livros, ou dois

Nos intervalos das viagens que as milhas Smiles têm-me permitido fazer (e espero continuar em breve), tenho lido alguns livros que compõem aquilo que vou chamar de 'literatura groupie', no sentido de um texto que se escreve às expensas da obra de outro, sua memorabilia particular, histórias e casos que circundam um nome autoral, uma obra, e que fazem dele algo mais do que um autor. O espanhol Enrique Vila-Matas seria, nesse sentido, paradigmático. Pelo menos dois livros recentemente publicados aqui envolvem o nome do espanhol, prestam-lhe tributo, dialogam explicitamente com sua obra e existem basicamente à sombra de seu mundo ficcional: A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe; e Se um de nós dois morrer, de Paulo Roberto Pires.

Começando pelo começo, a História abreviada da literatura portátil, do Vila-Matas, e referência para ambos os autores mencionados, é uma obra que não se enquadra em quase nada do que chamamos 'literatura', em seu modo convencional de existir - vários mundos reais e inventados caminham numa narrativa que seduz pela apropriação desatinada e desbragada de nomes reais do cânone literário e artístico da modernidade, em meio a acontecimentos nada convencionais, ou melhor, louquíssimos e muitas vezes engraçadíssimos. Lê-se com prazer aquele mundo meio Alice no país das maravilhas, em que também os personagens do último filme de Woody Allen, Meia noite em Paris, passeiam fantasmagoricamente e ludicamente por suas páginas. Numa lógica muito particular, transitam pelas histórias mirabolantes "odradeks, golens, bucarestes e todo tipo de criaturas que povoam a solidão daqueles que, em tensa convivência com o duplo, se isolam para trabalhar." (p. 101). Walter Benjamin é uma figura incorporada à narrativa, de modo sistemático, e está presente igualmente no livro de Paulo Roberto Pires. Em outro momento, volto a comentar mais detidamente o livro impagável do Vila.

A primeira referência que tive de Se um de nós dois morrer foi no site da Cora Rónai, que veio lendo o livro no dia do lançamento e adorando. Curiosa, fiquei um tempo procurando por ele, achei por fim na Blooks do Unibanco Arteplex, onde não gosto de comprar porque não dão desconto algum. Li finalmente todo o livro do Pires e o começo é mesmo muito estimulante, o que vai mudando da metade para o final. O livro começa muito bem, prometendo uma história interessantíssima (e bem escrita, no estilo quase coloquial do personagem-escritor-defunto), sobre um homem, Théo, autor de um único livro de sucesso, e eventual amante que, ao morrer, deixa para a amiga-ex-amante um testamento e dinheiro para realizar suas últimas vontades, uma delas a de que suas cinzas sejam enterradas em vários locais do cemitério de Montparnasse, em Paris, claro.

Nessa, digamos, primeira parte, o livro é uma delícia de ler, em sua homenagem a Paris (de novo o filme de Allen passeia na memória do leitor), descrições de passeios, lugares, hotéis, referências a pessoas reais e mesmo próximas a certo tipo de leitor. Por exemplo, a referência a Silviano Santiago e seu Keith Jarrett no Blue Note (1996) me remete a um período muito intenso da minha relação pessoal com o livro (mas sobretudo com Stella ManhattanEm liberdade), com esse autor e também ex-professor no mestrado, relação cheia de complicações e admirações tensas. De todo modo, há uma tela de nomes, referências e acontecimentos que, no caso do autor brasileiro, aproximam muito o mundo literário criado ao universo de um certo tipo de intelectual brasileiro, que viajou a Paris, ama essa cidade e leu alguns livros de referência citados - Benjamin em especial.

O problema maior do livro acontece quando se abre a segunda carta, com o segundo pedido feito pelo morto a sua amiga: entregar a Enrique Vila-Matas uma pasta contendo um conjunto de textos inacabados do que seria uma possível segunda obra desse autor de obra única. O conteúdo dessa pasta será então a matéria dessa parte do livro, copiado tal qual Sofia a encontrou. E aqui existem alguns problemas, de que vou comentar alguns a seguir. Antes, alguns trechos da prosa de Pires:

"(Lembra que eu pensava em escrever um livro em que cada conto fosse batizado de acordo com um standard americano? Como você sabe, o mestre Silviano Santiago fez primeiro - e muito melhor do que eu poderia sonhar em conseguir. Agora, só me resta esta patética e pouco concreta obra póstuma: Keith Jarrett em Montparnasse. O que é por definição muito melhor do que, admita, um Liberace no Caju ou Bené Nunes no Irajá.)"  (p. 16).

"Tinha um projeto, que vivia adiando, de fotografar todos os dias de sua vida e, depois de selecionar o mais irrelevante dos momentos, escrever um texto que deveria acompanhar a imagem. Mas a convivência com Théo parecia ter esterilizado de alguma forma sua capacidade de expressar-se. Fotografava todos os dias, selecionava as melhores imagens numa pasta, mas, diante delas, não lhe vinha uma única linha." (p. 19)

Aqui, como em tantos outros momentos, não há como não ter à memória a obra de Sophie Calle, também mencionada em algum  momento da narrativa, bem como não receber com empatia o penchant para esse tipo de trabalho com a 'fotografia das coisas mínimas', com que essa leitora também muito se compraz.
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Enrique Vila-Matas. História abreviada da literatura portátil. Tradução Júlio Pimentel Pinto. São Paulo: Cosac Naify, 2011.

Paulo Roberto Pires. Se um de nós dois morrer. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.


sábado, 10 de setembro de 2011

dois filmes

Um conto chinês: obra prima obra prima obra prima. E além de tudo, ri-se bastante. O Darin é mesmo um enorme ator, ele se reinventa, mantendo os mesmos belíssimos olhos. Mas a graça maior do filme está no roteiro, no modo como esses dois se acham e não conseguem se livrar um do outro, por honestidade atávica, em um, e necessidade mórbida, em outro. A mistura de acaso e necessidade gera um tempo de puro deleite diante da tela, com o surplus de uma personagem feminina cujos anseios são quase o de todas nós - ficar pertinho do Darin ::))
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O Wagner Moura está impagável n'O homem do futuro, um dos grandes trabalhos em cinema do moço, além do capitão Nascimento, claro. O filme diverte à beça, é bem feito, as atrizes estão ótimas: Alinne me surpreendeu e a Maria Luisa nem parece aquela atriz sem graça que de vez em quando aparece na TV (eu só a vejo raramente na TV). Acho que nossos melhores atores gostam da tela grande, fazem muito bom cinema, e nossos três maiores atores quase sempre acertam na telona, acho que estão cada vez mais maduros artisticamente: Wagner, Selton (aliás, vi o trailer de Palhaço e acho que vai ser um grande filme) e Lazaro dão show.

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sábado, 3 de setembro de 2011

João Pessoa

Em face da catastrófica perda de sono hoje, vamos a algumas fotos de João Pessoa, que acabei de conhecer e achei muito fofa, com gente acolhedora, praias bonitas - acho que para quem mora no Rio as praias do Nordeste são quase sempre 'reconhecidas, ou seja, nós em algum lugar por aqui já vimos algo semelhante, salvo quanto ao morninho, talvez. De todo modo, fiquei pouco, só o suficiente para gostar, querer voltar, e ter conhecido uma igreja de São Francisco que me emocionou deveras - é pequena, mal conservada, mas tem um trabalho tão forte de barroco, embora as fotos não façam jus, porque não havia luz suficiente e eles pedem que não usemos flash. Todo o tempo em que mirava aquelas maravilhas, Mario de Andrade me acompanhava, e seu Padre Jesuíno do Monte Carmelo, um dos livros-mantra de Mario para mim, em que ele analisa a obsessão do traço barroco nas igrejas brasileiras e percorre o caminho desse pintor e escultor desconhecido até então, Padre Jesuíno - e uma das imagens que perduram em minha lembrança de leitura é Mario atônito diante de pedaços de dedos, unhas, nervuras, coisas mínimas em que ele via a presença da arte do autor. É muito belo esse amor à pesquisa em Mario, essa paixão obsessiva pela descoberta de algo.

Enfim, eu e Mario percorremos aquela igreja emocionados, e em sintonia profunda.

Outro momento alto foi um passeio de barco que fiz, com pouca gente e pouca música sertaneja, em que acabaram me achando muito divertida, vejam só - pra eu ser divertida era porque estava muito bem. E a cena do senhor lá tocando o bolero de Ravel é de uma breguice tão maravilhosa, amei aquilo tudo - mas tenho de confessar que essa situação só foi possível porque o pessoal do meu barco era super gente fina e a música que eles tocavam era decente (eu sempre levo protetor de ouvidos para esse tipo de passeio porque a música alta e sertaneja me dá dor de cabeça na hora, mas nem precisei usar).

De todo modo, again, o grande personagem dessa coisa toda do bolero, para mim, é o remador do barco. Que coisa, o homem fica lá remando, chegou a tirar água do barco com uma lata - nós vimos lá de longe, dá um duro danado e o outro ganha todos os louros, tão injusto isso :)). No fim, tive a honra de tirar uma foto com ele, conversei um pouco e inflamei seu orgulho, incitando-o a pedir um aumento de salário (ganha um salário mínimo para carregar aquele homem por meia hora no barco, enquanto o homem que toca ganha uns 10 mil dos quatro restaurantes que bancam o show. Achei injusta a medida, mas deve ser vantagem ainda para o remador).

Ah, e JP foi a única cidade brasileira em que meus pés pisaram que tem um traço de civilidade ímpar: quando o transeunte chega à calçada para atravessar a rua, o carro - qualquer carro - para para ele. Que tal? Mais primeiro mundo, impossível. E as ruas são limpíssimas, como em Aracaju. Isso é muito reconfortante.

Detalhes da Igreja


















O tocador do bolero e seu ajudante
Casa dos franceses, onde tudo começou, abandonada mas linda no por do sol
Feirinha no Jacaré, onde ficam os grandes restaurantes e de onde sai o barco para ver o bolero














Um homem limpando seu barco


Obra de artista local no Museu do Artista Popular

































Almoço no badalado Mangai, muito sem graça, aliás














Vista do hotel














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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

meio viciante


Viciei nele completamente, culpa desse moço aqui . E decidi que não deixo de conhecer algumas cidades portuguesas ano que vem, quem sabe ele faz uma apresentação em algum canto e eu assisto, heim?
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