terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Livros no Natal

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Presentes de Natal e Ano Novo que me dei (até porque se não sou eu, quem mais poderia ser?), com cheirinho de livro novo, muito bom :)  

Outra coisa ótima é que a Cosac dá um desconto de 40% para professores, então esses livros magníficos ficaram ao preço de um livro comum, beleza.


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Los abrazos rotos

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Sobre Los abrazos rotos, do Almodóvar, penso que não é o melhor dele, nem o mais bem resolvido, segundo minha subjetivíssima opinião, mas gostei de algumas coisas.


Antes, não é o melhor porque os filmes mais ferinos são os de que gosto mais - o humor irônico e escrachado, as mulheres únicas, excessivas, dramáticas e fakes - isso torna os filmes dele muito particulares, como todos sabemos, e o faz ter uma marca única, que todos reconhecemos, assim como a de Woody Allen, por exemplo, também com seus altos e baixos.


Depois, não é o mais bem resolvido porque tem uns brancos, uns momentos em que eu me perguntei para que servia aquela cena, não tem função alguma - por exemplo, quando a assistente do diretor, já no terço final do filme, está contando sua versão dos acontecimentos passados, estando na mesa ele, ela e o filho, buscando demonstrar suas dificuldades com as lembranças do passado, ela lança mão da bebida para dar-se força e quer mais, mas não pede ao maître - ela afasta-se da mesa, chega ao balcão do bar, pede outra dose ao barman, que enche seu copo apenas com vodka, e fica com a parte da água suspensa no ar, porque a mulher sai e senta na mesa outra vez. Parece longa a descrição? Pois foi assim que senti o filme todo - meio longo, muitas e muitas histórias acontecendo, e tudo poderia ser mais enxuto, parece que faltou coragem na edição.


Mas há muitas cenas interessantes naquele imbroglio todo, e tem uma Penelope Cruz deslumbrante, bela como jamais a vi tão bela, e fazendo um excelente trabalho. Parece mais intensa a sintonia com Almodóvar nesse filme, talvez porque ambos estão maduros, numa fase da vida de grandes realizações, qui le sait. Enfim, vale a ida ao cinema demais.
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domingo, 6 de dezembro de 2009

de sumiços e voltas

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Esse blogue sumiu por algum tempo, eu mesma não tinha acesso a ele, mas acho que o reencontrei, ufa e enfim! De todo modo, o Velox não está funcionando desde ontem, sábado, e não sei quando vou voltar a entrar na rede, estou numa lan house, vou ao cinema tentar esquecer que hoje o Rio de Janeiro para pelo Flamengo.

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Ainda na Idade das Trevas nesta segunda, e sem saber quando a Oi/Telemar vai se dignar fazer o reparo no Velox. É só o meu ou todo mundo está fora do ar? Que empresa safada, essa. Mas também, nesse país sem lei nem grei - só com panetones e dinheiros nas cuecas - quem se importa em prestar serviços decentes? Solução: nem precisa apagar a luz quando sair...

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Voltando à Terra Média das conexões, com elfos e hobbits resgatando o Velox, até não sei quando, mas enfim, teclando de casa.

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Dois filmes estranhos

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Quem gosta de ver sangue e filme de vampiro não deve perder Deixa ela entrar, que é um filme estranhíssimo, lento, com grandes brancos de ação, e muita, muita neve, mas interessantíssimo, porque tomando o bullying numa escola sueca como pretexto trata, na verdade, da solidão abissal de um casal de preadolescentes - ele tem 12 anos e ela também, mas ela está nessa idade há muitos anos.

Os dois são diferentes dos outros meninos/as, não têm qualquer glamour, são quase feinhos, e essa estranheza é um dos pilares do filme, porque ficamos esperando que alguma coisa aconteça para dar um sentido àquelas vidas. E acontece, claro. A menina precisa viver, então alguém precisa morrer, simples assim. O menino, quando descobre tudo, tem uma escolha a fazer - e a faz. Escolhe a parceira, porque já sabia o que era ser sozinho há muito tempo, e não era bom.

Ah, e tem sangue, muito sangue, mas nada chocante demais, só um pouco, sobretudo porque ela só faz o que precisa ser feito - seja para defender o amigo, seja para sobreviver. Então aceitamos o inevitável. Mas é um filme lento, e branco branco de neve (às vezes vermelho de sangue), então tem de ter alguma paciência para conviver com um mundo bem estranho.

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No meu lugar é outro filme bem leeento, também um tanto estranho, mas que eu não quis abandonar de jeito nenhum, embora pensasse nisso todo o tempo, porque precisava saber o que já pressentira desde mais ou menos o meio da projeção. Acho que ele é meio descosido, não ata bem os miolos das histórias: afinal, aquele pai e filha são ou não incestuosos? por que a mãe do rapaz briga tanto com a nora? os adolescentes estão meio perdidos agora por causa do acidente, ou porque são adolescentes? Algumas dentre outras perguntas que fiz ao longo da projeção.

No fim, o que ficou mais forte para mim foi o desempenho do Raphael Sil - é dele que vem a mensagem de nossa miséria, de nossa degradação, de como a falta de dinheiro envilece e de como isso não tem saída. Ele é muito bom ator, e Márcio Vito também, o tal policial que erra o alvo e mira no que não podia.

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A saga vampiresca

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Depois de ver Crepúsculo mais de uma vez na TV, onde tem passado insistentemente, resolvi ir ao cinema ver Lua nova. Os dois protagonistas continuam atuando de forma medíocre, mas ninguém desgruda os olhos da tela. O que tem essa saga para prender a atenção até de uma old lady como essa escriba, que nem gosta tanto dos romances-folhetim do século dezenove, salvo talvez Senhora, do Alencar, porque Aurélia joga duro com Fernando antes de sucumbir e é uma grande personagem?


Enfim, voltando à saga, acho que o mais poderoso chamariz de ambos os filmes é o erotismo mesmo, o desejo desses dois que não vai nunca além de beijos muito castos e cuidadosos para não atiçar a sanha vampiresca do rapaz. Então, a moça sofre de uma paixão desmedida, ele também, claro, e há a tensão camuflando o tesão, o que nos leva a outro aspecto bem século dezenove, que diz respeito à pudicícia.


Num século que quase não tem mais novas maneiras para despir os homens ou as mulheres publicamente, nem como mostrar o sexo e a vulgaridade, os dois personagens passam os dois filmes vestindo jeans e camiseta, e quando ele, no final deste último filme, tira a blusa em close num gesto de quase suicida, o que se vê é um ser com baixíssimo sex appeal, se se leva em conta o modelo de beleza física masculina atual, magérrimo, desvanecendo-se todo. O outro rapaz apaixonado pela moça - o amigo lobo - parece ter feito intensivo de malhação e seria o protótipo dessa beleza padrão, este sim, um homão musculoso, mas, hélas, não é ele o amor de Bella.


Então, diria que o que prende na saga é também o que faz todo filme ultra romântico funcionar : amor impossível, sacrifícios pelo amado ou amada, muitas lutas e aventuras em sua defesa e, nesse caso específico, um vampiro tão bom sujeito que a gente torce demais para que ele, afinal, dê a mordida pela qual Bella espera há tanto tempo e o desejo possa realizar-se.

Mas não foi ainda agora que isso ocorreu. Primeiro, ele há de pedi-la em casamento, o que faz com aquela carinha empoada de branco e o batom meio excessivo mais inacreditáveis da face da terra. Aguardemos, pois, os próximos lances desse jogo. Chegaremos a ver os filhotes vampirinhos do casal? Qui le saurait jamais... Seria o caso de ler o próximo livro e descobrir? Menos, Clara, menos...


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domingo, 29 de novembro de 2009

Primavera do livro

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Passei na Primavera do Livro, no Museu da República, e consegui sair sem livros, mas não escapei de umas camisetas com frases simpaticíssimas, vendidas logo no primeiro stand, com preços meio salgados mas tão gracinhas. A moça ficou de entregar aqui na terça, vamos torcer pra eu não ter entrado numa furada.

Ouvi um pouco do que Gabeira falava sobre os problemas do meio ambiente, ouvi também, mais tarde, os poemas ditos por Carlito Azevedo, aliás, ele leu um longo poema, num ritmo velocíssimo de que não gostei muito (tentei achar o poema nos livros dele e não consegui), e também leu 'As banhistas', de que gosto muito, no ritmo que eu reconheço.

(É engraçado como a leitura de um poema faz dele quase outra coisa. Nunca gostei muito de ouvir os grandes poetas lendo suas obras, parece que eles querem se apossar - porque a escreveram - de uma coisa que é minha, porque todo poema que li e de que gostei passa a ser meu, mais do que um romance, ou um conto).

O Geraldo Carneiro é muito gracinha, faz uma poesia mais filosófica e tem uma memória espantosa - pegava deixas dos outros integrantes da mesa (Carlito e Angela Melim) e 'lembrava' poemas seus que tinham a ver com o que eles haviam dito, enfim, memória, humor e simpatia, me lembrou Vinicius de Morais.

Encontrei por lá um colega da Uerj muito falante e conversamos algum tempo - as coisas na academia não mudam muito, continuam o mesmo vespeiro de sempre, alívio não estar mais lá.

Aproveitei para tirar algumas fotos com meu novo pequeno brinquedo.

















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sábado, 28 de novembro de 2009

Julie e Julia

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Enquanto meu trem desvia num atalho e eu torço pra ele não descarrilar de  novo, vou seguindo os filmes que talvez me alegrem o dia, o que não foi o caso de Julie e Julia - mesmo. Vi o trailer desse filme e gostei muito, achei que seria divertido assisti-lo, mesmo tratando de um assunto, digamos, filmicamente sem graça como a culinária. Adoro comer bem, acho o máximo quem sabe e gosta de fazer pratos rápidos e gostosos, eu também sei fazer alguns, embora com bastante preguiça de mexer em panelas, mas um filme que funcione sobre esse assunto ainda precisa ser feito.

(A festa de Babette, obra prima, não conta, porque não tem como tema a feitura de um livro de culinária, para espantar o tédio, mas trata de amor, fraternidade, solidão, os acasos memoráveis da vida, além da arte de criar pratos magistrais).

De todo modo, achei tudo muuuito chato e, sobretudo, mas sobretudo a Meryl Streep está chatíssima - o sotaque, que eu acho que é britânico, não sei, é irritante; o tom da voz passa longe do agradável; não consegui acreditar na simpatia da personagem pelos franceses, talvez um pouco pela comida francesa, mas o livro dela, a obra magistral, o novo paradigma da cultura literária da humanidade - como eles gostam de compreender todas as suas singelas produções - é um livro que traduz e adapta as receitas francesas para o padrão de gosto deles lá (os estadunidenses, porque é deles que se trata, afinal). Essa atuação da Streep só consegue ser mais chata do que a que ela faz em Mamma Mia!, um espanto de filme sem graça.

(Na verdade, devo dizer que esses são os dois únicos filmes em que realmente não gosto do trabalho dela, mas talvez seja porque os filmes são ruins. Em geral, gosto muito das atuações que já vi).

Ainda, aquele pezinho condescendente no fascismo mccartista do filme, que não faz crítica nem enfrentameto, só matiza de leve o autoritarismo do pai de Julia, numa breve cena, que nos mostra, no entanto, seu poder e influência, sob os quais se regula o emprego do marido de Julia, e portanto ambos vivem a boa vida parisiense um pouco atados àquele mundo degradado. Enfim, há coisas meio podres sob o véu de tédio e comidas à volta da jovem senhora e seu amável husband.

Já a parte da Julie é menos desagradável, menos chata, mas igualmente insossa. A única coisa que escapa, para mim, nesse filme, são algumas comidas que essa Julie faz - não tenho vontade de fazer, claro, parece que dão o maior trabalhão, mas adoraria estar naquela mesa dela.

Por fim, os dois maridos são uns verdadeiros santos, tirando a saída de casa com retorno do marido de Julie, eles não existem, não existiram e não existirão. E é só.

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

seca

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Tô numa fase de seca. Volto quando dias melhores...


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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Aconteceu em Woodstock

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Foi muito divertido ver os bastidores daquele acontecimento cujos ecos ouvi quando era bem jovem, e me parecia então uma coisa de outro planeta, para seres livres e desenvolvidos, libertários e libertinos, como não soía acontecer por aqui, embora vivêssemos meio furiosamente também, como todos em todo canto, acho. 

Além disso, Aconteceu em Woodstock tem algumas cenas memoráveis, como a descida no tobogã de lama, uma grande farra. A mais interessante talvez seja a viagem com ácido que os três jovens fazem, nunca tinha visto uma viagem filmada com tanta intensidade, ficou bonito, meio apocalíptico, meio expressionista-fantamasgórico, se se pode falar assim.

Claro que não faltam as indefectíveis frases apologéticas à grandeza da 'civilização estadunidense', do tipo:  vai lá, fulano, ver o que significa estar no centro do mundo, sugerindo que o festival era o acontecimento último do mundo ocidental naquele momento. Hoje, de longe e não mais tão ingênua,  só posso dizer - menos, minha gente, menos...

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Outro filme bonitinho é 500 dias com ela. Apesar de ser uma novela romântica, não é bobinha e fiquei ligada na história o tempo todo, porque o roteiro é inteligente, os atores são de medianos para bons e o tempo passa com interesse até o final - aliás, o final é um tantinho inesperado, e interessante. 

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domingo, 15 de novembro de 2009

2012

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Dos filmes-catástrofe que já vi, esse 2012 fica muito próximo daquela partida ao meio magistral do Titanic. Tem um momento, a partir das primeiras rachaduras no chão, que a coisa engrena e a gente não desgruda mais o olho da tela e dá adeus à verossimilhança, atitude mais do que sensata para ver esse tipo de filme. 

Está certo que o cérebro não desliga no automático, e fico ainda constrangida com aquele ideário fajuto deles a respeito de certos valores que são inteiramente fictícios, mas eles postulam com a maior cara de pau do universo - como diz vosso presidente, nunca na história da indústria um cinema foi tão idiotamente ideológico como o cinema deles tem sido, sobretudo nesse cinemão em que entram ação enlouquecida, salvação da humanidade, gestos de altruísmo, defesa do indivíduo comum, capaz de redimir o coletivo tirânico e/ou injusto, recolocando tudo nos devidos eixos, não faltando o presidente negro que oferece sua vida em holocausto para salvar quem (ou o quê)? A humanidade, claro.

(Meu cérebro indesligável pensava em como o Bush real estava a milhas de distância daquele ideal, mas enfim...). Ah, e tem também a indefectível bandeira estadunidense, é quase como uma praga, não há filme B (ou C ou D, todo o alfabeto, digamos) sem a tal bandeira, nos lugares mais inesperados.

Bom, mas tirando isso tudo, tem ação à beça, os caras sabem fazer essa coisa funcionar, tudo é muito rápido e emocionante e a gente quase não respira, oprimida pela hecatombe incomensurável e inexorável que devasta tudo e até mesmo - hélas, horrores - nosso Cristo Redentor tomba tangido pelas águas e pelos fogos que viram a terra de ponta-cabeça. No final, ... bom, são muitas emoções, é melhor ir lá ver.

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