quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O santo é o santo


Fui cumprir o que já está virando um périplo ao mosteiro de Santo Antonio para fazer jus a meu próprio desafio, quem manda... Enfim, fui lá e o santo é mesmo São Pedro. Quem mo disse agora foi um dos frades que lá trabalham, e que tirou essas fotos ótimas para mim (eu acho que minha nascente profissão de fotógrafa está fadada ao ocaso).

De todo modo, a informação é que essa estátua é de gesso, não tem autoria definida, é anônima, e que os atributos de São Pedro estão claros - o livro e a chave, vistos melhor nas fotos que ele tirou, hélas para minha carreira de fotógrafa...:)

Certo? Se alguém ainda tiver alguma dúvida, por exemplo, por que o livro e a chave são atributos dele, e se são essenciais ou acessórios favor consultar o site http://www.franciscanos.org.br/ que tem um monte de coisa interessante para ler e pesquisar.








segunda-feira, 10 de novembro de 2008

o nome do santo


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Dever de casa feito. O santo cuja foto aparece, onze posts abaixo, sob o título "o nome do santo" é.... SÃO PEDRO! Fui até o mosteiro de novo para conferir, a imagem fica logo de frente para o elevador, nem precisa ir muito longe.
Perdão, São Pedro, nós somos mesmo uns distraídos... mas o senhor há de convir que fica difícil mesmo, já que cada página da internet tem uma foto sua diferente da outra, e todas diferentes da minha foto.
De todo modo, todas dizem que o senhor é, junto com São Paulo, co-fundador da Igreja de Roma etc, etc...

domingo, 9 de novembro de 2008

Vicky Cristina Barcelona


Um filme em que se ri bastante com os imbroglios criados pelo trio, improvável, que se une para amar e viver em Barcelona. Do que eu gostei: parece clichê, mas o Javier Bardem está bom demais, e lindo, claro, assim como a Penelope. Não sei se porque o cenário é a lindíssima Barcelona, mas os dois espanhóis dão show de bola, e as duas moças americanas ficam meio de coadjuvantes dos dois. Aliás, a Cristina da Scarlett Johansson vai murchando quando entra em cena a histérica personagem da Penelope.

Gostei da música, tanto a da trilha, cantada em espanhol sussurante, quanto a do violonista que toca um trecho de uma peça, lindíssima; gostei também de ver a cidade por onde passeiam os visitantes, de modo que eu também me fiz um pouco turista ali, acho que todos nós saímos querendo estar em Barcelona e vendo as maravilhas de Gaudí, mas eu esperava mais do filme, acho que se criou muita expectativa em torno dele e acho que ficou aquém da fama.
Por exemplo, achei meio intempestiva a saída da Scarlett do jogo, assim como ficou meio descosida a paixão da Vicky pelo pintor interpretado por Bardem. No final, como afirma Pedro Butcher na crítica ótima, por sinal, da Folha Online, a mais coerente mesmo é a personagem de Penelope, louca do começo ao fim. E também não fiquei convencida das dúvidas existenciais da Cristina (aliás, estou achando que a Scarlett tem interpretado bastante ela mesma no cinema), creio que no final ela sentiu falta mesmo foi de um bom hambúrger do Macdonald.

sábado, 8 de novembro de 2008

vermelho


Para dar energia e vontade de viver.

bolo de flores


No Largo do Machado, esse bolo de cores por ocasião do dia de finados.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Dr. Fabio Machado Landim


Ele faria hoje 40 anos. Que esteja no melhor lugar, aquele que seu nobre coração merece habitar.

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Ele não era apenas meu sol, como no poema de Auden. Ele era o sol de todos nós, de quem ele cuidou com serenidade, leveza e generosidade. Ele era o sol de todos cujas vidas salvou, e foram muitas. E todos nós íamos a ele, nos momentos de pânico total, de medo absurdo, e só em vê-lo tudo ficava melhor, mais compreensível, mais tolerável.

Ele foi meu oncologista, e só tinha 34 anos, muita sabedoria, uma crença profunda nas pessoas, em sua profissão, uma gentileza intrínseca, um coração enorme. Serenidade.

Morreu numa cirurgia boba, desobstrução nasal, saiu do centro cirúrgico bem, com esse sorriso que era sua marca. De repente tudo mudou. Ele se foi em 21 de outubro, só soube ontem, e me sinto mais órfã hoje do que jamais.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Tradução do discurso



A Ana, gentilmente, traduziu o discurso do Obama, vejam em
http://amdcr.blogspot.com/

Mas acho que se deve também ouvir o Obama, então o legal para quem tem dificuldades em entender é ler a tradução da Ana e ouvir no site.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama



Eu também considero uma vitória histórica, e tenho de me curvar a uma América que nos dá lições também.

Reconheço a grandeza deste momento, reavalio minha antipatia pelos valores desse país e embarco no mote do Obama : change has come to America.


E o discurso da vitória, emocionante à beça, está aqui:

http://elections.nytimes.com/2008/results/president/speeches/obama-victory-speech.html#

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

sobre Roth, Auster e literatura


Li uma ótima resenha do livro Indignação, do Philip Roth, feita por David Gates, do N.Y. Times, e publicada no Idéias JB do último sábado, 01/11/08, em que ele elogia muito o livro, a obra do autor, e observa coisas como

Em geral, prefiro os romances curtos e devastadores sobre sexo e mortalidade - Homem comum, Fantasma [sai de cena], O animal agonizante (2001) - em vez de suas incursões históricas, políticas ou sociais maiores - Pastoral [americana], A marca humana (2000), Complô contra a América (2004) - apesar de admitir que os livros grandes são mais gostosos de ler, uma vez que oferecem um cardápio mais rico de passatempos do que aqueles que cada um de nós tem disponíveis no mercado. Indignation, que se passa durante a Guerra da Coréia em uma pequena e conservadora faculdade de Ohio - chamada Winesburg - tem algo em comum com os dois estilos rothianos. Evoca um período terrível da história dos Estados Unidos (em oposição a todos aqueles períodos idílicos), mas, como nos dois romances anteriores de Roth, também é econômico e cruel.

A nota mais interessante, no entanto, está logo à frente, quando Gates observa que

O segredo de Roth, creio, é sua extrema segurança como contador de histórias - e paradoxalmente, uma humildade suprema. Sua escrita está a serviço da história e de seus personagens; ele é pragmático, não beletrista. Se certas convenções de enredo e linguagem fazem o trabalho, por que sofisticar?

Creio que essa é uma das minhas dificuldades com Roth. O que eu gosto em literatura é o trabalho com linguagem, é uma sofisticação mesmo no campo das formas, do estilo. Uma simples história bem contada, para mim, não faz a literatura que me aprisiona, embora eu leia com prazer os romances de detetive e/ou science fiction (li sem parar O senhor dos anéis e queria mais), ou mesmo best sellers como Quando Nietzsche chorou, mas entro nessas obras sabendo qual é o pacto, esperando apenas o que elas têm a oferecer.
Já a alta literatura me chama por outras razões, gosto exatamente dos não-pragmáticos em linguagem e por isso amo o jogo ficcional que o Auster propõe, e desse articular genialmente, para mim, uma tênue linha entre o real e o ficcional. É como equilibrar-se em cima de um fio resistente sobre o abismo, e convidar-nos a brincar também com o perigo.


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Tezza, Stein, Toklas etc...



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Primeiro, estou feliz com o prêmio Portugal Telecom deste ano para O filho eterno, do Cristóvão Tezza, merecidíssimo, o livro é muito bom e deve ser uma alegria muito especial para o pai-autor obter tantas vitórias com um livro que é um extraordinário mea culpa.
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Agora, sobre A autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein, o livro começa auspicioso mas vai ficando cansativo, e o que era audácia 'estilística' (escrever a autobiografia de outra pessoa para falar basicamente de si) vai ficando ralo e se tornando um tititi interminável, uma conversa meio de comadres, de certo nível, é verdade, porque os parceiros das comadres são gente da mais alta qualidade, o mais assíduo dos quais Picasso no início de sua carreira, com idas e vindas de brigas entre os dois. Gertrude comprava quadros deles todos, tinha fascinação por pintura moderna e acompanhou como amiga os trabalhos iniciais sobretudo de Juan Gris, Cézanne, Braque e Matisse, além de ter convivido, por algum tempo ao menos, com Hemingway, Tristan Tzara, Picabia, Ezra Pound e outros fundadores do cânone moderno. O tom do livro me parece um tanto megalômano, como, aliás, seria o projeto do portentoso The making of Americans, sobre o qual ela diz (lembrar que está falando dela mesma em terceira pessoa):

Foi durante esse verão que Gertrude Stein começou o seu grande livro The Making of Americans.

Começava com um velho tema cotidiano que escreveu ainda em Radcliffe:

"Uma vez um homem furioso arrastou o próprio pai pelo chão do quintal que pertencia ao velho. 'Pára!' Eu não arrastei meu pai além desta árvore." [...]

Devia ser a história de uma família, e era, mas quando cheguei a Paris já estava se transformando na história de toda a humanidade, de todos os seres humanos passados, presentes e futuros." (p. 60).

Isso mesmo, meus caros, simples assim, ela só tem essa pequena ambição, coisa simples, mas o problema é que ela acha mesmo que nas mil e tantas páginas de um livro que quase ninguém leu, segundo a Janet Malcolm, ela produziu a obra-prima da humanidade. Acho que Mallarmé, tendo o mesmo tipo de delírio (escrever a obra incomensurável), deixou saldo mais vital para a cultura. De todo modo, há uma certa sedução, algo que te chama para as incontáveis histórias que não têm fim, sobre um mundo de gente que 'importa, importou e/ou importará', contadas por essa narradora espevitada, um pouco metida, a quem ninguém ousava recusar nada, segundo ela. Sempre fora mimada, a caçula numa família de vários filhos e Alice Toklas acabou sendo a parceira perfeita numa relação de ascendência de uma sobre a outra, em que Stein era o gênio protegido, administrado e incensado por Toklas.
A visão que ela tem sobre o sentido de igualdade é singular, e diz bem de seu caráter forte, já que encontra uma justificativa quase 'filosófica' para o fato de todos se renderem a ela:

Essa faculdade de Gertrude Stein de conseguir que todo mundo fizesse tudo para ela deixava intrigados os outros motoristas da organização. Mrs. Lathrop, que costumava dirigir seu próprio carro, dizia que ninguém fazia essas coisas para ela. E não eram só os soldados. Um chofer largava o volante de um carro particular na Place Vendôme para acionar a manivela do fordeco de Gertrude Stein, se fosse preciso. [...] Agora, quanto a ela, só era bem disposta, democrática, uma pessoa valia tanto quanto outra, e sabia o que queria que fizessem. Segundo ela, quando a gente é assim, se consegue tudo que se quer. (p. 182).

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A autobiografia de Alice B. Toklas. Gertrude Stein. Tradução Milton Persson. Porto Alegre L&PM, 2006.

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