domingo, 22 de janeiro de 2012

Tempo, tempo

        Amanhã, ela faz 86 anos











Amanhã, ele faz 1 ano e 7 meses






Tudo pulsa:  história e vida.















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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tom Jobim forever

A música segundo Tom Jobim é EXTRAORDINÁRIO. E cada letra dessa palavra pode ser lida como um verso, uma nota, uma canção, um barulho, um marulho, um aceno. Além disso, há História de ponta a ponta, minha história, pelo menos, aquela em que eu estive presente, em alguns momentos, por contiguidade temporal, se isso existe. E há as magníficas cantoras, músicos, cantores - o filme abre com uma Gal deslumbrante, a Gal de quem fui fanzoca assumida (eu e toda a minha geração), nossas melhores vozes interpretando Jobim, e também Sinatra, algumas grandes divas do jazz, pelo menos um pianista magistral (Oscar Peterson, acho), enfim um filme lindíssimo, emocionante, sobretudo para quem reconhece as vozes, os rostos, os traços do tempo, e os ama.

Esse filme me deu, pela primeira vez de modo claro e intenso, a percepção da importância de se deixar um legado, qualquer legado, para o tempo que virá depois que desaparecermos. Entendi por inteiro a força da arte, por que ela é necessária a cada um de nós. E vi de modo novo que se a arte tem essa função - fundar um sentido de pertencimento em quem fica - cada pessoa importa, cada vida importa, por mais simples que ela tenha sido. E todos aqueles que já morreram e que aparecem no filme (a maioria) estão mais vivos e mais presentes hoje em minha vida do que jamais.

Desse filme, nasceu a vontade e a necessidade de usar o tempo que me resta em alguma coisa que possa pertencer a todos, ou pelo menos, a todos que me viram nesse mundo e souberam que eu existi. Não sei o que seria isso, mas vou tentar encontrar.

Nelson Pereira dos Santos, Dora Jobim e Tom: toda beleza que há.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

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Preguiça enorme de existir, de ler as mesmas coisas e de escrever bobagens. Vou dar um tempo.
Mas não deixem de ver Triângulo amoroso, se tivesse forças escreveria sobre como ele é ótimo.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Vários: Margin call - o dia antes do fim; O último dançarino de Mao; Românticos anônimos; Tudo pelo poder; As canções; Missão impossível - protocolo fantasma; Noite de ano novo; Roubo nas alturas

Margin Call - o dia antes do fim: dá pra entender o economês, mas não muito bem a dinâmica que levou o mundo ao colapso, ou seja, a coisa toda já vinha acontecendo há anos, sem que alguém tivesse o bom senso de intervir, as coisas sendo levadas com um cinismo cujas consequências estão ainda a nossa volta. Entendi também como é que os figurões conseguiram sair do maior calote já dado nas finanças do mundo ainda com muitos milhões nos bolsos.

O último dançarino de Mao:  Bom filme, grande dançarino, e como a história se passa na época de Mao, claro, fica aquela coisa de que a América é o paraíso na terra. De todo modo, ótima atuação de Bruce Greenwood, que faz um gay contido, coordenador do corpo de ballet da cidade, e do bailarino mesmo, Chi Cao, que não sei se é ator mas dança muito. 

Românticos anônimos: fofíssimo filme, a cara da cultura francesa, com seu amor ao chocolate, e super delicado no tratamento do amor entre tímidos. Humor, delicadeza, singeleza - tudo perfeito.

Tudo pelo poder:  Muito bom, tanto George Clooney, quanto Ryan Gosling e Philip Seymour Hoffman dão show num trabalho de elucidações sobre como funcionam as engrenagens que levam um polítco ao poder, ou qualquer poderoso a sua cadeira, acho. Pode não haver sexo com estagiária sempre, mas há sempre conchavos, acordos, venalidades - lá, cá, em qualquer lugar.

As canções: gostei muito, é um documentário bem simples, marca do Coutinho - uma cadeira, um anônimo falando de seus momentos marcantes ao som de uma canção. Como soi acontecer, há melodrama, há drama, simpatias, graças, há de tudo quando se coloca a alma de uma pessoa à vista de todos. Gostei especialmente do rapaz que canta a canção que fez para o pai, muito bonito e tocante.

Missão impossível - protocolo fantasma: um sujeito de um jornal carioca estava mal humorado no dia em que foi escalado pelo patrão para ver o filme e colocou lá no espaço de crítica, que ele assina e ganha dinheiro para isso, um bonequinho dormindo. Não dá pra levar a sério esse cara. O filme é muito bom, muito bem produzido, mais contido, é verdade, do que os outros, mas com todos aqueles ingredientes que fazem essa franquia render bem até agora. O Tom está mais maduro, mais bonito, e acho que está ficando melhor ator nesse tipo de trabalho, que exige mais fôlego do que propriamente atuação. Enfim, gostei muito, dentro do gênero.

Noite de ano novo: diversão sem maiores complexidades, com uma penca de gente famosa para agradar todo mundo, típico filme de final de ano, mas distrai bem.

Roubo nas alturas: divertidíssimo, sobretudo quando Eddie Murphy entra em cena, em ótima forma, o que me deixou muito feliz, porque era uma pena ver um ator com a história no cinema que ele tem pagar tantos micos como ele já pagou em comédias patéticas. Enfim, o filme tem muitos momentos engraçados, a história é ótima, prima em segundo grau do enredo de Margin call, mas aqui todos saem redimidos, enfim.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Lembrando

Parece bom lembrar das coisas simples, até porque 2012 anuncia-se como o apocalipse (ainda preciso ler mais sobre a maldição que pesa sobre esse ano, só ouvi rumores). Comentei alguns itens.

1. A vida não é justa, mas ainda é boa (concordo plenamente).

2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno (atualmente, prefiro nem dar esse).

3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém (sábio, mas difícil, de todo modo cansa muito odiar, nem tenho tempo interno pra isso).

4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato (verdade relativa, estranhos cuidam bem também, desde que pagos)

5. Pague mensalmente seus cartões de crédito. (verdade irrefutável, embora inútil para quem não pode fazer isso)

6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar. (claro, não ganhar pavimenta qualquer estrada de sucesso)

7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.(meio apelativa, essa)

8. É bom ficar bravo com Deus. Ele pode suportar isso. (gostei de saber, mas minha relação com ele não permite esses destemperos)

9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário. (verdade, economizar é regra de ouro, sempre, mas claro que nem sempre dá, ou melhor, quase nunca dá)

10. Quanto a chocolate, é inútil resistir. (nem tanto, depende, de alguns nem quero mesmo saber, aliás, onde tem chocolate muuuuito bom por aqui?)

11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente. (verdade, sou absolutamente tranquila com o tanto que já aprontei)

12. É bom deixar suas crianças verem que você chora. (se tiver que chorar, faço na frente do papa)

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles. (não comparo nada, minha vida é só minha e ninguém tasca ::)

14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele. (concordo, muito trabalhoso esconder o que for)

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe; Deus nunca pisca. (assim espero :)

16. Respire fundo. Isso acalma a mente. (projeto para 2012 - se existir esse ano - aprender a respirar, não sei fazer isso até hoje)

17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.(caracas, isso é obra para uma vida! mas tenho dado alguns bons passos nesse sentido)

18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte. (afinal, isso foi mesmo Nietzsche que escreveu, ou quem? certíssimo)

19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.(esse é muito boa, mas dificílima, precisa de muita análise pra conseguir)

20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta. (mais ou menos, já levei muitos nãos do que mais amava na ocasião, e não pude 'não aceitar', não foi colocado assim. Mas os nãos mais importantes impulsionaram minha vida para muito, muito adiante! Se for esse o espírito, estou plenamente de acordo)
 21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial. (perfeito)

22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo. (isso mesmo!)

23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo. (seja excêntrico quem gostar de excentricidade. Eu gosto do clássico)

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro. (viram?)

25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.. ('eu e minhas circunstâncias'... sartre?)

26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em cinco anos, isto importará?' (minha amiga eliana tem isso como mantra... acho boa a idéia, mas difícil na hora do vamos ver)

27. Sempre escolha a vida. (segundo um amigo, não há outra opção, não há instinto de morte, só de vida)

28. Perdoe tudo de todo mundo. (essa é boa, mas não perdoo assim não, só deixo pra lá, mas não gasto tempo pensando na coisa)

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta. (verdade, mas nem sempre se pode ser tão indiferente)

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo. (verdade, só custa lembrar quando doi)

31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará. (verdadíssima)

32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso. (depende, às vezes é preciso, outras não)

33. Acredite em milagres. (acredito)

34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez. (isso realmente me tira um peso das costas :)

35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.(tenta-se)

36. Envelhecer ganha da alternativa -- morrer jovem. (é bom lembrar disso quando não se é mais jovem)

37. Suas crianças têm apenas uma infância. (difícil esquecer, sobretudo quando os pais cuidam delas quase sem ajuda)

38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou. (olha, isso é verdade, mas será que o 'tudo' aí vale isso tudo?...)

39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares. (isso parece inconteste)

40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta. (nem tanto assim)

41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa. (primeira parte, certíssimo; segunda parte, depende...)

42. O melhor ainda está por vir. (não acho não, quero o melhor agora, hoje, já)

43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça. (menos...)

44. Produza! (tá certo!)

45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente. (e eu quero compreender isso a cada dia, inteiramente, mas ...)  
 
 
  **** 2012 - ANO MELHOR PARA TODOS NÓS! ****

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Os sinos...zzzzzz

A noite de Natal, por opção e escolha, passei sozinha. Mãe foi com sobrinho, sobrinha foi com marido e filho pra outra casa e eu pude enfim fazer o que mais gosto: nada, sem obrigações. Quando o nada é sem culpa é muito bom, e raro. Minhas companhias usuais (a boneca entrou aqui de gaiata):















O livro de capa vermelha já li, o de poesias quase; o  primeiro é... estranho, comprei pelo autor e pela beleza do objeto, mas não deu muito certo, acho - se falar sobre esse livro quero fazê-lo com vontade e com cuidado, porque o Bartolomeu é um autor que prezo muito; essa senhora Wislawa é uma enorme poeta, como tantas e tantas páginas na internet já o disseram; Azul corvo está na fila há meses, furei a fila pra ele e também preciso terminá-lo para falar com cuidado, porque quando conheço um pouco o autor e o respeito, prefiro não falar se não houver algum traço na obra que me tenha despertado de alguma forma.

O do Rubens Figueiredo nem comecei, mas esse livro tem sido bem elogiado e ganhou, entre outros, o Portugal Telecom deste ano, e eu tenho pelo autor o maior apreço: quando era jovem escrevi algumas resenhas para o Idéias do JB e houve uma época em que ele foi, por um tempo, o editor do caderno (acho que cobriu férias da Vivian Wyler) e sempre me tratou com a maior consideração. Dele, conheço apenas suas obras inicias - O mistério da samambaia bailarina (1986) e Esssa maldita farinha (1987), que devo ter indicado a alunos, não me lembro mais, nem dos livros, nem dos alunos. Tenho muita vontade de que sua obra recente alimente minha alma.
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Nada a dizer

Alguns livros lidos ao longo do ano, com os quais dividi meu tempo, entre (poucas) viagens, palavras cruzadas e Angry Birds.

Nada a dizer, Elvira Vigna, nos oferece um verbo solto e uma frase precisa no acerto de contas de uma personagem com o companheiro de longa data, que a trai com uma amiga do casal. Autora de uma geração muito próxima a minha, os valores ensaiados no livro ecoam de modo natural em minha sensibilidade, de modo que reconheço facilmente os termos da longa DR que perpassam esse universo ficcional.

A ressaltar a frase seca, contundente, sem concessão ao melodrama em que se poderia resvalar, dada a natureza do projeto. Ao contrário, é possível falar em precisão cirúrgica no corte da frase, na escolha dos vocábulos, de modo a não deixar margem a qualquer ideia de sentimentalismo fácil, como se lê em :

Nessa segunda viagem ao Rio, já não havia muito mais coisas, além do iPod, que Paulo precisava por na lista de situações novas sobre as quais seria preciso inventar mentiras. A viagem era uma repetição da primeira, as mentiras da primeira serviam . A viagem, acho, foi uma consolidação do que, da primeira vez, havia sido um ir em frente para o desconhecido. E, na cabeça dele, já estabelecida, estava a ideia de que o que havia entre ele e N. era o exercício de um direito que ele tinha, o de gerir a vida dele e o pau dele do jeito que lhe aprouvesse. (p. 44-5).

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Elvira Vigna. Nada a dizer. São Paulo: Cia das Letras, 2010.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Na terra do (muito) sol

De uma visita rápida a médico em Fortaleza:


O prédio onde morei e, apesar de todos os contratempos vividos ali, fui bem feliz. Entrei, conversei com um morador, fui reconhecida por um funcionário como se tivesse saído ontem ::)














A pracinha em frente recebeu um parquinho pras crianças, que os marmanjos usam, claro.











Dos quiosques que vendem plantas na pracinha.











Shopping Del Paseo, pequeno, agradável, ótimo lugar para almoçar, onde ia a pé. Gosto muito.











O mobiliário dessa área é fofo.
















O bom desse lugar é que nunca está cheio, sempre dá pra relaxar e sair da canícula lá fora.


























Esse último ser do presépio, carregando um cabrito nos ombros, eu já fotografei há alguns anos no presépio da igreja que é a segunda casa de minha mãe, na rua onde ela mora. Quando o vi pensei: ah, você está por aqui também, meu senhor, deve estar cansado de carregar esse borrego vindo de tão longe...::)


Aí está, é ele mesmo, o senhor cabrito... conversei um pouco com ele porque, como se sabe, quem viaja só conversa com quem aparece à frente, e quando se conhece o ser então, lá vem papo... Ele é parecido com um amigo mineiro de infância.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Três filmes, e Lars: Um dia; Inquietos; A chave de Sarah

Um dia: Anne Hathaway está muito bem, apesar de ninguém do filme parecer vinte anos mais velho, nem mesmo Jim Sturgess com cabelos prateados ao final parece que envelheceu. Ah, o filme é bom, mas longo demais, o roteiro desanda a horas tantas, não tem mais história pra contar, até o final abrupto e realmente chocante - tive a impressão de que todo mundo levantou da cadeira um pouquinho ao mesmo tempo na mesma hora. Esse final me pareceu mais impactante do que o parto de Bella, que fez alguns espectadores desmaiar, dizem, por causa dos efeitos das luzes - nem percebi tais luzes, mas nesse filme, sim. Não é bem uma luz, é um som. Caracas. Não quero dizer mais nada sobre o final, mas o filme todo fica um pouco diferente por ele, pelo menos eu li com mais interesse a história daqueles dois, que leva vinte anos do encontro inicial até sua mais feliz realização. Esse final também me pareceu o indicador mais forte da teoria do caos aplicada à vida. E sua aleatoriedade.

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Inquietos: todo o tempo, mas todo o tempo mesmo em que Henry Hopper está na tela eu via dois-em-um, o filho e o pai, Dennis Hopper, um ator inquieto, cuja morte me parece ainda hoje estranhamente inusual, numa espécie de condensação do tema: a inclinação pela morte do personagem, sua semelhança com o pai real, mas re-editado com um semblante agora doce, meigo, jovem e lindo. A protagonista  cumpre seu destino com serenidade, e a excelente atriz Mia Wasikowska transmite uma aceitação de suas últimas semanas na vida de forma, eu diria, estóica, zen, mesmo alegre, fruindo o inesperado amor de modo vorazmente doce. Amei o filme, os dois, o modo de ser de ambos, os caminhos, o amor difícil e belo, o figurino (vintage?), sobretudo dela, a encenação toda, o enredo. Nunca a morte foi tão tranquila e leve no cinema.

PS. Outro dia revi na televisão um outro filme de Gus Van Sant de que não havia gostado no cinema, Paranoid Park, e desta vez gostei muito, achei delicado, forte, nada chato - outra pessoa assistira àquele filme, naquele tempo anterior. Que coisa, essa é uma das facetas da grande arte, acho - nos força a mudar, a vê-la.

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A chave de Sarah: Forte, tocante, imperioso ver novos ângulos mostrados para a eterna questão do holocausto, com atuação marcante de Kristin Scott Thomas e da atriz mirim francesa, Mélusine Mayance, que faz Sarah menina. Um lado pouco conhecido (para mim) da colaboração francesa com as forças de ocupação nazistas. Muito bom filme, história, reconstituição, e o final meio redentor toca intensamente o espectador.

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Li que Melancolia ganhou o prêmio de melhor filme do ano do European Film Awards. Merecidíssimo. Lars não compareceu, a irmã o representou. Acho uma pena tão grande esse enorme cineasta ter tido a infelicidade de falar uma bobagem numa entrevista, por ele mesmo reconhecida como uma espécie de tagarelice tola, daquelas que se fala para 'épater' num evento espetaculoso como o de Cannes, e passar a ser indigitado por todos a partir de então. Se ele pelo menos tivesse falado a sério, mas era pura mis-en-scène em palavras, eu acredito que foi mesmo uma tirada infeliz. Enfim, tomara que ele continue fazendo filmes ótimos e grandiosos, que enriquecem o cinema e quem ama essa arte.
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