sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tom Jobim forever

A música segundo Tom Jobim é EXTRAORDINÁRIO. E cada letra dessa palavra pode ser lida como um verso, uma nota, uma canção, um barulho, um marulho, um aceno. Além disso, há História de ponta a ponta, minha história, pelo menos, aquela em que eu estive presente, em alguns momentos, por contiguidade temporal, se isso existe. E há as magníficas cantoras, músicos, cantores - o filme abre com uma Gal deslumbrante, a Gal de quem fui fanzoca assumida (eu e toda a minha geração), nossas melhores vozes interpretando Jobim, e também Sinatra, algumas grandes divas do jazz, pelo menos um pianista magistral (Oscar Peterson, acho), enfim um filme lindíssimo, emocionante, sobretudo para quem reconhece as vozes, os rostos, os traços do tempo, e os ama.

Esse filme me deu, pela primeira vez de modo claro e intenso, a percepção da importância de se deixar um legado, qualquer legado, para o tempo que virá depois que desaparecermos. Entendi por inteiro a força da arte, por que ela é necessária a cada um de nós. E vi de modo novo que se a arte tem essa função - fundar um sentido de pertencimento em quem fica - cada pessoa importa, cada vida importa, por mais simples que ela tenha sido. E todos aqueles que já morreram e que aparecem no filme (a maioria) estão mais vivos e mais presentes hoje em minha vida do que jamais.

Desse filme, nasceu a vontade e a necessidade de usar o tempo que me resta em alguma coisa que possa pertencer a todos, ou pelo menos, a todos que me viram nesse mundo e souberam que eu existi. Não sei o que seria isso, mas vou tentar encontrar.

Nelson Pereira dos Santos, Dora Jobim e Tom: toda beleza que há.
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