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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
na falta de
Na falta da vontade de escrever o que quer que seja, flores, de várias cores e odores, e luzes da primavera em forma de casinhas.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
a morte dos sapatos
Plagiando anna v, e considerando que blog também é informação, sugiro que não usem essa coisa aí embaixo contra mofo próximo a sapatos porque o desastre é certo. O pior é que está em letras bem pequenas que pode causar ressecamento no couro - a palavra exata, no entanto, é outra: ele destroi o couro, encolhe e enverga o sapato. Perdi dois que eu amava demais, por isso o aviso. Vejam a tristeza: a botinha binne já comprei outra, porque não viajo sem. O sapatinho preto morreu mesmo.


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domingo, 11 de setembro de 2011
Três livros, ou dois
Nos intervalos das viagens que as milhas Smiles têm-me permitido fazer (e espero continuar em breve), tenho lido alguns livros que compõem aquilo que vou chamar de 'literatura groupie', no sentido de um texto que se escreve às expensas da obra de outro, sua memorabilia particular, histórias e casos que circundam um nome autoral, uma obra, e que fazem dele algo mais do que um autor. O espanhol Enrique Vila-Matas seria, nesse sentido, paradigmático. Pelo menos dois livros recentemente publicados aqui envolvem o nome do espanhol, prestam-lhe tributo, dialogam explicitamente com sua obra e existem basicamente à sombra de seu mundo ficcional: A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe; e Se um de nós dois morrer, de Paulo Roberto Pires.
Começando pelo começo, a História abreviada da literatura portátil, do Vila-Matas, e referência para ambos os autores mencionados, é uma obra que não se enquadra em quase nada do que chamamos 'literatura', em seu modo convencional de existir - vários mundos reais e inventados caminham numa narrativa que seduz pela apropriação desatinada e desbragada de nomes reais do cânone literário e artístico da modernidade, em meio a acontecimentos nada convencionais, ou melhor, louquíssimos e muitas vezes engraçadíssimos. Lê-se com prazer aquele mundo meio Alice no país das maravilhas, em que também os personagens do último filme de Woody Allen, Meia noite em Paris, passeiam fantasmagoricamente e ludicamente por suas páginas. Numa lógica muito particular, transitam pelas histórias mirabolantes "odradeks, golens, bucarestes e todo tipo de criaturas que povoam a solidão daqueles que, em tensa convivência com o duplo, se isolam para trabalhar." (p. 101). Walter Benjamin é uma figura incorporada à narrativa, de modo sistemático, e está presente igualmente no livro de Paulo Roberto Pires. Em outro momento, volto a comentar mais detidamente o livro impagável do Vila.
A primeira referência que tive de Se um de nós dois morrer foi no site da Cora Rónai, que veio lendo o livro no dia do lançamento e adorando. Curiosa, fiquei um tempo procurando por ele, achei por fim na Blooks do Unibanco Arteplex, onde não gosto de comprar porque não dão desconto algum. Li finalmente todo o livro do Pires e o começo é mesmo muito estimulante, o que vai mudando da metade para o final. O livro começa muito bem, prometendo uma história interessantíssima (e bem escrita, no estilo quase coloquial do personagem-escritor-defunto), sobre um homem, Théo, autor de um único livro de sucesso, e eventual amante que, ao morrer, deixa para a amiga-ex-amante um testamento e dinheiro para realizar suas últimas vontades, uma delas a de que suas cinzas sejam enterradas em vários locais do cemitério de Montparnasse, em Paris, claro.
Nessa, digamos, primeira parte, o livro é uma delícia de ler, em sua homenagem a Paris (de novo o filme de Allen passeia na memória do leitor), descrições de passeios, lugares, hotéis, referências a pessoas reais e mesmo próximas a certo tipo de leitor. Por exemplo, a referência a Silviano Santiago e seu Keith Jarrett no Blue Note (1996) me remete a um período muito intenso da minha relação pessoal com o livro (mas sobretudo com Stella Manhattan e Em liberdade), com esse autor e também ex-professor no mestrado, relação cheia de complicações e admirações tensas. De todo modo, há uma tela de nomes, referências e acontecimentos que, no caso do autor brasileiro, aproximam muito o mundo literário criado ao universo de um certo tipo de intelectual brasileiro, que viajou a Paris, ama essa cidade e leu alguns livros de referência citados - Benjamin em especial.
O problema maior do livro acontece quando se abre a segunda carta, com o segundo pedido feito pelo morto a sua amiga: entregar a Enrique Vila-Matas uma pasta contendo um conjunto de textos inacabados do que seria uma possível segunda obra desse autor de obra única. O conteúdo dessa pasta será então a matéria dessa parte do livro, copiado tal qual Sofia a encontrou. E aqui existem alguns problemas, de que vou comentar alguns a seguir. Antes, alguns trechos da prosa de Pires:
"(Lembra que eu pensava em escrever um livro em que cada conto fosse batizado de acordo com um standard americano? Como você sabe, o mestre Silviano Santiago fez primeiro - e muito melhor do que eu poderia sonhar em conseguir. Agora, só me resta esta patética e pouco concreta obra póstuma: Keith Jarrett em Montparnasse. O que é por definição muito melhor do que, admita, um Liberace no Caju ou Bené Nunes no Irajá.)" (p. 16).
"Tinha um projeto, que vivia adiando, de fotografar todos os dias de sua vida e, depois de selecionar o mais irrelevante dos momentos, escrever um texto que deveria acompanhar a imagem. Mas a convivência com Théo parecia ter esterilizado de alguma forma sua capacidade de expressar-se. Fotografava todos os dias, selecionava as melhores imagens numa pasta, mas, diante delas, não lhe vinha uma única linha." (p. 19)
Aqui, como em tantos outros momentos, não há como não ter à memória a obra de Sophie Calle, também mencionada em algum momento da narrativa, bem como não receber com empatia o penchant para esse tipo de trabalho com a 'fotografia das coisas mínimas', com que essa leitora também muito se compraz.
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Enrique Vila-Matas. História abreviada da literatura portátil. Tradução Júlio Pimentel Pinto. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
Paulo Roberto Pires. Se um de nós dois morrer. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
Começando pelo começo, a História abreviada da literatura portátil, do Vila-Matas, e referência para ambos os autores mencionados, é uma obra que não se enquadra em quase nada do que chamamos 'literatura', em seu modo convencional de existir - vários mundos reais e inventados caminham numa narrativa que seduz pela apropriação desatinada e desbragada de nomes reais do cânone literário e artístico da modernidade, em meio a acontecimentos nada convencionais, ou melhor, louquíssimos e muitas vezes engraçadíssimos. Lê-se com prazer aquele mundo meio Alice no país das maravilhas, em que também os personagens do último filme de Woody Allen, Meia noite em Paris, passeiam fantasmagoricamente e ludicamente por suas páginas. Numa lógica muito particular, transitam pelas histórias mirabolantes "odradeks, golens, bucarestes e todo tipo de criaturas que povoam a solidão daqueles que, em tensa convivência com o duplo, se isolam para trabalhar." (p. 101). Walter Benjamin é uma figura incorporada à narrativa, de modo sistemático, e está presente igualmente no livro de Paulo Roberto Pires. Em outro momento, volto a comentar mais detidamente o livro impagável do Vila.A primeira referência que tive de Se um de nós dois morrer foi no site da Cora Rónai, que veio lendo o livro no dia do lançamento e adorando. Curiosa, fiquei um tempo procurando por ele, achei por fim na Blooks do Unibanco Arteplex, onde não gosto de comprar porque não dão desconto algum. Li finalmente todo o livro do Pires e o começo é mesmo muito estimulante, o que vai mudando da metade para o final. O livro começa muito bem, prometendo uma história interessantíssima (e bem escrita, no estilo quase coloquial do personagem-escritor-defunto), sobre um homem, Théo, autor de um único livro de sucesso, e eventual amante que, ao morrer, deixa para a amiga-ex-amante um testamento e dinheiro para realizar suas últimas vontades, uma delas a de que suas cinzas sejam enterradas em vários locais do cemitério de Montparnasse, em Paris, claro.
Nessa, digamos, primeira parte, o livro é uma delícia de ler, em sua homenagem a Paris (de novo o filme de Allen passeia na memória do leitor), descrições de passeios, lugares, hotéis, referências a pessoas reais e mesmo próximas a certo tipo de leitor. Por exemplo, a referência a Silviano Santiago e seu Keith Jarrett no Blue Note (1996) me remete a um período muito intenso da minha relação pessoal com o livro (mas sobretudo com Stella Manhattan e Em liberdade), com esse autor e também ex-professor no mestrado, relação cheia de complicações e admirações tensas. De todo modo, há uma tela de nomes, referências e acontecimentos que, no caso do autor brasileiro, aproximam muito o mundo literário criado ao universo de um certo tipo de intelectual brasileiro, que viajou a Paris, ama essa cidade e leu alguns livros de referência citados - Benjamin em especial.
O problema maior do livro acontece quando se abre a segunda carta, com o segundo pedido feito pelo morto a sua amiga: entregar a Enrique Vila-Matas uma pasta contendo um conjunto de textos inacabados do que seria uma possível segunda obra desse autor de obra única. O conteúdo dessa pasta será então a matéria dessa parte do livro, copiado tal qual Sofia a encontrou. E aqui existem alguns problemas, de que vou comentar alguns a seguir. Antes, alguns trechos da prosa de Pires:
"(Lembra que eu pensava em escrever um livro em que cada conto fosse batizado de acordo com um standard americano? Como você sabe, o mestre Silviano Santiago fez primeiro - e muito melhor do que eu poderia sonhar em conseguir. Agora, só me resta esta patética e pouco concreta obra póstuma: Keith Jarrett em Montparnasse. O que é por definição muito melhor do que, admita, um Liberace no Caju ou Bené Nunes no Irajá.)" (p. 16).
"Tinha um projeto, que vivia adiando, de fotografar todos os dias de sua vida e, depois de selecionar o mais irrelevante dos momentos, escrever um texto que deveria acompanhar a imagem. Mas a convivência com Théo parecia ter esterilizado de alguma forma sua capacidade de expressar-se. Fotografava todos os dias, selecionava as melhores imagens numa pasta, mas, diante delas, não lhe vinha uma única linha." (p. 19)
Aqui, como em tantos outros momentos, não há como não ter à memória a obra de Sophie Calle, também mencionada em algum momento da narrativa, bem como não receber com empatia o penchant para esse tipo de trabalho com a 'fotografia das coisas mínimas', com que essa leitora também muito se compraz.
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Enrique Vila-Matas. História abreviada da literatura portátil. Tradução Júlio Pimentel Pinto. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
Paulo Roberto Pires. Se um de nós dois morrer. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
sábado, 10 de setembro de 2011
dois filmes
Um conto chinês: obra prima obra prima obra prima. E além de tudo, ri-se bastante. O Darin é mesmo um enorme ator, ele se reinventa, mantendo os mesmos belíssimos olhos. Mas a graça maior do filme está no roteiro, no modo como esses dois se acham e não conseguem se livrar um do outro, por honestidade atávica, em um, e necessidade mórbida, em outro. A mistura de acaso e necessidade gera um tempo de puro deleite diante da tela, com o surplus de uma personagem feminina cujos anseios são quase o de todas nós - ficar pertinho do Darin ::))
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O Wagner Moura está impagável n'O homem do futuro, um dos grandes trabalhos em cinema do moço, além do capitão Nascimento, claro. O filme diverte à beça, é bem feito, as atrizes estão ótimas: Alinne me surpreendeu e a Maria Luisa nem parece aquela atriz sem graça que de vez em quando aparece na TV (eu só a vejo raramente na TV). Acho que nossos melhores atores gostam da tela grande, fazem muito bom cinema, e nossos três maiores atores quase sempre acertam na telona, acho que estão cada vez mais maduros artisticamente: Wagner, Selton (aliás, vi o trailer de Palhaço e acho que vai ser um grande filme) e Lazaro dão show.
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O Wagner Moura está impagável n'O homem do futuro, um dos grandes trabalhos em cinema do moço, além do capitão Nascimento, claro. O filme diverte à beça, é bem feito, as atrizes estão ótimas: Alinne me surpreendeu e a Maria Luisa nem parece aquela atriz sem graça que de vez em quando aparece na TV (eu só a vejo raramente na TV). Acho que nossos melhores atores gostam da tela grande, fazem muito bom cinema, e nossos três maiores atores quase sempre acertam na telona, acho que estão cada vez mais maduros artisticamente: Wagner, Selton (aliás, vi o trailer de Palhaço e acho que vai ser um grande filme) e Lazaro dão show.
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sábado, 3 de setembro de 2011
João Pessoa
Em face da catastrófica perda de sono hoje, vamos a algumas fotos de João Pessoa, que acabei de conhecer e achei muito fofa, com gente acolhedora, praias bonitas - acho que para quem mora no Rio as praias do Nordeste são quase sempre 'reconhecidas, ou seja, nós em algum lugar por aqui já vimos algo semelhante, salvo quanto ao morninho, talvez. De todo modo, fiquei pouco, só o suficiente para gostar, querer voltar, e ter conhecido uma igreja de São Francisco que me emocionou deveras - é pequena, mal conservada, mas tem um trabalho tão forte de barroco, embora as fotos não façam jus, porque não havia luz suficiente e eles pedem que não usemos flash. Todo o tempo em que mirava aquelas maravilhas, Mario de Andrade me acompanhava, e seu Padre Jesuíno do Monte Carmelo, um dos livros-mantra de Mario para mim, em que ele analisa a obsessão do traço barroco nas igrejas brasileiras e percorre o caminho desse pintor e escultor desconhecido até então, Padre Jesuíno - e uma das imagens que perduram em minha lembrança de leitura é Mario atônito diante de pedaços de dedos, unhas, nervuras, coisas mínimas em que ele via a presença da arte do autor. É muito belo esse amor à pesquisa em Mario, essa paixão obsessiva pela descoberta de algo.
Enfim, eu e Mario percorremos aquela igreja emocionados, e em sintonia profunda.
Outro momento alto foi um passeio de barco que fiz, com pouca gente e pouca música sertaneja, em que acabaram me achando muito divertida, vejam só - pra eu ser divertida era porque estava muito bem. E a cena do senhor lá tocando o bolero de Ravel é de uma breguice tão maravilhosa, amei aquilo tudo - mas tenho de confessar que essa situação só foi possível porque o pessoal do meu barco era super gente fina e a música que eles tocavam era decente (eu sempre levo protetor de ouvidos para esse tipo de passeio porque a música alta e sertaneja me dá dor de cabeça na hora, mas nem precisei usar).
De todo modo, again, o grande personagem dessa coisa toda do bolero, para mim, é o remador do barco. Que coisa, o homem fica lá remando, chegou a tirar água do barco com uma lata - nós vimos lá de longe, dá um duro danado e o outro ganha todos os louros, tão injusto isso :)). No fim, tive a honra de tirar uma foto com ele, conversei um pouco e inflamei seu orgulho, incitando-o a pedir um aumento de salário (ganha um salário mínimo para carregar aquele homem por meia hora no barco, enquanto o homem que toca ganha uns 10 mil dos quatro restaurantes que bancam o show. Achei injusta a medida, mas deve ser vantagem ainda para o remador).
Ah, e JP foi a única cidade brasileira em que meus pés pisaram que tem um traço de civilidade ímpar: quando o transeunte chega à calçada para atravessar a rua, o carro - qualquer carro - para para ele. Que tal? Mais primeiro mundo, impossível. E as ruas são limpíssimas, como em Aracaju. Isso é muito reconfortante.
Detalhes da Igreja
Um homem limpando seu barco

Obra de artista local no Museu do Artista Popular
Enfim, eu e Mario percorremos aquela igreja emocionados, e em sintonia profunda.
Outro momento alto foi um passeio de barco que fiz, com pouca gente e pouca música sertaneja, em que acabaram me achando muito divertida, vejam só - pra eu ser divertida era porque estava muito bem. E a cena do senhor lá tocando o bolero de Ravel é de uma breguice tão maravilhosa, amei aquilo tudo - mas tenho de confessar que essa situação só foi possível porque o pessoal do meu barco era super gente fina e a música que eles tocavam era decente (eu sempre levo protetor de ouvidos para esse tipo de passeio porque a música alta e sertaneja me dá dor de cabeça na hora, mas nem precisei usar).
De todo modo, again, o grande personagem dessa coisa toda do bolero, para mim, é o remador do barco. Que coisa, o homem fica lá remando, chegou a tirar água do barco com uma lata - nós vimos lá de longe, dá um duro danado e o outro ganha todos os louros, tão injusto isso :)). No fim, tive a honra de tirar uma foto com ele, conversei um pouco e inflamei seu orgulho, incitando-o a pedir um aumento de salário (ganha um salário mínimo para carregar aquele homem por meia hora no barco, enquanto o homem que toca ganha uns 10 mil dos quatro restaurantes que bancam o show. Achei injusta a medida, mas deve ser vantagem ainda para o remador).
Ah, e JP foi a única cidade brasileira em que meus pés pisaram que tem um traço de civilidade ímpar: quando o transeunte chega à calçada para atravessar a rua, o carro - qualquer carro - para para ele. Que tal? Mais primeiro mundo, impossível. E as ruas são limpíssimas, como em Aracaju. Isso é muito reconfortante.
Detalhes da Igreja
O tocador do bolero e seu ajudante
Casa dos franceses, onde tudo começou, abandonada mas linda no por do sol
Feirinha no Jacaré, onde ficam os grandes restaurantes e de onde sai o barco para ver o bolero
Um homem limpando seu barco
Obra de artista local no Museu do Artista Popular
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
meio viciante
Viciei nele completamente, culpa desse moço aqui . E decidi que não deixo de conhecer algumas cidades portuguesas ano que vem, quem sabe ele faz uma apresentação em algum canto e eu assisto, heim?
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Ainda os ecos
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Então, para espantar a desesperança de Melancolia, fui ver A árvore da vida, e diante da confusa narrativa que o diretor nos apresenta, do filme-que-teima-em-não-acontecer-para-mim, vi ainda os ecos do outro na longa, longuíssima série de fotos de espaços, animais, rochas, mares, rios, gases, galáxias, nebulosas, dinossauros, maluquices, ou seja, na longuíssima viagem que o diretor faz a uma pre-história lá dele, numa meio lisérgica viagem em que objetos do espaço semelhantes a - cometas? pedaços de outros planetas? coisas? - chocam-se com a superfície do que suponho ser a Terra, e de novo o acúmulo deixado pelo 'outro' me vem, ecoa em mim.
Então, do filme mesmo do Malick pouco restou - um Brad Pitt que eu já respeitava de outros filmes, e que carrega nas costas o que resta de ação dessa árvore. Um filme com mais furos e buracos e ausências do que me será possível reportar. Parece que ele levou quase um ano editando a obra. Meu Deus, quanto trabalho para tão ... sei lá, que sei eu.
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Então, para espantar a desesperança de Melancolia, fui ver A árvore da vida, e diante da confusa narrativa que o diretor nos apresenta, do filme-que-teima-em-não-acontecer-para-mim, vi ainda os ecos do outro na longa, longuíssima série de fotos de espaços, animais, rochas, mares, rios, gases, galáxias, nebulosas, dinossauros, maluquices, ou seja, na longuíssima viagem que o diretor faz a uma pre-história lá dele, numa meio lisérgica viagem em que objetos do espaço semelhantes a - cometas? pedaços de outros planetas? coisas? - chocam-se com a superfície do que suponho ser a Terra, e de novo o acúmulo deixado pelo 'outro' me vem, ecoa em mim.
Então, do filme mesmo do Malick pouco restou - um Brad Pitt que eu já respeitava de outros filmes, e que carrega nas costas o que resta de ação dessa árvore. Um filme com mais furos e buracos e ausências do que me será possível reportar. Parece que ele levou quase um ano editando a obra. Meu Deus, quanto trabalho para tão ... sei lá, que sei eu.
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terça-feira, 9 de agosto de 2011
Melancolia - e um PS
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Magnífico. Belíssimo. Magnificente. Esplendoroso. Contundente. Estranho. Duríssimo. Comovente. De uma beleza exacerbada. De uma dureza exacerbada. Com uma fotografia estranha, pura obra de arte. Com atrizes absurdamente convincentes, e entregues, e dolorasamente compartilhando aquele mundo em vias de extinção. De uma beleza atordoante - tudo é belo: a música, os cenários, os animais, os lugares, os planetas vistos do alto e através das lunetas, as roupas, ela nua no rio entregue ao que virá, que por ora está acima, e em cima. O tom do filme é dramático, e épico também, quando o fim do mundo se aproxima, mas um épico à capella, o que quer que isso signifique, mas minha percepção é de que tudo é intensamente vivido pela protagonista como 'a inevitabilidade do devir', algo vai corroendo-a enquanto o bólide avança. É Nitzsche puro, também. Não há perdão, não há salvação, não há 'bondade' - tudo doi e tudo é magnífico ao mesmo tempo. Filme imprescindível, obra prima, a rever a rever a rever. Quando a nostalgia da grandeza bater.
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PS: Hoje é dia 15 de agosto, segunda feira, e volto para dizer o seguinte: por vários dias seguidos fiquei muito perturbada com os ecos dessa história em minha mente, ou talvez do filme todo. Uma capa leve de neblina encobria minha alegria e eu via distante, longe, com certa angústia, o encontro dele com a Terra, tudo se esfumaçando muito rapidamente, eu e todos virando ashes (tu és pó e ao pó retornarás...). Só posso inferir duas coisas (no momento): ou estou muito vulnerável, ou o filme é bom mesmo e por isso fica, permanece em nós naquilo que ele tem de intransigível: sua profunda desesperança. Não sei se seria uma boa idéia revê-lo.
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Magnífico. Belíssimo. Magnificente. Esplendoroso. Contundente. Estranho. Duríssimo. Comovente. De uma beleza exacerbada. De uma dureza exacerbada. Com uma fotografia estranha, pura obra de arte. Com atrizes absurdamente convincentes, e entregues, e dolorasamente compartilhando aquele mundo em vias de extinção. De uma beleza atordoante - tudo é belo: a música, os cenários, os animais, os lugares, os planetas vistos do alto e através das lunetas, as roupas, ela nua no rio entregue ao que virá, que por ora está acima, e em cima. O tom do filme é dramático, e épico também, quando o fim do mundo se aproxima, mas um épico à capella, o que quer que isso signifique, mas minha percepção é de que tudo é intensamente vivido pela protagonista como 'a inevitabilidade do devir', algo vai corroendo-a enquanto o bólide avança. É Nitzsche puro, também. Não há perdão, não há salvação, não há 'bondade' - tudo doi e tudo é magnífico ao mesmo tempo. Filme imprescindível, obra prima, a rever a rever a rever. Quando a nostalgia da grandeza bater.
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PS: Hoje é dia 15 de agosto, segunda feira, e volto para dizer o seguinte: por vários dias seguidos fiquei muito perturbada com os ecos dessa história em minha mente, ou talvez do filme todo. Uma capa leve de neblina encobria minha alegria e eu via distante, longe, com certa angústia, o encontro dele com a Terra, tudo se esfumaçando muito rapidamente, eu e todos virando ashes (tu és pó e ao pó retornarás...). Só posso inferir duas coisas (no momento): ou estou muito vulnerável, ou o filme é bom mesmo e por isso fica, permanece em nós naquilo que ele tem de intransigível: sua profunda desesperança. Não sei se seria uma boa idéia revê-lo.
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sábado, 6 de agosto de 2011
Conversa fiada
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Ia ver Melancolia hoje, mas acabei de babysitter de Gabriel, que ressona alto na cama ao lado. Muita expectativa em relação ao filme, gente odiando, outros amando, só vendo pra saber, mas acho que vou gostar muito.
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Meu amigo Philip Seymour Hoffman fez um filme muito simpático - Vejo você no próximo verão -, que dirige, protagoniza e coproduz, e acho que fez tudo direitinho, sobretudo atuar. É bom vê-lo encenando um personagem gauche, mas que transpira sinceridade e bom caráter. Ele o faz parecer natural, embora cheio de dificuldades para se entender com a garota complicada com que ele topou e se dispôs a amar. Terno e difícil - dois adjetivos para ambos, filme e esses dois personagens. Na verdade, o outro casal também vive suas asperezas - comos quase todos nós, em suma.
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Assalto ao Banco Central achei ótimo, com alguns momentos 'brancos', é verdade, mas na maior parte do tempo é cheio de ação, vibrante, os atores dão show, todos eles, e merece todo sucesso.
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Ri muito com Cilada.com, filme esperto, no melhor sentido, com boa história e bem feito, e não acho muita graça em comédia, em geral não rio de quase nada, mas a turma que acompanha o Bruno Mazzeo (que já foi meu aluno em menino, nossa) capricha e faz um ótimo trabalho. Gostei muito mais do que da patética segunda edição do Se beber não case, por exemplo, um horror absoluto.
That's all, beloved ghosts.
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Ia ver Melancolia hoje, mas acabei de babysitter de Gabriel, que ressona alto na cama ao lado. Muita expectativa em relação ao filme, gente odiando, outros amando, só vendo pra saber, mas acho que vou gostar muito.
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Meu amigo Philip Seymour Hoffman fez um filme muito simpático - Vejo você no próximo verão -, que dirige, protagoniza e coproduz, e acho que fez tudo direitinho, sobretudo atuar. É bom vê-lo encenando um personagem gauche, mas que transpira sinceridade e bom caráter. Ele o faz parecer natural, embora cheio de dificuldades para se entender com a garota complicada com que ele topou e se dispôs a amar. Terno e difícil - dois adjetivos para ambos, filme e esses dois personagens. Na verdade, o outro casal também vive suas asperezas - comos quase todos nós, em suma.
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Assalto ao Banco Central achei ótimo, com alguns momentos 'brancos', é verdade, mas na maior parte do tempo é cheio de ação, vibrante, os atores dão show, todos eles, e merece todo sucesso.
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Ri muito com Cilada.com, filme esperto, no melhor sentido, com boa história e bem feito, e não acho muita graça em comédia, em geral não rio de quase nada, mas a turma que acompanha o Bruno Mazzeo (que já foi meu aluno em menino, nossa) capricha e faz um ótimo trabalho. Gostei muito mais do que da patética segunda edição do Se beber não case, por exemplo, um horror absoluto.
That's all, beloved ghosts.
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O filho eterno - teatro
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Gostei muito de ver O filho eterno, no Oi futuro do Flamengo. O ator leva nas costas um monólogo extenso, com muita galhardia e competência. Acho que o livro me emocionou mais, mas literatura a gente lê acomodada do jeito que acha melhor; já o teatro a gente vê sentada um tanto espremida no meio de um monte de gente desconhecida (o que era o caso), então tem de ser bom mesmo pra não ficar bored, e não fiquei, não ficamos, ao contrário, o ator, Charles Fricks, da Cia de Atores de Laura (embora sozinho no palco por 1h10min, ele faz questão de dizer ao final "nós somos a Cia de Atores de Laura", achei bonito) mantém a tensão necessária para prender o espectador durante todo o espetáculo. Um feito e tanto, aplaude-se com vontade.
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Gostei muito de ver O filho eterno, no Oi futuro do Flamengo. O ator leva nas costas um monólogo extenso, com muita galhardia e competência. Acho que o livro me emocionou mais, mas literatura a gente lê acomodada do jeito que acha melhor; já o teatro a gente vê sentada um tanto espremida no meio de um monte de gente desconhecida (o que era o caso), então tem de ser bom mesmo pra não ficar bored, e não fiquei, não ficamos, ao contrário, o ator, Charles Fricks, da Cia de Atores de Laura (embora sozinho no palco por 1h10min, ele faz questão de dizer ao final "nós somos a Cia de Atores de Laura", achei bonito) mantém a tensão necessária para prender o espectador durante todo o espetáculo. Um feito e tanto, aplaude-se com vontade.
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