
Esse blog anda num silêncio abissal, não sei por quê... mas vamos lá.
Vi a exposição dos cadáveres siliconados, ou melhor, O corpo humano - real e fascinante, no Museu Histórico Nacional. Minhas impressões:
1. Muito interessante pelos motivos óbvios - corpos reais dissecados e expostos seus órgãos internos, mas senti menos impacto do que esperava porque os corpos são menores do que eu supunha;
2. Podem-se ver com clareza os órgãos maiores, mas os menores ficam um pouco encolhidos e meio perdidos pela técnica de polimerização. Há também uma sutil admoestação contra os males do cigarro, com pulmões nicotinados e corações ferrados por causa do alcatrão et caterva. Há também, claro, sobretudo a mulher dizendo pro marido "está vendo o seu pulmão, deve estar assim", e ele respondendo com a piada de sempre "pena que não posso fumar aqui" etc... Mas acho que os fumantes vão pensar no que viram, sim;
3. Quase todos os 16 corpos são de homens, apenas um inteiro de mulher foi visto, o que significa que o corpo da mulher não se presta muito bem à dissecação científica, suponho. O que tem do órgão reprodutor feminino aparece em lâminas, um útero pequenino, as trompas menores ainda, enfim, e a vagina fica embaixo desses órgãos, não dá para ver. Será que o corpo da mulher é mais... o quê? pornográfico? erótico? invisível? Sei lá, mas achei esquisita essa discriminação. Falei, pronto;
4. Em compensação, os corpos masculinos aparecem em todo o seu esplendor de nudez interna e externa: há veias, há quase todos os órgãos, há ossos, há peles cortadas para que vejamos o que há por baixo de quase tudo, há o que faz bem e o que faz mal. E também pudemos comprovar cientificamente que alguns homens de mãos enormes têm pênis grandes também, estão lá;
5. Concedeu-se à mulher uma sala especial. Não a ela, ou a seu corpo inteiro, mas 'ao fruto de seu ventre': há uma pequena saleta com um aviso de que o que se vai ver pode ser impactante etc, etc... trata-se de uma série de fetos, de 2 até 14 semanas, não lembro a última data. São lindinhos, eu achei, não impacta nada (no mau sentido), ao contrário, emociona;
6. Surgiu uma polêmica entre os adolescentes que estavam conosco (eram quatro) se os olhos dos corpos eram reais ou não. Uns diziam que sim, outros que não, a moça que recolhe assinaturas ao final da exposição dizia que sim. Eu acho que não, são todos de vidro, mas não tenho certeza. E não importa muito;
7. A exposição vale a pena. Vi alguns médicos explicando coisas que fazem muito sentido para eles, acho que os estudantes de medicina ganharam um presentão, e nós também, claro;
8. Eu gostei de ter visto, é um trabalho da maior relevância. Tomara que as crianças das escolas públicas tenham abatimento no preço e acesso a tudo isso.